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domingo, abril 03, 2011

O que quer o que pode essa língua?


Perspectiva Social e Histórica da Nova Ortografia do Brasil agora em livro de bolso

Dentro de uma perspectiva social e histórica sobre a nova ortografia do Brasil o professor universitário Jorge Fernando Hermida e a professora de Letras Noeli Salete Sorgatto acabam de lançar, pela editora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o livro “Nova Ortografia do Brasil e países de língua portuguesa: perspectiva social e histórica” (João Pessoa, 134p, 2011.R$ 15,00).

A publicação não traz apenas as principais mudanças na língua portuguesa brasileira, mas, dentre outros aspectos, apresenta uma cronologia dos principais acordos ortográficos, uma síntese da história das línguas no mundo e breve história da língua portuguesa. Com algumas ilustrações o livro de bolso apresenta também um pouco de filosofia e mostra de forma humorada e divertida as curiosidades do português de Portugal e do Brasil.

O livro traz ainda uma lista com os idiomas das tribos indígenas brasileiras ameaçadas. “Das 1.200 línguas faladas do país antes da chegada dos conquistadores portugueses restaram apenas 181. Essa rica diversidade está desaparecendo do país. Isso é preocupante”, alertou o professor Jorge Fernando Hermida.

Outra preocupação dos autores é em como fazer com que os conteúdos vinculados a reforma ortográfica possam chegar a todas as pessoas, principalmente, em um país como o Brasil que detém hoje uma taxa de analfabetismo que oscila entre 10 a 12% do total da população.

Redigido em uma linguagem simples e didática o livro “Nova ortografia do Brasil e países de língua portuguesa: perspectiva social e histórica” está estruturado em 10 capítulos e procura tratar do assunto de forma interdisciplinar. “Este ordenamento permite que os leitores, em especial os pais, estudantes e professores, fiquem livres para selecionar os métodos, os conteúdos e as técnicas mais adequadas para apoiar-se na temática e posteriormente socializá-la”, esclareceu o professor Jorge Fernando Hermida.

A capa do livro traz uma ilustração do mapa mundi do século passado envelhecido, como num pergaminho, e mostra a ligação, a teia, a rede social que um idioma de um país pode alcançar, mostrando até onde os signos linguísticos podem chegar, podem fazer para se comunicar.

O livro disponibiliza um anexo com a versão oficial do Acordo Ortográfico de 1990 e lei publicada no Diário Oficial da União em 2008. “Esperamos que os documentos oficiais sejam material de consulta para os pesquisadores que queiram aprofundar sobre o tema”, concluiu Hermida.

SOBRE OS AUTORES:

JORGE FERNANDO HERMIDA – É natural de Montevidéu (República do Uruguai), naturalizado brasileiro a mais de 20 anos. Doutor em Filosofia, História e Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp), Pós-Doutor em Sociologia da Educação pela Universidade de Salamanca (Espanha). Atualmente é professor nos Departamentos de Educação Física, do Programa de Pós-Graduação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (PPGE/UFPB) e professor do curso de pedagogia à distância (EAD) da UFPB. É coordenador e líder do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Física, Esporte e Lazer da Paraíba (LEPEL/PB). Tem vários livros publicados pela editora universitária da UFPB. Entre eles: Educação Infantil – Políticas e Fundamentos (3ª edição), Educação Física: Conhecimento e Saber Escolar, A Reforma Educacional no Brasil, Educação na Era FHC, Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental – Formação de Professores, Educação Infantil – Experiências e Vivências no Nordeste do Brasil. Um dos livros que organizou Educação Infantil – Políticas e Fundamentos foi adotado no Timor Leste (país que recentemente adotou a língua portuguesa como idioma oficial).

NOELI SALETE SORGATTO – Natural de Santa Catarina. Mestre em Educação pela FURB, graduada em Letras pela FACEPAL (PR). Experiência docente em educação pública e privada. Planejou e implantou a Escola de Educação Infantil Básica da Unidavi (SC). Atualmente residindo na Paraíba, em Cabedelo (PB). É professora mediadora do Curso de Pedagogia a Distância da Universidade Federal da Paraíba (EAD/UFPB).

SERVIÇO:

LANÇAMENTO: NOVA ORTOGRAFIA DO BRASIL E PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: PERSPECTIVA SOCIAL E HISTÓRICA

Autores: Jorge Fernando Hermida e Noeli Salete Sorgatto

Editora Universitária

Ano: 2011

134 páginas

Preço: R$ 15,00.

sábado, janeiro 22, 2011

Peleja de Inácio da Catingueira e Romano de Mãe D´água


Recentemente recebi de minha tia Jeanne Crisanto uma Peleja de Inácio da Catingueira e isso me fez novamente voltar ao passado e resolvi escrever.

Eu passei minha infância e adolescencia escutando falar das Pelejas de Inácio da Catingueira (município localizado a poucos quilômetros depois da cidade de Patos, no interior do Estado da Paraíba) e confesso que sempre revisito essas cantorias para fortalecer minhas origens. Catingueira é um município ainda muito pobre, com bolsões de pobreza gritantes, uma região árida, que chove muito pouco, onde a sobrevivência da população vem da agricultura e da criação de poucos animais. Uma região em que tem também um subsolo rico em minerais, como o quartzo, mas ainda não explorado. Lugar de uma beleza natural ímpar e com serra gigantesca que leva o nome da cidade, Serra da Catingueira. Cidade que ainda salvaguarda suas tradições, com uma rua que atravessa de um canto a outro, uma igreja, uma praça e algumas modernidades que já chegou por lá também.

As Pelejas de Inácio da Catingueira eram recitadas pelo avô materno (Antônio Crisanto Dantas), ou por seus amigos violeiros e cantadores que sempre vinham nos visitar na Fazenda Boa Vista, localizada neste município, para prozear, saborear uma buchada com farinha, um picadinho de bode, tomar um banho de açúde, tomar uma pinguinha servida pelo meu pai (Edson Monteiro da Silva), que não bebia, mas servia para os convidados a autêntica água ardente dos engenhos de cana-de-áçucar da Paraíba como honra da casa servir e oferecer o melhor a quem por lá chegasse.

