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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Celly e sua paixão por Jesus


“Foi uma iluminação divina”. Está foi a frase usada pela arte-educadora, atriz, diretora e agora dramaturga Celly de Freitas autora do texto “Jesus, uma paixão”, a nova montagem teatral que será encenada na semana em que se celebra o mistério da crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O texto concorreu ao edital de seleção da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) com outros três de autores locais. Em Jesus, uma paixão, a autora escreve sobre a presença da mulher na vida de Jesus em sua passagem pela terra na visão de quatro lavadeiras (Maria das Graças, Maria das Dores e Maria da Glória). As idéias para texto, de acordo com Celly de Freitas, surgiram após assistir a encenação da montagem “Cordel da Paixão de Deus”, que teve o texto assinado pelo dramaturgo Tarcísio Pereira, em que tinha como protagonistas principais quatro evangelistas homens.
Antes de escrever Celly de Freitas freqüentou, como aluna especial, aulas sobre “teoria do texto dramático” e “dramaturgia contemporânea de autoria feminina nordestina”, com a professora Sandra Luna, no curso de mestrado em Letras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Isso me deu muita base para criação do texto”, acrescentou a autora.
O processo de pesquisa e construção do texto durou aproximadamente três meses. “Foi muito rápido. Quando dei por mim estava pronto”, comentou a dramaturga. A idéia de colocar as lavadeiras surgiu da necessidade de criar personagens, que além de serem femininos, teriam que trazer em sua concepção o viés popular a que se propõem as montagens teatrais da Funjope.
A primeira cena de “Jesus, uma paixão”, tem início com a entrada de um grupo de doze mulheres lavadeiras, cantando uma música e dirigindo-se ao rio onde costumam lavar as roupas para encenação da paixão de cristo que acontece na comunidade aonde moram Maria da Graças (que narra todas os milagres e benfeitorias), Maria das Dores (que relata a partir do sofrimento e das dores de Jesus) e Maria da Glória (contando às particularidades dos fatos que aconteceram depois que passa o sofrimento de Cristo).
O espetáculo ao mesmo tempo em que narra a história mais antiga do mundo traz para cena os conflitos sociais vividos pela mulher na antiguidade e nos dias atuais, como a violência e preconceito. Além de mostrar o olhar apaixonado das mulheres sobre Jesus na sua época e nos dias de hoje. “Por isso tem esse título: Jesus, uma Paixão. E também porque Jesus é um homem apaixonante”, acrescentou a autora.
O texto mostra as mulheres que acompanharam Jesus na sua jornada. Não só Maria, a mãe, mas também Maria Madalena, personagem que a autora dá bastante ênfase não só como uma mulher adúltera, como é retratada no livro sagrado dos católicos, a Bíblia, mas a mulher que se apaixonou por Jesus. E ainda a mulher dos grandes homens do império, a importância que elas tiveram na vida deles e como decidiram o destino e o rumo da história.

Sobre a autora

Celly de Freitas é natural da cidade de Cajazeiras, município que fica a cerca de 461 quilômetros da Capital, João Pessoa, no alto sertão da Paraíba. Cidade responsável por gerir uma leva grande de atores de teatro e cinema que hoje atuam com freqüência nos palcos de todo país.
Ela tem um currículo extenso. Além de farmacêutica e bioquímica, suas atividades profissionais cotidianas, se desdobra na atividade de ser mulher-mãe de três filhos, arte-educadora, atriz, diretora e agora mais do que nunca autora de textos para teatro.
Desde 1988 que escreve para o teatro infantil. A primeira montagem foi “As Aventuras de Peter Pan”, escrito por ela, Evaldo de Souza e Socorro Coutinho, com direção de Ednaldo do Egypto (2000) e encenado pela Companhia de Teatro Encena. Dois anos mais tarde escreveu “Quem tem medo do lobo mau”. Em 2004, escreveu “Amor em desatino”, um monólogo fruto da sua especialização em teatro, em que também atuou, e teve a direção do professor de teatro Paulo Vieira.
No ano de 2005 escreveu e dirigiu o espetáculo “O Reino do Chocolate” que concorreu aos editais de seleção dos fundos de cultura municipal para circular pelas escolas do município. É de sua autoria o texto do espetáculo “Os Três Mosqueteiros Atrapalhados”, uma adaptação da saga de Arturo, Dartan e Azamix, que além de atrapalhados servem ao reino do rei Arturo e ainda "Contadores de História” (2006). No ano passado Celly de Freitas foi contemplada no projeto “Novos Escritos da Paraíba”, também da Funjope, para publicação do livro “Teatro para crianças e jovens: Ler e/ou Encenar”, que contará com seus textos para o teatro infantil.
Adriana Crisanto
Publicado no caderno Show do Jornal O NORTE, em janeiro de 2007.
Foto de Helder Pinto



Aceita-se Desafios


Rinaldo Fernandes é o responsável por quatro belas coletâneas. Uma delas “O Clarim e a Oração: Cem Anos de Os Sertões”, uma obra que reúne textos de autores contemporâneos das áreas de jornalismo, literatura, poesia e história, e de quebra, traz entrevistas com moradores de Canudos. O livro-coletânea foi editado pela Garamond, no ano de 2005, para celebrar os 50 anos de publicação do romance “Os Sertões” de João Guimarães Rosa.

No final do ano passado Rinaldo Fernandes recebeu Prêmio Nacional de Contos do Paraná, um dos mais tradicionais da literatura brasileira. Prêmio este que colocou o maranhense (que resolveu adotar a cidade de João Pessoa como sua casa oficial) em destaque no cenário literário nacional.

Além de professor de literatura na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com doutorado em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é autor dos livros de contos: O Caçador (1997) e O Perfume de Roberta (2005) e da novela Rita no Pomar (ainda inédita). Recentemente o conto “Negro”, do livro “O Caçador”, virou um curta-metragem, de autoria do cineasta Renato Alves, que de acordo com Rinaldo, deverá ser lançado em 2007.

Enquanto pesquisador produziu os textos da antologia Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século (já na terceira edição), organizada pelo escritor paraibano José Nêumanne Pinto (2001). Foi colaborador nos jornais O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Jornal do Brasil (caderno “Idéias”). Atualmente assina a coluna “Rodapé/Ponto de vista crítico” nos suplementos literários Rascunho, de Curitiba (PR).

É de sua autoria também Chico Buarque do Brasil (2004), Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea (2006), Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (2006). Para falar sobre toda essa produção literária tive uma longa conversa com o autor que deverá publicar este ano, por uma editora de São Paulo, sua primeira novela “Rita No Pomar”, que virá junto com cinco contos. Leia a entrevista:

O senhor é responsável por pelo menos três belas coletâneas que uniram autores paraibanos e escritores de outras regiões do país. Como surgiu a idéia de fazer coletâneas, de ser antologista?

Na verdade, já publiquei quatro coletâneas, duas de ensaios (O Clarim e a Oração: Cem Anos de Os Sertões e Chico Buarque do Brasil: textos sobre as canções, o teatro e a ficção de um artista brasileiro) e duas de contos (Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea e Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa) e fico contente que, entre elas, você tenha escolhido duas como “belas”. Foi por acaso que comecei a ser antologista. Eu estava em São Paulo e recebi o convite do jornalista e escritor José Nêumanne Pinto e de Luís Fernando Emediato, da Geração Editorial, para preparar os textos da antologia Os cem melhores poetas brasileiros do século. Aceitei o convite – na verdade, o desafio, pela grande responsabilidade. Foi extremamente trabalhoso preparar esses textos, fazer a pesquisa, que me exigiu muito e foi apoiada numa enorme bibliografia. Como pesquisador, sou muito meticuloso, gosto de checar tudo. Resultado: a antologia, quando saiu no final de 2001, vendeu bastante, foi um sucesso editorial e recebeu ótimas resenhas. A minha credibilidade cresceu junto ao editor Luís Fernando Emediato. Como eu tinha aprendido, preparando a antologia do José Nêumanne, os passos para ser um antologista, especialmente as questões que envolvem direitos autorais, a forma de contato com os autores, etc., eu resolvi que ia organizar um livro sobre Euclides da Cunha. Eu fazia doutorado em literatura na Unicamp e pesquisava o tema de Canudos a partir do romance A guerra do fim do mundo, de Mario Vargas Llosa. Fiquei entusiasmado com o universo de Canudos, com o romance do escritor peruano, com a obra de Euclides da Cunha. Como em 2002 se comemorariam os 100 anos da publicação de Os Sertões, conversei com Emediato sobre a idéia de organizar um livro abordando a obra capital de Euclides. Um livro que reunisse grandes especialistas, escritores, historiadores, sociólogos – gente como Ariano Suassuna, Luiz Costa Lima, Roberto Ventura, Benedito Nunes, Moacyr Scliar, Mario Chamie, Regina Zilberman, etc. O livro saiu, numa bela edição, em setembro de 2002, reunindo essa gente toda e mais uma série de entrevistas que os jornalistas Sandra Moura e Suênio Campos de Lucena fizeram na região de Canudos, e foi muito bem recebido pela mídia e pelo público, especialmente o acadêmico. Hoje virou um livro de referência, é adotado em várias universidades do Brasil e do exterior. O Clarim e a Oração ainda está bem exposto nas principais livrarias e vende bem.

Quais as dificuldades encontradas para preparar as coletâneas?

