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segunda-feira, abril 14, 2008

Vai começar o FENART


Depois de tanta polêmica, que foi de certa forma abafada pelos cadernos culturais dos veículos de comunicação do Estado da Paraíba, tem início nesta terça-feira (18) o Festival Nacional de Arte (Fenart) no Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. A abertura oficial será no Teatro Paulo Pontes a partir das 19h00 com a presença dos políticos e autoridades locais.

Em seguida haverá apresentação do espetáculo “Uma vida um pouco menos ordinária”, uma montagem teatral dirigida por Gilberto Gawronsky que tem no elenco o galã global Eduardo Moscovis, a atriz Liliana Castro e Joelson Medeiros. Está abertura será no teatro apenas para convidados, autoridades e imprensa.

Logo mais, às 21h30, na praça do povo do Espaço Cultural, a Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) se apresenta para o povão. A OSPB, de acordo com informações da assessoria de imprensa, convidou o cantor e compositor Arnaldo Antunes para abertura. No mesmo dia o músico, ex-vocalista do grupo de rock pop Titãs, estará comemorando 25 anos de carreira artística.

No show o cantor, autor do projeto musical Os Tribalistas, desfilará em seu repertório pop, mesclado com clássicos e músicas regionais. As canções foram arranjadas por Rogério Borges. A OSPB será comandada neste dia pelo maestro Luiz Carlos Durier. Além das músicas tradicionais Antunes fará uma homenagem ao cantor e compositor Cazuza cantando as músicas “Exagerado”.
Haverá ainda apresentação ao som do “Bolero”, de Ravel.

O festival prossegue até o dia 26 de abril com várias atrações nas áreas de música, literatura, cinema, artes plásticas, teatro e dança. Além de seminários, feiras e oficinas de arte. Vale salientar que algumas oficinas estão lotadas e já encerram as inscrições. Os interessados devem entrar em contato com a coordenação do Fenart para obter mais detalhes ou então entrar no website do festival no endereço eletrônico http://www.fenart.pb.gov.br e conferir toda a programação ou no final desta matéria.

Um dos destaques do Fenart 2008 é a presença do roteirista e escritor Marçal Aquino (SP), que estará no Seminário Cena Contemporânea e ministrará oficina de contos. Outro destaque é o poeta Chacal, que também vai ministrar oficina.

Para quem não conhece o escritor Marçal Aquino é o roteirista dos filmes 'O Invasor ' e 'Cheiro do Ralo'. Ele falará sobre ''Adaptação e Criação do Roteiro Cinematográfico" no dia 22 (terça-feira), às 14h30, e irá ministrar uma oficina de conto entre os dias 23 e 25, pela manhã, no auditório Azul do Espaço Cultural.

Já Chacal é um renomado escritor pioneiro na arte da poesia moderna falada no Brasil. O curso ministrado por Chacal será nos dias 20, 21 e 22, pela manhã, no auditório 4. Ele é conhecido por compor sucessos para grupos como Blitz e Barão Vermelho, o autor também será o palestrante do seminário 'Memórias de Mimeógrafos: O que há de Atual na Poesia Marginal', dia 21 (segunda-feira), às 14h30. Durante o evento, Chacal ainda lançará seu livro mais recente, 'Belvedere', vencedor do prêmio ACPA, de 2007.

Na música as atrações são as mais variadas possíveis. Entre atrações locais e nacionais estão à
cantora carioca Céu, Beto Brito, Regina Brown, Chico Correa e tantos outros. Confira a programação completa do Festival Nacional de Arte que volta a ter a frente o produtor e ativista cultural Antônio Alcântara. Essa é uma boa oportunidade para sair de casa, apreciar coisas boas, alimentar a alma, sair do limbo e se não gostar do que viu opinar, criticar e sugerir. Veja a programação:

19.04 – Sábado

CULTURA POPULAR
Praça do Povo
18:00 h – Ciranda do Sol do Mestre Manoel Baixinho (PB)

ARTES PLÁSTICAS
19:30 h - Mezanino I
Abertura das exposições:
. Panorama da Cerâmica Artística – Artistas plásticos convidados e artesãos do Programa Paraíba em suas Mãos
. Afetos Roubados no Tempo – Organização de Viga Gordilho (BA)
. Achados e Perdidos – Luiz Barroso (PB)
. Mostra Digital – Fotografia e Vídeo

TEATRO
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária
Direção: Gilberto Gawronski (RJ)
Elenco: Eduardo Moscovis, Liliana Castro e Joelson Medeiros (RJ)

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Lição de Fogo, de Larissa Claro – Doc 40’ (PB) - Vídeo
- Saliva, de Esmir Filho – Fic 15’ (SP) - Filme
- O Arroz Nunca Acaba, de Marão – Animação 8’ (RJ) - Filme
20:00 h - O Grão, de Petrus Cariry – Fic 88’ (CE) - Filme

ATIVIDADES DIVERSAS
19:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Palco da Praça do Povo
Show: Coco Eletrificado
Biliu de Campina (PB) + Chico Correa Electronic Band (PB)

20.04 – Domingo

TEATRO
18:30 h – Teatro de Arena
Projeto Ensaio – Espetáculo: Quebra-Quilos
Direção: Márcio Marciano
Coletivo de Teatro Alfinim (PB)

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Relações
Direção e Coreagrafia: Carlos Laerte
Laso Cia. de Dança (RJ)

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Amanda e Munick, de André Costa – Doc 15’ (PB) - Vídeo
- Até o Sol Raiá, de Fernando Jorge e Leandro Amorim –
Anim.15’ (PE) – Filme
- Instrumento Detector de Alguma Coisa, de Otto Cabral – Doc 10’
(PB) - Vídeo
20:00 h - Diário de Sintra, de Paula Gaitan – Doc 90’ (RJ) - Vídeo

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Praça do Povo
Show: CéU (RJ)

21.04 – Segunda

CULTURA POPULAR
1º Momento da Cultura de Raiz
Praça do Povo
17:00 h – Maracatu de Alhandra (PB) -
18:00 h – Caiana de Crioulos (PB)
19:00 h – Odete de Pilar (PB)

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Aptos. Aptos p/Morar
Direção: Rosa Cagliani
Grupo: Deuzerohora Vamobora (PB)

22:00 h – Teatro de Arena
Espetáculo: Mercadorias e Futuro com Lirovsky
Direção e Produção: José Paes de Lira (Lirinha- PE) e Leandra Leal (RJ)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Experimento Raiz
Direção e Coreografia: Erik Breno
Cia Fundasc Experimental de Dança (PB)

20:20 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Mandrágora
Direção: Rosa Cagliani
Grupo Acena (PB)

21:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Malaki: As Cores da Paixão
Direção e Coreografia: Joyce Mattos e Canízio Vitório
Paralelo Cia de Dança (PB)

CINEMA
Cine Bangüê
20:00 h - Brincantes Visionários, de Elinaldo Rodrigues - Doc 20’ (PB) - Vídeo
- Engole duas Ervilhas, de Marão, Stoliar, Monerrat, Perdido, Tomas,
Iuá, Rosamaria – Animação 8’ (RJ) - Vídeo
- Enraizados, de Niu Batista – Fic 14’ (PB) - Vídeo
21:00 h - Amigo de Risco, de Daniel Bandeira – Fic 88’ (PE) - Filme

22.04 – terça-feira

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Infidelidade
Direção: Toni Silva
Grupo: Argonautas (PB)

19:30 h – Teatro de Arena
Espetáculo: Presépio Mambembe
Direção: Marcos Pinto
Grupo: Geca (PB)

20:30 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Toda Nudez Será Castigada
(da obra de Nelson Rodrigues)
Direção: Paulo de Moraes
Grupo: Armazém Cia de Teatro (RJ)
* Recomendado para maiores de 16 anos

LITERATURA
18:00 h – 19:30 h – Praça do Povo – Stand da FUNESC
Resultado da oficina de literatura do poeta Chacal com leituras e declamações de poemas

ATIVIDADES DIVERSAS
20:30 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Trópico das Cabras, de Fernando Coimbra – Fic 23’ (SP) - Filme
- Cabaceiras, de Ana Bárbara – Doc 16’ (PB) - Filme
- O Brilho dos Meus Olhos, de Allan Ribeiro – Fic 11’ (RJ) - Filme
20:00 h - Crias da Piollin, de Bertrand Lira – Doc 53’ (PB) - Vídeo

MÚSICA
22:00 h – Praça do Povo
Banda Fenart convida para a Noite da Música Paraibana com Beto Brito, Dida Fialho, Mira Maya, Soraya Bandeira e Regina Brown

23.04 –quarta-feira

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: A Saga de Zacarias
Direção: Marcos Pinto (PB)

20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Toda Nudez Será Castigada
(da obra de Nelson Rodrigues)
Direção: Paulo de Moraes
Grupo: Armazém Cia de Teatro (RJ)
* Recomendado para maiores de 16 anos

ATIVIDADES DIVERSAS
18:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:30 h - Cine Bangüê
Espetáculo: Nella Fantasia (Ópera)
Grupo: Delicatto (RN)

DANÇA

22:00 h – Palco da Praça do Povo
Espetáculo: Caminhos
Direção e Coreografia: Carlos Laerte
Laso Cia de Dança (RJ)
Participação do artista plástico Shiko (PB)

CINEMA
24:00 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

24.04 – quinta-feira

TEATRO
19:00 h – Teatro de Arena
Projeto Ensaio – Espetáculo: Vereda da Salvação
Direção: Cristina Streva
Grupo: Ser Tão Teatro (PB)
* Recomendado para maiores de 16 anos

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Decalque
Direção e Coreografia: Leonardo Ramos
Ballet de Londrina (PR)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:30 h – Cine Bangüê
Show: Kenny Brown (EUA) e UpTown Band (PE)