Inácio da Catingueira era um escravo, que mais tarde foi apelidado de gênio escravo. Romano da Mãe D’água, dito Romano Caluete, um pequeno proprietário rural, ambos paraibanos, e teriam travado esta peleja na feira da Vila de Patos, PB, em 1870. O poeta Luiz Nunes Alves fez esta unificação tomando por base os diversos fragmentos que correm na boca do povo, já registrados por Ugolino do Cabugi, Leandro Gomes de Matos, Leonardo Mota, Silvino Pirauá, Chagas Batista, Padre Manuel Otaviano, Rodrigues de Carvalho e Nestor Diógenes.

Diz a lenda popular, pois não sei se é verdade, que essa Peleja demorou vários dias, e que eles seguiram recitando em praça pública e juntou gente para ver isso. Meu avô, Antônio Crisanto Dantas, para resgatar a traição poética do lugar e fazer viver Inácio construiu em praça pública um monumento em homenagem ao poeta escravo. O evento, inauguração do monumento, teve presença de políticos importantes da época, como Ernani Sátyro, Tarcísio Burity e outros políticos da redondeza.

Antes o monumento era de cor Preta, pois Inácio era negro. Mais tarde o monumento foi pintado de branco...coitado de Inácio... deve ter revirado no túmulo a essa altura...mas, em seguida, veio outra administração municipal e pintou o corpo (braços e pés) de preto e a roupa de branco, pois ao que se dizia a época, o gênio escravo vestia-se de branco e tinha um sorriso matreiro.

Peleja, para quem não sabe, é um gênero poético popular dialogado, em que dois poetas compõem versos de improviso um contra o outro, caracterizando uma disputa verbal. Normalmente acompanhada de viola, a forma de composição da peleja se estrutura em estrofes de dez versos, ritmados como o martelo ou como o galope.

A história de Inácio da Catingueira pode ser vista no Portal eletrônico da cidade, no endereço http://www.catingueiraonline.com/2009/05/inacio-da-catingueira-de-escravo-genio.html.Mas, essa riqueza familiar, cultural do meu universo ninguém sentiu e poderá contar ou comprar.

Segue a Peleja de Inácio abaixo e a foto do monumento de Inácio da Catingueira abaixo que pode ser vista no Portal Catingueira On Line. Com a Peleja segue também o desafio para os cantadores e poetas deste tempo eletrônico e cibernético repetir a proeza de Inácio e Romano de Mãe D´Água de cantar por 24 horas.

Fotos:
Primeira - Álbum de família - Meu bisavô - Pai do meu avô era repentista e meio cego com uma viola de 12 cordas, ou como diria Zé Ramalho, meu Avôhai!
Segunda - Serra da Catingueira vista da Fazenda Boa Vista.
Terceira - Foto do monumento Inácio da Catingueira disponível no Portal Catingueira On Line.


Peleja entre Inácio da Catingueira e Romano do Teixeira

(Começa com Inácio, seguido por Romano e segue alternando)


Inácio

Senhores que aqui estão
Me tirem de um engano:
Me apontem com o dedo
Quem é Francisco Romano,
Pois eu ando no seu piso
Já não sei há quantos anos.



Romano

Negro me diga o seu nome
Que eu quero ser sabedor,
Se é solteiro ou casado,
Aonde é morador,
Se acaso for cativo,
Diga quem é seu senhor.


Eu sou muito conhecido,
Aqui nesta ribeira,
Este é o seu criado
Inácio da Catingueira.
Dentro da Vila de Patos,
Compro, vendo e faço feira.


Vieste a Patos
Procurando quem te forre
Volta pra trás, meu negrinho
Que aqui ninguém te socorre;
E quem cai nas minhas unhas
Apanha, deserta ou morre.


Eu vim a Patos
Pela fama do senhor,
Que me disseram que era
Mestre e rei de cantador;
E que dentro de um salão
Tem discurso de um doutor.


Que andas fazendo
Aqui nesta freguesia,
Cadê o teu passaporte,
A tua carta de guia
Aonde tá teu sinhô
Cadê a tua famia.


Eu sou cativo,
Trabalho para meu sinhô...
Quando vou para uma festa
Foi ele quem me mandou,
E quando saio escondido
Ele sabe pronde eu vou.


Deixa-te disto,
Não te possa acreditá
Pois eu também tenho nego
E só mando trabaiá...
Como é que teu sinhô
Vai te mandá vadiá?


Inaço da Catinguera
Escravo de Mané Luiz
Tanto corta com risca,
Como sustenta o que diz!
Sou vigaro capelão
E sacristão da matriz.


Este aqui é seu Romano
Dentaria de elefante,
Barbatana de baleia,
Força de trinta gigante,
É ouro que não mareia,
Pedra fina e diamante.


É nego desengonçado:
Abre cacimba no seco
Dá em baixo do muiado...
Aperta sem sê troquês,
Corta pau sem sê machado.


O meu martelo,
Por bom ferreiro é forjado;
Tanto ele é bom de aço,
Como está bem temperado;
A forja onde ele foi eito
É toda de aço blindado.


Eu lhe garanto
Que resisto ao seu martelo;
Ao talho do seu facão,
Ao corte do seu cutelo;
Se eu morrer na peleja,
Lhe vencerei no duelo.


Negro criado vadio
Tem por fim acabar má;
Uns casam com mulher forra
Outros dão pra roubá.
Outros fogem do serviço
Com medo de trabalhá.


Eu felizmente não sou
Escravo de senhor cru,
Que trabalha todo o dia
De noite faz quinguingu
Aparpando no escuro
Fossando que nem tatu

Estou ouvindo as tuas loas,
Não te possa acrediar.


Que eu também tenho escravo
Mas não mando vadiar,
Que eu saio pra divertir
Os negros vão tabalhar.


Sou cativo,
Mas trabalho no comum.
Dar descanso a seus escravos
É gosto de cada um
Meu sinhô tem muito negro,
eu Romano só tem um.