Minhas coletâneas dão muito trabalho. Normalmente passo entre doze a quinze meses preparando cada uma delas, num trabalho diário, que envolve desde a concepção geral da obra, a escolha de autores, até o preparo e revisão de textos. Eu reviso todos os textos de minhas coletâneas, não aceito a revisão das editoras. E mais: acompanho a confecção da capa, a preparação dos releases na hora em que o livro vai para a mídia, etc. Acompanho até mesmo o envio dos exemplares a que têm direito os autores. Fico aporrinhando o editor: “Já enviou os livros de fulano? E os de sicrano?”. É assim, sou muito perfeccionista no que faço.

Como é o processo de seleção dos textos?

Normalmente eu convido escritores que já têm uma obra reconhecida ou autores emergentes, que vejo que têm potencial, que escrevem bem. Entendo que o bom texto está em vários lugares. Há pessoas que escrevem bem em São Paulo, Rio, Minas, mas há os que escrevem bem na Paraíba, na Bahia, no Ceará. Assim, um dos meus critérios é também o geográfico, o de fazer um mapeamento. Embora a maioria dos autores seja do Sudeste, até por ser a maior região do país, eu sempre descentralizo as escolhas e incluo pessoas de outras regiões. Qual o antologista que incluiria 15 autores do Nordeste numa edição nacional? Eu fiz isso com o livro Contos Cruéis. São 47 autores, quinze dos quais aqui do Nordeste. Aqui na Paraíba há ótimos escritores e pesquisadores, como Marilia Arnaud, W. S. Solha, Geraldo Maciel, Maria Valéria Rezende, Amador Ribeiro Neto, Sérgio de Castro Pinto, Carlos Gildemar Pontes, Aldo Lopes, Arturo Gouveia, Wellington Pereira, Linaldo Guedes, Astier Basílio, Antônio Mariano, Hildeberto Barbosa Filho, Sônia L. Ramalho de Farias, Sônia Maria van Dijck Lima, João Batista de Brito, Luís Antonio Mousinho, Diógenes Maciel, os quais eu tenho convidado para participar de minhas coletâneas. E não faço isso pela amizade, não. É porque são bons autores mesmo, têm qualidade.

Como fica a questão dos direitos autorais dos escritores?

Normalmente as editores pagam ou uma quantia em dinheiro (mínima, pois os meus projetos envolvem sempre muitos autores) ou uma cota em livros. Como organizador, evidentemente, recebo mais. Eu tenho, nos últimos 5 anos, “sobrevivido” de literatura. O que ganho com direitos autorais daria, certamente, para “sobreviver”, mas não para “viver”. De qualquer modo, o que ganho aumenta o meu orçamento doméstico, já que tenho o meu emprego de professor de literatura na UFPB. São bem poucos os autores que “vivem” de literatura no nosso país. Agora, tem alguns aí que, como eu, “sobrevivem”...

Como foram abertas as portas das grandes editoras, a exemplo da Garamond e da Geração Editorial?

As da Geração Editorial, como já indiquei acima, foram abertas por ocasião da preparação da antologia do José Nêumanne Os cem melhores poetas brasileiros do século e, logo em seguida, com a organização de minha antologia O Clarim e a Oração. Quando resolvi preparar a segunda antologia de artigos e ensaios, a intitulada Chico Buarque do Brasil, levei o projeto para o editor Luís Fernando Emediato. Ele achou interessante, mas me disse que só publicaria o livro se eu agregasse ao mesmo um CD com músicas de Chico Buarque. Fui ao Rio, tentei com os colaboradores de Chico, mas isso envolveria gravadoras, um universo que desconheço, pelo qual não sei transitar. Como Emediato fincou pé, dizendo que só publicaria o livro com o CD, apareceu, por intermédio de minha amiga Maria Alzira Brum Lemos, que era assessora de imprensa da Garamond, o convite para apresentar ao editor Ari Roitman (proprietário da Garamond) o projeto do livro. Ari aprovou-o imediatamente. Chico Buarque do Brasil foi lançado em 2004 e teve um sucesso maravilhoso, de mídia e de vendas. Com dois anos e meio de lançado, já está na quarta edição.

Como tem sido o feedback com os leitores?

Eu diria que é a parte mais apaixonante de tudo isso. É incrível como meus livros são bem recebidos por leitores de todo o país. Recebo e-mails quase que diariamente de gente falando bem de meu trabalho, querendo me conhecer. Por onde ando, fazendo lançamentos ou palestras, recebo a boa acolhida dos leitores. Às vezes, tem gente que pega a fila de autógrafos com todos os meus livros nas mãos, como aconteceu ano passado em Brasília, na UnB. Você não imagina como isso é gratificante. Uma leitora carioca do Chico Buarque do Brasil passou-me um e-mail pedindo minha opinião sobre o fato de Chico ter sido flagrado na praia com uma morena. Eu disse: “Eu não sei falar sobre isso, me perdoe, é difícil...”. Ela mandou um outro e-mail, sorridente: “É que eu estou frustrada. Queria ser aquela morena...”. O público feminino do Chico é mesmo enorme e, em certos casos, engenhoso!

Um dos seus livros mais vendidos é esse sobre o cantor, compositor e escritor Chico Buarque de Hollanda. Como surgiu a idéia de editá-lo?

Em meados dos anos 90, fiz meu mestrado em literatura, aqui na UFPB, sobre Chico Buarque. Passei três anos estudando suas letras, analisando as canções que tematizavam a mulher. Nesse momento eu li o que achei – e foi muita coisa! – sobre o compositor e escritor. Quando, em 2004, após ter publicado O Clarim e a Oração, resolvi preparar o Chico Buarque do Brasil, eu já tinha essa base do mestrado, já me sentia à vontade para, agregando mais algumas pesquisas, organizar a antologia. O mestrado foi decisivo. Eu só organizo um livro se me sinto preparado. É uma coisa fundamental no trabalho do antologista – o preparo.

Esse livro já chegou às mãos de Chico? O que ele achou?

Num gesto de cavalheirismo, enviei o livro para ele, mas não obtive resposta. Chico já sabia do livro, inclusive, num primeiro momento, pareceu disposto a me dar uma entrevista. Mas depois desistiu. Aliás, por ocasião de seus 60 anos, Chico não deu entrevista para ninguém. Foi um critério dele, respeitei.

O gênero literário com o qual o senhor mais se identifica? O conto, o romance ou a novela?

O conto. É um gênero que pode conter lirismo, drama, tragédia. Um bom conto traz toda a temática de uma novela ou mesmo de um romance. Gosto de sua forma concentrada, compacta. Mas admiro também os demais gêneros ficcionais. Acabei de escrever a novela Rita no pomar, que pretendo publicar mais adiante. É a minha primeira experiência com uma narrativa mais longa.

O senhor é professor universitário. Como se encontra hoje o ensino da literatura na Universidade?

A Universidade, com suas pesquisas, dá uma enorme contribuição para o ensino de literatura. Com as exceções de sempre, o melhor da crítica que se faz hoje no Brasil vem da Universidade. Todo bom crítico de algum modo teve que absorver a produção acadêmica. E os resultados dessas pesquisas, quase sempre, são carreados para a sala de aula. Na sala de aula, além das obras, trabalhamos sempre com grandes ensaios, com análises consistentes de contextos e de textos literários. Embora com as dificuldades de sempre, como os investimentos em livros para as bibliotecas, ou com a falta de verbas para as editoras, especialmente as de universidades nordestinas, ainda assim a nossa produção acadêmica, no que diz respeito à literatura, é de muito valor.

A violência é uma temática recorrente em alguns textos e obras suas. O que tem a falar sobre isso?

Um escritor quase sempre aborda um determinado tema com a finalidade de fazer o leitor refletir sobre ele, mas refletir se sensibilizando, se humanizando. É papel histórico da arte humanizar (ou pelo menos tentar humanizar) as pessoas. O tema da violência em meus contos tem essa função. Eu não sou e não quero a violência para ninguém. Mas reconheço que vivemos numa sociedade, em certo sentido, bárbara, numa sociedade injusta, perversa em vários aspectos. Uma sociedade injusta gera como resposta, entre outras coisas graves, a violência, a crueldade. Escrevo para sensibilizar as pessoas. A antologia Contos Cruéis, que organizei em 2006 e que reúne grandes autores brasileiros da atualidade, traz cenas das mais brutais do nosso cotidiano. Essa brutalidade que está na temática e às vezes na linguagem dos autores, é importante para fazer o leitor, através do distanciamento próprio do texto literário, refletir.

Quais são seus projetos editorais e literários para o ano de 2007?

Devo publicar, por uma editora de São Paulo, minha novela Rita No Pomar, que virá junto com cinco contos. Entre os contos está “Beleza”, com o qual obtive recentemente o Prêmio Nacional de Contos do Paraná, um dos mais tradicionais da literatura brasileira. A novela, que no final é muito violenta, se passa numa fictícia praia paraibana e tem como protagonista uma paulistana que vive e conversa com um cachorro. Para a minha alegria, a novela recebeu um competente posfácio de Silviano Santiago, um dos maiores críticos brasileiros. Continuarei fazendo antologias, sempre com muito critério, trabalhando muito nelas. Neste momento – e estou revelando em primeira mão – preparo uma coletânea sobre Machado de Assis, para sair em 2008.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

adrianacrisanto@gmail.com

Publicado no caderno Show do Jornal O NORTE, em janeiro de 2007.

Palavras de Guerra cantadas por Olívia


Toda a expressividade da palavra e poética musical do cineasta moçambicano Ruy Guerra foi registrada em CD pela cantora e interprete Olívia Hime. Trata-se de “Palavras de Guerra” o mais novo trabalho da cantora produzido em parceria com seu companheiro Francis Hime.

