Encurtador para Whatsapp

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Carnaval do Brasil ‘trieletrizado’ em sua voltagem máxima

         


O mês mais curto do ano, com seus 28 dias ligeiros, parece concentrar no Brasil uma intensidade que não cabe no calendário. Fevereiro é sinônimo de calor, de ruas cheias, de batuques que atravessam madrugadas e, sobretudo, de Carnaval. Em 2026, ao chegar ao seu último dia, a festa deixou mais do que glitter espalhado pelo asfalto. Ela deixou perguntas ecoando entre trios elétricos, sambódromos e bloquinhos.

A Foliã que vos escreve é nascida em fevereiro, mês que carrega no DNA a alegria e a irreverência, e eu não poderia deixar de comentar o que vi e senti. O Carnaval segue sendo uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, mas também se tornou um dos maiores palcos de sua mercantilização. Entre abadás caríssimos, camarotes exclusivos e os chamados “cercadinhos”, a pergunta que não quer calar continua a insistir, afinal, a quem pertence a festa?

Em Salvador, a cena foi emblemática. Armandinho, herdeiro da tradição de Dodô e Osmar, símbolo da democratização da música nas ruas, precisou se desdobrar para garantir espaço fora da lógica dos cercamentos que transformam o espaço público em área VIP. Como se não bastasse, a família ainda enfrentou uma batalha pessoal, a necessidade de organizar uma vaquinha para custear o tratamento de Aroldo Macedo, acometido por uma doença rara. A mobilização popular, felizmente, mostrou que a solidariedade ainda pulsa forte no coração da festa. 

No eixo Rio–São Paulo, o Carnaval também revela suas tensões e reinvenções. Em Rio de Janeiro e São Paulo, os bloquinhos de rua voltaram a crescer nos últimos anos, reafirmando a potência do encontro espontâneo, gratuito e diverso. São manifestações que escapam, em parte, da lógica empresarial, ainda que também sofrem pressões de patrocínios, regulamentações e disputas por espaço urbano. O asfalto vira palco, o povo vira protagonista, e a cidade se reconhece em sua pluralidade.

Enquanto isso, em Niterói, uma escola de samba decidiu homenagear Luiz Inácio Lula da Silva, reacendendo o debate sobre os limites, ou quem sabe a inexistência deles, entre cultura, política e Carnaval. A avenida tornou-se arena simbólica, onde memórias, disputas ideológicas e narrativas históricas se entrelaçam ao som da bateria. Para alguns, foi ousadia, para outros, provocação. Mas, acima de tudo, foi expressão. E o Carnaval sempre a expressão do cotidiano e do tempo presente. O que se observa, portanto, é um Carnaval que oscila entre resistência e mercado, entre tradição e espetáculo, entre crítica social e entretenimento massivo. A festa continua sendo do povo, mas disputa, ano após ano, o direito de permanecer pública, acessível e plural. 

Ao fim do Carnaval de 2026, restam confetes e reflexões. Se fevereiro é o mês mais curto, sua capacidade de revelar as contradições do Brasil é imensa. Talvez seja essa a grande força da festa. E enquanto o país dança, também pensa. E entre um passo de frevo e um refrão de samba, seguimos perguntando que cultura queremos celebrar e para quem.

terça-feira, outubro 21, 2025

João Pessoa sediará o I Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras

 


No período de 23 até 26 de outubro de 2025, João Pessoa se tornará o epicentro da cultura literária nacional ao sediar o Primeiro Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras. O evento é promovido pela Academia Paraibana de Letras (APL) e reunirá representantes de diversas academias de letras do país, com o tema “A importância das academias de letras na formação cultural de sua gente.”


A programação reúne conferências, painéis, lançamentos de livros, debates, passeios culturais e momentos de confraternização em locais históricos e simbólicos da capital paraibana — como o Centro Cultural São Francisco, o Centro Histórico de João Pessoa e a Praia do Jacaré, em Cabedelo.

 

Abertura solene no Centro Cultural São Francisco

 

O congresso será aberto na quinta-feira, 23 de outubro, às 18h, no Centro Cultural São Francisco, com saudação do presidente da APL, Ramalho Leite, e conferência inaugural do acadêmico Joaquim Falcão, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Durante a cerimônia, o governador João Azevêdo Lins Filho receberá o título de sócio honorário da instituição. A noite contará ainda com uma apresentação musical especial.