22:00 h – Praça do Povo
Show: Uma Batida Diferente
BossaCucaNova (RJ)

CINEMA
24:00 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

25.04 – sexta-feira

CINEMA
18:30 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Medéia
Direção: Saulo Queiroz
Grupo: Núcleo de Teatro da UEPB

22:00 h – Teatro de Arena
Espetáculo: O Sapato do Meu Tio
Direção: João Lima
Grupo Cia do Meu Tio (BA)

ATIVIDADES DIVERSAS
18:00 h às 20:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:00 h – Praça do Povo
Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba convida os Detonautas -
Tico Santa Cruz e Renato Rocha (RJ)
Regência: Luiz Carlos Durier (PB)
Arranjos: Rogério Borges (PB)

22:00 h – Cine Bangüê
Show: Paraibass (PB)

23:00 h – Cine Bangüê
Show: Artur Maia e banda (RJ)

26.04 – Sábado

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Espetáculo: Déjá Vu
Direção: Antônio Deol
Grupo: Graxa (PB)

CULTURA POPULAR
19:00 h – Coco de Roda Mestre Benedito (PB)

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Skinnerbox
Direção e Coreografia: Alejandro Ahmed
Cena 11 Cia de Dança (SC)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Palco da Praça do Povo
Show: Beba-me
Elza Soares (RJ)

SEMINÁRIO CENA CONTEMPORÂNEA

21.04 – Segunda

Auditório 2
14:00 h às 17:00 h – Cultura Popular: Encontro dos Mestres dos Grupos de Cultura Popular Autêntica da Paraíba

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Memórias de Mimeógrafos: O Que Há de Atual na Poesia Marginal
Palestrante: Chacal - Poeta (RJ)
Debatedores: Amador Ribeiro Neto - Poeta e professor de literatura (SP/PB)
Hidelberto Barbosa Filho - Poeta e crítico literário (PB)

22.04 – terça-feira

Auditório Verde
14:30 h às 17:30 h – Cinema e Literatura:
Adaptação e Criação do Roteiro Cinematográfico
Palestrante: Marçal Aquino – Escritor e roteirista (SP)
Debatedores: Renato Félix – Jornalista e crítico de cinema (PB)
Carlos Dowling – Cineasta (PB)

Auditório 2
08:30 h às 12:00 h e 14:30 h às 17:30 h – Leis de Fomento à Cultura
Convidados:
Tarciana Portela – Chefe da Representação Minc/Nordeste (PE)
Sandoval Nóbrega – Sub-secretário de Cultura do Estado da Paraíba
Fernando Abath – Presidente do Fundo Municipal de Cultura (PB)

23.04 – quarta-feira

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Literatura S/A: As Relações entre Literatura e Vida Literária"
Palestrante: Marcelo Mirisola - Escritor (SP)
Debatedores: Rinaldo Fernandes - Contista (MA/PB)
Linaldo Guedes - Poeta e editor do Correio das Artes (PB)

Auditório 2
14:30 h às 17:30 h – Teatro: A Importância do Teatro de Grupo
Convidados:
Sérgio de Carvalho – Diretor e dramaturgo da Cia. do Latão (SP)
Paulo de Moraes – Diretor do Grupo Armazém (RJ)
Selma Santos – Produtora da Cia do Meu Tio (BA)

24.04 – quinta-feira

Auditório 2
15:00 h às 17:00 h – Literatura e Teatro:
No Palco da Palavra: A Evolução da Dramaturgia Brasileira
Palestrante: Bárbara Heliodora - Escritora e crítica teatral (RJ)

Auditório Verde
14:30 h às 17:30 h – Artes Plásticas:
Cerâmica Artística: Do Popular ao Contemporâneo
Expositora: Maria do Carmo Nino - FUNDAJ (PE)
Debatedores:
José Nilton da Silva - Casa do Artista Popular (PB)
Luís Renato de Araújo – Professor da UFPB

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Dança:
Que Dança é Essa?
Coordenador da mesa: Arthur Marques – Coreógrafo e bailarino (PB)
Convidados:
Alejandro Ahmed – Coreógrafo e diretor do Cena 11 ( SC)
Carlos Laerte - Coreógrafo e diretor da Laso Cia de Dança (RJ)
Leonardo Ramos – Coreógrafo e diretor do Ballet de Londrina (PR)

25.04 – sexta-feira

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Imprimindo o Futuro: O Escritor e as Novas Mídias
Palestrante:Marcelino Freire - Escritor (PE/SP)
Debatedores:
W.S.Solha - Escritor (SP/PB)
Clotilde Tavares - Escritora (PB)

Auditório 2
14:30 h às 17:30 h – Música:
Economia da Cultura - A Força da Indústria Cultural do Rio de Janeiro
Cadeia Produtiva da Economia da Música
Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval
Palestrante: Luiz Carlos Prestes Filho (RJ) - Vice-Presidente da ABGC -
Associação Brasileira de Gestão Cultural

OFICINAS E WORKSHOPS ARTES PLÁSTICAS

. Vídeoarte , Vídeodança
Ministrante: Paula Gaitan (RJ)
Galeria Archidy Picado
18 a 20.04
09:00 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

. Desenho, desenho
Ministrante: Gil Vicente (PE)
Auditório 3
18 a 20.04
09:00 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

TEATRO

. Performance
Ministrante: Gilberto Gawronski (RJ)
Escola de Dança da FUNESC
18 e 19:04
11:00 h às 17:00 h

. Dramaturgia do Teatro Épico-Dialético
Ministrante: Sérgio de Carvalho (SP)
Auditório 5
22 a 25.04
08:30 h às 12:00 h

CINEMA

. Interpretação para Cinema e Televisão
Ministrante: Fátima Toledo (SP)
Teatro Santa Roza
19 a 22.04
10:00 h às 13:00 h

FOTOGRAFIA

. Conservação de Acervos Fotográficos
Ministrante: Clara Mosciaro – FUNARTE (RJ)
Auditório 3
22 a 25.04
08:30 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

Realização:
DEMU/IPHAN - IPHAEP

DANÇA

. Dança Contemporânea
Ministrante: Carlos Laerte (Laso Cia de Dança - RJ)
Escola de Dança da FUNESC
21 e 22.04
09:00 h às 12:00 h

. Velocidade, Controle e Percepção
Ministrante: Alejandro Ahmed (Cena 11 Cia de Dança - SC)
Escola de Dança da FUNESC
23 e 24.04
09:00 h às 12:00 h

. Ballet Clássico
Ministrante: Leonardo Ramos (Ballet de Londrina - PR)
Escola de Dança da FUNESC
25.04
09:00 h às 12:00 h

LITERATURA

. Poesia
Ministrante: Chacal (RJ)
Auditório 4
20 a 22.04
09:30 h às 12:00 h

. Hamlet: Uma Leitura Comentada
Ministrante: Clotilde Tavares (PB)
Auditório Azul
21 a 25.04
09:30 h às 12:00 h

. Conto
Ministrante: Marçal Aquino (SP)
Auditório 4
23 a 25.04
09:30 h às 12:00 h

CULTURA POPULAR

. Boi de Reis
Ministrante: Mestre Pirralhinho (PB)
Auditório 1
21, 23 e 25.04
09:00 h às 12:00 h

. Habilitação para Prêmios, Editais e Pontos de Cultura
Ministrantes: Equipe da Representação Minc/Nordeste (PE)
Auditório Verde
23.04
14:30 h às 17:30 h

MÚSICA

. Guitarra de Jazz e Blues
Ministrante: Kenny Brown (EUA)
Sala 45 da Orquestra Sinfônica
23.04
14:30 h às 17:30 h
FENART EDUCAÇÃO
22.04 – terça-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
08:30 h – Peça teatral da Emlur: Agente da Alegria
Direção: Mônica Macedo e Waleska Rique (PB)
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

23.04 –quarta-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Teatro de Arena
08:30 h – Peça teatral da Emlur: Agente da Alegria
Direção: Mônica Macedo e Waleska Rique (PB)
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
14:30h –Espetáculo de Dança: Os Planetas
Escola de Dança da FUNESC
Coreografia: Lílian Farias (PB)
15:00h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

24.04 – quinta-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ) : Apresentação de músicas, poesias, teatro e reflexões coletivas

25.04 – sexta-feira
Cine Bangüê
08:30 h - Espetáculo de Dança da FUNAD (PB)
10:00 h – Espetáculos de Dança da APAE (PB): A Porta do Sol e Xaxado

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h
* As sessões do Planetário deverão ser previamente agendadas.

EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS

1. “Cerâmica na Arte Popular” - mostra com artistas populares e artesãos do Programa “Paraíba em suas Mãos” do Governo do Estado da Paraíba (Maria José e Cooperativa de Serra Branca, Cooperativa de Cajazeiras, Gina Dantas, Chico Ferreira, Zaia, Fábio Smith, Nevinha, Irmãs Cavalcanti, Marta Santos, Madriano Basílio, Chico Santos, Lucinha dos Bichos, entre outros).
Curadoria de Dyógenes Chaves.
2. “Salas Especiais” - mostras individuais com os artistas Chico Ferreira e Rosilda Sá, além de homenagem póstuma ao artista popular Tota.
Curadoria de Rosilda Sá e Dyógenes Chaves.

OUTRAS EXPOSIÇÕES

1. “Afetos Roubados no Tempo”, curadoria de Viga Gordilho (Bahia)
2. “Achados e perdidos”, instalação de Luiz Barroso (PB)

MOSTRA DIGITAL

Exibição
Sala Preta: mostra de vídeoarte, vídeos sobre cerâmica e fotografia de artistas brasileiros.
Curadoria de Dyógenes Chaves.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

"Caos" em forma de canção

Ricardo Anísio (esq.) e Flávio Tavares

O caos é constantemente visto, escutado e lido no mundo real através da mídia. Na poesia o caos agora é retratado de várias formas na obra “Canção do Caos” (Forma Editora: João Pessoa, 2008, 112 p. R$ 20,00) de autoria do jornalista e crítico musical Ricardo Anísio que terá lançamento oficial nesta quinta-feira (17), às 20h00, no Terraço Brasil, localizado na Avenida Cabo Branco, logo após o Tererê, na praia do Cabo Branco.