São 17 canções com letras de Ruy para músicas de Edu Lobo, Chico Buarque, Sérgio Ricardo, Carlos Lyra e Francis Hime. As letras são ao mesmo tempo corrosivas, trôpegas, dóceis, professadas com emoção numa lírica que converge à África e a Europa num só canto que ganha a maior expressividade na voz de Olívia.

“Ruy faz parte da minha história como amigo e artista”, comentou Olívia numa breve conversa por telefone, quando ainda estava em repouso e se recuperando de uma forte crise de pneumonia que deixou a cantora acamada por quase uma semana. As músicas de “Palavras de Guerra”, em sua maioria, são das décadas de 1960 e 1970, embora traga canções de Chico, Francis, Edu e Carlos Lyra de outros tempos.

O processo de seleção das músicas é semelhante a outros trabalhos da cantora. “É como num quebra-cabeça. Vou juntando peça por peça. Para este disco primeiro selecionei 70 poemas, em seguida 40. Até chegar as 17 canções-poemas”, revelou. E nesta seleção não poderia faltar as canções compostas para o musical “Calabar”, de Ruy Guerra e Chico Buarque. Entre elas estão: Fortaleza, Tatuagem e Bárbara. A última em forma de dueto com Olívia Byington. As parceiras com Edu Lobo e Ruy estão nas canções “Jogo da Roda” e “Em Tempo de Adeus”, com a participação do poeta recitando os versos de “Tigrana”, em que diz: “A morte é um tigre paciente, me mastiga todos os segundos”.

O disco registra ainda músicas de Carlos Lyra, como a marcha-rancho “Entrudo” e inclui 10 músicas compostas em parceria com Francis Hime. Entre elas, uma inédita intitulada “Corpo Marinheiro” que traz a participação especial da cantora Nilze Carvalho.

A idéia de dedicar um álbum inteiro à poética de Ruy teve início à cerca de um ano quando a cantora foi assistir o filme “Casa de Areia”, do diretor Andrucha Waddington. “E a presença de Ruy me chamou bastante atenção. Pensava nas canções, cantarolava algumas, lembrava de outras. Foi quando recebi um e-mail de um fã me sugerindo gravar um disco com a obra de Ruy. Foram muitas coincidências juntas”, comentou a cantora.

Olívia Hime define o disco como uma história de um filme com temas recorrentes sobre o mar, o amor, a morte, a mulher. “Constantes na obra de cinematográfica do Ruy”, disse. O disco conta ainda com a participação percurssiva de Dona Edith do Prato, Nilze Carvalho, Olívia Byington, Quarteto Maogani.

A belíssima “Tatuagem” (faixa 4) de Chico Buarque em parceira com Ruy não poderia faltar. Tatuagem é uma canção que tem uma estrutura única de construção e por mais que queira colocar novos arranjos novos ela nunca deixa de ser linda. É tanto que nessa interpretação bastou apenas o piano de Francis e a voz tatuada de Olívia.

Essa não é primeira vez que Olívia Hime coloca música em poemas de outros escritores. Ela musicou o poema “Glosa” de um certo poeta português chamado Fernando Pessoa e rendeu uma homenagem a Manuel Bandeira, gravando seus poemas em um disco intitulado “A estrela da vida inteira”, que pode ser encontrado para compra no website do selo Biscoito Fino, através do endereço eletrônico www.biscoitofino.com.br.

Ela diz que sua relação com a poesia sempre foi muito forte. “Isso acaba adquirindo um peso muito grande no meu trabalho artístico”, acrescentou Olívia que comanda, ao lado da empresária Kati Almeida Braga, um dos poucos selos de música do país que ainda consegue, a duras penas, driblar a pirataria e produzir excelentes trabalhos com um custo final mais baixo para o consumidor. O selo Biscoito Fino está a seis anos no mercado e conta hoje com mais de 200 títulos de artistas que estavam até bem pouco tempo fora do circuito musical.

“Palavra de Guerra” é o resultado desse trabalho difícil que é produzir música de qualidade no país do futebol. O disco é suave e dá gosto de ouvir. É para ter na coleção e escutar depois de uma dura jornada de trabalho, numa prazerosa roda de amigos, num final de semana tranqüilo de verão, de preferência, olhando para o mar verde esmeralda da praia do Cabo Branco que em nada deixa a desejar as belas paisagens das praias do Rio de Janeiro.

Paralelo aos shows que devem acontecer em 2007 para divulgar suas “Palavras de Guerra”, Olívia Hime pretende, junto com seu marido, Francis Hime, finalizar “A Ópera do Futebol”, um novo trabalho artístico que irá conter músicas brasileiras em moldes clássicos. É aguardar e conferir. Boa audição.

Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

adrianacrisanto@gmail.com

Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, domingo, 11 de fevereiro de 2007

Fotos de divulgaçao da Biscoito Fino.



sexta-feira, janeiro 19, 2007

Universo muito particular

A cantora e compositora Marisa Monte apresenta nesta quinta-feira (11 de janeiro), a partir das 20h00, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, o show de sua nova turnê 2006/2007 “Universo Particular”, que pela segunda vez consecutiva tem o patrocínio da empresa de cosméticos Natura. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 260,00 (mesa), R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (estudantes e idosos).
Depois de um dejejum de bons shows a cidade será brindada com a voz aveludada da cantora que apresentará canções de seu último trabalho, o CD “Universo ao meu Redor”. Marisa abre o show com os nove músicos da banda. Entre eles o baixista de A Cor do Som, Dadi Carvalho.
No ano passado a cantora lançou um álbum duplo um completamente diferente do outro (Infinito Particular e Universo ao meu Redor). A critica especializada em música parece não ter gostado muito dessa inovação. A piores críticas recaíram principalmente sobre o álbum "Universo ao Meu Redor" que é o resultado da aproximação de Marisa Monte com a Velha Guarda da Portela, e apresenta composições de samba da comunidade, com canções de Jaime Silva, Argemiro Patrocínio e Dona Yvonne Lara, entre outros.
Numa breve conversa com Marisa Monte, por telefone, quando ainda estava em trânsito para o show em João Pessoa, a cantora disse que não entende porque ainda alguns críticos batem em cima desse trabalho. “Uma ou duas pessoas falaram que não havia gostado de algumas canções isoladamente. Mesmo assim o disco foi indicado ao Grammy Latino e chegou ao segundo lugar como melhor disco do ano nos Estados Unidos”, acrescentou.
Embora adote uma postura "cool", Marisa Monte procura evitar a superexposição na mídia, e mantém-se afastada dos meios de comunicação quando não está em turnê de lançamento de um disco novo. Mesmo assim ela contou que este álbum começou a surgir a partir de uma série de encontros e entrevistas orientadas por Paulinho da Viola, Monarco e Dona Yvonne: "Ouvi compositores, parentes e parceiros de sambistas antigos em busca não somente da obra deles, como também das referências criativas; da gênese do samba feito por eles". A produção do álbum é assinada por Mario Caldato Jr., produtor de hip hop brasileiro radicado nos Estados Unidos que já assinou trabalhos dos Beastie Boys e Marcelo D2.
As composições de "Infinito Particular" surgiram a partir de um trabalho de audição e resgate do arquivo de canções de seus 15 anos de carreira, feito pela própria Marisa Monte, incluindo antigas parcerias com compositores como Nando Reis, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Pedro Baby e Dadi Carvalho. O disco, que é mais fiel ao estilo que consagrou a cantora, conta também com participações de Seu Jorge, Adriana Calcanhoto, Marcelo Yuka, Leonardo Reis e Rodrigo Campelo, além de arranjos de Eumir Deodato, Philip Glass e João Donato, sob a produção de Alê Siqueira, que já havia trabalhado com a cantora no disco "Tribalistas".
No show de logo mais Marisa Monte canta as músicas do novo disco e faz um “mix” de antigas canções. A apresentação da cantora terá ainda “canja” do sanfoneiro cearense Waldonys que deu show nas apresentações de Natal e Fortaleza.
Para Marisa Monte cantar para o público do sudeste ou do nordeste não tem diferença, pois sempre é muito bem recebida por onde passa. “O que muda apenas é ambiente, um lugar mais acústico, um teatro ou as vezes um local mais aberto, como é o caso de João Pessoa”, disse.
Paralelo ao seu trabalho com cantora Marisa também tem um selo, chamado Phonomotor em que produz alguns trabalhos, mas segundo ela, não tem a pretensão de se tornar um selo para produzir e revelar novos cantores não. “Quem sabe no futuro”, brincou.