 

Painéis e debates sobre a literatura paraibana

 

Na sexta-feira, 24 de outubro, as atividades acontecerão na sede da Academia Paraibana de Letras. Pela manhã, será instalado o Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras (FALE BR), além de comunicações sobre o Arquivo Afonso Pereira (com Francisco de Sales Gaudêncio) e sobre a Revista Continente, apresentadas pelo editor Mário Hélio. Encerrando o turno, o acadêmico Joaquim Falcão (ABL) falará sobre “A importância das academias de letras na formação cultural.”

          No turno da tarde, o destaque será o Painel sobre a Literatura Paraibana, abordando os legados de Ariano Suassuna, José Américo de Almeida e José Lins do Rego, com participações de Ângela Bezerra de Castro, Hildeberto Barbosa Filho e Maria das Graças Paiva Santiago. Em seguida, haverá um debate com a historiadora e escritora Mary Del Priore e lançamento de livros de Constância Lima Duarte, Diva Mª C. P. Macêdo, Eliel Santiago de Brito Pereira e José Octávio de Arruda Mello.

 

Passeio literário e Carta da Paraíba

 


No sábado, 25 de outubro, será dedicado a atividades culturais. Pela manhã, o Centro Histórico de João Pessoa receberá a exposição e o passeio “Nos Passos de Augusto”, conduzido pelo professor Milton Marques Júnior, em homenagem ao poeta Augusto dos Anjos. Durante o encontro, será redigida a Carta da Paraíba, documento-síntese do congresso, com propostas para fortalecer o papel das academias de letras na difusão cultural do país.

 À tarde, os participantes se deslocarão até a Praia do Jacaré, em Cabedelo, onde o congresso será encerrado simbolicamente com o pôr do sol ao som do Bolero de Ravel, num momento de confraternização entre os escritores e convidados.

 Exposição permanente

    Durante todo o evento, o público poderá visitar a Exposição “Imortais”, com charges e caricaturas do artista Régis Soares, homenageando personalidades literárias que marcaram a história das academias brasileiras. O I Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras simboliza a união de intelectuais de todo o país em torno da valorização da palavra, da língua portuguesa e da identidade cultural brasileira. Para a Academia Paraibana de Letras, anfitriã do encontro, o evento é um marco histórico que reforça o protagonismo da Paraíba na cena literária nacional e promove um diálogo entre tradição e contemporaneidade.



📍 Serviço
Evento: I Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras
Data: 23 a 26 de outubro de 2025
Locais: Centro Cultural São Francisco, Academia Paraibana de Letras, Centro Histórico de João Pessoa e Praia do Jacaré (Cabedelo)
Realização: Academia Paraibana de Letras
Tema: “A importância das academias de letras na formação cultural de sua gente”

 

 

domingo, julho 21, 2024

Um marco literário de Políbio Alves

 

    O  escritor paraibano Políbio Alves lançou no mês passado a obra "Outono - Memorial da Escritura", uma dissertação livre que mergulha na trajetória de Políbio Alves, revelando o árduo caminho percorrido desde a infância até se tornar um autor reconhecido. No livro, Políbio reflete sobre seu desenvolvimento como escritor e cidadão, revisitando a época da ditadura militar e sua luta incessante contra a injustiça social. A obra é dividida em duas partes: a primeira traz as reflexões do autor sobre a palavra e sua importância como semente, argamassa, fio de linha e fermento. A segunda parte apresenta uma fortuna crítica, com análises e comentários de outros escritores sobre o trabalho de Políbio Alves.

Detalhes do Evento

Livro: OUTONO - MEMORIAL DA ESCRITURA
Autor: Políbio Alves
Editora: Mídia Gráfica e Editora
Ano de publicação: 2024
Lançamento: 10 de julho de 2024, às 19h
Local: Usina Cultural da Energisa - Café da Usina
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá - João Pessoa - PB

Sobre "OUTONO - MEMORIAL DA ESCRITURA"

"OUTONO - MEMORIAL DA ESCRITURA" é uma obra que combina elementos autobiográficos com reflexões profundas sobre o processo de escrita e o papel do escritor na sociedade. Políbio Alves tece suas memórias pessoais com ensaios que abordam a palavra e a escrita como formas de expressão e resistência.