Pra negro eu tenho chicote
E palmatória e trabuco.
Boto-o na mesa do carro
Passo por cima e machuco
Vadeio de lá pra cá:
Traco-traco! Truco-truco


Meu facão
Também trabalha em seu quengo!
Desmastreio-te a carreira
Como um cavalo de rengo
E vou de uma banda pra outra
Traco-traco! Tengo-tengo


Nego, se eu te pegar
Numa volta de caminho
Eu te faço um agrado,
Com meu chicote um carinho
Se a camisa for nova
Só te deixo o colarinho


Sou abelha de ferrão
Sou besouro de caboco,
Se eu pegar seu Romano,
Dou um arrocho, deixo-o rouco
De quebrar-lhe as canelas
Só deixar-lhe dois catoco


Negro você não me venha
Que se vier eu lhe abeco
Sacudo-o em cima da forja,
Com os fole eu te sapeco,
Boto-te em cima da safra,
Com dois malhos, teoc-teco


Não se alegre
Que a hora não acabou-se.
Eu derrubo de machado,
Acabo, pico de foice.
Valentão que vir a mim
Mato-o de queda e de coice.


Nego se tu me cercares
Com quatrocentos caifai
Cem de uma banda, cem de outra
Cem adiante, cem atrai
Isto é que é tapa que dou
Isto é que é nego que cai.


Fazê isso
Tá arriscado a passar má
Vai o chumbo, vai a bala
Vai o nó do caruá.
Dá-lhe os nego, dá-lhe as nega
E os molequim também dá


Na minha não passa
Negro sem carta de guia
Boto-lhe o surrão abaixo
Para fazer vistoria
Se é cativo ou se é liberto
Se é casado e tem famia


A fazer isto
Certamente passa má
Vai a bala, vai o chumbo,
Vai a corda de crauá
Dá-lhe os negro, dá-lhe as negra
Dá-lhe tudo, tudo dá


Madeira do Piancó
Eu boto-lhe no meu machado
E tiro-a toda no pó
Boto-lhe a régua em cima
E desempeno de enxó

Carapina,


Carregue boa ferrage
Sou braúna, angico torto
Sou pedra mármore, em lage,
Sou lagedo, penedia,
Logo seu ferro é bobage


Olha que eu tenho
Força e muita inteligência,
Não me falta no meu estro
A veloz reminiscência;
Muitas vezes tenho dado
Em cantador de ciência.


Eu só garanto
É que ciência eu não tenho,
Mas para desenganá-lo
Cantar consigo hoje venho;
Abra os olhos, cuide em si,
Pra não perder seu desenho


Inaço faça um favô
Me diga lá num repente
Qual é a dor que mais dói,
Que mais atormenta a gente.

Eu penso que o panadiço
É dozinha impertinente;


Mas porém tem muitas outra
Que eu lhe digo, no repente:
Ferroada de lacrau
Faz o pé ficar dormente;
Tem outra dô condenada,
É pisá-se em brasa quente


Sou que nem dois telegrama:
Quando um assobe outro desce...

Inaço, você me diga,
Que nunca achei quem dissesse,
Qual é a erva do mato
Que o próprio cego conhece.


Neste negócio de mato
Sou quase decurião...
Corto o baraio onde quero,
Dou carta e jogo de mão;
No mato tem uma erva,
Queima e arde como o chão,


O próprio cego conhece:
É urtiga ou cansação

Inaço, se és tão sabido,
Responda sem estudá,
Qual é o tranze da vida
Que mais nos faz apertá,


Que até nos tira a alegria,
O jeito de conversá,
O sono durante a noite,
A vontade de almoçá.

Me parece,
Eu que não sou aprendido,


É quando morre a mulhé,
Ou quando morre o marido,
Nosso pai ou nossa mãe,
O nosso filho querido,
Quando chega em nossa porta
Um credô aborrecido


Tomara achar quem me mostre
Uma casa sem Maria,
Mês que não tenha semana,
Uma semana sem dia,
Altá de igreja sem santo,
Vigaro sem freguesia,


Moça nova sem namoro
E véia sem ser "titia".

Eu nunca vi filho único
Que não fosse preguiçoso!
Quem anda com guarda-costa
Não é valente, é medroso!


O homem se faz por si,
Ninguém nasce poderoso!
O pobre fica maluco,
O rico fica nervoso...

Há certas coisas na vida
Que, se dando, é raridade:


Menino não querê leite,
Soldado ter castidade,
Rapariga sem enfeite,
Gente sonsa sem maldade,
Moça passar dos trint’anos,
Dizer direito a idade.


Há dez coisas neste mundo
Que toda gente procura:
É dinheiro e é bondade,
Água fria e formosura,
Cavalo bom e mulhé,
Requeijão com rapadura,


Morá sem ser agregado,
Comê carne sem gordura...

Quando eu era pequenino,
No tempo em que eu vadiava,
No lugá onde eu nasci
A minha força eu mostrava:


Não deixei pau pra semente,
Pela raiz eu cortava.

Nunca vi ninguém no mundo
Indigestá sem cumê,
Navio corrê no seco,
Atolero sem chuvê...


Também nunca vi no mundo,
Por isso queria vê
Tirá pau pela raiz
Só vendo é que posso crê:
Só se era mata-pasto,
Canapum ou muçambê


O pau que eu tirá de foice,
Tu não tira de machado;
No mato que eu entrá nu,
Cabra não entra encourado;
Barbatão que eu pegá solto
Botas no mato, peado.


Inda não viu
O tamanho do meu roçado:
Grita-se aqui num aceiro
Ninguém ouve do outro lado,
Eu faço coisa dormindo
Que outro não faz acordado,


O que o sinhô fizé em pé
Eu faço mesmo deitado

No lugar onde eu campeio
Tu mesmo não tira gado;
Faço figura no limpo
Faço mió no fechado


No poço que eu tomá pé
Você morre é afogado.

Coisa que eu faço no mato
Ninguém faz no tabolero
O que o branco faz no duro
eu faço num atolero;


O que faz no mês de março
Eu tenho feito em janeiro,
O branco bem amontado
O nego em qualquer sendero
A concessão que lhe faço
É correr no meu acero


Embora o diabo lhe ajude
Eu derrubo o boi primero.

Eu já tenho dado em touro
Que quando ronca estremece
Tenho domado leão
Até que ele me obedece;


Já dei em muitos cantores
Mas nunca achei quem me desse!

Com touros e com leões
Seu Romano já brigou
Mas se o povo se acalmar
Eu hei de mostrar quem sou


Quero dar em seu Romano
Que diz que nunca apanhou.

Se você vê que não pode
Comigo, é bom que se aquete:
Enquanto derrubá um,
Eu despacho mais de sete!


O que você faz de espada
Desmancho de canivete...

O senhor nunca me viu
Frangi o couro da venta,
Meu cabelo se arpoá
E a testa ficar cinzenta...