Natura e a Música

Para a Natura, a música dissolve fronteira, aproxima as pessoas. Contribui para aperfeiçoar nossa convivência com o diferente e nos inspira para a construção de um mundo melhor. Por isso, apóia iniciativas que dêem visibilidade à música que tem ao mesmo tempo profunda ligação com nossa gente, nossa história, nossos valores, nosso jeito de ser, e com o mundo globalizado, com o outro, com o diverso.
O envolvimento da Natura com a música ocorre através do programa Natura Musical e de patrocínios diretos, como o da turnê Universo Particular, da cantora Marisa Monte.
Adriana Crisanto
Foto: Divulgação
**Matéria publicada no Caderno Show do Jornal O Norte em Janeiro de 2007.

domingo, janeiro 07, 2007

Admirável mundo do herdeiro de Avohai


Terminou na última terça-feira a primeira etapa das gravações do documentário sobre cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, uma das atrações deste sábado (6), do projeto musical Estação Nordeste, idealizado pela Funjope, que teve abertura oficial sexta-feira (5), na Praça Antenor Navarro, centro histórico, com o show do cantor, compositor e arranjador carioca Egberto Gismonti, da cantora Gláucia Lima e do grupo Ô de Casa.
O roteiro do vídeo-documentário inclui ainda o show que Zé Ramalho fará neste sábado (6), na Praia de Tambaú, em João Pessoa. O documentário biográfico está sendo dirigido pelo jornalista Elinaldo Rodrigues, e pretende traçar um panorama sobre a vida e obra do artista. As primeiras gravações foram realizadas no Teatro Santa Roza, que, de acordo com o Elinaldo, o artista revelou profunda ligação sentimental.
Afinal, foi lá onde ele realizou seu show de despedida da cidade, em 1976, antes de seguir para o Rio de Janeiro e se projetar nacional e internacionalmente. De acordo com Elinaldo Rodrigues foram mais de cinco horas de depoimento, em que Zé Ramalho abordou sobre os mais diversos assuntos relacionados à sua vida e obra.
Os fãs do cantor e a imprensa local não tiveram acesso as gravações no Teatro Santa Roza, e alguns se sentiram profundamente magoados com a produção. “Eu atendi a um pedido do artista e pensei que as pessoas fossem compreender”, lamentou Elinaldo.
O vídeo-documentário ainda não tem título definido, provavelmente deverá se chamar “Zé Ramalho Herdeiro de Avohai” e terá duração de 50 minutos. Entre algumas surpresas está incluída a participação do cantor e compositor paraibano Pedro Osmar, que de posse de outra câmera intervia na conversa realizando perguntas. A idéia é recordar uma entrevista realizada com o artista para um jornal da Capital há cerca de 10 anos.
O documentário terá ainda locações na cidade de João Pessoa, Brejo do Cruz, sua terra natal, Recife e Rio de Janeiro, onde deverão ser registradas imagens de ambientes referenciais na vida e obra de Ze Ramalho, como também depoimentos de personalidades que integram a sua trajetória.
A equipe que trabalha nesta produção é formada por talentos do audiovisual paraibano, a exemplo do também jornalista João Carlos Beltrão (diretor de fotografia), Heleno Bernardo (produtor), Bruno de Sales (jornalista e técnico de som), Adilson Luiz e Lúcio César (câmeras), Gustavo Moura (still), Alfredo Amaral (suporte técnico), Irapuã Sobral (microfonista) e Aderaldo Júnior (assistente de câmera) e outros.
"Toda a equipe facilitou muito as coisas para que conseguisse lembrar e me expressar como me expressei", comentou Zé Ramalho numa declaração explícita a equipe de produção. Elinaldo Rodrigues disse ainda que o cronograma de gravações será definido conforme o ritmo de captação de apoio e patrocionadores.
A expectativa é que as gravações estejam concluídas até março de 2007. A produção não está atrelada a nenhum fundo de incentivo a cultura. Ela conta apenas com o apoio do Departamento de Comunicação Social e do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que cederam as câmeras, da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Nova Idéia Agência de Comunicação e do Mapa Guia Made in PB.
Adriana Crisanto
Texto publicado no caderno Show do Jornal O NORTE em dezembro de 2006.
Foto cedida gentilmente pelo diretor do documentario.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Nasce o mito


A Paraíba acordou chorando ao saber do falecimento, ontem, de Severino Dias de Oliveira, o mestre Sivuca. O musicista faleceu às 23h55 na quinta-feira (14), vítima de um câncer na laringe, no Hospital Memorial de São Francisco, em João Pessoa, aos 76 anos. Durante toda a manhã e tarde familiares, amigos, artistas, escritores e jornalistas estiveram presente no Cemitério Parque das Acácias para prestar as últimas homenagens ao mestre da sanfona.
Sivuca estava internado deste a última terça-feira quando seu estado clínico se agravou. O músico deixa a esposa, cantora e compositora Glorinha Gadelha, uma filha (Flávia), um neto e uma legião de admiradores e fãs espalhados por todo mundo. “É uma perda insustentável. Não sei ainda como vai ser a minha vida depois da partida do meu amor”, comentou emocionada a esposa, Glorinha Gadelha, que esteve casada com Sivuca por 32 anos, e revelou aos jornalistas presentes que o músico tinha a doença há quase 30 anos.
“A genialidade de Sivuca fez com que ele se libertasse da morte”, comentou o irmão Josué Dias, 74 anos, por quem o músico tinha verdadeira admiração e respeito. De acordo com Josué Dias, o talento de Sivuca, que é natural da cidade de Itabaiana, se manifestou precocemente com nove anos de idade animando festas de casamento pelo interior o Estado. As últimas conversas dele como irmão foram apenas para relembrar fatos agradáveis da vida em família.
Recentemente Sivuca vinha recebendo do poder público do Estado e Município várias homenagens. Uma das últimas foi o lançamento do DVD intitulado “O Poeta do Som”, que reuniu novas composições num concorrido evento no dia 20 de novembro, na Fundação Casa de José Américo, na praia do Cabo Branco, que contou com a participação dos grupos Quinteto da Paraíba, Camerata Basílica, Quinteto Uirapuru, Quinteto Latinoamericano, Quinteto de Sopro, JPSax, Brazilian Trombone Ensemble, Sexteto Brasil, Poty Lucena e Valtinho do Acordeon, Banda Amigos de Sivuca, Clã Brasil, Metalúrgica Filipéia, Nossa Voz, Orquestra Sinfônica da Paraíba e Glorinha Gadelha.
A produtora do DVD, Gal Cunha Lima, que esteve perto de Sivuca e Glorinha Gadelha nos últimos meses, disse se sentir honrada em ter produzido um trabalho tão grandioso como foi projeto musical “Poeta do Som”. “Sivuca é para mim é um anjo e deixa um exemplo de vida, de simplicidade, humildade que não vou esquecer jamais”, comentou.
O poeta popular Oliveira de Panelas, presente no sepultamento, disse que Sivuca fez inveja a muito gringo pela maestria com que executava a sanfona. “Sivuca fez do som a palavra, botou vernáculo, uma gramática em todas as fusas e semifusas da sanfona. Fica uma lacuna na cultura que o mundo vai sentir”, declamou o poeta Oliveira aos presentes.
Mesmo doente Sivuca trabalhava sem se cansar, segundo Glorinha Gadelha, estava compondo uma peça musical da qual chamou de “Ave-Maria”, mas não chegou a terminá-la por completo devido à doença. Nos últimos anos produziu muito com os artistas locais. Além do DVD gravou com a Orquestra Sinfônica do Recife e Terra Esperança. “Minha filha não existe melhor remédio do que trabalhar uma partitura para uma orquestra sinfônica”, brincou o músico num dos últimos encontros.
Vários instrumentistas que participaram da gravação do DVD e estavam em Recife (PE) participando de um encontro de virtuoses da música instrumental contemporânea fretaram um micro ônibus e vieram para o sepultamento do instrumentista. Na opinião de Rucker Bezerra, integrante do Quinteto Uirapuru, a Paraíba perdeu um gênio da música. “Sivuca nos passou todo o sentido do que é a música”, acrescentou o trombonista Radegundis Feitosa que ficou as duas últimas semanas em contato com o artista. “Ele era um grande padrinho para nós. É uma pena, pois é uma luz que se apaga”, finalizou.
A Prefeitura Municipal de João Pessoa, através do prefeito em exercício, Manoel Júnior, decretou agora a pouco luto oficial de três dias na Capital, pela morte do maestro Sivuca.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte sábado, dia 16 de novembro.
Foto: Ovídeo Carvalho