Estrutura do Livro

  • Parte 1: Ensaios e reflexões pessoais sobre a palavra, a linguagem e o trabalho literário.
  • Parte 2: Fortuna crítica, com textos de outros escritores que analisam a obra de Políbio Alves.

Sobre o Autor

Políbio Alves dos Santos, nascido em 1941, é um escritor, poeta e ficcionista paraibano. Formado em Administração, aposentou-se como servidor público federal. Sua paixão pela literatura o acompanhou desde a infância, apesar das dificuldades financeiras. Iniciou sua carreira literária na década de 1980 e, desde então, publicou várias obras, incluindo:

  • O que Resta dos Mortos (1983)
  • Varadouro (1989)
  • Exercício Lúdico – Invenções & Armadilha (1991)
  • Passagem Branca (2005)
  • Os Objetos Indomáveis (2013)
  • Os Ratos Amestrados Fazem Acrobacias ao Amanhecer (2014)
  • La Habana Vieja: Olhos de Ver (2016)
  • Acendedor de Relâmpago (2019)

Políbio é reconhecido por sua escrita engajada, que aborda questões sociais, políticas e existenciais com uma força poética marcante.

Reconhecimentos e Prêmios

Ao longo de sua carreira, Políbio Alves recebeu várias honrarias, como:

  • Medalha Poeta Augusto dos Anjos (2001)
  • Comenda Cidade de João Pessoa (2002)
  • Título de Doutor Honoris Causa pela UFPB (2002)

Legado

Considerado um dos escritores mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Políbio Alves tem sua obra estudada em universidades e centros de pesquisa, com livros traduzidos para diversas línguas. O lançamento de "OUTONO - MEMORIAL DA ESCRITURA" representa um marco significativo em sua carreira e um presente para os amantes da literatura reflexiva e engajada.

 

Foto: Carlos Rodrigo

sexta-feira, junho 14, 2024

A jornada de um Redentor

 


Fui desafiada por um amigo a ler o livro “O Redentor” de Edgard Armond (Ed. Aliança, SP, 1979). Ao primeiro prólogo pensei que fosse uma obra parecida “O meu Cristo partido”, do padre Ramon Crué, que comunga narrativa complexa de vida com espiritualidade.

        O Redentor segue a trajetória de um personagem principal que busca a iluminação e a compreensão do verdadeiro propósito da vida. Em sua jornada, ele encontra diversos desafios e figuras que representam diferentes aspectos da sociedade e da condição humana. Através dessas interações, o autor explora temas como a redenção, o autoconhecimento e a evolução espiritual.

          Armond utiliza uma linguagem acessível, mas carregada de significados profundos, tornando a leitura tanto agradável quanto desafiadora. E para quem diz não gostar de filosofia o livro é permeado por reflexões filosóficas e espirituais que convidam o leitor a introspectar e questionar suas próprias crenças e atitudes.

            Mesmo sendo um livro bastante lido pelos espíritas, este pode e deve ser lido por qualquer religião ou desinência espiritual, ao integrar conceitos e ensinamentos universais que transcende barreiras religiosas e culturais. A narrativa é construída de maneira a conduzir o leitor por um caminho de autodescoberta, incentivando-o a buscar uma vida mais consciente e alinhada com os princípios espirituais.

            Como bônus track, o livro traz também desenhos ilustrativos, um mapa da cidade de Jerusalém ampliado e um bem pequeno (p. 35/36) da cidade da Palestina dos tempos de Jesus, com uma pequena mostra da cidade Nazareth, uma preciosidade para a literatura clássica românica cobiçada pelos arqueólogos americanos e egípcios por muitos anos. Como sofreram e ainda sofrem os palestinos, que hoje estão sob grande opressão de uma guerra brutal que une tráfico, mentiras, milicias, política, interesses escusos e religião.

            A obra cita e revisita vários personagens e eventos bíblicos, se utilizando de símbolos para ilustrar conceitos. Em um segundo momento pensei não houvesse nada escrito sobre Maria, a mãe de Jesus. Mas, logo nos primeiros capítulos, Armond introduz Maria como uma figura central no plano divino de redenção da humanidade. Ele destaca sua pureza, devoção e aceitação do papel de mãe de Jesus, enfatizando sua importância como um exemplo de fé e obediência à vontade de Deus.