“Canção do Caos” é o terceiro livro da trilogia do autor que traz o seu mundo, o seu caótico por meio da linguagem poética. O caos gerado nos poemas de Ricardo Anísio representa funções que nem mesmo ele, talvez, tenha consciência do que seja neste exato momento de sua vida. São ao todo 78 poemas e o engraçado é que ainda dizem que ele não escreve poesias. Quem sabe ele não escreva do jeito que Mário Quintana ou Augusto dos Anjos escreviam, mas não deixa de ter a estrutura da poesia a sua maneira.

O livro, como nos anteriores, tem ilustrações de um artista plástico local. O escolhido desta vez foi nada mais nada menos que o mais cobiçado artista plástico do Estado da Paraíba, o famoso Flávio Tavares. O prefácio é assinado pela professora de Letras da PUC do Recife (PE), Haidée Camelo Fonseca. O texto de abertura é do escritor pernambucano Luiz Berto, autor do romance da Besta Fubana e Memorial do Mundo Novo (Este último Berto não ambientou em Palmares, mas tenta explicar como funcionam as elites corruptas do Brasil moderno que se instalaram no Cabo de Santo Agostinho).

A obra literária traz ainda depoimentos nas orelhas do poeta e contista Ronaldo Monte, do poeta e ensaísta Sérgio de Castro Pinto, de Juca Pontes e do poeta e artista plástico W. J. Solha que prefaciou o segundo livro da triologia “Canção do Fogo” (Editora Bagaço).

Na Canção do Caos os poemas são curtos e longos. Neles Ricardo Anísio apresenta pequenas sutilezas de seu mundo familiar: o menino, o filho dedicado, a mãe, a perda do pai. E como não poderia deixar de ser no caos do poeta tem a morte, a dor, a saudade, a fome, a sede, o adeus, a queda, a falta, o errado e tudo aquilo, que na visão dele, representa o vazio primordial, ilimitado e indefinido, que precedeu e propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo.

Essa mistura de idéias faz do trabalho, antes de tudo, uma obra de arte poética. O caos é um objeto metafórico usado pelo autor para dizer o quanto sua vida, naquele determinado momento, se encontrava em estado caótico e conturbado. Foram três momentos poéticos distintos: A Canção do Fogo representando seu nascimento, a Canção do Abismo, momento em que o autor abandona o álcool e agora Canção do Caos que culminou com a perda do pai.

Para quem convive com Ricardo Anísio, em ambiente de trabalho, sabe o quanto ele é visceral (para usar um termo dele) em tudo que faz, diz e escreve. E neste momento não poderia deixar de ser diferente. “Respeito muito à crítica, mas não é para eles que escrevo”, diz ele ao se referir a crítica especializada.

O livro foi lançado em Recife (PE), no Shopping Sítio da Trindade, localizado no bairro de Casa Amarela, na semana passada. Em conversa por telefone, numa tarde de domingo chuvosa, ele disse que depois da Canção do Abismo vai dar uma parada temporária nas publicações poéticas e se dedicar a música do qual tem domínio. “Pretendo lançar ‘Conversando sobre Música’, um livro de crônicas musicais com CD encartado”, comentou Ricardo Anísio. Os fonogramas deste novo trabalho tiveram o aval de nomes como: Elba Ramalho, Geraldo Vandré (seu grande ídolo), Geraldo Azevedo e tantos outros nomes da música popular brasileira. É esperar para conferir.

Sobre o autor:

Ricardo Anísio é natural de João Pessoa (PB). Começou a escrever sobre música para jornais locais. Publicou aos 20 anos seu primeiro livro de poemas intitulado “Em cada canto, um verso”. Vinte e sete anos mais tarde lançou o livro de poesias “Canção do Abismo” pela Editora Universitária da UFPB. Em 2005 lançou “MPB de A a Z” (Editora Idéia). No ano passado lançou o segundo livro da trilogia “Canção do Fogo” (Editora Bagaço de PE). No prelo se encontra o livro de crônicas musicais “Conversando sobre Música”. Atualmente é jornalista e critico musical do Jornal O Norte (Grupo Diários Associados Paraíba).

Serviço:
Lançamento: A Canção do Caos (poesia)
Autor: Ricardo Anísio
Editora Forma - João Pessoa – PB
112 páginas
Preço: R$ 20,00
Data: Quinta-feira (17)
Hora: 20h00
Local: Terraço Brasil – Praia do Cabo Branco


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

sábado, abril 05, 2008

Você é feliz?

Constantemente são lançadas pesquisas sobre índices de violência, de insegurança, de morte, de vida. No entanto, pouco se comenta sobre a felicidade. Falar sobre felicidade parece que saiu de moda. O escritor e psicólogo americano Robert Wright, em um artigo para a Revista Americana Time, escreveu que a leis que governam a felicidade não foram desenhadas para nosso bem-estar psicológico, mas para aumentar as chances de sobrevivência dos nossos genes a longo prazo.

Buscar a felicidade tem sido a meta de quase a metade da população do mundo e nos últimos anos cada vez mais pesquisadores tem se debruçado na busca desse combustível que move a humanidade. Encaminhei um email da minha caixa postal para 205 pessoas perguntando o que é felicidade? O que elas fazem para ser feliz? As respostas foram as mais variadas possíveis.

O dicionário eletrônico Aurélio define a felicidade como uma qualidade ou estado de quem é feliz. Significa ter bom êxito, boa fortuna; dita, sorte. Na opinião do administrador de empresas, Carlos Fernando Farias, casado, pai de dois filhos, a felicidade é viver equilibradamente com Deus, a família e os amigos. “Adoro a Deus, dedico-me a minha família e amigos, preservo a minha saúde e a de meus filhos e procuro desenvolver o meu trabalho com criatividade, responsabilidade e profissionalismo”, comentou.

A felicidade força a estudar, trabalhar, ter fé, construir casas, realizar coisas, juntar dinheiro, gastar dinheiro, fazer amigos, brigar, casar, separar, ter filhos e depois protegê-los. Ela nos convence de que cada uma dessas conquistas é a coisa mais importante do mundo e nos dá disposição para lutar por elas. Mas tudo isso é ilusão. A cada vitória surge uma nova necessidade.

“A felicidade é um truque” disse a catadora de papel Guilhermina Silva. Se ela é um truque nos temos levado esse truque muito a sério. Vivemos uma época em que ser feliz é uma obrigação. As pessoas tristes são vistas como indesejadas, como fracassadas completas. A doença do momento é a depressão.

O escritor francês Pascal Brucker, autor do livro “A Euforia Perpétua” (Difel, Rio de Janeiro, 2002, R$ 32,00) diz que a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço. “Muitos de nós estão fazendo força demais para demonstrar felicidade aos outros e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso: uma fonte terrível de ansiedade”, diz ele.

De acordo com o psicólogo Gleidson Marques a felicidade é algo extremamente subjetivo, é algo que varia de pessoa para pessoa e até de posição social e econômica. “A pessoa consegue ser feliz quando ela pára e percebe o que quer deseja para vida dela”, comentou.

O assunto até bem pouco tempo era desprezado pelos cientistas. Mas, na última década, um número cada vez maior deles, alguns influenciados pelas idéias de religiosos e filósofos, tem se esforçado para decifrar os segredos da felicidade. A idéia é finalmente desmascarar esse truque da natureza. Entender o que nos torna mais ou menos felizes e qual é a forma ideal de lidar com a ansiedade que essa busca infinita causa.


Prazer, engajamento e significado

No website da Universidade da Pensilvânia (http://www.upenn.edu), o psicólogo americano Martin Seligman, desenvolve há alguns anos uma pesquisa sobre o assunto e diz que a felicidade é na verdade a soma de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado.

Prazer, de acordo com o Aurélio, é uma sensação ou sentimento agradável, harmonioso, que atende a uma inclinação vital; alegria, contentamento, satisfação, deleite. É uma sensação que costuma tomar conta de nosso corpo quando dançamos uma música boa, ouvimos uma piada engraçada, conversamos com um bom amigo, fazemos sexo ou comemos chocolate.

O escritor e professor universitário Rinaldo Fernandes disse que felicidade é escrever, é encontrar a palavra certa da frase. “Melhor do que escrever só o ato sexual, talvez a mais importante forma de êxtase e prazer que existe”, acrescentou. Um jeito fácil de reconhecer se alguém está tendo prazer é procurar em seu rosto por um sorriso e por olhos brilhantes.

Engajar-se consiste em empenhar-se em uma determinada atividade ou empreendimento. O engajamento é a profundidade de envolvimento entre a pessoa e sua vida. Um sujeito engajado é aquele que está absorvido pelo que faz, que participa ativamente da vida. E, finalmente, significado é a sensação de que nossa vida faz parte de algo maior.

"Buscar a felicidade é uma meta meio vaga, fica difícil até de saber por onde começar. Mas, se você se conscientizar de que basta juntar essas três coisas - prazer, engajamento e significado - para a felicidade vir de brinde, a tarefa torna-se menos penosa”, garante o psicólogo americano Martin Seligman.

Seligman em seus estudos acrescenta ainda que um dos maiores erros das sociedades ocidentais contemporâneas é concentrar a busca da felicidade em apenas um dos três pilares, esquecendo os outros. E geralmente escolhemos justo o mais fraquinho deles: o prazer. "Engajamento e significado são muito mais importantes", disse ele numa entrevista à Time.