sábado, dezembro 02, 2006

Fim de ano com música


Pronto. Estamos em dezembro. Faltam poucos dias para acabar o ano. Período em que o mercado fica enlouquecido com as vendas e o consumo mais acirrado. O que não é para menos, pois até o dia 31 de dezembro o público vai correr até a loja mais próxima para adquirir presentes de Natal e aquela famosa lembrança do Amigo Secreto.
Numa breve consulta aos websites dos revendedores de CD e DVD do país você pode descobrir até previsões do mercado musical para o próximo ano. As gravadoras, principalmente de grande porte, começaram a abastecer suas prateleiras com seus “blockbusters”.
A EMI, por exemplo, promete soltar mais uma série de shows da banda RDB, que este ano arrastou uma multidão de aborrescentes para consumir os produtos do grupo mexicano. Estão previstos os DVD’s da segunda e da terceira temporadas da novela Rebelde.
No mercado internacional as “major`s” (grandes empresas de música), a exemplo da EMI, lança novos trabalhos do Iron Maiden, Robbie Williams, Norah Jones, Diana Ross, compilações de Moby e Depeche Mode e um novo trabalho do que sobrou do Queen. Um dos anúncios da empresa é o CD "Love" que reúne músicas dos Beatles, remixadas e utilizadas pela Companhia de Dança Cirque de Soleil, em seu espetáculo homônimo.
O trabalho foi dirigido por Georg Martin e por seu filho Giles, sob supervisão dos dois Beatles remanescentes Paul MacCartney e Ringo Star, e de Yoko Ono e Olívia Harrison, viúvas, respectivamente de John Lennon e George Harrison.
No mercado nacional a também EMI brasileira programa os lançamentos dos discos “Prisma” de Paulo Ricardo, a banda santista Charlie Brown Júnior e do grupo baiano Cheiro de Amor. A dobradinha CD e DVD a empresa lança Caio Mesquita, Daniela Mercury e Fafá de Belém.
A major Sony BMG traz, como todo ano, o seu campeão de vendagem, o Rei Roberto Carlos que promete neste trabalho uma surpresa, um CD de duetos com grandes nomes da música brasileira. Paralelo a este trabalho o Rei Roberto grava no Rio de Janeiro o tradicional programa de fim do ano, que será exibido pela toda poderosa Rede Globo.
A cantora Ana Carolina também vem como promessa da BMG que para delírios os fãs da cantora retorna, enfim, ao mercado fonográfico. Nos últimos dois anos, a cantora esteve de férias, que só interrompeu para brincar de lançar o CD aclamado “Ana e Jorge”, lançado no ano passado com Seu Jorge. O novo trabalho de Carolina será um disco duplo.
Outro disco que vem causando uma certa expectativa é a dobradinha CD e DVD que celebra a retomada do grupo “Mutantes”. Como já foi exibido no programa de televisão Fantástico, no último domingo, o grupo deixou de lado a aposentadoria e foram faturar um pouquinho. Eles retornaram a pouco de uma série de apresentações nos Estados Unidos e Europa. O CD e DVD dos Mutantes foram gravados ao vivo no centro cultural Barbican, em Londres.
Outra aposta da BMG são os CD’s das moças da minissérie Antônia (Negra Li, Leilah Moreno e Cindy) que estreou no mês passado na televisão e que em breve será lançado nas telonas. No segmento música erudita a BMG ataca com Beethoven Piano Sonatas, um novo trabalho de Nelson Freire. Na linha internacional a companhia tem um verdadeiro arsenal de lançamentos.
Só para citar alguns tem o novo CD e DVD da banda U2, intitulado Definitive Best Of, que traz a participação do Green Day. Um detalhe deste trabalho do U2 é que essa participação de Day nesta única canção será revertida para a Music Rising, organização que presta assistência aos músicos que perderam os instrumentos durante a passagem do furacão Katrina. Tem ainda a estréia de Fergie do Black Eyed Peãs, Andréa Bocelli, Jay Z, The Who, Eminem, Jack Johnson, Diana Krall e Baby Blue da cantora e atriz mexicana Anahí.
Na seqüência de lançamentos estão ainda previstos ainda para este mês uma caixa com onze discos do baiano Caetano Veloso (Caixa Caetano 1), a coleção Chico Buarque, com 17 títulos remasterizados, uma edição especial da série High School, o DVD Live! Tonight! Sold Out! Do Nirvana e a série 11 títulos das melhores canções das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Novos talentos

Novos talentos também podem faturar um pouquinho neste finalzinho de ano e são também promessas para o próximo ano. Uma dessas estréias é o disco inaugural do Canto dos Malditos na Terra do Nunca, um grupo de rock vindo da Bahia e o novo trabalho da cantora Céu, que vem sendo apontada como uma das grandes revelações da nova safra da MPB.
A paulistana Céu apareceu no cenário musical no final de 2005. Com apenas 25 anos de idade a moça surpreendeu a crítica ao lançar seu primeiro disco pela Ambulante Discos. Céu, que foi ofuscada pelas estrelas do Tim Festival, na sua última edição, foi indicada ao prêmio Tim de Música deste ano na categoria pop rock como melhor cantora.
Cantora, compositora e interprete, Céu mistura jazz, MPB, músicas urbanas atuais como o hip-hop, com sonoridades eletrônicas e ritmos regionais como o samba. Toda essa miscelânea rendeu a criatura uma bela turnê pela Europa e no Canadá, incluindo no pacote a participação no conceituado Festival de Jazz de Montreal.
Adriana Crisanto
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte
Dezembro 2006.
Foto: Cantora Céu, uma das promessas de sucesso para 2007.

terça-feira, novembro 28, 2006

Dadi Carvalho


O baixista Eduardo Magalhães de Carvalho, conhecido no meio artístico por Dadi, estará lançando no próximo ano seu primeiro disco solo pela gravadora Som Livre. O título, que ainda não foi divulgado pelo instrumentista,
terá participações de Marisa Monte, Rita Lee, Jorge Mautner, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso e outros.
Dadi também é baixista da banda A Cor do Som que junto com o seu irmão, o pianista Maurício Magalhães de Carvalho (Mú), incentivado pelo baiano Armando Macedo (guitarra), Gustavo Schroeter (bateria) e Ary Dias (percussão) retomaram as atividades do grupo e lançaram, em 2005, um DVD e CD acústico pela gravadora Performance Be Records, distribuído pela Som Livre, e que também planeja para 2007 um novo trabalho para trazer de volta a conjunção de boa música com excelente execução instrumental.
Na última passagem pelo Rio de Janeiro entrevistei o baixista Dadi Carvalho, em pleno Leblon, que falou sobre sua carreira musical, seu novo trabalho solo, a saída do guitarrista Armandinho da banda, os 30 anos da Cor do Som, sobre os Novos Baianos, o projeto Os Tribalistas dentre outros assuntos. Confira a entrevista:

Dadi você tocou com Barão Vermelho, Caetano Veloso e agora acompanha a cantora Marisa Monte. Como é que você agüenta?
É realmente cansativo. Mas, é que as coisas vão aparecendo. E também porque são trabalhos legais. A Marisa, por exemplo, é minha vizinha. Hoje é minha amiga e parceira. Tocamos quase todo dia. E para mim é super legal. Porque através dela acabei conhecendo mais de perto o trabalho do Arnaldo Antunes, que para mim é um poeta maravilhoso. As letras que ele escreve eu adoro. Compomos algumas músicas. Compus com a Marisa uma música que está neste novo trabalho dela.

E aquele seu disco solo que só tem no Japão?
Esse disco eu gravei, na verdade, por conta própria. Através da internet eu descobri esse selo no Japão. Mandei umas músicas para o dono do selo. Ele adorou. Daí, eu assinei um contrato de dois anos. Ele lançou o disco lá. Foi super legal. Vendeu quase duas mil cópias. Para mim foi uma surpresa e as pessoas também gostaram.

Esse disco não existe no Brasil não é?
Pois é. Mas, agora estou negociando com a gravadora Som Livre para editar algumas músicas desse disco e outras inéditas. Estou quase lá. Pode ser que em janeiro já esteja lançando ele aqui no Brasil. E já estou preparando outro também. Mas, esse daí, em janeiro, eu estarei lançando. Vou querer fazer uma divulgação legal, fazer show e tudo mais.

Como é que vai ficar então esse novo disco solo?
Tem umas coisinhas apenas para serem resolvidas, mas se Deus quiser vai sair em janeiro. O disco tem onze músicas. Uma instrumental. É um trabalho que me apresenta como compositor. Todas as composições são minhas em parceria com outros músicos. Tem seis músicas com letra de Arnaldo Antunes. Uma música em parceria com o Caetano Veloso, que a Rita canta comigo. Tem uma letra de Jorge Mautner e tem uma letra da Rita Lee, que ela me deu. É uma versão da letra de uma música dos Beatles. Eu coloquei a música. A canção fala de uma pessoa que está envelhecendo.

As tuas influências musicais continuam as mesmas do passado?
O tempo vai passando e cada coisa que você escuta vai somando. Mas, com certeza a base mesmo começou com a bossa nova. Quando eu era menino do lado da minha casa tinha um teatro (Santa Roza) que tinha shows. E meus primos tocavam. Tinham um trio de bossa nova instrumental. Isso fez com que eu fosse me interessando pela música. Eu assistia muitos ensaios neste teatro. Escutava muito Jorge Ben, aquele primeiro disco dele “samba esquema novo”. Até que apareceram os The Beatles, Stones, Erick Clapton, Jimi Hendrix, The Who e Kinks. E ai mexeu com tudo. A década de 1970 foi para mim muito forte musicalmente. Depois tive a sorte de tocar com os Novos Baianos. Eu tinha 18 anos. Era um trabalho que tinha uma influência muito grande de João Gilberto. Ficamos amigos do João. E ele me trouxe de volta para a música brasileira. Isso fez com que a gente escutasse Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros. Os Novos Baianos foi uma grande escola. Toquei cinco anos com eles. Gravei cinco discos. A primeira vez que entrei num estúdio para gravar foi com eles. Depois sai para tocar com Jorge Ben, que foi outra escola para mim. A música do Jorge é muito intuitiva. Deu certo comigo, porque eu também gosto de usar a intuição. A primeira vez que sai para tocar fora do país foi com ele. Fomos para Paris. Viajamos vários países do mundo fazendo shows. Foi na mesma época que estávamos começando com a Cor do Som. Então eu tocava com a Cor do Som, tocava com o Jorge e com Moraes Moreira. Tudo na mesma época. Os Mutantes também foi outra grande influência que tive. Quando os vi pela primeira vez aqui no Rio eu tinha 15 anos e pensei comigo: “É isso que quero fazer. Tocar e viver da minha música”.

Os Mutantes depois de vários anos voltou a ativa. Assim como Mutantes, os Novos Baianos podem voltar também?
Quanto aos Novos Baianos voltar eu não sei te dizer. Seria maravilhoso se retomasse. Eu daria a maior força para voltar. Mas, tem alguns problemas internos que precisam ser resolvidos.