Cantadô, quando eu me agasto,
Esfria com água benta

Quando pego um cantador,
Adoece de repente,
Dá-lhe uma dor de cabeça
E uma conceira ardente


É um vexame tão grande
Que não há diabo que aguente.

Meu martelo tem azougue
Cantador dele não sai,
Dá-lhe um frio com tontura,
Seca a carne a língua cai,


Fica o corpo sem governo
E a alma vai-e-não-vai.

Inaço, tu tem cabeça
Porém juízo não tem!
Um gigante nos meus braços
Aperto não é ninguém!


Aperto um dobrão nos dedo
Faço virar um vintém.

Tem coisa que dá vontade
Me meter na vida alheia:
Quem mata assim tante gente
Inda não foi pra cadeia!


Pegá um gigante à mão
E não ficá ca mão cheia!
Rebentar dobrão nos dedo
E não quebrá uma veia:
Esse dobrão é de cera,
Esse gigante é de areia...


Inaço, fica sabendo
Que sou rei nesta ribera!
Tá me dando uma veneta
Fazê uma brincadera:
Eu quero mudá-te o nome
De Inaço da Catinguera...


Desse pau tão duro e forte
Eu faço burra leitera
E se me dé na cabeça
Faço virá bananera...

O branco mais muita gente,
O negrinho mermo só,


O branco vem de cacete,
E eu recebo a cipó...
No pau que fizé entalha
Eu lavro sem deixá nó:
O branco corta a machado,
Eu lavro mermo de enxó...


Se mete a cantar repente,
Negro me trata melhor,
Que estamos em meio de gente
Queira Deus você não saia
Da sala de couro quente.

Meu branco dou-lhe um conselho,


Espero o sinhô tomar,
Se tire desse sentido,
Se arrede desse pensar,
Juro com todos os dedo
Que um homem só não me dá.

Fala como uma folhinha...


Não quero escutá bobage,
Guarda a tua ladainha,
Não és pra me dá conselho:
Quando tu ia eu já vinha...

Eu pra cantá
Não preciso passaporte...


É um dom da natureza
Um favor da minha sorte!
Em negócio de cantiga
Tenho feito muita morte.

Se tu pretendes
Contra mim te armar em guerra,


Verás eu tirar-te a vida,
Deixar-te inerte, na terra,
E botar no teu cadáver
Serra por cima de serra.

Eu tenho visto
Cantor que diz que é sabido,


Vir pelejar contra mim
Mas quando se ver perdido,
Chora pedindo desculpas
Dizendo: estava iludido.


Inácio as tuas façanhas
Eu delas não faço conta,
Tu te opondo contra mim
Dás murro em faca de ponta;
Eu monto no teu cangote
Mas no meu ninguém se monta.


Não faz conta
Porém eu hoje desmancho
Tudo o que o sinhô fizer:
Toco-lhe fogo no rancho,
Cuide em si que o negro velho
Dá-lhe um serviço de gancho.


Tu nunca viste
Eu mais meu mano em serviço.
Somo como dois machados,
No tronco de um pau maciço;
Um é raio abrasador,
Outro é trovão inteiriço.


Eu bem sei que seu Veríssimo
No martelo é rei c’roado;
Mas, leve ele à Catingueira
Muito bem apadrinhado,
E verá como é que apanha
O padrim e o afilhado.


Coitadim de Catingueira
Aonde vei se socar,
Dentro de uma mata escura
Onde não pode enxergar,
Ele vei por inocente,
Não volta sem apanhar.


Coitadim de seu Romano,
Aonde ele vei caí,
Nas unhas de um gavião,
Sendo ele um bentivi,
Está se vendo apertado
Como peixe no jiqui.


Romano quando se zanga
Treme o Norte, abala o Sul
Solta bomba envenenada
Vomitando fogo azul
Desmancha nego nos are
Que cai virado em paul.


Inaço quando se assanha
Cai estrela, a terra treme,
O Sol esbarra o seu curso,
O Mar abala-se e geme,
Pega fogo o mundo em roda
E nada disso o nego teme.


Hoje aqui tem de se ver
Relampos de caracol,
Os nevoeiros pararem
E eclipsar-se o Sol;
Secarem as águas do Mar,
Pescar baleia de anzol.


Hoje aqui tem de se ver
Como o ferreiro trabalha,
Como se caldeia ferro,
Como o aço se esbandalha;
Como se broqueia pedra,
Como se estoura a metralha.


Meu Deus, o que tem Inácio
Que no cantar se atrapalha?
Sustenta o ferro na mão,
Que estou na primeira entalha,
Teu ferro está se virando
E o meu não mostra falha.


Meu Deus, que tem seu Romano
Parece que está doente?
Está temendo a desfeita,
Ou o bote da serpente,
Ou está como medo de Inácio
Ou com vergonha da gente.


Tenho cantado
Com muita gente de tino;
No sul com Manoel Carneiro,
No Sabugi com Ugolino,
Como não canto contigo
Que és fraco e pequenino?


Abra os olhos
Com esse preto moreno
Tenha medo da botada
Da serpente e do veneno;
Eu já tenho visto grande
Apanhar dum mais pequeno.


Ainda me abalo
Lá da serra do Teixeira,
Levo meu mano Veríssimo
Vamos dar-te uma carreira,
Dar-te uma surra em martelo
E tomar-te a Catingueira.


Meu branco eu dou-lhe um conselho
Se voimincê me atende;
Se for para nós brincar
Pode ir que não me ofende
Mas pra tomar Catingueira
Não vá não que se arrepende.


Inácio, tu me conheces,
Já sabes bem eu quem sou;
Mas quero te prevenir
Que na Catingueira eu vou
Derrubar o teu Castelo
Que nunca se derrubou.


É mais fácil um boi voá
Um cururu ficar belo,
Aruá jogar cacete
E cobra calçar chinelo,
Do que haver valentão
Que derrube o meu Catelo.


Quem quer ferir inimigo
Não faz ponto nem avisa;
Quando eu for à Catingueira,
Nesse dia o sol se incrisa;
Inda vou lá, fique certo,
Somente dar-te uma pisa.


Me diga o dia em que vai,
Quais são os seus companheiros.
O senhor pode levar
Dez ou doze cangaceiros;
Que a todos eu saio a peito
Como um valente guerreiro.