Algumas pessoas são capazes de se engajar em tudo: entram de cabeça nos romances, doa-se ao trabalho, dão tudo de si a todo o momento. Isso é raro e nem sempre é bom (inclusive porque gente engajada demais tende a negligenciar outros aspectos da vida, em especial o prazer). Ninguém precisa ir tão longe, mas o esforço de estar atento ao mundo, participando da vida, vale a pena.

Felicidade e o cérebro

Os Estados Unidos é o único lugar do mundo em que existe verba suficiente para fazer e mandar desfazer qualquer tipo de pesquisa sobre o comportamento da humanidade e sua evolução. Há cinco anos, por exemplo, o pesquisador Mihaly Csikszentmihalyi (pronuncie "txicsentmirrái"), da Universidade de Chicago (http://beta.uchicago.edu/), estuda um fenômeno cerebral chamado "fluxo", que ocorre quando o engajamento numa atividade torna-se tão intenso que dá aquela sensação boa de estar completamente absorto, a ponto de esquecer do mundo e perder a noção do tempo, ou seja, é um estado de alegria quase perfeita. Esse fenômeno acontece com monges em estado de meditação, mas também em situações muito mais comuns, como ao tocar um instrumento, andar de bicicleta ou até mesmo ao consertar a estante da casa.

Um outro pesquisador, o americano Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin (http://www.sk.com.br/sk-uwsp.html), observou em laboratório que as pessoas em estado de fluxo ativam uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal esquerdo, o que pode ter uma série de efeitos no organismo, inclusive um melhor funcionamento do sistema imunológico. Ao longo de um estudo realizado na Holanda, pessoas que entraram em fluxo tiveram seu risco de morte reduzido em 50%, por reagirem melhor a doenças.

E como se entra no tal fluxo? Csikszentmihalyi afirma que o segredo é buscar atividades nas quais se possa usar todo o seu talento. Tem de ser um desafio não muito fácil a ponto de ser entediante, nem tão difícil que se torne frustrante. Procurar experiências desse tipo é recompensador e traz níveis bem altos de felicidade. Claro que infelizmente nem todo mundo tem a sorte de encontrar desafios assim no trabalho. Nesse caso, um hobby pode ajudar na busca por engajamento e por momentos de fluxo - pode tanto ser uma atividade manual ou intelectual quanto um esporte.

Infelicidade

É quase impossível falar da felicidade sem remete ao seu contrário, ou seja, a infelicidade. De acordo com o Aurélio, a infelicidade é a qualidade ou o estado de infeliz, está ligada também a desgraça, ao infortúnio.

Ser infeliz também é uma opção de vida, como também não se escolhe daqui para frente serei infeliz, até porque ninguém deseja a infelicidade. Assim como a felicidade, a infelicidade não há respostas concretas, mas existem pequenas pistas que leva até ela. O filósofo grego Aristóteles afirmava, há mais de dois mil anos, que a felicidade se atinge pelo exercício da virtude e não da posse.

Hoje encontramos toneladas de livros e revistas de auto-ajuda ensinando ou dando dicas de como ser feliz. São testes e mais testes engajados sobre o assunto. Todos numa tentativa de fazer marketing com a felicidade.

Uma das causas da infelicidade, de acordo com alguns estudos, é a depressão. Em artigo publicado no British Medical Journal, professor Gordon Parker chama a depressão de diagnóstico que "engloba tudo", difundido por estratégias de marketing.

Cerca de um em cada cinco adultos é diagnosticado com depressão em, algum momento da vida. Em países como a Grã-Bretanha, os custos com a perda de produtividade e tratamento da doença é estimado em bilhões de dólares.

“O que acontece é que o ser humano pensa muito negativo sobre o mundo e sobre si mesmo”, avaliou Gleidson Marques que recebe diariamente em seu consultório pessoas com depressão. É a tríade cognitiva, diz ele: se penso negativo, vou atraiu coisas negativas e ter sensações negativas.

Para Marques a maior dificuldade do ser humano é párar e olhar para dentro de si mesmo. A vida está tão corrida que poucos param para saber o que realmente desejam. “A felicidade acaba se tornando clandestina. Porque as pessoas terminam entrando na convenção daquilo que outros nos coloca e não naquilo que realmente quero”, avaliou.

Religião e felicidade

Então quer dizer que para ser feliz basta juntar prazer, engajamento e significado e nossa vida se resolve para sempre? Se a fórmula fosse assim tão simples seria uma maravilha. A felicidade, como não cansam de repetir os poetas e os chatos, é breve. Ainda bem. Felicidade, por definição, é um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam.

A busca da felicidade é o que nos empurra para a frente. "Felicidade é projetada para evaporar", escreveu Robert Wright. E, segundo ele, há uma razão evolutiva para isso também: "Se a alegria que vem após o sexo não acabasse nunca, então os animais copulariam apenas uma vez na vida". Mora aí um dos grandes problemas atuais. Muita gente acredita que é possível viver uma existência só de altos, sem nenhum ponto baixo, sem tristeza, sem sofrimento. E alguns estão dispostos a conseguir isso sem esforço algum, só à custa de antidepressivos.

Os religiosos, em especial os budistas, afirmam algo parecido há muito tempo. Um de seus preceitos básicos é o de que "a vida é sofrimento". Coisa chata, não é? Talvez, mas ter consciência de que o sofrimento é inevitável pode ajudar a trazer felicidade, e certamente diminui a ansiedade. O conselho do Dalai-Lama é que, quando as coisas estiverem mal, em vez de se entregar à infelicidade ou tentar apenas minimizar os sintomas, você respire fundo e tente descobrir o porquê da situação.

De acordo com ele, grande parte da dor é criada por nós mesmos, pela nossa inabilidade de lidar com a tristeza e pela sensação de que somos obrigados a ser sempre felizes. Ao encarar o sofrimento de frente e identificar as suas causas reais, você estará dando um passo na direção do autoconhecimento, o que vai lhe permitir entender quais seus objetivos na vida, quais seus valores.

Há milênios, a humanidade encontra alento na crença de que cada um de nós faz parte de uma ordem maior. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não-religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos. A crença de que Deus está nos observando, nas palavras do psicólogo e estudioso da religião, Michael McCullough, da Universidade de Miami, é uma espécie de "equivalente em grande escala do pensamento “se eu não conseguir pagar o aluguel, meu pai vai ajudar”, ou seja, é um conforto, uma garantia de que, no final, as injustiças serão corrigidas e nossos esforços, reconhecidos.

No entanto a religião não é a única forma de dar significado à vida. Um truque eficaz para ficar mais feliz é fazer o bem para os outros, pode ser uma vista a um orfanato, ajudar a uma instituição de caridade, dar um presente útil a alguém. E isso não é conversa mole. Seligman mediu em laboratório os efeitos do altruísmo e percebeu que um único ato de bondade pode melhorar efetivamente os níveis de felicidade de uma pessoa por até dois meses.

Cinco atos de bondade por semana turbinaram sensivelmente o astral das cobaias do tal cientista. Também se alcança significado construindo algo que pode sobreviver a você. O exemplo clássico é criar filhos. Uma outra dica é acreditar que sua vida é importante para alguma grande causa: a história, a ciência, a justiça social, a democracia, a liberdade, o progresso, a natureza, ou seja, é útil crer em algo.

Para terminar, há uma regra da qual especialista nenhum discorda: ter amigos (e nem precisam ser muitos) ajuda a ser feliz. Amigos contam pontos nos três critérios: trazem, ao mesmo tempo, prazer, engajamento e significado para nossas vidas.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

terça-feira, abril 01, 2008

Vó Mera e seus Netinhos

A cirandeira Vó Mera lançará nesta quinta-feira (3), seu primeiro trabalho CD. O lançamento acontecerá na no hall da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em João Pessoa. O disco integra o projeto Raízes da Alma que consiste na parceria entre vários setores da instituição e apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

O disco, intitulado Vó Mera e seus netinhos tem, 28 faixas, das quais 20 são cocos-de-roda e sete são cirandas. Tem ainda uma faixa-bônus em que as cirandas estão agrupadas sem interrupções para proporcionar ao público a chance da diversão de uma roda de ciranda. O CD foi gravado no estúdio do Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB com produção do músico Adeildo Vieira e do professor Carmélio Reynaldo.

O trabalho de Vó Mera será objeto de um termo de cessão mútua a ser assinado por ocasião do lançamento, pela artista e pelo Reitor Rômulo Polari, será disponibilizado para ambas as partes usufruírem dele: a universidade libera os fonogramas e o projeto gráfico do CD para a artista que, por sua vez, libera para a instituição as obras gravadas. Além de ganhar a metade da tiragem do disco, a artista fica autorizada a reproduzi-lo livremente, desde que respeitando o projeto original, o que lhe dá a possibilidade de usufruir da obra como geradora de renda.

Quem é Vó Mera?

Vó Mera é natural do município de Alagoinha (PB). Filha de agricultores começou a trabalhar muito cedo na agricultura. Sua inclinação pelas várias manifestações da cultura popular se deu ainda na infância. Ela esperava ansiosa pela chegada das festas juninas para acompanhar com o ganzá na mão e a voz afinada, a sua tia, que cantava coco-de-roda e ciranda nas festas juninas da fazenda onde trabalhavam.

O grupo de ciranda e coco de roda Vó Mera e seus netinhos, foi batizado pelo chefe da divisão de cultura popular da Funjope, José Emilson Ribeiro, em 2003. É composto por Vó Mera (voz principal), Fernando Dylan (pandeiro e bumbo) e Jéferson Pereira (surdo). Posteriormente, Josenaldo Júnior (afoxé) e Clara Regina (ganzá) se integraram ao grupo. Antes da composição atual, Vó Mera era acompanhada apenas pelo pandeiro de seu neto Fernando Dylan.