Muitas pessoas não sabem que aquela canção “Leãozinho”, composta por Caetano Veloso, foi para te homenagear e dedicada a você. Como foi isso?
É verdade. Eu acho que isso foi em 1977 ou 79, num lembro direito. Foi quando Caetano estava gravando o disco “Bichos”. Eu estava ensaiando e começando a tocar com a Cor do Som. Fiquei muito amigo do Caetano logo que ele voltou de Londres. Ele foi assistir alguns shows de umas bandas que eu tocava. E ficamos amigos depressa. Porque ele é do signo de leão e eu também. Eu e a Leilinha sempre fomos fãs dele. Freqüentávamos a casa dele. Somos amigos também da Dedé, sua primeira mulher. Caetano sempre teve essa coisa de fazer música para homenagear pessoas. E foi assim comigo.

E como você ficou sabendo?
Um dia eu estava ensaiando com a Cor do Som, no estúdio da Polygram, na Barra da Tijuca. Ele estava gravando e chegou para mim e disse: “Hoje você não vai poder entrar no estúdio porque eu estou preparando uma surpresa para você”. Ele tava gravando justamente Leãozinho, que era só com violão, voz e assobio. Eu fico e sou super honrado de ter uma música composta por uma figura como Caetano Veloso, do qual também sou fã.

A Cor do Som vai fazer 30 anos. Que balanço que você faz desse tempo?
Que loucura hein... (risos). Eu faço um balanço positivo, de certa forma, porque influenciamos muita gente do rock, como os Paralamas, Barão Vermelho, Rita Lee. E todos falam que aprenderam com A Cor do Som. Porque a gente abriu um espaço. A mídia não estava preparada e voltada para escutar aquelas coisas que fazíamos na época. Logo depois veio o rock brasileiro. A mídia voltou o olhar para o rock nacional. A gente abriu o espaço para muita gente, mas não usufruímos desse espaço, nem financeiramente e nem artisticamente. Mas, tem muita gente que ainda gosta, comenta sobre o nosso trabalho. Outra coisa que pegou naquela época foram às letras das músicas. Quando começamos a cantar gravamos Beleza Pura, uma letra de Caetano, com uma música e uma letra maravilhosas. Nessa época estávamos instrumentalmente iguais às letras. Depois gravamos Abri a Porta, de Gilberto Gil, que tem uma letra simples, mas tem uma poesia linda também que diz: “o bom da vida vai prosseguir”. Depois a gente se perdeu um pouco nas letras. Mas, o balanço final acaba sendo sempre muito positivo. Precisávamos passar por isso para amadurecer.

Como vocês sentiram a saída do guitarrista Armandinho Macêdo?
Com certeza foi uma coisa que atrapalhou e marcou muito a todos da banda. Gravamos com o Armando quatro discos. Entrou Victor Biglione, também um super guitarrista, mas tinha outra cabeça. Victor tinha uma veia mais voltada para o jazz, que foi bom também para a banda, mas com o Armando existia uma química. Eu gosto muito dele. A gente se dá muito bem. Naquela época da saída dele à gente não soube organizar as coisas. Foi um certo tipo de despreparo mesmo. Não tínhamos também um empresário bom que soubesse conduzir essa crise. Estávamos, naquela época, crescendo muito. Era para gente ter dado uma parada. Esperado um pouco para fazer música. Ficado tocando apenas em casa. Ter ficado só compondo e escrevendo música para depois lançar um outro bom trabalho. Mas ai entrou naquela coisa do mercado da época que exigia que a banda lançasse um disco por ano. Isso desgastou e perdemos de dar continuidade a um trabalho bacana. O rock nacional entrando com força também. Isso meio que enfraqueceu a gente. Hoje o Armando é o maior incentivador da banda.

E como foi que você conheceu o Armandinho?
Eu o conheci quando tocava com os Novos Baianos. Fui para a Bahia e quando vi aquele trio elétrico e escutei-o tocando guitarra fiquei impressionado e pensei: “Quem é esse cara que toca assim desse jeito, com essa pegada”. Quando eu o conheci foi que fiquei mais intrigado ainda porque eu o achei uma pessoa muito bacana.

E o projeto Tribalistas? Como foi ter participado?
Foi outro projeto maravilhoso que adorei ter participado. Foi um disco gravado por nós cinco. Eu, Marisa, Arnaldo, Carlinhos Brown e César Mendes. Foi delicioso. Gravamos no estúdio da casa da Marisa. Gravávamos uma música por dia. A gente fazia uma base com três violões: Eu, Cesinha e a Marisa. Em cima dessa base íamos colorindo. Colocávamos baixo, bateria, guitarra, Brown colocava percussão. Eu adorei porque toquei vários instrumentos ao mesmo tempo. Foi um sucesso. Só na Itália vendeu 250 mil cópias.


Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Publicado no caderno Show do Jornal O Norte em novembro de 2006.
Entrevista realizada no Leblon, Rio de Janeiro, outubro, 2006.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Paraibano arrebata prêmio no "IX Troféu São Paulo Capital Mundial de Gastronomia"


O professor paraibano e chef Carlos Manoel Ribeiro foi o primeiro colocado no “IX Troféu São Paulo Capital Mundial de Gastronomia”, prêmio instituído pela Câmara Municipal de São Paulo, em que elege os melhores trabalhos jornalísticos sobre a gastronomia na capital paulista.
O chef Carlos Ribeiro levou o primeiro prêmio especial de televisão com seu programa "Chef Itinerante", com a matéria sobre os "Chefs Especiais", projeto idealizado por Marcio Berti voltado para crianças portadoras de síndrome de Down. “Produzi essa reportagem antes mesmo da novela das 8 horas entrar no ar e abordar sobre os portadores da síndrome”, comentou feliz da vida o paraibano que foi professor do curso de comunicação social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na década de 1990.
O programa vai ao ar pela Rede Mundial de Televisão (RedeTV). É um quadro dentro do Programa Vida Plena que é exibido nas quartas e sextas-feiras, a partir das 10h00, e que em João Pessoa pode ser visto através do canal de televisão a cabo Big TV. Carlos contou que no ano passado tentou concorrer ao prêmio, mas não aconteceu.
Uma das vencedora da noite também foi à revista "Prazeres da Mesa", premiada em várias categorias, inclusive de melhor revista de gastronomia. Na categoria reportagem o prêmio foi para a jornalista Helena Jacob da Destak.
Carlos Manoel Ribeiro é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor dos cursos técnicos e de pós-graduação da Hotel São Paulo (Hotec). Lecionou em importantes instituições de ensino, a exemplo da Anhembi Morumbi, Faap e Senac. Atualmente dá aulas na Escola de Belas Artes lecionando na pós-graduação da Hotec e Viander Casa de Gastronomia, além de ser o chef da cozinha do restaurante Mamarana.
Foi professor visitante e palestrante da Universidade Sagrado Coração (Porto Rico), Escola de Hotelaria St. Paul de Mer (Barcelona), Universidade do México, Universidade de Sophia e Osaka. É autor da série de livros sobre gastronomia, editados pela Hotec, sobre a história e a cultura da gastronomia, o aspecto cultural da cozinha contemporânea, panificação, confeitaria, estrutura, funcionamento e higiene das cozinhas.
Em João Pessoa, sua cidade natal, implantou o cardápio do Restaurante Tamarindus, ministrou aulas no curso de gastronomia e nutrição da Faculdade de Ciências Médicas.
Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: arquivo do autor.
Mais informações na página:
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro

Dia do Músico e da Música


Na quarta-feira, dia 22 de novembro, comemorou-se em todo país o Dia do Músico. Passa ano e entra ano e a reclamação dos músicos ainda são as mesmas, ou seja, falta de espaço para se apresentar, cachês baixos, casas noturnas explorando artistas, além da competitividade entre os companheiros de profissão. São fatores que fazem com que muita gente boa se perca nesta dura caminhada. Sem falar no esquema da indústria fonográfica brasileira principal obstáculo na carreira do músico e nas rádios que só tocam o que elas querem.
O presidente da Associação dos Músicos da Paraíba (AMP), o guitarrista, Eduardo Montenegro, diz que as reclamações continuam as mesmas desde 1960, tanto dos músicos da área erudita, quanto os profissionais que atuam na música popular. Muito pouco se conquistou nesse tempo devido à falta de organização da própria categoria.
A AMP mesmo, disse Eduardo, no ano passado, nesta mesma data, promoveu uma missa e realizou shows na cidade em favor da categoria, mas poucos foram os colegas que participaram efetivamente das comemorações. A entidade começou a funcionar 2003 após um racha que foi parar na justiça com os membros da atual diretora da Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional da Paraíba (OMB/PB) sob a acusação de que a OMB estava agindo de forma irregular, com poderes de polícia, mandando parar a apresentação e exigindo a carteira de músico.
O músico Radegundis Feitosa, trombonista da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB), é um dos poucos que diverge da maioria. Na opinião dele a situação do músico brasileiro melhorou se compararmos com o que existia há 10 anos atrás. De acordo com o instrumentista, a situação é melhor principalmente para aqueles que foram em busca da profissionalização e para aqueles que tocam em bandas de forró que se venderam fácil.
O que fazer para dar maior credibilidade ao músico brasileiro e melhorar a situação poucos sabem dizer com certeza, mas todos são unânimes em afirmar que a legislação (decreto lei 3.857) que regulamenta a profissão precisa ser atualizada, pois ela foi escrita no dia 12 de dezembro e nunca foi modificada.
O contrabaxista Adriano Ismael, músico free-lance, com formação acadêmica na área, diz que o que atrapalha a profissão do músico hoje é sem dúvida a não qualificação profissional. “Isso faz com que o cachê nas apresentações diminua em decorrência do cachê menor oferecido pelo músico não qualificado”, comentou Ismael que além das apresentações com o grupo Nossa Voz e com a OSPB trabalha com técnico no Estúdio SG, em João Pessoa.