Antes de eu ir, oito dia,
Te mandarei um aviso
Você, tando em casa, corre
Porque você tem juízo...
E eu vou só fazê estrago:
Quebro, rasgo, queimo e piso!


Quando for procure um padre
Que o ouça em confissão,
Deixa a cova bem cavada
E deixe a encomendação
Leve a rede onde é de vir
E já prontinho o caixão.


Eu sei que é duro,
Mas é lá na Catingueira
Na Mãe d’Água, onde eu moro,
Não descambas a ladeira.
Mais fácil o diabo ir ao Céu
Do que ires ao Teixeira.


Meu branco não diga isso
Que o sinhô não me conhece
Veja quando o Sol sair
Com a luz que replandesce
Olhe para os quatro lados
Que o negro velho aparece.


Negro, eu só canto contigo
Por um amigo me pedir
Visto me sacrificar,
Não me importa de ferir...
Cavo onde achar mais mole
E bato enquanto bulir.


Lhe aconselho,
Não cometa tal perigo,
Peça a Deus que lhe defenda
Do laço do inimigo,
Antes morrer enforcado
Do que pelejar comigo.


Negro, canta com mais jeito,
Vê a tua qualidade.
Eu sou branco, tu um vulto
perante a sociedade.
Eu em vir cantar contigo
Baixo de dignidade.


Esta sua frase agora
Me deixou admirado...
O sinhô para ser branco,
Seu couro é muito queimado,
Sua cor imita a minha,
Seu cabelo é agastado.


Com negro não canto mais
Perante a sociedade.
Estou dando cabimento
Ele está com liberdade.
Por isso vou me calar,
Mesmo por minha vontade.


O sinhô me chama negro,
Pensando que me acabrunha.
O sinhô de home branco
Só tem os dente e as unha,
A sua pele é queimada,
Seu cabelo é testemunha.


Eu estou ciente
Que tu és um negro ativo;
Mas não estou satisfeito,
Devo te ser positivo:
Me abate hoje em cantar
Com um negro que é cativo.


Na verdade, seu Romano,
Eu sou negro confiado!
Eu negro e o sinhô branco
Da cor de café torrado!
Seu avô vei ao Brasil
Para ser negociado.


Eu vou te pedir,
Vamos deixar o passado,
Esquecer quem foi cativo,
Que nos dá mais resultado.
Acabar a discussão
Esquecer todo o atrasado.


Isso aí é outra coisa.
Eu não luto sem motivo.
O sinhô também esqueça
O povo que foi cativo.
Quem tem defunto ladrão
Não fala em roubo de vivo.


A desgraça do home rico
É dar importância a pobre.
Sendo eu a prata fina
Vim me misturar com cobre.
Grande castigo merece
Quem se abate sendo nobre.


Esta agora é engraçada,
Eu digo com toda fé:
De prata se faz arreio,
Faz faca, garfo e cuié,
De prata se faz espora
Pra negro botar no pé.


Já faço tu te calar
Não quero articulação.
Vamos à geografia
Que chama o povo à atenção.
Vê se sabes ou se podes
Me dar uma explicação.


Seu Romano, ainda me lembro
Que meu sinhô me dizia
Que o mundo tem cinco partes,
É Ásia e Oceania,
Europa, América e África,
Assim diz a geografia.


Então deves conhecer
Cabos, estreiros e mar,
Os golfos, as raças todas
Onde puderam habitar.
Afina tua memória
Que eu quero te perguntar.


Não respondo sua pergunta,
Não conheço academia,
Vivo só do meu roçado,
Nunca vi uma livraria.
Vá perguntar a um doutô
Que é quem sabe geografia.


Meu Deus, que tem esse negro
Que no cantar se maltrata!
Agora Romano velho
Canta um ano e não se mata;
Quanto mais canta mais sabe
E nó que dá ninguém desata.


Eu bem sei que seu Romano
Tá na fama dos anéis;
Canta um ano, canta dois,
Canta seis, sete, oito e dez;
Mas o nó que der com as mãos
Eu desmancho com os pés.


Vamos parar,
Estou com dor de cabeça.
Preciso de algum repouso
Antes que o dia amanheça.
Estou com cara de sono
Sem ter mais quem me conheça.


Sua doença, seu Romano,
Está muito conhecida.
Melhor rasgar o tumor
Antes que vire ferida.
O reis por perder o trono
Não deve perder a vida.


Latona, Cibele, Réa,
Íris, Vulcano, Netuno,
Minerva, Diana, Juno,
Anfitrite, Androcéia,
Vênus, Climene, Amaltéia,
Plutão, Mercúrio, Teseu,


Júpiter, Zoilo, Perseu,
Apolo, Ceres, Pandora,
Inácio desata, agora,
O nó que Romano deu.

Desse jeito
Eu não posso acompanhá-lo.

Se desse um nó em martelo
Viria eu desatá-lo
Mas como foi em ciência
Cante só que eu me calo.


quinta-feira, janeiro 20, 2011

Projeto ESTACINE apresenta Lisbela e o Prisioneiro e E se eu fosse você


O projeto Estacine apresenta neste final de semana na sala de audiovisuais da Estação Cabo Branco: Ciência, Cultura e Artes, no altiplano, os filmes: “E se eu fosse você” e “Lisbela e o Prisioneiro”. No sábado (22) será exibido o filme "E se eu fosse você” e no domingo (23) “Lisbela e o Prisioneiro”. Serão duas sessões 16h00 e 18h30. A entrada é aberta ao público. Meia hora antes de cada sessão será distribuída senhas, pois a sala tem capacidade apenas para 38 pessoas.

Neste sábado (22) filme exibido será “E se eu fosse você”, uma comédia lançada em 2006, com direção de Daniel Filho e duração de 108 minutos. O filme conta a história de Cláudio (Tony Ramos), um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência, casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música que cuida de um coral infantil. Acostumados com a rotina do casamento de tantos anos, eles volta e meia têm uma discussão. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Porém para tanto eles terão que assumir por completo a vida do outro. Ainda fazem parte do elenco os atores: Danielle Wints e Thiago Lacerda.

Este é o segundo de quatro filmes em que o diretor Daniel Filho e a atriz Glória Pires trabalharam juntos. Os demais foram “A Partilha” (2001), Primo Basílio (2007) e Se Eu Fosse Você 2 (2009). Uma das curiosidades deste filme é que ele foi o filme brasileiro de maior público em 2006, levou cerca de 3.644.956 espectadores aos cinemas. O sucesso foi tão grande que já está sendo gravado Se Eu Fosse Você, terceira edição.