A partir das 20h00, Vó Mera e seus Netinhos, se apresentam no pátio da Igreja São Pedro Gonçalves, no Centro Histórico de João Pessoa.

Serviço:
Lançamento: Vó Mera e seus netinhos
Quinta-feira (4)
Hora: 16h30
Local: Hall da Reitoria da UFPB.
Hora: 20h00
Local: Pátio da Igreja São Pedro Gonçalves - Centro Histórico
Informações: 3216 7822.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

segunda-feira, março 24, 2008

Sai novo edital do FMC


Foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (24) no Casarão 34 no centro histórico de João Pessoa, o Edital número 1 do Fundo Municipal de Cultura (FMC). O lançamento oficial não contou com a presença do prefeito Ricardo Coutinho, mas foi explicado pelo presidente da Comissão Deliberativa do FMC, Fernando Abath Luna e demais membros da comissão. Estiverem presentes ao lançamento escritores, músicos, produtores culturais, jornalistas e artistas.

O FMC este ano está disponibilizando um total de R$ 700 mil destinados a produtores culturais. As novidades este ano não foram muitas, de acordo com o próprio Fernando Abath. Uma das poucas modificações foram com relação a hora de entrega dos projetos no último dia de inscrição, que será de 8h00 às 12h00, no restante dos dias o horário será de segunda a sexta-feira das 9h00 às 11h30 e das 14h00 as 17h00.

As inscrições ainda poderão ser feitas nas agencias dos correios e telégrafos até o final do dia, respeitando os horários de funcionamento dos correios e suas franquias. As postagens do último dia de inscrição também devem obedecer ao horário de funcionamento das agências de correios.

A outra novidade foi à divisão dos projetos em pequeno, médio e grande porte, subdivididos em propostas de 10 mil, 30 mil e 50 mil reais. Para evitar à burocracia a comissão elaborou formulários com legendas e rodapés explicativos. A outra novidade é que as certidões negativas só serão exigidas para aqueles projetos que forem aprovados na primeira fase da seleção.

O FMC é um elemento de fomento cultural, instituído em 3 de dezembro de 2001 por intermédio da Lei nº. 9560 e regulamentado pelo Decreto nº. 4469, assinado em 7 de dezembro de 2001, que é destinado a produtores culturais. O Fundo abrange, na forma de projetos, as áreas de música e dança, teatro, circo e ópera, cinema, fotografia e vídeo, literatura, artes plásticas e artes gráficas, cultura popular e artesanato, acervo e patrimônio histórico, museologia e bibliotecas.

O edital bem como as informações e detalhes sobre o FMC podem ser adquiridas na sede da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), localizada na Praça Antenor Navarro, no centro histórico da Capital, em horário comercial. A ficha de inscrição e o edital estão disponibilizados no endereço eletrônico http://www.joaopessoa.pb.gov.br/licitacoes/funjope/#fmc. Maiores informações também pelos telefones: 3218-9811, 3218-5502 e 3218-9707.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br

domingo, março 23, 2008

Poesia abençoada

Nesta semana santa a dica cultural são dois livros do padre paraibano José Antônio Barbosa da Silva que recebi, há aproximadamente dois meses passados, quando o pároco, recém-chegado de suas missões na Espanha, Filipinas, Argentina, Uruguai e Paraguai presenteou-me com “Esperenzas del dia” (Editora Mis Escritos, Argentina: 2007, 64p) e “Dolor del Tiempo – vocês y poemas” (Editora D Primeira Mano, Paraguai: 2006, 61p.).

No momento em que recebi pensava comigo como é magistral a arte da palavra escrita em forma de poesia, como essa “coisa” pode extrapolar conceitos e juízo de valores. Nos tempos de hoje cristalizou-se a imagem de que a relação entre religião e poesia está em conflito, de que as duas formas de entender e sentir a realidade não são conciliáveis ou não se comunica (o que é totalmente equivocado).

Não é de hoje que os padres escrevem poesias. Só para lembrar Padre José de Anchieta escreveu em versos medievais o poema “De Beata Virgine Dei Matre Maria”, mais conhecido como “Poema à Virgem”, com 4.172 versos. Os autos misturavam características religiosas e indígenas, a primeira gramática do tupi-guarani (A Cartilha dos nativos).

A poesia do Padre José Barbosa é mais contemporânea que a de Anchieta, sem sombra de dúvida, pois como bem diz a prefaciadora de “Esperenzas del dia”, a poetisa Marta de Paris: “Toda obra criada deve identificar-se com o seu criador. Cada artista em sua época e sua arte”.

A surpresa se dá a cada poema lido. Sem nenhum alarde os versos são diálogos íntimos e livres do homem moderno que observa o cotidiano das pessoas no meio da rua, as vítimas e os assassinos de almas. Como também mostra suas angústias, dores, o seu cotidiano. “Não havia versos nas almas homicidas”, diz ele no poema “Incêndio em Setiembre”. E não havia mesmo padre José, não havia até quem os chegasse e olhasse de fora com tamanha expressão.

Aos poetas populares nordestinos ele dedica “Piedra de Molino” (p.44) em que comparar o homem do nordeste como pedra de um molino que segue sempre firme aos seus propósitos. Nas reentrâncias do poema a viagem estética de suas recordações de infância e a lembrança de seus heróis. Como ele bem diz: “Uso a filosofia para falar de uma rosa”.

Da página 50 em diante ele escreve pequenos poemas de três ou duas linhas, poemas curtos, parecidos com o haikai, uma pequena poesia com métrica e molde orientais. “Há dias que são tão escuros que se fazem noites”, diz um dos poemas.

E assim ele segue em todo livro construindo pontes entre o homem religioso e a poesia, e tenta mostrar que esse diálogo é possível, que pode inclusive ampliar o conhecimento do mundo seja de cientistas, poetas, seja dos intelectuais da tradição religiosa.

Já o segundo livro de sua autoria “Dolor del Tiempo – Voces y poemas” o tempo é o tema mais recorrente nos poemas. O tempo da agonia, o perdão do tempo, o tempo em qualquer lugar, o tempo de nascer e de morrer, de buscar tempo, de perder tempo, o tempo da guerra e da paz. Tudo tem seu tempo até para sentir a dor do tempo que parece nunca passar. Uma pessoa que sentiu de perto as poderosas armadilhas do tempo e lutou até quase ao desespero foi Santo Agostinho. Nos capítulos, senão me engano 14-28, do Livro XI das Confissões, ele se ocupa com o problema do tempo.

O pensamento geral de Agostinho e, conseqüentemente, seu pensamento sobre o tempo tem como base fundamental sua teoria da verdade, que consiste primariamente em entender a verdade como “aquilo que é”, lógica peculiar de sua época. É fazendo uso desta lógica e aplicando sua idéia da verdade na sua teoria do tempo que Agostinho chegou as suas conclusões sobre o passado e o futuro.

E é nessa seqüência entre o tempo futuro e o passado que os poemas de “Dolor del Tiempo – Voces y poemas” prossegue, como nos versos “Incandescência”, em que o poeta relembra os 60 anos da destruição de Hiroshima. É o tempo passado que deixaram marcas profundas nos muros da memória.

Na obra, em que até o silêncio se comunica, imprime muita simplicidade. A mística do livro seja ela de natureza religiosa ou humanística caminha como se enxergassem o invisível por detrás dos acontecimentos da vida. O único detalhe é que os dois livros são escritos em espanhol, o que por outro lado não dificulta em nada o entendimento, muito pelo contrário, talvez se vertida para o português não ganhasse tanta tenacidade.

Sobre o autor

José Barbosa da Silva é paraibano. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia aqui na Paraíba e deu continuidade a eles em Manila (Filipinas). Em “Isla de Samar”, centro do arquipélago foi diretor da Casa de Formação de sua Congregação Religiosa. Morou na Argentina entre os anos de 2001 a 2005, onde prestou serviço na Casa Sagrado Coração da Diocese de Laferrere, e acompanhou os alunos do Centro San José e aspirantes a vida religiosa.

É pós-graduado em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Católica da Argentina. Em 2006, foi transferido para o Paraguai, sendo nomeado pároco da Paróquia Nossa Senhora de Caacupé da cidade del este. Ele é membro do Instituto Literário e Cultural Hispânico, com sede em Westminster, Califórnia e do Movimento Poetas do Mundo.

Nosso padre poeta é autor dos livros: “Dolor del Tiempo e Esperanzas del dia”. Atualmente José Barbosa da Silva está em João Pessoa (PB) como novo pároco da Paróquia São Rafael no Castelo Branco.

Serviço:
Esperenzas del dia
Editora Mis Escritos
Argentina
Ano: 2007, 64p

Dolor del Tiempo – voces y poemas

Editora D Primeira Mano
Paraguai
Ano: 2006, 61p.

Contatos com autor: jobarbosa33@yahoo.com ou jbarbosa33@yahoo.com
http://vocesinpoemas.blogspot.com


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

quarta-feira, março 19, 2008

Espetáculos de Jesus


A Semana Santa é o período mais importante para os cristãos católicos de todo país e como sempre acontece várias montagens teatrais, recontando a vida, trevas, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, estão sendo encenadas.

Nesta quarta-feira (19), por exemplo, é a última apresentação do recital “Das Trevas a Luz” do Coral Universitário Gazzi e Sá da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A apresentação está prevista para acontecer às 20h00 na Igreja São Pedro Bento Gonçalves, localizada no centro histórico da Capital. O espetáculo, que a cada ano é mais requisitado, faz parte das comemorações da Paixão de Cristo.