Campanha para o músico brasileiro

Este ano a Associação Brasileira da Música (Amemúsica), sediada em São Paulo, lança nesta quarta-feira uma campanha publicitária para homenagear o músico brasileiro. A campanha vai ser divulgada em outdoors, painéis do metrô, trens e ônibus da capital paulista.
O senador Eduardo Suplicy (pai do cantor Supla) e o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo FC, são os primeiros nomes confirmados para a campanha. As atrizes Malu Mader e Regina Duarte, além do ministro Gilberto Gil, também devem confirmar suas participações ainda nesta semana.
A campanha traz as fotos das celebridades com a frase "Dá pra imaginar a vida sem eles?" e o selo da Abemúsica homenageando o Dia do Músico. "Ainda estamos longe do que gostaríamos de fazer enquanto Associação para comemorar este dia, mas certamente este é o começo de muitas outras ações que estaremos desenvolvendo com o intuito de ajudar no crescimento do mercado da música no Brasil", disse Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica, em nota sobre a campanha.

Comemorações na Paraíba

Em João Pessoa, o Dia do Músico, será marcado por um dia inteiro de atividades na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da Capital. Entre as atividades, acontecerão workshops de instrumentos (contrabaixo, guitarra, bateria, percussão e piano popular), ministrados pelos músicos Sérgio Gallo, Léo Meira, Beto Preah, Chiquinho Mino e Helinho Medeiros.
Na programação, que tem início às 17h30, com a mostra de vídeos de música, com a exibição dos DVDs “Danado de Bom”, um especial de Luis Gonzaga; ‘Obrigado, gente!’, de João Bosco; ‘Seu Jorge e Ana Carolina’; ‘Toca Brasil – Itaú Cultural’, de Escurinho; Vídeo Documentário do ‘Jaguaribe Carne’; ‘Paraíba do Forró’; ‘Lenine in Cité’; ‘Cátia de França’; ‘Musiclube 2006’ e ‘Cinema Falado’, de Caetano Veloso.
A partir das 21h00, no mesmo local, haverá uma coletiva de música, mostrando o resultado das oficinas dos instrumentos, que aconteceram ao longo deste dia, em seguida tem ‘Free Jazz’ com apresentações livres com os artistas presentes.
Pode participar o músico arranjador, intérprete, regente e compositor, podendo enveredar pela música popular ou erudita, em atividades culturais e recreativas, em pesquisa e desenvolvimento ou na edição, impressão e reprodução de gravações. A categoria profissional, em sua grande maioria, trabalha por contra própria, mas existem ainda, os que trabalham no ensino e os que são vinculados a corpos musicais estaduais ou municipais.

Dia do Músico e da Música

O dia do músico e também o dia da música. A palavra, de acordo com a definição do Dicionário Aurélio significa: "arte ou ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido". A palavra de origem grega deriva de "arte das musas" em uma referência à mitologia grega, marca fundamental da cultura da Antigüidade ocidental.
Há quem acredite que as origens da música podem ser encontradas nos períodos anteriores da história do homem, ou seja, na Pré-história. De fato, tal suposição paira no reino das hipóteses, visto que os "homens das cavernas" não deixaram qualquer vestígio arqueológico a respeito da compreensão ou diferenciação dos sons.
É possível que os homens pré-históricos tenham produzido um tipo de música com caráter religioso, mágico, quase ritualístico, batendo mãos e pés, de modo ritmado, reverenciando seus deuses ou buscando proteção para a caçada ou para a guerra. No mesmo período, os homens passaram a bater na madeira, produzindo um som ritmado, surgindo assim o primeiro instrumento de percussão.
A história da humanidade é extremamente longa e mapear sua produção musical seria um trabalho demasiadamente grande e com lacunas tão explícitas que certamente viríamos a omitir dados de extrema importância.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Beto Brito "Imbolador"


A literatura de cordel e a música em um único produto artístico-cultural. É assim “Imbolê – Cordel e som na caixa” que Beto Brito lança nesta quarta-feira (15), a partir das 21h00, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Como diz a jornalista Ruth Avelino: “Pense num disco bom! Não dá nem pra explicar”. O disco foi gravado no Special Stúdio no Rio de Janeiro e contou com a participação especial de Zé Ramalho, com produção que leva assinatura do guitarrista pernambucano Robertinho do Recife.
O disco vem acompanhado de doze folhetos de cordel assinados pelo também poeta popular Beto Brito, em que traça o perfil social do povo do nordeste e remete a fatos que acontecem no cotidiano da cultura nordestina. É ouvir e ler se divertindo ao mesmo tempo. A produção é uma mistura de ritmos e sons brasileiros e nordestinos que parece mais uma vez marcar as produções musicais do país no início deste século.
Mesmo em meio a discussões partidárias sobre a política cultural local ele se lança por inteiro e com afinco neste trabalho. Beto Brito talvez tenha sido um dos únicos artistas regionais a se preocupar com a produção de sua obra. As apresentações são ricas em cenário e ele não está nem um pouco preocupado com o conservadorismo da cultura nordestina. O disco, por sua vez, é percussivo, marcante, contemporâneo com guitarras distorcidas, raps, violas, rabecas, zambumbas e grooves eletrônicos.
Ele mistura e prova mais uma vez que ninguém está de fora do processo globalização muito menos a cultura nordestina que ainda insiste em se conservar dentro de uma redoma de vidro. Preservar sim, conservar intocada não, pois a cultura é também democrata e feita para todos.
As canções, em sua maioria, leva a sua assinatura, exceto “Zé Limeiriano” (faixa 5) em parceria com Orlando Tejo e “Dureza” (faixa 6) que teve como parceiros Gerino e Pedro Tavares. “Dureza é falta de fé, dureza é não ter o perdão, dureza é viver de salário, ser analfabeto e otário, dureza é o fim do amor, dureza é não ter coração”, diz a canção. E é nesta dureza da vida que segue seu trabalho, muitas vezes criticado, algumas vezes “arreliado” com as injustiças.
Cantor, compositor, rabequeiro e cordelista Beto Brito começou a fazer música ainda criança, por influência do pai que era tocador de sanfona de oito baixos. Teve ainda a influência de cantadores de feiras de sua cidade natal. No ano de 1983, mudou-se para a cidade de João Pessoa, a fim de dar seguimento a sua carreira artística.
Beto Brito começou a carreira apresentando-se em festas e outros eventos na cidade de João Pessoa. Participou de diversos festivais nacionais e internacionais e teve sua música "Pandeiro Sideral" incluída em uma coletânea em Portugal. Beto é também cordelista e publicou, entre outros, os cordéis: "O dia que lampião chorou", "O Prefeito Analfabeto", "Sabedoria Popular" e "Mei-de-feira Mei-de-vida".
Na opinião do crítico e pesquisador Roberto Moura, o compositor Beto Brito é um nordestino rabequeiro, cordelista com suingue e balanço irresistíveis. “Seus CDs soam como um Alceu Valença jamais aculturado, mas sintonizado com as coisas do mundo. Os discos fluem, fácil. O sul-maravilha (ave, Henfil) precisa conhecê-lo mais", comentou.
No currículo conta ainda participações em eventos como Projeto Seis e Meia, e das festas de São João em Campina Grande, Caruaru e Recife. Além do Festival de Inverno de Domingos Martins (ES), São João no Parque (PB), Fenart (PB), Forró do Ball Room (RJ), Os Encontros Fnac (RJ/SP), Centro em Cena (PB) e Festival do Pau da Bandeira (CE).
No ano de 1997, lançou de forma independente o disco "Visões". No ano seguinte, também de forma independente, lançou o disco "A cara do Brasil". Em 2000, lançou o CD "Doidinho por forró", também em gravação independente.
Em 2002, lançou o CD "Pandeiro sideral", com destaque para as músicas "Canoa boa não vira à toa" e "Pra lavar a alma", de sua autoria, além da música título que foi incluída em Portugal, na coletânea "Brazil lounge". Em 2003, apresentou-se com Dominguinhos no Projeto Seis e Meia, no Cine Bangüê do Espaço Cultural, em João Pessoa.
No ano seguinte dividiu palco com Joquinha Gonzaga e Os Três do Nordeste, durante a Festa de São João de Campina Grande. Nesse ano, apresentou-se na Lona Cultural Elza Osborne em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, primeiro com Marinês e depois com Moraes Moreira.
Apresentou-se também no Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, na famosa Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, além de show solo, dividiu palco com Marinês e sua gente, cantando e tocando rabeca. Apresentou-se ainda em show de forró no Marco Zero, bairro de Recife juntamente com Oswaldinho do Arcodeon, Glorinha Gadêlha, Marinês e sua Gente, Sivuca e Savinho do Acordeon.
Ainda em 2004, lançou o CD "Mei de feira", que consolidou seu trabalho, abrindo espaço para convites para apresentações pelo Brasil e no exterior. Nesse disco destacam-se as faixas "Xote mei-de-feira", "Coco na beira-mar", "Trem do forró", "Xô aperreio", "Quebra tudo", "Balaio" e "Deus nunca tarda", todas em parceria com Pedro Tavares.
Com os CDs "Pandeiro sideral" e "Mei de feira", seu trabalho recebeu elogios de diversos críticos e reportagens das revistas MTV e Bravo. Em 2005, entre outros shows, apresentou o espetáculo "Mei de feira" na Casa de Cultura Lúcio Lins, em João Pessoa.

Adriana Crisanto


Serviço:
Beto Brito - Imbolê – Cordel e som na caixa

Quarta-feira (15)
Hora: 21h00
Local: Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Tim Festival 2006



Novo local, quatro espaços climatizados para apresentações, novas bandas, uma multidão, muitos artistas e a cerveja sendo vendida a R$ 5 foram às marcas registradas na edição deste ano do TIM Festival que aconteceu neste último final de semana na Marina da Glória, no Estado do Rio de Janeiro.
O primeiro dia do Festival foi aberto às 20h20, na Tenda Tim Club, por Ivan Lins, que fez um tributo ao produtor Paulinho Albuquerque, um dos curadores do evento que faleceu em junho deste ano. Logo em seguida se apresentou Jenniffer Sanon, que só fez completar o show anterior e não trouxe nada de diferente do que os ouvidos dos jazzistas brasileiros estão acostumados a escutar. Neste palco o melhor mesmo foi o show da orquestra Maria Schneider que finalizou o show com uma canja de Ivan Lins.
Nos palcos Tim Stage e Tim Lab o público sofreu com o atraso das apresentações, o que para o carioca é absolutamente normal tendo em vista a grandeza do evento. O primeiro grande atraso foi da cantora Céu que começou sua apresentação a meia noite, uma hora depois do previsto no palco do Tim Lab. Outro atraso aconteceu no espaço Tim Stage com o show do duo eletrônico francês Daft Punk, um dos mais esperados da noite que teve seus ingressos esgotados.
O show do Daft Punk foi uma das apresentações mais colorida, lisérgica, hipnotizante, brilhante, vibrante e impressionante que assisti este ano. Eles começaram o show com as cinco notas do filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, tocadas para avisar que estavam chegando de outro planeta. E pareciam mesmo de outro mundo, pois vieram vestidos como robôs com capacetes e jaquetas de couro dentro de uma pirâmide, munidos de um incrível jogo de luzes e projeções.
Os robóticos Daft Punk tocaram músicas que já fazem parte da história da música eletrônica, a exemplo de: “Da Funk”, “Harder Faster Better Stronger” e “One More Time”. A mistura, como não poderia deixar de ser, levou a platéia, jovem em sua maioria, ao delírio, e cativou os mais descolados.
O cantor Lulu Santos, que estava no espaço, não cansou de dizer que nunca havia escutado coisa tão mais alta e vibrante. Na opinião do crítico de música Tom Leão do Globo o Daft Punk é a versão mais completa e bem acabada de um novo esquema de show desenvolvido pela geração eletrônica dos anos 90.
Outro show bastante esperado da noite foi do neohippie americano Devendra Banhart, que aconteceu no espaço Tim Lab. Mas o rapaz mandou muita gente embora mais cedo, pois iniciou a apresentação com rocks pouco criativos. Na metade da apresentação as composições melhoraram um pouco e animou o público que restava na tenda.
Com longos cabelos e um visual messiânico o Devandra veste roupas, segundo ele, preferidas da mãe ou das namoradas. Aos 25 anos, nascido no Texas, filho de uma Venezuelana, o cantor ressuscitou o folk americano e misturá-lo ao rock. Autor dos celebrados discos “Niño Rojo” (2003) e Cripple Crow (2005) o Devendra acredita que tudo no mundo pode ser harmônico. Fã incondicional Caetano Veloso, que estava nos três dias do Festival, terminou o show com uma canção em inglês do baiano “Lost in the Paradise”.
Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs, Bonde do Rolê e Thievery Corporation foram às atrações mais esperadas do segundo dia do festival. A vocalista Karen do grupo suou e berrou muito no palco do Tim Stage dentro de um figurino colorido. Até o microfone ela quebrou e no final ficou rindo. No Tim Lab a noite foi comandada inicialmente pelos curitibanos do Bonde Role que misturou o batidão do funk com o humor das letras como na música “James Bond”, em que questiona sobre a masculinidade do agente secreto mais famoso do cinema americano.
Para um dos curadores do evento, Hermano Vianna, a reação do público é o melhor retorno. E foi o que a roqueira Patti Smith mostrou no sábado, véspera do segundo turno das eleições para presidente. O show de Patti Smith foi, na minha modesta opinião, e sem sombra de dúvidas, o melhor do Festival.
A senhora Smith entrou no palco sem alarde e à medida que tinha contato e resposta da platéia a roqueira se soltava. Entre uma cusparada e outra desfilou clássicos como: “Because the Night” e “Glória”, na qual dedicou aos civis mortos por governos irresponsáveis e aconselhou ao público brasileiro a votar com o coração, lembrando que o “governo trabalha para vocês e vocês para ele”. “Usem suas vozes”, dizia Patti.
A cantora na vitalidade de seus 59 anos mostrou-se entusiasmada com o Brasil e ora empunhando um violão, ora uma guitarra, da qual arrancou aos solavancos as cordas, agradou em cheio o público presente ao cantar seus antigos sucessos, a exemplo de Redondo Beach, Pissing in River. Um dos momentos do show foi quando dedicou a música “Southern Cross” aos homens, mulheres e crianças que morrerem quando seus países foram invadidos por outros governos.
No domingo as atrações foram o italiano Stefano Bollani, Herbie Hancock, Beastie Boys e o mano Caetano Veloso que apresentou para a platéia do Tim Festival seu mais recente trabalho “Cê” que foi pouco citado pela imprensa carioca. Ao lado de uma banda bastante jovem, o guitarrista Pedro Sá, que o conheceu ainda pequeno, Marcelo (bateria) e Ricardo (teclado), Caetano debulhou seu repertório de Cê.
E por incrível que pareça “Cê” agradou ao público que foi a loucura a cada pulinho dado no palco pelo baiano preferido dos cariocas. Com uma platéia bastante jovem o músico optou por cantar, no “bis”, canções como Black or White”. Ao lado de Paulinha e outros amigos Caetano Veloso foi a figura mais fácil de ser encontrada circulando nos quatro dias do Festival na Marina da Glória.
Enfim, shows que nunca teria a oportunidade de ver senão fossem festivais com este, que ao mesmo são duramente atacados revelam surpresas. Apresentações que infelizmente não chega na nossa Paraíba.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Fotos: divulgação

Matéria publicada no jornal O Norte dia 2 de novembro de 2006.

Escultor de quadrinhos



Ele nunca freqüentou escola de arte, nem fez curso de designer, mas desenha, pinta e faz esculturas como se tivesse freqüentado a mais conceituada escola de arte do país. O nome dele é Zenilton Gomes Albuquerque, mais conhecido por Chico, um escultor autodidata especializado em esculturas de personagens em quadrinhos, comics e super heróis.
Chico é praticamente desconhecido dos paraibanos. Apenas profissionais e interessados na área de esculturas em quadrinhos já ouviram falar dele, mesmo assim muito vagamente. Ele tem sido requisitado principalmente pelos amantes dos quadrinhos e HQ´s para transformar os personagens de quadrinhos em belíssimas estátuas que agrada crianças e adultos.
A modelagem das peças é feita toda em arame, durepox e tinta plástica (brilhante e fosca). A riqueza de detalhes impressiona, os traços são precisos, os cortes feitos nas peças são exatos. Chico foi descoberto por Ana Karina, uma estudante que conheceu o trabalho dele através do seu professor de violão e logo que viu ficou encantada com a qualidade das esculturas e resolveu divulgar o trabalho de Chico na internet, através do website de relacionamentos Orkut, deixando “scarps” e convidando as pessoas para visitar a página do artista. O retorno foi imediato. Várias pessoas começaram a ligar e fazer encomendas. Foi assim que eu também o descobri e convidei-o para visitar a redação do jornal O NORTE para a matéria.
Ao chegar com suas peças à redação parou para admirar o trabalho dele. Chico começou a esculpir ainda criança com massinhas de modelar fornecida pela avó quando morava no bairro da Torre. “Eu via os desenhos na televisão. Queria fazer e fazia. Só que as massinhas não duravam muito. Ao completar 17 anos eu descobri o durepox e comecei a fazer e dar de presente para as pessoas. Nunca tive coragem de divulgar e fazer exposição”, relatou o artista dono de uma timidez contagiante.
Em menos de 20 dias exposto na internet a comunidade de amigos e pessoas interessadas pelo trabalho de Chico chegou a 800 pessoas, que tanto entram para elogiar como fazem pedido das esculturas do artista. Ele já tem encomenda para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
As esculturas variam de tamanho e peso. “O que você imaginar ele produz. Tanto em desenho como escultura. Para ele não tem grau de dificuldade”, interveio a esposa Joseane Gomes, que o ajuda sempre que pode com os trabalhos do marido.
Para ganhar o pão de cada dia Chico revende seus produtos para algumas lojas da cidade, são souvenir com temas sobre a cidade de João Pessoa. Mas é na série de reprodução dos personagens de quadrinhos que ele surpreende. Outras esculturas estão sendo produzidas como um Incrível Hulk de 40 centímetros. A previsão é de que até o final do ano novos personagens sejam produzidos, a exemplo de Tom e Jerry, Tutubarão, Scoobi-Doo, Supergirl, Mulher-Gato, Hera Venenosa e tantas outras.
No ano passado ele produziu um boneco com a caricatura do senador eleito Cícero Lucena. “Mas eu acredito que ele nem sabe quem foi que produziu, pois eu entreguei a uma pessoa para entregá-lo”, comentou. Os trabalhos de Chico podem ser encomendados através do telefone: 8825.1954 ou com a amiga Ana Karina pelo fone: 3255.0068 ou 9924.5573.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Foto: Ovídeo Carvalho

Matéria publicada no jornal O Norte.