Domingo (24), também em duas sessões (16h00 e 18h30), será exibido outra produção brasileira, “Lisbela e o Prisioneiro”, que narra a estória de uma moça que adora ir ao cinema e vive sonhando com os galãs de Hollywood dos filmes que assiste. Leléu (Selton Mello) é um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega à cidade de Lisbela. Após se conhecerem eles logo se apaixonam, mas há um problema: Lisbela está noiva. Em meio às dúvidas e aos problemas familiares que a nova paixão desperta, há ainda a presença de um matador (Marco Nanini) que está atrás de Leléu, devido a ele ter se envolvido com sua esposa (Virginia Cavendish).

O filme foi dirigido por Guel Arraes e é uma adaptação da peça de teatro homônima de Osman Lins, com produção da Globo Filmes e da Natasha Filmes, junto com o estúdio Twentieth Century Fox.

PROJETO ESTACINE – O projeto foi idealizado no ano passado, mas apenas este ano foi possível sua realização, e consiste na exibição de filmes com abordagens temáticas educativas e culturais, com destaque para produção brasileira e internacional. Estão programadas ainda debates ao final das sessões com atores, diretores de cinema locais sobre o filme. As exibições acontecerão sempre nos finais de semana até dezembro de 2011, com programação anunciada na mídia de jornal, rádio, televisão e internet.

“O projeto Estacine é uma atividade da Estação Cabo Branco que tem como objetivo de divulgar a ciência, cultura e arte para inclusão social e que você dê acesso gratuito a população”, disse o diretor geral da Estação Cabo Branco Rubens Freire. A programação, segundo o diretor, pretende trazem filmes que estão fora do circuito comercial e estimule os públicos para compreensão de aspectos da arte que nem sempre estão disponíveis ao grande público.

SERVIÇO: PROJETO: ESTACINE Filmes: • SE EU FOSSE VOCÊ – Sábado (22) • LISBELA E O PRISIONEIRO – Domingo (23) Sessões: 16h00 e 18h30
Local: Sala de Audiovisual – Torre Mirante da Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Arte – Altiplano Cabo Branco.
Entrada gratuita para 38 pessoas.
Informações: 3214.8303/8270

segunda-feira, outubro 18, 2010

As Santinhas do Pau Oco


Depois de “Mulheres à Beira de um Ataque” a artista plástica Ana Christina abriu nova exposição no segundo pavimento da Torre Mirante, na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizado no bairro do Altiplano Cabo Branco. A mostra individual intitulada “Santinhas do Pau Oco” permanece no local até o dia 17 de outubro e entrada é aberta ao público.

Na mostra o visitante vai encontrar 30 peças em papel maché em tamanhos que variam de 30 a 70 centímetros de altura com detalhes minuciosos que sempre caracterizou o estilo da artista. De acordo com Ana Mesquita as peças têm nomes que jogam com a comicidade da ideia de santinhas de pau oco.

Ana Christina é uma artista que evoluiu bastante nos últimos anos. Seu primeiro trabalho foi pontuado pelas fortes influências culturais do Nordeste do Brasil, a exemplo das carrancas do Rio São Francisco ao Carnaval, através das máscaras, confeccionado em papel maché e miniaturas em argila. O detalhismo na sua pintura, associado a formas e materiais convencionais, são marcas registradas que faz reconhecer sua obra em qualquer local.

Ana também é arte educadora e a pesquisadora de materiais de fácil acesso e manuseio para utilização em sala de aula. Toda essa pesquisa levou a experimentar a pintura em ovos, mantendo, desta maneira, a forma arredondada das máscaras.

O pedido de um amigo para criar uma peça em papel maché levou-a à esculturas de bichos em papel maché. Alguns amigos disseram que os ovos eclodiram e "nasceram" os bichos. Fatos da vida acabaram por criar uma nova vertente deste trabalho, as “Mãinhas”, linda figuras de mulheres mães.

A ARTISTA - Ana Christina Mesquita Melo natural de João Pessoa (PB). Frequentou o curso de Educação Artística da Universidade Federal da Paraíba, habilitação em Artes Cênicas e Artes Plásticas, de 1978 a 1992. Realizou cursos de Teatro Infantil e Arte Dramática, História da Arte, Problemas de Composição na Linguagem Visual, Desenho Artístico, Pintura, Cerâmica, Xilogravura, entre outros.

Foi professora da Faculdade de Ciências e Letras de Maceió (Al), nas áreas de Metodologia do Ensino, Fundamentos da Linguagem Visual, Formas de Expressão da Comunicação Artística e Projetos Experimentais. Foi ainda professora de Educação Artística em várias escolas e cursos, atividade que exerce ainda hoje.

O contato com a vida artística acabou por levá-la ao uso de sua habilidade manual, confeccionando máscaras para apresentação de grupos musicais e peças de teatro, balé, coordenando Oficinas, levando-a, por fim, a expor o seu trabalho.

Expôs suas Máscaras na 1ª Expo-UFPB, em 1998, na Exposição de máscaras do Departamento do Departamento de Artes e Comunicação da UFPB, em 1989 e no IV Salão de Novos Artistas Plásticos da Paraíba, em 1990. Em abril de 1996 iniciou uma série de individuais intitulada "A Arte do Povo", expondo a pintura em ovos.

Em novembro de 1998 iniciou a série de exposições, individuais e conjuntas, de esculturas de bichos em papel maché, em João Pessoa, São Paulo, Brasília e Milão. Aos bichos, juntaram-se as Mãinhas, expostas em outubro de 2005.


SERVIÇO: Exposição “As Santinhas do Pau Oco”
Até 17 de outubro de 2010.
Local: Segundo Pavimento da Torre Mirante da Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes – Altiplano Cabo Branco.

Pilar Roca expõe "DESENHOS


Depois da mostra “Entrelinhas”, no ano passado, a artista plástica Pilar Roca expõe “Desenhos”, sua mais nova mostra individual que permanecerá aberta para visitação pública no hall da Torre Mirante da Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizado no bairro do Altiplano até o dia 30 de outubro.

“Desenhos” reúnem 30 trabalhos inéditos da artista e uma de suas melhores fases. Os desenhos são construídos sobre um suporte simples e acessível, a cartolina. Pilar Roca constrói, através dos traços, linhas e formas, emergirem peças que podem ser figurativas, conter uma visão parcial de seres humanos, animais, plantas ou situações construídas e enxergadas particularmente a partir da vivência e experiência de cada um.

Os trabalhos são inicialmente desenhados com tinta esferográfica de cor preta, em seguida escaneados, logo após recebem um tratamento no computador com softwares específicos, para no final terem a dimensão de telas, de modo a ganhar não só outro suporte expositivo, mas provocar outros tipos de leitura sobre a mesma obra.

A proposta inicial de Pilar Roca é estender suas mostras aos mais distintos ambientes, onde a arte possa interagir com a vida, seja por contornos educacionais, terapêuticos ou meramente recreativos. “Além de propor um espaço para os outros se expressarem, porque os desenhos não falam tudo. São como entradas para cada um encontrar seu próprio viés”, explicou Pilar.

O título da mostra “COMPilar”, como o próprio nome propõe sugere, reúne tanto trabalhos inéditos da artista, quanto obras significativas para Pilar Roca e que foram apresentadas em exposições anteriores, a exemplo de "Penélove bajo Sospecha" (2004) e "Entrelinhas" (2009).

A ARTISTA – Pilar Roca é natural de Cádiz, é uma cidade localizada ao sul da Espanha, virada para o Oceano Atlântico, que pertence a Comunidade Autônoma de Andaluza. Além de artista plástica é doutora em filosofia e letras pela Universidade Autônoma de Madrid e professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DLEM) e da Pós-Graduação em Linguística (Proling) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ciência e Tecnologia

ESTAÇÃO CABO BRANCO recebe quatro novos experimentos do MUSEU DA CIÊNCIA

O Museu da Ciência e Tecnologia da Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes (ECARTES), órgão vinculado a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de João Pessoa (SEDEC/PMJP), recebeu está semana quatro novos experimentos científicos.

Os novos equipamentos estão sendo montados no primeiro andar da Torre Mirante. O diretor geral da Estação Cabo Branco, professor Fernando Abath Cananéa, explicou que inicialmente foram instalados 12 experimentos que estão em pleno funcionamento no caminho do conhecimento nos jardins da Estação. Em seguida foram adquiridos outros 13 experimentos, com recursos próprios da Secretaria Municipal de Educação e Cultura dos quais já chegaram quatro deles. “Até o dia 20 de dezembro de 2010, se o cronograma permitir, estaremos adquirindo outros”, ressaltou Fernando Abtah.

Os experimentos não existem prontos são encomendados aos cientistas e confeccionados individualmente. Dos 13 experimentos nove deles já estão no Museu da Ciência. “A chegada destes 4 novos experimentos e até dezembro mais nove, compõe a segunda etapa de três. Na terceira etapa 25 outros experimentos estarão sendo adquiridos”, explicou Abath.

Nesta nova etapa serão montados o “Carrossel de Coriollis”, um experimento destinado à demonstração de movimentos em referências não inerciais. Como o próprio nome sugere o equipamento tem o formato de um carrossel de parque de diversões. Nele também terá uma cesta de basquete. A pessoa subirá no carrossel e vai tentar se manter em equilíbrio e ao mesmo tempo acertar uma bola na cesta de basquete. Este experimento tem o objetivo de explicar que efeito físico, em deslocamento, está acontecendo. Um efeito em deslocamento, na mesma velocidade do giro do carrossel. O segundo experimento é o “Bernoulli”, que demonstra o princípio de Bernoulli de escoamento de fluídos. Ele tenta demonstrar a capacidade que o vento tem de sustentar um objeto no ar. O avião (as asas) sofre a influência desse princípio. “Por isso que as asas do avião não são retas. Elas têm nas pontas uma curvatura de modo que a gente pensa que o avião não cai”, explicou Fernando Abath.

A “Gaiola de Faraday”, por sua vez, consiste em experimento utilizado para demonstrar a distribuição de carga elétrica em um condutor em equilíbrio eletrostático. Na prática uma pessoa dentro da gaiola eletrizada, não sente nenhuma sensação elétrica. Ela é construída toda em alumínio e possui 22 mil de voltagem. Nela o visitante entra na gaiola e não leva choque. Um monitor de física vai explicar qual o princípio que está fazendo este isolamento ocorrer.

O Gerador de Van-Der-Graff é o quatro experimento destinado a demonstrar o campo eletrostático. Consiste em bola de alumínio compacta em que a pessoa ao colocar as mãos sobre ela não levará choque. O efeito eletrostático, a energia acumulada neste globo, passará para os pêlos fazendo com que fiquem ouriçados. Todos os experimentos recebem o nome de seus inventores. A inauguração ainda não tem data prevista, uma vez que os técnicos estão em processo de análise e montagens dos mesmos.

“Tudo isso me dá uma grande satisfação, pois o visitante, estudante da rede pública e privada possa agendar sua aula de campo e aprender física clássica da maneira mais lúdica possível”, comentou Fernando Abath, que também é professor universitário há mais de 20 anos. “A missão de difundir e popularizar ciência, cultura e artes é cumprida no momento em que a gente tem um museu com estas características”, conclui Abath.

MUSEU DA CIÊNCIA – O Museu da Ciência começou a ser montado no ano passado (2009) com a aquisição do planetário digital inflável, em formato de uma abóboda gigante azul marinho, com capacidade para 15 pessoas por sessão. Dentro é exibido um filme sobre a conjunção estrelar. Ele permite a visualização de mais de 100 mil estrelas.

Na sequencia foram adquiridos lunetas e telescópios de observação lunar e contratado um astrônomo que fornece aos visitantes e estudantes explicações sobre a conjunção dos planetas e estrelas. Com isso foi criado o projeto “Venha ver a lua” que acontece uma vez no mês em que atrai um número cada vez maior de expectadores.

Logo após foram adquiridos 12 novos experimentos científicos (Políedros de Platão, Bicicleta da Corda Bamba, Balanços Acoplados, Pêndulo da Coragem, Xadrez Gigante, Esfera de uma Tonelada, Sistema de Roudanas, Ponte Romana) que formaram o Caminho do Conhecimento, instalado no jardim da Estação Cabo Branco. Ele possui 900 metros e tem a função de interagir com o visitante e ao mesmo tempo propiciar aulas de campo sobre matemática, física, biologia, química e ciência em geral para estudante e professores das escolas públicas e particulares. A inauguração oficial do Caminho do Conhecimento aconteceu no dia 3 de julho de 2010 e realizada pelo atual prefeito municipal Luciano Agra. Os recursos para aquisição dos experimentos são do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O diretor geral da Estação Cabo Branco, professor Fernando Abath Cananéa, disse que quando optou-se pela Estação Cabo Branco ser uma unidade educacional se fez uma a clara e importante escolha de oferecer a população local e brasileira, por extensão, um espaço de práticas transversais visando oferecer ao sistema municipal de ensino e rede particular um novo locus de diferentes saberes.

Nesse sentido é que a Estação, por meio de seus diferentes Programas Permanentes no campo educacional, científico e artístico, oferece aos escolares do sistema público e privado de ensino diferentes projetos, oficinas, exposições, seminários, workshops, planetário, laboratórios de robôtica e astronomia, sessões de cinevídeo, semanas de ciência e tecnologia.

SERVIÇO:
MUSEU DA CIÊNCIA
Local: Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes – Av. João Cirillo da Silva, s/n - Altiplano Cabo Branco – Cep: 58046-010
Visitação pública: Terça a sexta-feira das 9h às 21h, e nos sábados e domingos das 10h às 21h
Informações: (083) 3214.8270 – 3214.8303 – 8852.5530.
Email: ecbartes@joaopessoa.pb.gov.br

segunda-feira, outubro 11, 2010

EXPOSIÇÃO DE LIVROS INFANTIS é atração da SEMANA DA CRIANÇA na Estação Cabo Branco


Ainda na última quinta-feira (7), às 9h00, dentro da programação da Semana da Criança, foi aberta a Exposição de Livros Infantis do Sebo Cultural no segundo pavimento da Torre Mirante na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizada no Altiplano.

A Exposição do Livro Infantil é uma parceria entre a Estação Cabo Branco, a Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de João Pessoa e do Sebo Cultural. No local estarão expostos cerca de 700 livros, dirigido aos públicos infantil e juvenil, com preços acessíveis ao bolso do leitor que variam entre R$ 5,00 a R$ 3,00.

O diretor do Sebo Cultural, Heriberto Coelho de Almeida, disse que até o dia 12 de outubro estarão expostos livros infantis das mais conceituadas editoras nacionais, a exemplo da Ática, Melhoramentos, Moderna e outras.

No segundo andar da Torre Mirante o visitante leitor vai encontrar livros infantis de autores nacionais (Marina Colassanti, Bartolomeu Campos, Pedro bandeira, Ana Maria Machado, etc) e autores paraibanos, a exemplo de Jessier Quirino, André Ricardo, Vóvó Babi, Melissa Palmeira e outros.

Paralelo a Exposição de Livros Infantis acontecem às oficinas de artísticas e culturais de violão, flauta, origami, dança, artesanato, desenho na sala de práticas educacionais com os arte-educadores do programa Ciranda Curricular.



SERVIÇO:

ESTAÇÃO CRIANÇA – EXPOSIÇÃO DO LIVRO INFANTIL

Abertura: Quinta-feira (dia de 7 de outubro) – até 12 de outubro

Local: Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes – Av. João Cirillo da Silva, S/N. Altiplano Cabo Branco.Cep. 58046-010.

Semana da Criança é na Estação Cabo Branco


Começou na quinta-feira (7) a terceira edição do “Estação Criança”, que acontecerá até o dia 12 de outubro na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes, localizado no Altiplano. A abertura oficial aconteceu às 9h00, com abertura da exposição “COMPilar”, no salão panorâmico, no segundo pavimento da Torre Mirante.

No setor de práticas educacionais acontecem às oficinas artísticas e culturais de violão, flauta, dança, origami, dança, artesanato e outras. No primeiro pavimento no Laboratório de Astronomia o astrônomo Marcos Jerônimo estará à disposição dos estudantes, crianças, pais, educadores e público em geral para todas as informações e dúvidas sobre o universo e os equipamentos utilizados para observação dos planetas.

Também no segundo pavimento, às 10h30, foi aberta a exposição Darwin Now com a palestra sobre o criador da Teoria da Evolução Charles Darwin, ministrada pelo professor do Sistema Municipal de Ensino, Abel Cavalcante de Souza Filho, docente das Escolas Municipais Cantalice Leite e Anaíde Beiriz.

A partir das 11h00 se apresentou o Grupo Kairós com o espetáculo “Como nosso mundo começou”, no auditório. No mesmo local, às 14h30 se apresentou a Orquestra Infantil da Escola Zumbi dos Palmares e em seguida, às 15h30, o grupo de teatro Agentes da Alegria, às 15h30.

Na sexta-feira (8), às 9h00, foi aberta a exposição de livros infantis do Sebo Cultural, no segundo andar do salão panorâmico da Torre Mirante da Estação. Também às 9h00 tem início a exposição mais esperada do Estação Criança, a mostra Darwin Now, no primeiro andar. No segundo andar será aberta a exposição COMPilar no salão panorâmico. Na área de música se apresenta o grupo de flautas das escolas municipais, no auditório, a Orquestra Infantil Zumbi dos Palmares, o grupo de teatro Agentes da Alegria e às 15h30 se apresenta o Sexteto da Escola Municipal Augusto dos Anjos.

O evento prosseguiu no sábado (9), com atividades de 9h00 às 21h00. Pela manhã, às 11h00, se apresentou o grupo de Choro da Sedec e as 15h00 teve início às 15h00 o espetáculo teatral “Os saltimbancos” da Companhia Paraibana de Dramas e Comédias.

No domingo (10) além das exposições, oficinas artísticas e a feira de livros haverá novas apresentações de teatro e música. E na terça (12), Dia das Crianças, o destaque vai para a apresentação do espetáculo “Uma Estória de Música”, no auditório, com o percussionista Luciano Oliveira e o contador de estórias José Carlos.

SERVIÇO:

ESTAÇÃO CRIANÇA

Abertura: Quinta-feira (dia de 7 de outubro) – até 12 de outubro

Local: Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes – Av. João Cirillo da Silva, S/N. Altiplano Cabo Branco.Cep. 58046-010.