“Das Trevas à Luz” é um espetáculo que reúne canto coral com teatro. A montagem surgiu da parceria dos professores de educação musical do Demús da UFPB, Eduardo Nóbrega (maestro titular), Eleonora Montenegro (diretora cênica), Antônio Carlos Coelho (coordenador musical) e João Arimatéia (regente assistente).

São ao todo 50 coralistas entre estudantes universitários, atores e atrizes convidadas. O recital apresenta enquetes cênicas retiradas das passagens da bíblia católica, como a cerimônia do lava pés, a oração feita por Jesus no Monte das Oliveiras, o beijo de Judas, o momento em Jesus com sede pede água para beber e dão vinagre e grito final de sua morte.

A montagem é encenada e cantada por Alberto Black (Jesus), Pollyanna Barros (Maria), Ricardo Gomes (Judas); Onivaldo Júnior e Michel Lucena (Narradores), Gilson Figueiredo (Caifás); Marconi Bezerra (João Batista); Luciana Rabelo (Verônica); Paula Regina (Madalena); Salete Lelis (Mãe de Tiago e João); Eduardo Nóbrega Filho (Pedro); Arturo Gouveia (Sacerdote); Ana Ferraz e Bárbara Carneiro (mulheres crentes); Rammon Felipe (Tiago); Eudes Farias e Thiago Souto (soldados). Além da participação do músico Yuri Ribeiro (teclado) e da professora de técnica, Ana Catarina Leão P. Coelho.

No programa do recital estão incluídas as canções: IV Tractus (José Lobo Mesquita), Requiem (Pe. José Maurício), Kyrie (Pe. José Maurício), Christus Factus Est (Igor Strawinsk), Domine, Tu Mihi Lavas Pedes (Tom K), In Monti Oliveti (Tom K), Judas Mercator Pessimus, (Tom K), Felle Potus (Tom K), Ó Vós que Passais (Tom K - com solo de Pollyanna Barros), Tenebrae Factae Sunt (Tom K - solista: Eduardo Nóbrega Filho), Sepulto Domino (Tom K), Stabat Mater (Tom K) e Aleluia (Tom K).

Maria Canta a Paixão

E também começa hoje, a partir das 19h00, no Parque Sólon de Lucena (Lagoa), centro de João Pessoa, a montagem teatral “Maria Canta a Paixão”. Está é a quarta edição da montagem que privilegia atores e produção local. A intenção dos administradores da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) foi selecionar dramaturgos, diretores de teatro e cenógrafos, através de editais de dramaturgia. O selecionado este ano foi o texto de autoria das arte-educadoras Luiza Barsi e Helena Madruga, diretor Antônio Deol e Duílio Cunha e dramaturgia de Diógenes Maciel.

O espetáculo sobre a morte e crucificação de Jesus Cristo prossegue até domingo (23) e contará com a mesma infra-estrutura que dispunha no local anterior (Praça do Bispo), com arquibancadas para o público. Serão ao todo oito sessões gratuitas divididas em uma apresentação nos dois primeiros dias do evento, às 19h00, e duas outras nos três dias subseqüentes, às 19h e 21h30.

A montagem tem uma hora de duração. A concepção cenografia é de autoria de Jorge Bweres e privilegia a manifestações populares, a exemplo dos desfiles de escolas de samba e procissões. As cenas acontecem em movimentos lineares sincronizados em uma passarela ao centro e as pessoas assistem das arquibancadas paralelas a esse palco.

As passagens cênicas serão contadas por 52 atores locais em uma área que mede aproximadamente 1.170 metros quadrados. O responsável pela direção musical é o maestro Eli-Eri Moura, que coordena a orquestra e o coro de formado por 20 vozes femininas, sendo oito solistas e ainda 10 instrumentistas.

“Maria Canta a Paixão” conta a história de Jesus Cristo na visão de Maria e tem o objetivo de integrar o sentido e importância da geradora do homem que revolucionou a história da humanidade. O diretor da montagem, o ator Antônio Deol, disse está na expectativa de que o espetáculo seja assistido por um número maior de expectadores.

Testamento do Rei Salomão no Casarão

As artes plásticas também não ficaram de fora da programação santa da semana. O Casarão 34 abriu hoje (19), às 19h00, a exposição do artista plástico alemão Dieter Ruckhaberle intitulada “ O Testamento do Rei Salomão (apókryphos). Na ocasião, o artista falará sobre as suas atuais e antigas obras, tais como: Cidade Latão, História das Mil e Uma Noites, Abisague e o Rei Davi.

Para quem não conhece ainda o Casarão 34 está localizado na Rua Visconde de Pelotas, 34 (Praça Dom Adauto), centro. As obras ficam expostas no local até o dia 10 de abril em horário comercial.


Adriana Crisanto
Repórter
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sábado, março 15, 2008

A "Evolução" de Zé Filho

De fato é uma verdadeira “Evolução” o novo CD do guitarrista Zé Filho que será relançando nesta quarta-feira (26), a partir das 20h00, no Teatro Ariano Suassuna do Colégio Marista Pio X, localizado na Rua Monsenhor Walfredo Leal, em Tambiá. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do teatro ao preço de R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira). O show contará com a participação dos músicos Groove, Primatas e Beto Tavares.

“Evolução” conta com dez músicas e foi produzido entre os anos de 2005 a agosto de 2007, gravado no estúdio de Sérgio Gallo, com projeto gráfico de Fábio Cavalcanti, fotografia de Mano de Carvalho, participação especial de Edu Ardanuy, Costinha e o Quinteto Uirapuru.

É claramente perceptível neste trabalho as influências de instrumentistas do jazz, a exemplo de John Coltrane, Jimmy Smith e Wes Montgomery. Há momentos em que a guitarra de Zé Filho se inspira nos fraseados dos instrumentos de sopro, às vezes se separa deles, caminha de forma independente, volta, soma, aparece "jazzy" e depois cheia de blues. Nessa linha, confira as faixas Bluesão (faixa 4) de autoria de Washington Espínola, outro excelente guitarrista paraibano que hoje reside em Genebra, na Suíça. Além de Brincando com Blues (faixa 6) e O Recomeço (faixa 10).

Na opinião do guitarrista e produtor musical, Sydnei Carvalho, o som de Zé Filho transcende aos rótulos fáceis e, segundo ele, o guitarrista não se acomoda a posição de músico da terra. Daqui ou não Zé Filho vem a cada trabalho solo se aperfeiçoando. Para não ser ingrato a quem sempre o acolheu o músico presta homenagem a sua banda de rock Área 51, que no final de década de 1990 fez enorme sucesso junto aos jovens da sociedade paraibana.

Outra homenagem que rende é ao bar Portal das Cores, de propriedade dos produtores de cultura Roberto Zaccara e Marconi Serpa, que funcionou na praia de Intermares, em Cabedelo. O portal para quem não conheceu era um lugar privilegiado a beira mar que trazia música de qualidade. Revelou grandes nomes e trouxe artistas que hoje são consagrados no cenário musical brasileiro, a exemplo de Zélia Ducan, Chico Sciense (falecido), Cássia Ellen (falecida), Ângela Ro Ro, 14 Bis e tantos outros que esqueço agora. Infelizmente o lugar teve que fechar suas portas devido ao fatídico acidente de dois filhinhos de papai que assassinaram um jovem no local.

A sonoridade do disco lembra o estilo de outros bons guitarristas: Dave Specter e Ronnie Earl. Quando comecei a ouvir o disco, a primeira impressão que tive foi a de que o trabalho seria na linha desses dois guitarristas, mas depois constatei que ali havia alma própria.

Há também no disco um ótimo "groove", do qual ele nomeou “Groove do Zé" (faixa 5). A música é cheia de malandragem e com espaços para os músicos da banda dar suas canjas. Bom mesmo é escutar essa música no show. Ali ele se diverte como se fosse um menino que está aprendendo a tocar.

Na seqüência desta “Evolução” aparece a faixa título do disco, uma boa música de ser ouvida. Nela o guitarrista é acompanhado do quinteto de cordas Uirapuru. Uma excelente música para ser escutada tomando uns goles de vinho ou Mescal (tequila texana vendida com um mandruvá curtido no fundo da garrafa) ou até mesmo de uma coca-cola, nesse caso para os abstêmios.

Os timbres da guitarra de Zé Filho estão agradáveis, estudados e demonstram bem o vigor do som de suas guitarras novas e antigas que ele as apresenta como se fossem suas filhas. As gravações de Evolução revelam amadurecimento artístico do guitarrista, apreço pelos detalhes, principalmente estéticos do show.

Enfim, Evolução é mais uma mostra dos bons guitarristas que a Paraíba possui e credencia Zé Filho como um grande instrumentista que pode lançar o seu trabalho mundo afora.

Mini-biografia do guitarrista

Zé Filho é natural de Recife (PE), mas reside em João Pessoa (PB) desde os oito anos de idade. Começou a estudar música no conservatório da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Estudou violão clássico durante quatro anos e em seguida passou a se dedicar ao popular. Aos 16 anos começou a tocar guitarra, instrumento em que sempre foi autodidata. Lançou o seu primeiro CD instrumental intitulado "Guitar Performance" em 1997, em seguida gravou "Q_OUT" (2001). Em 2002 saiu a segunda edição do Guitar Performance. Zé filho usa cordas e pedais NIG, amplificadores Meteoro e guitarras do luthier Carlinhos Bezalel.