            Outro momento que fala de Maria é na anunciação do anjo Gabriel. Está parte fica clara a aceitação de Maria como mensageira e mulher que soube cumprir sua missão na terra, ressaltando sua humildade e coragem. Maria como mãe educadora de Jesus na infância, sábia e espiritual. Às vezes chega-se a pensar que a história de Jesus não é sobre ele, mas sobre Maria, sua mãe.

            Outra parte do livro, ele explora o sofrimento de Maria na crucificação de Jesus. Ele descreve a dor imensa que ela sentiu ao ver seu filho sofrer e morrer, como se estivesse lá, mas também destaca sua força e fé inabaláveis. Este momento é utilizado para ilustrar o tema do sacrifício e da redenção, central ao argumento de Armond.

            Após a ressurreição de Jesus, Armond retrata Maria como uma figura de continuidade e esperança para os discípulos. Ela é vista como um pilar de fé, ajudando a manter viva a mensagem e os ensinamentos de Jesus. Sua presença confortadora e inspiradora é destacada como crucial para o fortalecimento da fé dos primeiros cristãos católicos no mundo.

            Edgard Armond utiliza a figura de Maria para reforçar os temas centrais de "O Redentor" – fé, sacrifício, redenção e amor incondicional. Sua representação de Maria vai além da mera figura histórica, transformando-a em um símbolo poderoso de espiritualidade e devoção. É uma obra que merece ser lida e relida, pois cada nova leitura revela camadas adicionais de significado e sabedoria, o problema é saber interpretar na dinâmica daquilo que creio e o que compreendo.

 

 

 

domingo, maio 26, 2024

Canções da Jovem Guarda invadem o Depois da Esquina com Guilherme Oliveira neste sábado (25)

         

         Fãs da Jovem Guarda preparem-se que neste sábado (25), a partir das 20h, no Depois do Esquina, no Bessa tem muita música boa. A atração é o cantor Guilherme Oliveira (ex-Tuareg´s) que trará um repertório com músicas que fizeram sucesso nas décadas de 1970 a 1980. Na play list estão incluídas músicas clássicas nacionais e internacionais do Bee Gees, ABBA, Roberto Carlos, Wanderleia, Michel Jackson, Elvis Presley, Elton John, Carpenters e muito mais.

Para quem ainda não conhece Guilherme Oliveira é um cantor que vem ressurgindo cenário musical paraibano e chamando atenção com sua voz nas redes sociais. Ele é um dos irmãos da lendária banda Tuareg´s, que fizeram bastante sucesso nos bailes e clubes de João Pessoa nas décadas de 1970, 1980 e 1990.

Hoje Guilherme Oliveira faz carreira solo após passar um tempo longe dos palcos e da música, em São Bento do Una (PE), terra de Alceu Valença. Retornou para João Pessoa e vem conquistando os ouvidos dos mais saudosistas e de pessoas que vivenciaram um período promissor das bandas de baile da cidade, onde eram constantes as festas chamadas de “assustados”. Recentemente ele se apresentou com o guitarrista Zé Filho em um restaurante local, que vendeu todas as mesas em menos de uma semana.

            Depois da Esquina – Mais do que um bar com cerveja gelada trincando nos dentes, petiscos de bar e drinks deliciosos é um espaço que respira música o dia inteiro, localizado no coração do bairro do Bessa, por trás do Colégio Pio XI. É comandado pelo músico, compositor e cantor Robério Jacinto, outro grande artista local, ex-integrante da banda Limusine 58, banda que fez muito sucesso em 1986 e que colocou quase 10 mil pessoas na Praça do Povo do Espaço Cultural, quando lançou o LP “Marcou Geral”, que tinha como backing vocal as Ratas Mecânicas.

            A banda Limusine 58 imprimia o estilo pop/rock e tinha em sua formação Ricardo Fabião, Robério Jacinto e Júlio Charles, falecido em 2008. Uma das músicas que ainda hoje faz sucesso e é sempre lembrada é “Mistério”, que tocou bastante em emissoras de rádio e televisão, além de Cara Pálida e outros sucessos.

            Prepare-se para uma noite de muita nostalgia e música boa!

 

Não perca!

Data: Sábado, 25 de maio

Hora: 20h

Local: Depois da Esquina (Bessa) – Rua Antônio de Oliveira Moura, 283, Aeroclube

Atração: Guilherme Oliveira (ex-Tuareg's)

Informações e reservas: 9.8684.9556