Serviço:
Show: Zé Filho (guitarrista)
Lançamento do CD: Evolução (instrumental)
Quarta-feira (26)
Hora: 20h00
Local: Teatro Ariano Suassuna - Colégio Marista Pio X - Rua Monsenhor Walfredo Leal - Tambiá.
Ingressos: R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira).
Participação especial: Groove, Primatas e Beto Tavares.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

segunda-feira, março 10, 2008

Homenagem à mulher


Elizabeth Teixeira
Vida e luta pelos direitos do homem do campo


No último sábado (8) comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, dia que poderia ser todos os dias, pois ser mulher neste país, apesar dos avanços, ainda não é uma coisa muito fácil. Estatísticas sobre o comportamento, a saúde, o poder, o mercado de trabalho, a violência e tantas outras foram recorrentes na mídia brasileira nos últimos dias. Belas ou feias a imagem da mul
her foi publicizada de várias maneiras, com o intuito de reconhecê-la enquanto ser humano, coisa que Eva tratou de estragar nos últimos milênios. E já que é para homenagear trago uma história que uma mulher que não viveu no paraíso como Eva, nem teve grana para fazer lipoaspiração, colocar silicone e botox na boca, nem muito menos exerce um cargo de renomada importância intelectual ou jurídica. Essa mulher chama-se Elizabeth Teixeira, uma camponesa que lutou em defesa não apenas da mulher, mas o ser humano que busca incessantemente por justiça e dignidade. Leia a matéria:

Saí da redação do jornal de onze horas da manhã em João Pessoa com a incumbência de entrevistar uma mulher que hoje é símbolo nacional da luta pelo direito a vida da terra, a líder camponesa Elizabeth Altina Teixeira. O sol a pino de um verão que parece que nem tão cedo vai terminar sigo para Rua Genésio Gambarra, 160, em Cruz das Armas. A casa, antepenúltima da rua, uma senhora de 83 anos, completados em fevereiro deste ano, me atende com um largo sorriso no rosto e dá mais luz ao meu dia.

A casa é boa, pequena, mas aconchegante e extremamente agradável. Ao atravessar o portão uma cachorrinha saltitante duas redes armadas e mesinha com algumas cadeiras prontamente nos espera no terraço coberto da casa. Elizabeth Teixeira (1925) deu continuidade à luta do marido João Pedro, quando este foi assassinado por latifundiários, em 1962. Dona de casa, mãe de onze filhos, ela assumiu a presidência da Liga Camponesa da Paraíba, primeiro órgão de defesa dos agricultores no Estado, fundado por João Pedro em 1958.

Elizabeth Teixeira passou a percorrer a região, explicando aos camponeses seus direitos, enfrentando fazendeiros, denunciando as violências no campo. Organizou reuniões e coordenou atos públicos na cidade. Perseguida pela ditadura, viveu dezesseis anos na clandestinidade. Sua vida de resistência e coragem está perpetuada no filme Cabra Marcado para Morrer, de autoria do cineasta Eduardo Coutinho.

A camponesa esbanja uma lucidez de dar inveja a muitas pessoas. Ela nasceu na Fazenda Antas, município de Sapé. Filha mais velha de nove irmãos, sendo o pai, um médio proprietário, dono de mercearia e negociante de algodão. A mãe, descendente de uma família de latifundiários.

Antes de conhecer o marido João Pedro ela trabalhava nos serviços de casa e ajudava o pai na mercearia. Foi alfabetizada, mas teve que sair da escola no 2º ano primário, por proibição de seu pai. Desfrutava de uma vida relativamente confortável até o momento em que conheceu João Pedro Teixeira, trabalhador de uma pedreira próxima, negro e pobre, com quem fugiu para se casar, uma vez que seu pai se opunha ao relacionamento devido à condição social.

Fugida casou em Cruz do Espírito Santo e foi morar com o marido na fazenda Massangana, na Paraíba, onde o tio de João Pedro era gerente. Sem emprego mudou-se com João Pedro para Açú (PE) em 1945, quando começou a trabalhar numa pedreira e alfabetizá-lo. “Alugamos uma casa em Recife e João Pedro trabalhava na pedreira”, explicou. Neste período começa o contato dele com o movimento operário e funda o sindicato de sua categoria, o que lhe valeu perseguição dos patrões, não lhe dando emprego. É quando a família retorna a Sapé em 1954, para uma propriedade do pai de Elizabeth, e começam a viver do roçado e do trabalho de João Pedro. Nessa época, conta Elizabeth, as condições dos camponeses da região Nordeste se agravavam, levando-os à organização das Ligas Camponesas para lutarem contra a exploração dos latifundiários e pela melhoria das condições de vida no campo.

Como se não bastassem os conflitos com o pai de Elizabeth, devido à sua participação e do marido nas Ligas, o clima no campo começou a ficar mais pesado. “João Pedro foi assassinado em 2 de abril de 1962, a mando dos latifundiários da região. Dois policiais fizeram uma emboscada na estrada que liga café do vento. Ele tinha vindo a João Pessoa resolver alguns problemas. Quando fui ver o corpo dele peguei em sua mão de disse: João Pedro nunca tive uma resposta para te dar, mas vou assumir o seu lugar”, relembrou.

João Pedro Teixeira foi assinado por dois policiais, um cabo e um soldado da polícia, e o vaqueiro Aguinaldo Veloso Borges. O cabo da polícia chamava-se Francisco Pedro, apelido de Chiquinho, o soldado, Antonio Alexandre. “Uma senhora que morava perto do local disse que depois de ter levado os três tiros, João Pedro dizia, levantando a mão e ainda em pé: “Tentaram, tentaram até que tiraram a minha vida”. Sei que não reencontro mais a minha mulher e meus filhos, deu alguns gemidos e já estava no chão”. O primeiro que o encontrou foi o companheiro Antonio José Dantas, que estava na estrada com o prefeito de Santa Rita.

O crime repercutiu dentro e fora do país. Elizabeth, mesmo sem saber muita coisa, assumiu a direção da Liga de Sapé. Logo após seu segundo filho, Abraão Teixeira, é assinado com uma bala na cabeça. Tempos depois sua filha mais velha Marluce Teixeira suicida-se. “Ela tinha muito medo que eu morresse também, pois eu estava protestando contra a retirada de uma família de camponeses da terra”, contou.

Em 1964, o regime militar instaurado no país reprimiu violentamente e desestruturou o movimento. Pouco tempo depois é presa pelo exército brasileiro e passa cerca de 16 anos confinada nas dependências do Grupamento de Engenharia em João Pessoa. Depois que foi libertada buscou exílio na cidade de São Rafael, no Rio Grande do Norte, onde permaneceu com outra identidade (Marta Maria da Costa) até 1981, levando apenas um de seus filhos."Eu fugi com o meu filho, e os outros ficaram espalhados, com parentes. Eu vivia lavando roupa de ganho, no rio”, disse Elizabeth que nessa época pegou uma infecção, ficou muito doente, e foi hospitalizada. “O médico disse que eu tinha que parar de lavar roupa, e a situação ficou mais difícil ainda. Cheguei a passar fome. Um dia, eu estava sentada na calçada, chorando, então um motorista que viu a minha situação foi na venda e comprou uma feira com muita coisa, inclusive quatro latas de leite, e me entregou, num gesto de grande solidariedade”, disse.

Em São Rafael percebeu que as crianças viviam pelas ruas, sem, sem ensino nenhum. “Aí falei com as mães e propus ensinar às crianças em troca de algum dinheiro. Elas se reuniram, cada uma cedeu uma cadeira, outra emprestou a sala da sua casa, que foi transformada em sala de aula e passei a ensinar às crianças a ler, contar e escrever”, contou.

Após um longo processo de procura, em 1981, o cineasta Eduardo Coutinho, a encontrou. Abandonou a vida clandestina que levava e revelou seu verdadeiro nome e sua história às vizinhas e amigas do município de São Rafael. Depois que foi encontrada sua primeira iniciativa foi, com o apoio do cineasta, reencontrar os demais filhos, que moravam na Paraíba, no Recife, no Rio de Janeiro e em Cuba.

O Filme

O Eduardo Coutinho (foto ao lado) foi ao Nordeste fazer umas filmagens sobre o povo do interior, com os estudantes da UNE, e mudou o projeto de seu filme quando soube do assassinato de João Pedro. Eles todos foram ao ato público que realizamos depois do assassinato, e aí ficaram revoltados. “Eduardo me procurou e disse que deveria fazer um filme, que só foi rodado em 1964. Filmamos no Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco", relatou Elizabeth. As filmagens, de acordo com Elizabeth, na Galiléia, foram interrompidas pelo golpe de 1°de abril de 1964, sendo retomadas apenas dezessete anos depois.

O filme acabou sendo focado na vida de Elizabeth Teixeira para contar o assassinato de João Pedro. “Cabra marcado para morrer” (120 min) é de 1984 e tem no elenco Elizabeth Teixeira e família, João Virgínio da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco). Narração de Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho.

Em uma das muitas cenas do filme Elizabeth diz: "(...) a luta que não pára. A mesma necessidade de 64 está plantada, ela não fugiu um milímetro, a mesma necessidade do operário, do homem do campo, a luta que não pode parar. Enquanto existir fome e salário de miséria o povo tem que lutar. Quem é que não luta? É preciso mudar o regime, enquanto tiver este regime, esta democracia, (...) democracia sem liberdade? Democracia com salário de miséria e de fome? Democracia com o filho do operário sem direito de estudar, sem ter condição de estudar?"

Hoje

Atualmente Elizabeth Teixeira reside em João Pessoa, com uma das filhas e duas de suas 23 netas e netos. Aos 83 anos, a dirigente camponesa permanece atenta à luta dos trabalhadores, mas pouco participa dos atos públicos em si. “Não sei como está hoje o sindicato rural, pois hoje não é mais Liga Camponesa, mas sindicato. Não sei como está. Minha velhice não deixa mais acompanhar o movimento”, lamentou.

Hoje ela é convidada para dar seu depoimento em congressos e conferências pelo país. "No dia 10 de maio, estive num acampamento de camponeses, no município de Itabaiana, chamado Acampamento Elizabeth Teixeira. Foi uma honra saber que os companheiros que lutam lembram de mim, viúva de João Pedro Teixeira. E é triste saber que depois de sua morte, a miséria, a fome, as injustiças e os crimes do latifúndio continuam acontecendo do mesmo jeitinho”, disse.

Em 1963, Elizabeth esteve em Cuba, acompanhada dos companheiros camponeses. Passamos 24 dias percorrendo todo aquele país. “Fui muito bem recebida por Fidel Castro. Ele me apresentou uma casa, dizendo que se eu quisesse voltar com meus filhos, teria toda a assistência. Mas, eu disse para Fidel que tinha um compromisso com a luta do Brasil, não só pelo assassinato do meu marido, mas de muitos outros companheiros, amigos que tombaram na luta. Quando veio o golpe, naquele momento difícil, eu pensava, às vezes, no convite de Fidel”, relatou.

Apesar das muitas marcas que vida lhe deixou impressas em seu rosto ela é perseverante na sua fala. É dotada de um espírito resistente à dor, e ainda se mantém doce e solidária. Por trás daquele corpo franzino estão escondidos os vultos de muitas lembranças difíceis de apagar. Ao contar e recontar sua vida a qualquer pessoa, informada ou desinformada, que chegue até ela sempre se emociona. Mas, procura, em meio ao baú de lembranças, motivar a nova geração para a continuidade de ação em prol da justiça social.

O trabalho de Elizabeth influenciou outros trabalhos, uma dessas influências é o Movimento das Mulheres do Brejo Paraibano, surgido na mesma área geográfica das Ligas. Há trabalhos que demonstram a persistência da memória das Ligas na região. Elizabeth tem sido referência simbólica de muitos movimentos sociais no país. Além do filme Cabra Marcado Para Morrer que deu enorme visibilidade a sua vida ela já foi homenageada pelo grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, com a medalha Chico Mendes; Câmara Municipal de São Paulo, Igrejas Evangélicas da Suíça (1989); Assembléia Legislativa da Paraíba e outros reconhecimentos.

Elizabeth Teixeira é uma dessas mulheres em que a dor não mais a abate, onde o fatalismo não tem vez, a fama muito pouco a seduziu, mas apenas uma coisa a direcionou: a justiça e dignidade para o ser humano.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação e arquivo

Socorro Lira participa de projeto cultural internacional


A cantora e compositora, Socorro Lira, que adotou visual carequinha, participa como artista brasileira convidada, em 2008, da “XIV Ponte... nas ondas!”, uma iniciativa da associação cultural Ponte... nas ondas!, da Galiza (Espanha), que promove a candidatura das tradições galego-portuguesas a Patrimônio Imaterial da Humanidade junto a Unesco.

O convite partiu da presidente da entidade, Santi Veloso, que tomou conhecimento do seu novo projeto musical, intitulado “Cores do Atlântico” (2006/2008), que traz versões de quinze cantigas d’amigo medievais galego-portuguesas, musicadas e interpretadas por ela e que contará com as participações de artistas convidadas do Brasil, da Galícia e de Portugal.

O Brasil estará representado como país de língua portuguesa da XIV edição de “Ponte...nas ondas”, no dia 6 de junho de 2008, uma jornada de eventos de comunicação, educação e arte que acontece anualmente envolvendo a imprensa da Galícia (e de toda Espanha), de Portugal, entre outros países como o Brasil; e pode ser acompanhada também pela internet. Outros artistas brasileiros, a exemplo de Chico César, já colaboraram com “Ponte... nas ondas!”.

O idioma como Ponte. A Galícia (ou Galiza), um dos Estados que, oficialmente, integram a Espanha é um povo que luta bravamente pela preservação de sua autonomia política e de suas tradições, inclusive mantendo a sua língua original – o galego – raiz do português moderno falado em Portugal e, por conseguinte, nos demais países lusófonos ex-colônias portuguesas na África e América.

O Brasil como um todo e, especialmente, a região nordeste reconhece a predominância de influências culturais da Península Ibérica da Idade Média, em sua cultura poética e musical, trazidas aqui por portugueses e galegos imigrantes que chegariam em terras hoje brasileiras, desde 1500. Outras informações podem ser obtidas no website: Para mais informações http://www.pontenasondas.org/


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

Novos Brasis da “Oi”

Como o objetivo de apoiar iniciativas que visam a inclusão digital e a transformação social, a empresa de telefonia móvel “Oi”, que entrou com força no mercado nordestino, abre nesta quinta-feira (13) inscrições para programa Novos Brasis, promovido pelo instituto de responsabilidade social Oi Futuro.

Os projetos inscritos devem ter como foco principal o desenvolvimento de tecnologias sociais que possam ser repassadas para outras organizações sociais. Serão observados critérios como inovação, criatividade, capacidade de apresentação de diagnóstico da comunidade e monitoramento do trabalho realizado.

O edital é aberto para organizações do terceiro setor sem fins lucrativos e devidamente legalizadas. Logo após a seleção dos projetos, os especialistas do Oi Futuro acompanharão a implantação de cada iniciativa, auxiliando na gestão e na avaliação do impacto das atividades.

No ano passado a Oi Futuro apoiou vários projetos culturais. Dentre eles estão: Olhar Circular (AL), Jogos Educativos para Informática – Jeinf (AM), Rede Ribeirinha de Comunicação (AM), Expresso Digital (CE), Fabriqueta de Software: um novo Brasil no Jequitinhonha (MG), iTEIA - Rede Digital de Cultura e Cidadania (PE), Portal Moda Brasil (RJ), Oficina Legal (PE), Da floresta para a cidade, da cidade para o mundo - Melhorando a comunicação da Hutukara Associaão Yanomami (RO).

As inscrições, assim como as regras de participação, estarão disponíveis no site www.oifuturo.org.br de 13 de março a 15 de abril. As organizações podem inscrever mais de um projeto, desde que atendam às exigências do regulamento.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
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Espanha e Pernambuco unidos no Festival Câmbio Sonoro

A Espanha e Pernambuco parecem está em completa sintonia. Mais um evento unindo os dois países acontece em Recife (PE), no Teatro Santa Isabel nos dias 14, 15 e 16 de março de 2008. Trata-se do “Câmbio Sonoro - 1º Festival de Música Espanha-Pernambuco”, uma iniciativa de intercâmbio que visa promover a música como dimensão fundamental da vida contemporânea, dando apoio às iniciativas culturais da música local e internacional. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira) na bilheteria do teatro.
O Festival contará com três apresentações de grupos musicais da Espanha, antecedidas por pockets-shows de artistas pernambucanos. A renda do festival será revertida para o Espaço Recicriar, vinculado à Prefeitura do Recife, através do Instituto de Assistência Social e Cidadania (IASC). O dinheiro arrecadado será destinado à compra de cestas básicas, de medicamentos não encontrados em postos de saúde e para incremento a atividades esportivas.

O Câmbio Sonoro é uma ação pioneira idealizada pela Mosaico Producciones (Pernambuco) e Mirmidón Producciones (Espanha) em parceria com a Prefeitura do Recife e governos de Canárias, Catalunha e Galícia.

No primeiro do festival, sexta-feira (14), a partir das 21h00, se apresenta o grupo NARF da Galícia (Espanha). O Narf é um projeto do cantor, compositor e ator galego Frán Perez, que divide a sua atividade entre o teatro e o rock. Perez é um dos músicos mais conhecidos da Galícia. Além de ser um excepcional guitarrista, possui uma delicada voz e altas doses de originalidade e talento.

O pocket-show de abertura será com Zé Brow, conhecido por causa do seu trabalho com o Grupo Faces do Subúrbio. Uma das maiores influências do Zé é hip hop e a embolada, por causa da improvisação em cima de temas variados.

O segundo dia, sábado (15), também a partir das 21h00, no Teatro de Santa Isabel, se apresenta o grupo “Refree” da Catalunha (Espanha). Refree é um projeto de Raül Fernandez, jornalista musical, considerado um dos compositores mais criativos da Catalunha e também um dos personagens mais inquietos da cena independente. Seus trabalhos mostram uma grande riqueza na concepção do popular, além de um sólido compromisso estético e sentimental. Uma mistura de rock vanguardista, folclore Catalão e free jazz. Neste mesmo dia o pocket-show de abertura ficará a cargo de Zaldorf, que lançou um CD duplo e dois livros.

No último do festival, domingo (16), a partir das 19h00, o cantor José Antonio Ramos, das Ilhas Canárias (Espanha) sobe no palco do Teatro Santa Isabel para mostrar sua música aos brasileiros do nordeste. José Antônio é o responsável por introduzir o “timple” (instrumento de cordas de origem espanhola - num espectro acústico completamente inédito) na música espanhola. Suas incursões passam por vários gêneros, a exemplo do jazz, flamenco, celta, sinfônico, e tem causado admiração de todos aqueles que escutam seu trabalho e suas novas propostas musicais.

O show de abertura neste último dia ficará a cargo de Nenéu Liberalquino Trio, grupo formado em 1977, pelo regente, violonista, compositor e arranjador brasileiro Nenéu Liberalquino. O grupo de violões tem como um dos seus pilares estéticos a releitura instrumental do Cancioneiro Popular Brasileiro (MPB).

O trio tem em sua formação os musicistas: Neneu Liberalquino, Cláudio Moura e Guilherme Calzavara. Na apresentação, que promete ser bastante eclética, o grupo apresentará não somente canções da MPB dos mais variados ritmos (da valsa ao frevo, passando pelo baião e o choro), mas também composições do próprio Nenéu.

Serviço:
Festival Câmbio Sonoro
Data: 14, 15 e 16 de março.
Local: Teatro de Santa Isabel - Praça da Republica
Fone: 81. 3232.2939/ 8814-1984 / 8832-3200


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação