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domingo, maio 06, 2007

Biografia de uma mãe menina

Frente da Casa de Mãe Menininha do Gantoá. Foto: Divulgação

A profunda relação entre a personalidade de Mãe Menininha e segmentos do mais alto significado no processo cultural brasileiro pode ser encontrado no livro “Mãe Menininha do Gantois uma biografia” (Editoras Corrupio e Ediouro, Salvador. 320 págs. 2006. R$ 59,90) que acaba de ser lançado pela paraibana Cida Nóbrega e a baiana Regina Echeverria.
Escolástica Maria da Conceição Nazaré (Menininha do Gantois) recebeu este apelido na infância por ser franzina. Nasceu em Salvador em 10 de fevereiro de 1894 e faleceu no dia 13 de agosto de 1986, de causas naturais aos 92 anos de idade.
Ela foi a mais famosa de todas as Iyalorixás brasileiras e viveu num dos mais conhecidos terreiros de candomblé de Salvador, o Gantois. Mãe Menininha vem de uma longa linhagem de Iyalorixás, que são as chefas dos terreiros. O Gantois foi fundado em 1849, por sua bisavó Maria Júlia da Conceição Nazaré, no bairro da consolação em Salvador.
Nesta obra as autoras revelam não apenas os fatos históricos da trajetória de Mãe Menininha, mas trazem vários depoimentos que ajudam a desvendar a personalidade e os dons da mãe-de-santo mais popular do Brasil. A obra tanto encanta pesquisadores como é uma leitura que fascina e esclarece tanto os leigos, com preceitos na religião do candomblé, como para os iniciados.
O livro traz uma série de fotografias com personalidades do cenário cultural da Bahia, a exemplo de Maria Bethânia, Antônio Carlos Magalhães, Jorge Amado e outros tantos registros de época. “Foi uma tarefa gratificante registrar a vida dela, mas também contar a história do terreiro do Gantois e sua trajetória na preservação do culto aos orixás, na religião dos descendentes de negos africanos escravizados”, disse Cida Nóbrega uma das autoras da obra.
De acordo com Cida Nóbrega foram cinco anos de pesquisas e teve início com a gravação de mais de sessenta depoimentos de pessoas que ajudaram a reconstruir a vida de Menininha. Um segundo momento importante foi edição feita por Regina que se integrou ao projeto do livro para finalizar a obra.
“Mãe Menininha do Gantois uma biografia” é um grande esforço coletivo de pesquisa que resultou nesta grande reportagem que contribui, sem sombra de dúvida, para salvaguardar a memória cultural do povo baiano e construir a história do negro no Brasil. O terreiro, de acordo com Cida, tem várias histórias. Mudou-se por diversas vezes até se instalar na Federação.
Existe uma versão contada, segundo Cida, pelos mais tradicionais em que fala que a real motivação da saída de Maria Júlia da Conceição Nazareth (que comandava o terreiro no início do século XX) do bairro da Barroquinha teria sido a pressão causada pela idéias desenvolvimentistas do então presidente da província, Francisco Gonçalves Martins. Ele planejava realizar obras de urbanização no antigo centro (Barroquinha com Rua da Vala, atual JJ. Seabra, a popular Baixa dos Sapateiros). Esse fato fez com que houvesse uma pressão enorme para o afastamento da população negra naquela área da cidade de Salvador, uma vez que o governo pensava em mostrar aos estrangeiros uma cidade civilizada, ou seja, branca. Isso, diz Cida, fez com que cada vez mais houvesse uma perseguição policial aos cultos de candomblé.
O terreiro do Gantois, talvez seja o único no Brasil que preserva em sua direção uma descendente direta das africanas fundadoras do primeiro candomblé de origem yoruba, o Ile Axé Aira Entile. O terreiro do Gantois foi fundado em 1849 por Maria Júlia da Conceição Nazareth, avó de Mãe Meninha. Quando de seu falecimento, foi sucedida, em 1918, por Pulchéria, tia de Mãe Menininha, que faleceu em 1818, deixando o posto para a sobrinha Mãe Meninha, que após seu falecimento foi sucedida por Mãe Cleusa de Nanã, sua filha mais velha. Com seu falecimento, hoje o Gantois é presidido pela filha mais jovem de Mãe Menininha, Mãe Carmem de Oxalá.
O terreiro do Gantois desfruta atualmente o privilégio da hereditariedade que o torna particular dos demais. Os baianos contam que que Mãe Menininha, apesar de batizada pelo nome de Maria Escolástica da Conceição Nazareth, não professava sua religião com sincretismo.
Existem, inclusive, polêmicas a respeito do Gantois ser tão famoso por ser sincrético, no entanto, observa-se que eles acreditam e respeitam que Deus é um só, não importa em que idioma é falado o nome do criador. O Gantois herdou esse nome de um francês que doou o terreno onde foi erguido o terreiro.
Mãe Menininha era um exemplo a ser seguido de mulher afro-descendente, pois era uma pessoa muito à frente do seu tempo. A humildade, a doçura e o pulso firme, quando necessário, fez dela uma grande personalidade, nada abalando sua fé nessa religião e cultura de resistência, até hoje perseguida por uns e não compreendida por outros. “De candomblé eu entendo tudo e ao mesmo tempo não entendo nada”, dizia Mãe Menininha.
Admirada pela sabedoria, gentileza, conhecimentos, humildade e pulso firme, Mãe Menininha do Gantois foi a grande responsável pela difusão e popularização do candomblé na Bahia, tendo sido amiga e conselheira espiritual de várias personalidades ilustres, a exemplo de Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Dorival Caymmi, Zélia Gatai, Pierre Verger, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Caribe e Nina Rodrigues.
Jorge Amado, um dos seus grandes admiradores, dizia que ela era uma filha de escravos que se fez rainha, e que havia orientado o povo baiano com exemplar dedicação e perene bondade. Caymmi, por sua vez, no verso de sua canção Mãe Menininha, ressaltava que a mão da doçura estava no Gantois. E, Vinicius, enalteceria em prosa e verso a famosa mãe-de-santo que usava saias de renda e óculos de lentes grossas.

Sobre as autoras

Cida Nóbrega é psicóloga de formação e há cerca de 30 anos trabalha com edição de livros, traduções e artes gráficas. Foi a tradutora de Pierre Verger e uma das colaboradoras da fundação que leva o mesmo nome do sociólogo. É autora dos livros: Caminhos da Índia (1990), Maria Bibiana do Espírito Santos, Mãe Senhora do Axé Opói Afonjá (2000) e Pierre Verger, um retrato em preto e branco (2003).
Regina Echeverria é jornalista desde 1972. Trabalhou nos jornais O Estado de São Paulo, Jornal A Tarde, Folha de São Paulo e nas revistas Veja, Isto É, Placar, A Revista. É também autora dos livros: Furacão Elis (1985), Só as mães são felizes (1997), Cazuza, Preciso dizer que te amo (2001), Pierre Verger (2003), Gonzaguinha e Gonzagão – uma história brasileira (2006).
Adriana Crisanto
Repórter


Serviço: Mãe Menininha – uma biografia
Editora Corrupio e Ediouro
Autoras: Cida Nóbrega e Regina Echeverria
320 páginas
R$ 59,90.
*Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em abril de 2007.
Foto dir. p/esq.: Cida Nóbrega, Regina e a cantora Gal Costa.

domingo, abril 29, 2007

Dadi em solo


Um dos responsáveis pela sonoridade dos Tribalistas, o contrabaixista Eduardo Magalhães de Carvalho, mais conhecido por Dadi, inaugura carreira solo com CD de estréia que leva seu nome, cantando e tocando vários instrumentos em onze composições próprias. O disco só será lançado no dia 12 de maio, pela gravadora Som Livre, mas, a gente meio que antecipa as informações sobre o disco repassada pelo próprio baixista que também inaugura um super website na internet com todas as informações sobre sua trajetória musical.
No repertório estão incluídas seis canções compostas em parceria com Arnaldo Antunes (2 perdidos, Da aurora até o luar, Cantado por você, Se assim quiser, Bandeira clara, Imaginado). A canção “2 perdidos” foi escrita especialmente para a trilha sonora do filme “Dois perdidos numa noite suja”, de José Joffily. A música “Da aurora até o luar” contou com a participação especial de Marisa Monte. Já as composições “Cantado por você” e “Na linha e na lei” (parceira com Caetano Veloso), teve a participação especial de Rita Lee.
O disco conta ainda o samba “Alvo certo” (com André Carvalho), “No coração da escuridão” (com Jorge Mautner), com a participação especial de Caetano Veloso, “No espelho” (com Rita Lee), a instrumental “70’s”, com a participação especial de Carlinhos Brown (vocais), e “Imaginado” (com Arnaldo Antunes).
Este é o primeiro trabalho solo de Dadi e já chega bem diversificado, o que mostra seu talento, com fez no projeto musical “Os Tribalistas”, em que tocou vários instrumentos (violão, guitarra, teclados, baixo, piano acústico, baixo, percussão) ao lado de músicos conhecidos da música brasileira, a exemplo de Arto Lindsay, Ary Dias, Berna Ceppas, Davi Moraes, Dé Palmeira, Domenico, Jaques Morelenbaum, Kassin, Kishon Khan, Mú Carvalho, Phil Dawson, Serginho Trombone, Bidinho, Zé Carlos ‘Bigorna’, Vinicius Cantuária e Wilson das Neves, entre outros.
O seu trabalho junto aos Novos Baianos, A Cor do Som, Jorge Ben Jor e Os Tribalistas se encontra meio que refletido neste disco de estréia que foi produzido por Daniel Carvalho.

Dadi ponto Com e BR

O disco assim como o website (www.dadi.com.br) têm lançamentos simultâneos programados para o dia 12 de maio, no Rio de Janeiro, em lugar ainda não divulgado. Nele o internauta vai encontrar as músicas do disco como fundo musical. Encontrará também fotos da carreira de Dadi do início da carreira com os Novos Baianos, Jorge Ben Jor e A Cor do Som. Tem ainda um mural de recados para os fãs deixarem seus “pitacos” e todas aquelas coisas que contém os websites de músicos. A página foi construída pelo webmaster
Após o lançamento do disco e website Dadi segue em turnê internacional com a cantora Marisa Monte. Na agenda de apresentações estão incluídos Sidney (Austrália dias 21, 22), Nagoya (Japão dia 26), Tokyo (Japão dias 29 e 30). Em junho ainda com Marisa ele se apresenta Seoul (Coréia dia 1), Macao (China dia 5).

Dança de Salão


O salão da praça de eventos do Mag Shopping estará aberto neste sábado (14), a partir das 22h00, para os amantes da valsa, do bolero, cafieira, da rumba e outros gêneros da dança de salão. O primeiro Baile de Dança de Salão terá como atrações à cantora Márcia Ayres e Banda e o Dj Evandro Gonçalves. Os ingressos de entrada estão sendo vendidos ao preço de R$ 12,00 (individual) e R$ 40,00 (mesa). Pode ser encontrado também para venda antecipada na Anamar Turismo localizado na avenida João Câncio, loja 106, praia de Manaíra.
O organizador do evento, o professor de dança, Fabiano Pereira, disse que apesar da cidade de João Pessoa possuir cerca de oito academias de dança de salão para jovens e adultos os eventos ainda são poucos. A dança de salão tem origem nos bailes da nobreza européia, especialmente a valsa, dançada em casais, o que era um avanço comportamental em sua época.
A forma de dançar em casal como mero entretenimento e realizada em ambiente fechado (salões) foi levada pelos colonizadores para as diversas regiões das Américas onde deu origem às muitas variedades à medida que se mesclava às formas populares locais: tango na Argentina, maxixe, que deu origem ao samba de gafieira, no Brasil, “habanera”, que deu origem a diversos ritmos cubanos, como salsa, bolero, rumba etc, e até mesmo o swing americano, que ainda hoje é preservado na sua forma original por grupos de dançarinos nos Estados Unidos e Europa.
Os estudiosos da dança de salão e próprios dançarinos dizem que ela é vista atualmente como uma forma de salvaguardar as características culturais populares e não mais como mero entretenimento. No Brasil, de acordo com Fabiano, tem-se cristalizado a diferenciação entre dança de salão e dança de competição, o ballroom, muito em voga na Europa mas desconhecido no Brasil.
Atualmente os praticantes de dança de salão, aprendem todas as formas e ritmos. Hoje sete ritmos são praticados, tanto nos bailes como nas escolas especializadas, a exemplo do bolero, soltinho, samba, forró, lambada, salsa, souk e tango.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a dança de salão virou moda entre os adolescentes que retomaram o costume da dança dos avós. Para muitos jovens da região de Campinas, interior de São Paulo, a dança de salão deixou de ser apenas um passatempo associado a outra geração.
A estudante Míria Fonseca Krusch, 17 anos, que reside em Campinas, diz ser uma apaixonada pela dança de salão, freqüenta as aulas de dança de salão há um ano, desde que um amigo lhe pediu que a acompanhasse. A adolescente confessou que pensou duas vezes antes de aceitar o convite. Mas, desde então, muitos amigos de Míria aderiram à atividade e ela pretende continuar aprendendo.
Ter aulas de dança de salão era um rito de passagem inevitável para jovens das classes média e alta no interior de São Paulo, uma ferramenta necessária para eventos sociais, como casamentos e formaturas. A demanda diminuiu nas décadas de 80 e 90 com a entrada de outros ritmos e sons. A Revista Stern, especializada em dança de salão, diz que o ponto mais baixo se deu em 1996. Muitas escolas de dança não sobreviveram a essas décadas, as que superaram essa fase conseguiram se manter com aulas de hip hop e aeróbica.
A taquigrafa Cybelle Gadelha, 25 anos, disse que fez um curso de três meses de dança de salão numa academia na praia de Manaíra. “Foi o suficiente para começar a gostar de dançar”, contou Cybelle que hoje dança forró, bolero, salsa e soltinho. Ela disse que muitas pessoas procuram a dança como terapia outras como mais uma atividade física.

Influência dos reality shows da televisão na dança de salão

A popularidade da dança anda de mãos dadas com o surgimento repentino do assunto na telinha e na telona. Filmes como “Vem dançar comigo”, “Bolero”, “Dança comigo?” e “Mad Hot Ballroom” despertam o interesse do jovem. O último, um documentário, aborda um programa social para crianças desprivilegiadas de Nova York, que usa a dança de salão para ensinar habilidades sociais.
Os realitys shows nos programas de auditório que colocaram atores e atrizes competindo através da dança em pleno domingo, baseado na popular versão britânica do “Strictly Come Dancing” e na igualmente bem-sucedida americana “Dancing With the Stars Dance” que junta celebridades a profissionais de dança de salão.
Os pares se apresentam em uma competição, mostrando suas habilidades no foxtrot, paso dobles ou rumba para um júri profissional e telespectadores em casa, que também podem votar. O programa continua até que só um casal permaneça e ganhe a competição.
“Let's Dance” alcançou índices de audiências de até 20%, e os números são ainda maiores entre pessoas de 19 a 39 anos, segundo o grupo de marketing Quotameter.
O professor de dança de salão da Academia de Dança Coliseum, Victor Lucas de Andrade Sá, 18 anos, não descarta essa influência da televisão sobre a procura das pessoas pela dança de salão. No entanto, diz Victor, o que se apresenta na televisão em alguns momentos não é o que se ensina nas academias de dança, pois, de acordo com ele, a dança de competição os passos são mais aeróbicos e a dança de salão é mais no chão.

Análise global do ensino superior



Uma publicação contendo a análise global sobre o ensino superior acaba de ser lançado pelo Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso). Trata-se de “Escenarios mundiales de la educación superior” (Campus Virtual), que consiste em uma série de ensaios sobre a questão do ensino superior no mundo.
O livro foi organizado pelo cientista social Francisco López Segrera e conta com ensaios de educadores de várias partes do mundo que analisam e fazem estudos de casos a cerca da educação. Entre os ensaístas escrevem os professores: Raúl E. Porras Lavalle, Cristina Karen Ovando Crespo, Cristina Helena Almeida de Carvalho, Lucía Graciela Riveros de Jornet, Milcíades Vizcaíno G., Jorge Cardelli Fernando Luis Neciosup La Rosa e professor Jorge Fernando Hermida da Universidade Federal da Paraíba.
Os ensaios tratam sobre a complexidade da sociedade, os desafios que sofrem a educação superior e os extraordinários avanços no conhecimento e nas novas tecnologias de comunicação e informação, e conferem especial atenção para debates que tratam sobre a problemática do nível educativo superior e sugere que haja uma educação superior mais estratégica, que possa definir o seu lugar num mundo completamente globalizado, com mercados abertos, em nível terciário nos sistemas educativos.
A publicação é uma boa contribuição para reflexão sobre o papel que a educação se destina a cumprir na sociedade do conhecimento, da informação e da aprendizagem. A obra aborda, em linguagem rica e profunda, dez temas chaves para compreensão dos desafios que atualmente enfrenta a educação superior: globalização e educação superior, história e missão da universidade, acesso, expansão quantitativa e massificação, autonomia e reformas, cooperação internacional e internacionalização e outros. As análises são um valioso aporte para o enriquecimento do debate a cerca do futuro da educação superior no mundo.

Serviço:
Análisis global y estudios de casos

Francisco López Segrera (organizador)
Campus Virtual
Argentina, Buenos Aires, Clacso
320 pág.

Anjos da música



A banda Anjos de Resgate faz show hoje em João Pessoa, no Esporte Clube Cabo Branco, às 20h. O show é uma promoção da Comunidade Eucarística Maná. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente ao preço único de R$ 7,00 mais um quilo de alimento não perecível.
O grupo surgiu aproximadamente há sete anos e teve como idealizadores os músicos Dalvimar Gallo e Marcos Pavan. Após a saída de Pavan, que ingressou em carreira solo, a banda ganhou novos integrantes e ficou com a seguinte formação: Dalvimar Gallo, Eraldo Mattos, Marcelo Duarte e Xandão.
No início foi apenas uma gravação de disco para ajudar uma obra de recuperação de dependentes químicos numa comunidade no interior de São Paulo. A comunidade tinha com objetivo evangelizar através do carisma e da arte, uma arte que iluminasse o caminho para Deus. E ao que parece estão conseguindo. Hoje eles são o grupo católico que mais realiza shows pelo país. Eles fazem uma média de 120 shows por ano, tem cinco discos gravados e um DVD.
Como se não bastasse vendeu mais de meio milhão de cópias e conquistou cinco discos de ouro, um disco de platina e há poucos meses receberam o primeiro DVD de ouro, uma espécie de “Oscar” da música católica. A banda, recentemente, gravou uma das faixas e foi responsável pela produção do CD “Bendito o que vem em nome do senhor”, álbum oficial da visita do Papa ao Brasil. Para saber mais sobre esse sucesso da banda entrevistei, via email, o músico Eraldo Mattos que falou como teve início a banda e como tem evoluído a música católica. Leia a entrevista:

A banda Anjos de Resgate está há quanto tempo na caminhada? E como aconteceu a união do grupo? Vocês são de onde?
A banda tem 7 anos de caminhada e nasceu por uma inspiração divina mesmo, porque inicialmente apareceram umas músicas gravadas num CD para ajudar uma obra de recuperação de dependentes químicos. Até aí não tinha nada de banda. Quando Deus uniu o Dalvimar comigo, eu vi que ali tinha muito mais do que simplesmente a música, tinha uma história e dali surgiu alguma coisa de Deus mesmo. No início o nome era Dalvimar Gallo e Marcos Pavan, era uma dupla. E aí eu disse: “cara, no nosso meio dupla não emplaca nem a pau (risos), o nome tem que ser Anjos de Resgate”. Isso porque havia uma música com esse título e era também o nome da obra que ia ser ajudada com a vendagem do CD. Quando o CD ficou pronto, não tinha banda para tocar e aí o Dalvimar falou: “a banda que está no meu coração é o Eraldo, o Xandão (ex-baterista) e o Marcelo Duarte”. E foi assim que nasceu a banda.

Antigamente os ministérios de música tocavam e cantavam nas missas e solenidades da igreja católica. Hoje vários grupos e pessoas gravam discos e realizam grandes shows. A quê vocês atribuem essa mudança?
Engraçado que eu recebi um DVD de 2002 ou 2003 com um show nosso. A turma fala que o Anjos de Resgate é de show e CD, mas nós tivemos o nosso tempo de cantar músicas de missa, músicas tradicionais, tipo Deus enviou seu filho amado (risos). Eu acho que o houve foi uma evolução que o próprio Deus começou a colocar em função da necessidade de atingir um número grande de pessoas. Nós não podemos ficar restritos ao âmbito paroquial. Eu acho que a gente tem que ir para a rua. Temos que evangelizar, mergulhar em águas mais profundas. Temos que sair e mostrar a cara sem descaracterizar o nosso chamado. Mas também nós não podemos ir para a rua e cantar qualquer coisa. Não. Nem temos que cantar as músicas de sacristia. Nós temos que encontrar algo que seja como o próprio Jesus, que fala da vida e não nega o pai em nenhum momento, não nega a maneira de viver dele.
Eu acho que os ministérios evoluíram, a música católica está indo para a rua, mas são duas frentes. As duas são boas e complementares. Uma não exclui a outra. Há ministérios para tocar na igreja, há ministérios para tocar fora da igreja e outros que suprem as duas necessidades. Hoje o Anjos de Resgate caminha no “meio do campo”, ajuda daqui e dali, mas a qualquer momento Deus deve traçar alguma norma, alguma diretriz para a gente. É o que eu acho, mas se não acontecer, nós vamos muito bem também como está.

Vocês produziram o CD “Benedito o que vem em nome do Senhor”, o álbum oficial da visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Como aconteceu esse convite? E como vocês se sentem por também terem sido convidados para participar do encontro com os jovens no Pacaembu, em São Paulo?
Eu acho que tudo isso não é mérito não. Eu acho que, da mesma maneira que Deus dá, ele pode não dar. Então não adianta dizer: “ah, eu louvo a Deus por isso”. Eu louvo a Deus porque ele me faz um servo útil. Se hoje eu estou fazendo isso, se a banda tem isso, se a gravadora tem aquilo, louvado seja Deus, mas pode ser que amanhã não tenha. E aí, e não vou mais agradecer a Deus? Ou o sucesso é uma condição para o meu louvor? Não, o sucesso de quem fez uma opção por Deus está na fidelidade. Eu acho que esse CD do Papa é fruto da fidelidade e da disponibilidade da gente a servir a Deus. Porque se a gente fosse pensar antes nas conseqüências, nas coisas boas de tudo isso, estaria sonhando até hoje, imaginando. Então se Deus mostrasse para a gente, estaríamos sonhando até hoje, mas não, partiu da fidelidade e da disponibilidade. Então é isso aí, vamos tocar o evento com a juventude, beleza, mas muito mais do que pensar no próprio Papa, nós temos que pensar na igreja como um todo, porque Bento XVI está vindo com uma missão para a Igreja do Brasil e da América Latina e nós somos parte dessa missão dele. É isso que a gente tem que enxergar. Nós não vamos estar lá para tocar para o Papa nem para a galera não, mas para fazer a história que Deus quer realizar na igreja.

Senão me engano vocês tiveram um problema com a gravação do DVD de vocês. O que aconteceu?
Faltou dinheiro (risos). Esse seria o nosso segundo DVD e o projeto era muito ousado, dentro disso que a gente estava falando de crescimento e evolução da Música Católica. O projeto do DVD ainda é ousado, mas hoje nós conseguimos baixar muito o custo e as coisas mudaram muito nesse meio tempo. Nós não tínhamos condição de fazer o DVD, ia ser uma loucura. E tem uma hora que você tem que ser prudente para não pôr risco tudo. Poderia ter sido péssimo, mas nós fomos fiéis a Deus e aí é que está: uma coisa é você fazer a vontade de Deus, outra é você tentar a Deus. Se a gente fizesse aquele projeto, nós íamos estar tentando a Deus. Nós íamos fazer uma coisa que não está no nosso tamanho ainda, era desproporcional e a gente iria prejudicar o próprio ministério. Quando cancelamos, o povo foi a nosso favor, o projeto amadureceu muito mais, estamos muito mais preparados e enriqueceu muito mais aquilo que vai ser e do projeto desse DVD, surgiram mais três DVD’s novos para a gente fazer. Então acho que valeu a pena sair perdendo para ganhar.

Vocês fazem parte da comunidade Aliança Luz das Nações. Onde fica está comunidade?
A comunidade é aqui de Cachoeira Paulista-SP e pode-ser dizer que é uma comunidade de louco (risos). Isso porque o objetivo dela não é simplesmente ter uma vida comum, é ter um espírito comum de evangelização. Alguém pode perguntar: “mas que raio de comunidade é essa? Qual é a unidade comum?”. A unidade comum é o carisma, que é evangelizar e ser luz através das artes. Então é uma arte que ilumina o caminho para Deus. E de que maneira? De n maneiras. Porque se você institucionalizar a luz, você vai virar um físico. E não é isso que somos, somos servos de Deus, somos filhos.
A comunidade é muito dinâmica, ela não tem princípio rígido. Nós temos coisas que são básicas, que é a nossa espiritualidade, nosso caminho. Mas nós somos muito flexíveis. Eu sempre digo que uma comunidade com menos de 50 anos não pode fechar o carisma, ela tem que estar aberta, dinâmica, enquanto está o chama do fundador, dos primeiros membros. Depois é que se monta uma estrutura, mas no começo você colocar rigidez, principalmente em algo que mexe com arte, vai castrar a arte e perde toda a fecundidade dela.

Quais os próximos trabalhos da banda para o ano de 2007?
Nós estamos trabalhando o DVD, que se Deus quiser vamos gravar este ano. Estamos estudando novas maneiras de fazer o DVD. Estamos preparando algumas coisas para o mercado secular, que está começando a acreditar muito na gente, então estamos abrindo muitas portas para os músicos católicos. Eu acho que essa missão de ajudar a música católica é muito importante, principalmente em função do lugar em que Deus nos colocou. Nós não podemos ser um tapa garrafão, a gente tem que ser um funil, para canalizar as coisas para a Igreja e os ministérios têm que aproveitar isso. E essa caminhada do Anjos de Resgate, juntamente com a gravadora Codimuc, é no sentido de encontrar novas formas de elevar o padrão de qualidade de música católica.

Vocês vão estar aqui na Paraíba neste final de semana em algumas cidades. Deixa uma mensagem a todo o pessoal que curte o som de vocês. O que eles podem esperar desses shows?
A única coisa que vocês podem esperar é que a gente chegue (risos). Essa é a primeira certeza. Mas a gente leva no coração os primeiros contatos. Muita gente tem acessado a comunidade do Anjos de Resgate no Orkut, muita gente de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Pirpirituba, enfim de toda a região onde a gente vai estar tocando. Em todas as cidades, o povo paraibano espera a gente com carinho e com amor. Por isso eu acho que Deus não pode deixar de nos alimentar, nós também esperamos ser amados por esse povo. E, assim como eles anseiam estar conosco para sentir o amor de Deus, nós também esperamos o amor de Deus na presença deles. Acho que vai ser uma experiência inesquecível.

Serviço:
Anjos de Resgate
Sexta-feira (27)
Local: Ginásio do Esporte Clube Cabo Branco - Miramar
Hora: 20h
Ingressos: R$ 7,00 e um quilo de alimento não perecível
Informações: 32226.2876.

quinta-feira, abril 05, 2007

Bíblia do Papa

Edição completa da mais importante publicação do mundo é vendida na comunidade Maná

A livraria da Comunidade Eucarística Católica Maná está vendendo o livro sagrado dos católicos: a Bíblia Sagrada (Ed. Cia dos Livros. 808 páginas. R$ 60,00). O livro mais lido do mundo traz lindas fotografias de obras de arte de Leonardo da Vinci, Dürer, Rosselli, La Tour, Rafael, Della Francesa, Rubens, Michelangelo, Vermer, Velásquez, Zacarias, El Greco, Caravaggio. A venda da bíblia será revertida para despesas na comunidade.
A bíblia tem uma encadernação superluxuosa, capa em percalux com gravações em ouro, marcador de páginas, ilustrações coloridas com 808 páginas. Ela é o livro que contém a palavra de Deus. Por isso, é o livro de todos os dias, de todos os momentos da cristandade. Seus versículos consolam, fortalecem a fé, justificam a esperança.
A bíblia é um livro mais antigo do mundo. Ela foi escrita ao longo de um período de 1500 anos por cerca de 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais. Para os cristãos a escritura sagrada foi inspirada por Deus e ela é a palavra de Deus escrita para a humanidade.
Os agnósticos consideram a bíblia um livro comum, com importância histórica e que reflete a cultura do povo que os escreveu. Os crentes recusam qualquer origem divina para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental (apesar de a Bíblia ter origem no Médio Oriente).
Professores, teólogos, sociólogos e a comunidade científica de forma geral têm defendido a Bíblia como um importante documento histórico, narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Os dados existentes nela são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos.
O apóstolo Paulo dizia que: "Toda a escritura é inspirada por Deus" (literalmente, "soprada por Deus", que é a tradução da palavra grega “θεοπνευστος, theopneustos” - II Timóteo 3:16). Na ocasião, os livros que hoje a compõem não estavam todos escritos e a Bíblia não havia sido compilada, entretanto muitos cristãos crêem que Paulo se referia à Bíblia que seria posteriormente canonizada. O apóstolo Pedro diz que "Nenhuma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que homens falaram em nome de Deus." (II Pedro 1:21 MC).
Os primeiros registros da tradução de trechos da Bíblia para o português datam do final do século XV. Mas, a primeira Bíblia completa em língua portuguesa foi publicada somente em 1753, na tradução do pastor João Ferreira de Almeida (1628 -1691).
Alguns livros de história contam que o pastor, missionário e tradutor João Ferreira de Almeida foi o principal tradutor da Bíblia para a língua portuguesa. Sua tradução foi feita diretamente das línguas originais. Traduziu todo o Novo Testamento e a maior parte do Antigo Testamento (quando morreu, tinha traduzido até Ezequiel 48:21), e seu amigo Jacob op den Akker completou a tradução. Embora o Novo Testamento e as outras partes da Bíblia tivessem sido publicados separadamente ainda no século XVII, a Bíblia inteira foi publicada pela primeira vez em 1753, em três volumes. Atualmente, a tradução de Almeida, em suas diferentes versões (as mais comuns são a "Almeida Revista e Corrigida" e a "Almeida Revista e Atualizada"), é a mais tradicional e a mais usada pelos cristãos protestantes lusófonos.
O Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725-1797) é autor de uma tradução em língua portuguesa. Sua tradução foi publicada em 1790, em sete volumes, depois de 18 anos de trabalho. Sua tradução foi feita a partir da Vulgata latina. A primeira Bíblia em português impressa num único volume foi a tradução de João Ferreira de Almeida, em 1819.
A bíblia se modernizou tanto que é comum atualmente encontramos na internet versões disponibilizadas em CD e on line do livro sagrado. E até versões em braile para deficientes visuais e auditivos. Mas, nada substitui o livro e a magia que ter em mãos uma obra sagrada se propõem.

Adriana Crisanto

Jornalista



Foto: Divulgação da Maná

Fontes de pesquisa: Enciclopédia Larousse, BBC Brasil, Wikipédia

Matéria públicada no caderno Show do Jornal O Norte, sábado, 2007.

quarta-feira, março 28, 2007

Frevo ou samba?


"Frevo ou samba? Swingue bamba... mandinga de pagé"


As músicas que sempre embalaram o carnaval dos brasileiros de norte a sul do país estão agora registradas em dois discos duplos lançados pelo selo Biscoito Fino. São eles: “Sassaricando e o Rio inventou a marchinha e 100 anos do Frevo é de perder o sapato”.
O primeiro a ser lançado pelo selo, no finalzinho do mês de janeiro deste ano, foi “Sassaricando e o Rio Inventou a Marchinha” que reuniu um elenco artístico e profissional de primeira linha para contar a história cronológica das marchinhas de carnaval. As músicas são registro musical do Rio de Janeiro das décadas de 20, 30, 40 e 50 onde os compositores da época faziam uma espécie de crônica da cidade e do país.
Por muito tempo a cidade do Rio de Janeiro e os cariocas haviam esquecido a sua cultura popular que agora resgatam com maestria neste trabalho muito bem pensado. Os idealizadores da edição foram os pesquisadores em música popular brasileira Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral que assinam o texto de abertura do encarte do disco.
Para interpretar as canções foram convidados Eduardo Dusek, Soraya Ravenle, Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho, Juliana Diniz e Sabrina Korgut. Foram tantas músicas encontradas pelos pesquisadores que elas foram divididas no primeiro disco em blocos (Comportamento, Entre quatro paredes, De onde vem o dinheiro?, Cidade que me seduz). Cada bloco com seqüência de três a seis músicas juntas.
Nos dois discos estão canções de Lamartine Babo (Ai, hein?, Infelizmente, Cantores do rádio, Linda Morena), Ary Barroso (A casta Suzana), Noel Rosa (Você, por exemplo, prato fundo), Mário Lago (Aurora), Max Nunes (Bandeira branca), João de Barro (Yes, nós temos banana, Cadë Mimi, Touradas de Madri, Chiquita Bacana, Garota de St. Tropez, Linda loirinha), Germano Augusto (A mulher do padeiro), Roberto Martins (Pedreiro Waldemar), Mirabeu (Turma do funil, Cachaça), Zé da Zilda (Saca-rola) e tantas outras.
Neste elenco de antigas marchinhas está presente o nosso querido Livardo Alves com sua “Marchinha da Cueca”, composta em parceira com Carlos Mendes e Sardinha (faixa 8) e Meu Brotinho de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Para compor este imenso trabalho os idealizadores escutaram mais de mil músicas. “Haverá certamente a ausência de uma ou outra marchinha neste disco”, comentou Sérgio Cabral. E de fato existe uma lacuna. Faltaram canções símbolos do carnaval, a exemplo de “A Jardineira”, “Malmequer”, “Me dá um dinheiro ai”.
Para compensar a ausência o selo Biscoito Fino lançou, dia 9 de fevereiro (data em que pela primeira vez a palavra foi publicada na imprensa pernambucana) o CD duplo “100 anos do frevo é de perder o sapato”. Enquanto o disco das marchinhas se guia pela sociologia do cotidiano carioca do século passado, o disco do frevo pernambucano se vale da história e das richas entre os puristas admiradores do frevo instrumental e dos modernistas com seus frevos-canção com sabor pop e temática contemporânea, para contar, em forma de música, como a música aconteceu e se tornou tão popular. E de fato é impossível passar despercebido por elas sem ao menos cantarolar. Mas, o disco deixa no ar uma dúvida: O frevo é uma dança ou uma música?
Valdemar Oliveira, no livro “Espetáculos Populares de Pernambuco” (Ed. Bagaço, 1999), já dizia ser impossível distinguir bem: se o frevo, que é a música, trouxe o passo ou se o passo, que é a dança, trouxe o frevo. “As duas coisas foram se inspirando uma na outra e completaram-se”, dizia ele.
Dança ou música o fato que o “blockboster”, para usar uma palavra moderna, promete ser o maior sucesso deste ano no gênero. É no passo dessa dança que o CD duplo traz uma primeira parte inteiramente instrumental (para agradar os puristas) com frevos como Três da Tarde (Lídio Macacão), Aninha no Frevo (Clovis Pereira), Duas Épocas (Edson Rodrigues), Último Dia (Levino Pereira), Luzia no Frevo (Antônio Sapateiro), Mordido (Alcides Leão), Gostosão (Nelson Ferreira), Cabelo de Fogo (Nunes).
Uma das músicas que destacaria é execução primorosa da peça instrumental “Fantasia Carnavalesca” de Clovis Pereira, baseado em Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista, executada pela Orquestra Sinfônica de Pernambuco (OSPE), sob a regência do maestro Osman Giuseppe Gioia, gravada ao vivo numa bela apresentação em 7 de novembro de 2006, no Teatro de Santa Isabel, em Recife.
O segundo disco vozes de artistas conhecidos da música popular contemporânea brasileira são a tônica dos frevos. No elenco de estrelas estão: Gilberto Gil, Maria Bethânia, Lenine, Maria Rita, Alceu Valença, Vanessa da Mata, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Luiz Melodia, Edu Lobo, Silvério Pessoa, Geraldo Maia, Nena Queiroga, Claudionor Germano, Antônio Nóbrega, Lígia Miranda, Nena Queiroga, Rosana Simpson e Vanessa Oliveira.
O jornalista e crítico de música paraibano, radicado pernambucano, José Teles, que assina o texto do encarte, diz que o frevo evoluiu e cita a “Spokfrevo Orquestra”, conduzida pelo maestro Inaldo Cavalcanti, mais conhecido por Spok que tem esse nome devido às orelhas de lóbulos pontudos como o do personagem doutor Spok do seriado da televisão. José Teles, autor do livro “Do Frevo ao Manguebeat” (Ed. 34), se refere ao maestro Spok como a nova revelação do frevo pernambucano. “Ele chegou como uma nova concepção de arranjos e orquestração, tocando frevo para ser também ouvido, não apenas dançado”, avalia o jornalista. E Spok é presença marcante neste disco. Em boa parte das canções o nome dele é citado, não apenas tocando seu sax alto, mas compondo arranjos e com sua SpokFrevo Orquestra.
O CD duplo é uma mistura das três categorias de frevo claramente identificáveis: o frevo-de-rua, a marcha de bloco e o frevo-canção. E nesse “Frever” que se misturam os ritmos que o frevo tem atravessado fronteiras sendo conhecido mundialmente como uma música alegre e vibrante, que encanta e empolga. Para conhece-lo, não é suficiente apenas olhar a multidão passar, é preciso deixar a música fluir por todo corpo. O frevo é isto: um convite ao prazer, à diversão e à alegria.

Adriana Crisanto

Jornalista



Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em fevereiro de 2007.

OBS: Só agora lembrei de postar....rssss... desculpem...

Canção em forma de fogo


Como um fogo que queima sem precisar de auxílio, o jornalista, radialista e poeta, Ricardo Anísio, lança hoje, a partir das 20h, no Parahyba Café (confluências das avenidas Epitácio Pessoa com Juarez Távora, em Tambiá, seu mais novo livro de poesias intitulado “Canção do Fogo” (Editora Bagaço, 120 págs). O lançamento será em forma de recital e contará com a presença do poeta popular Jessier Quirino, Marco Di Aurélio e Oliveira de Panelas.
Esta é a quarta publicação do autor. O livro foi escrito depois do “Canção do Caos”, outro livro de sua autoria que deverá sair em novembro deste ano. “Ricardo Anísio é o um exemplo de poeta possesso”, referiu-se Chico Viana que escreve o prefácio da obra que recebe ilustrações de Clovis Júnior.
O livro é um sacramento de comunhão solitária de Ricardo Anísio como a poesia que arde como fogo aceso em seu peito apaixonado. Solitária porque a chama crepita e despertam sonhos poéticos característicos do autor. Sonhos solitários que ele comunga com seus amigos.
O artista plástico e escritor W.J.Solha escreve o prefácio da obra em forma de ensaio. “É impossível ler esses poemas sem sentir vontade de lhe fazer alterações, do mesmo modo como tenho vontade de lhe fazer alterações, do mesmo modo tenho vontade de fazer alterações em versos de Affonso Romano de Sant`Anna e de Drummond”, escreveu Solha autor dos livros “Trigal com Corvos, A Canga e História Universal da Angústia.
Para falar um pouco sobre esse novo momento de sua trajetória conversei com essa figura polêmica que me salvou e colocou-me em contato com os meandros do jornalismo cultural. Nesta entrevista ele fala um pouco sobre o gosto pela poesia, suas influências, crítica musical, poesia e literatura paraibana. Leia:

Como surgiu o gosto pela poesia e a necessidade de tê-las publicadas em livro?
A poesia entrou na minha vida primeiro pela voz da minha mãe, que sempre achou mais importante que tivéssemos cultura do que um diploma. Ela lia poemas de Adalgisa Néri para mim, do livro Ocasos de Sangue, e eu ficava fascinado. Mas foi somente no início da década de 80 que eu resolvi publicar meus rabiscos poéticos no livro Em Cada Canto Um Verso. Outro entrada da poesia deu-se através das canções de Bob Dylan, de Chico Buarque, de Lou Reed e Jim Morrison, que me fascinaram.

Quais tuas maiores influências?

Meus poetas preferidos são Garcia Lorca, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, mas sinto que há uma forte influência também dos versos de Augusto dos Anjos e da poetisa portuguesa Florbela Espanca. Na verdade eu raramente não gosto de algum poeta; só abomino mesmo a poesia concreta, os irmãos Campos e suas invenções inférteis.

Mesmo você sendo duramente criticado por seus livros de poesia um de seus textos foram indicados num processo seletivo de vestibular em Pernambuco, não foi isso? Qual é a sensação?
Na verdade não foram meus poemas que chegaram ao vestibular em Recife, mas sim um ensaio crítico que escrevi sobre a obra do compositor Maciel Melo, que considero da mesma estatura dos mestres Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. O texto foi tema geral da prova de Língua Portuguesa da PUC-PE. Antes o meu livro MPB De A a Z havia sido tema da prova de português aqui em João Pessoa, no Unipê. Minha poesia é bem recebida pelo público e pela crítica pernambucanos, mas ainda distante do nicho acadêmico.

É mais fácil escrever poesias ou fazer crítica de música?
Se fosse fácil todo mundo era, como diz o poeta. Acho que ambos são difíceis, mas quando temos por ofício do cotidiano elas se tornam menos complicadas. Os poemas me dão mais prazer. Diria, parafraseando Rita Lee e Jabor que poesia é divina e a crítica musical é animal (risos). Para mim ambas são fáceis no sentido de que ambas me dão prazer. Mas a poesia requer um burilamento especial, às vezes levo uma semana trabalhando na linguagem de um poema, e às vezes ainda não me satisfaz o resultado. É mais fácil escrever crítica musical mesmo!

Como poeta é mais difícil de ser compensado por aquilo que escreve?
Sim, é. A minha poesia é repleta de metáforas e de palavras mais rebuscadas que, na comunicação via jornalismo, eu evito para que os leitores me compreendam sem a ajuda de dicionário ou do baú da memória e do conhecimento. No poema eu até acho que ele tem essa função didática: o leitor vê uma palavra que não conhece e, para entender o verso, consulta o dicionário e fica com o vocabulário enriquecido. Eu aprendi boa parte do pouco que sei de português lendo Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e Érico Veríssimo. A poesia requer rebuscamento infinitamente maior.

O que mais te intriga na literatura e na poesia paraibana atualmente?
Na arte as coisas nunca me intrigam, mas me instigam. A literatura de W J Solha, por exemplo em História Oficial da Angústia, me instiga. Os poemas de Sérgio de Castro Pinto e a música de Escurinho, me instigam. Me instiga a beleza inocente da pintura de Clóvis Júnior e os desenhos fantásticos de Flávio Tavares. Me instigam demais os contos de Marília Arnaud e os romances de Mercedes Cavancanti. Me instiga o romance de Aldo Lopes, o cinema de Marcus Vilar e o teatro de Tarcísio Pereira. Enfim, a arte original e rica me instiga. O que me intriga é aquilo que eu não entendo, como exemplo a tal arte conceitual, as instalações.

O sucesso do seu trabalho “MPB de A a Z” de certa forma contribuiu para que a editora Bagaço apostasse nesta publicação?
Não. Decididamente não. Na verdade eles nem conheciam meu livro sobre música. O que aconteceu é que fui ‘apadrinhado’ por escritores como Luiz Berto, Paulo Carvalho, Joselito Nunes e pela escritora e professora de Literatura Brasileira, Haidée Camelo Fonseca. Eles e mais os músicos pernambucanos se impressionaram com os meus poemas publicados no jornal eletrônico Jornal da Besta, e degustaram meus poemas com sabor diferente do que estavam acostumados a ler.

Qual música e qual poema você daria tudo para ter feito?
A música seria Hard Rain’s a Gonna Fall, de Bob Dylan, e o poema seria Fumo, de Florbela Espanca. Não sei se exatamente por questões estéticas ou de qualidade, mas talvez porque me tocaram de forma definitiva. A canção de Dylan por exemplo, é um dos poemas mais belos e instigantes que já li-ouvi. É um diálogo metafórico entre uma mãe e um filho que prevê a Bomba Atômica antes dela ser covardemente criada e usada.

Muitos jovens jornalistas desejam ingressar no jornalismo de cultura, fazer crítica de música. Que conselho você daria para os aspirantes a críticos?
Que antes de mais nada leiam tudo quanto puderem. Que ouçam música diariamente como eu faço, que vejam filmes incessantemente, que freqüentem o teatro e que fiquem atento a linguagem plástica dos artistas contemporâneos e dos clássicos. Depois disso, que eles se preparem para separar o coração da razão. Há coisas que eu ouço em casa, mas que não elogiaria ao escrever. Também já escrevi mal sobe obras de amigos. O crítico só será honesto quando, ao escrever, colocar o coração fora do peito. A isenção e a certeza de ter feito uma avaliação isenta é que fazem o crítico ser respeitado, mesmo que ele cometa erros, por ser humano.



Adriana Crisanto

Jornalista



Foto: Divulgação do escritor

Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O Norte no dia 28 de março (quarta-feira).

"O teatro é a arte da crise"


Após a ameaça de fechamento da casa de espetáculos Ednaldo do Egypto o “teatro” passou a ser o principal assunto nas conversas de quem entende e quem não entende também. O caminho não é dos mais simples para quem se aventurou ou tenta sobreviver do teatro. A falta de espaço para atuar, baixos salários, poucos espetáculos, preço das pautas impraticáveis para produção local, casas de teatro adequadas, a competitividade entre os companheiros são alguns dos fatores que fazem com que muita gente boa se perca nesta dura caminhada. Sem falar na ausência de uma política cultural que não seja discriminatória.
Há muito se fala sobre "crise dos teatros", e esquece-se freqüentemente que a crise, qualquer crise, é sempre um ponto de ruptura de uma falsa estabilidade. Crise pressupõe que se vai operar qualquer modificação no status quo. Crise é, portanto, fonte de movimento e nunca de estagnação. Claro que no teatro, como em qualquer situação da vida, há a posição passiva e a ativa de seus representantes, ou seja, há os que reagem e ensaiam soluções, e há os que aceitam. Prudência e bom senso têm conduzido algumas pessoas das áreas da cultura, como no teatro, a muitos becos sem saída.
Para falar sobre todo os assuntos relevantes dessa crise que passa o teatro paraibano convidamos um especialista no assunto, o único doutor em teatro do Estado, o professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba (DAC/UFPB), Paulo Vieira. Nesta entrevista o dramaturgo fala sobre a crise no teatro, faz um diagnóstico sobre os principais teatros da Capital e comenta sobre outros assuntos. Leia:


Quantas vezes o senhor ouviu a afirmação de que o teatro está em crise?

Risos. Desde que comecei a fazer teatro. Teve um momento que chegava a dizer que o teatro a arte da crise. Quando eu comecei a fazer teatro existia a Confenaca e a Federação Paraibana de Teatro Amador, em nível nacional, que organização os movimentos amadorísticas do teatro. A Confenaca desapareceu, mas hoje acho que existe ainda a Federação sob o comando de Balula, mas sem a mesmo poder de ação que tinha quando eu comecei a fazer teatro. Tempos depois apareceu o Sindicato de Artistas e Técnicos de Espetáculo. O que aconteceu foi que o sindicato foi criado a partir de uma ação de um grupo muito pequeno com pouca representatividade na classe teatral. O primeiro diretor do sindicato começou a exigir que as produções tivessem compromissos sociais iguais ao que uma empresa normal tem de manter com seus empregados. Às vezes você estava com o espetáculo preparado para entrar no palco e chegava o sindicato mandando parar o espetáculo.

O que está acontecendo com o teatro paraibano?

O que está acontecendo duas coisas. Um problema de políticas públicas, que não é um problema exclusivo da Paraíba. As leis de incentivo solucionam uma parte do problema quando elas permitem a produção do espetáculo, mas a demanda é maior do que a oferta. Há muito mais espetáculos para serem feitos do que dinheiro para produção. E isso as leis de incentivo não conseguem cobrir. Até porque uma lei de incentivo não discutida no teatro. Ela é abrangente. Por exemplo, o FIC, é uma lei que abarca desde a recuperação do patrimônio histórico até a produção de filmes. São duas pontas bastante caras na produção cultural. O teatro tanto pode ser feito com muito como pode ser feito com pouco dinheiro, depende do projeto. Na outra ponta tem a organização do mercado. Talvez essa ponta precisasse de uma discussão interna em nível profissional.

Então, como fazer para manter um espetáculo em cartaz?

É difícil manter um espetáculo muito tempo em cartaz aqui, pois esbarra numa série de dificuldades. Os espetáculos produzidos em João Pessoa preferencialmente se apresentam no Teatro Santa Roza. É tanto que a pauta do teatro vive lotada o ano inteiro. Não só com os espetáculos daqui como os de fora.

E os outros teatros da cidade por que não são ocupados?

Ai você tem uma série de problemas. Por exemplo, o teatro da Fiep, um teatro regular, tem uma boa estrutura de cadeiras, de platéia, mas o palco não é tão bom, mesmo assim ainda dá para fazer espetáculos de qualquer forma, mas por outro lado tem um preço alto da pauta para a produção local. Teatro Ednaldo do Egypto tem uma pauta barata, mas em compensação tem uma platéia pequena, que para determinados espetáculos, como os de Edílson Alves, por exemplo, não comporta o público que ele tem. Tem ainda os problemas de infraestrutura. O Teatro Paulo Pontes tem problemas de infraestrutura. O próprio Santa Roza precisa fechar as portas para reparar sua estrutura sempre. E é a jóia da coroa no meu ver. Na verdade, talvez o que precise é que os profissionais de teatro sentem frente a frente para discutir os problemas do teatro e não apenas os problemas da cultura, que muito mais abrangente. Isso fica com as secretarias de cultura, com o Ministério da Cultura.

Que outros problemas o senhor apontaria?

Os problemas do teatro têm ser discutidos por gente de teatro. Tentar encontrar o caminho para atuação profissional. Existe ainda uma outra ponta que se chama o mercado publicitário. As produtoras de propaganda da Paraíba quando precisam de ator manda buscar no Recife quando aqui temos ótimos atores de teatro. Por que eles se prontificam a pagar mais ao ator do Recife e a não pagar às vezes nada ou muito pouco ao ator local? Talvez seja a carência de uma interferência nossa enquanto profissionais de teatro nesse segmento. Talvez a gente precise chegar perto deles e mostrar que temos profissionais de qualidade. As perspectivas são difíceis, mas podem ser dirimidas sem nós deixarmos que o poder público resolva tudo. Resolver por nós mesmos determinados problemas.

O que a classe artística tem feito para reverter esse quadro?

Há quatro anos atrás nós criamos um fórum de teatro pela internet muito intenso, que ainda está lá vivo, contra a falta de uma política cultural. Esse movimento foi para as ruas, entregamos documentos às autoridades. O resultado disso foi: quando o novo governo entrou, Cida Lobo assumiu a subsecretaria de cultura e graças ao trabalho das duas secretarias podemos ter aquilo que reclamávamos no governo anterior, que era a falta de uma política cultural. Tivemos uma política cultural. Foi criado o FIC, que efetivamente funciona, mas em relação ao teatro especificamente, talvez nós tenhamos nos acomodado à situação nova. Começamos a imaginar que o FIC fosse a solução dos nossos problemas, quando na verdade não é. Ele é um apoio na produção.

E como o senhor avalia às leis de incentivo a cultura?

Esse é um problema muito sério. Porque agora mesmo na virada do ano, a Lei Rouanet, do governo federal, era especificamente uma lei de cultura. Hoje ela é uma lei de incentivo a cultura e esporte. O esporte tem um apelo popular muito maior, que bem ou mal, tem muito mais facilidade para se conseguir financiamento junto as grandes empresas divide hoje a mesma migalha da cultura. Só que a migalha da cultura a tendência é de que o dinheiro migre para o esporte.

Já aconteceu algum caso, aqui na Paraíba, em que o dinheiro de uma empresa que era destinada à cultura foi para o esporte?

Eu tive uma experiência em relação a essa migração com um projeto que venho tentando recurso. Cheguei numa grande rede de lojas daqui para tentar captar recursos e soube que o dinheiro que era para ter sido investido em cultura estava sendo revertido para um time de futebol na Bahia. Um grande empresário que tem dinheiro para investir na cultura não fazer isso, porque o apelo de público é muito menor do que um time de futebol.

Fale-se muito que a internet, os shoppings, as TV´s pagas, os cinemas afastaram o público do teatro, mas o que o teatro tem feito para substituir isso?

O teatro é uma arte muito antiga. Não sei se ela compete com outros meios de comunicação. Eu tenho impressão não é um problema maior. Acho que é muito mais profundo e séria na relação do teatro com o público que é a educação ou a não educação para o teatro. Tenho a impressão de que se por um lado tem os modernos veículos que podem potencialmente roubar o público do teatro. Eu acho que isso é uma meia verdade. Porque a verdade absoluta é a falta educação para população brasileira que faz com que ela sequer tenha o trabalho de pelo menos conhecer a beleza que é o prédio do teatro Santa Roza, por exemplo. Ter a curiosidade de entrar e conhecer o prédio. Muitos passam ignorando. O público do teatro existe. Ele pode chegar a qualquer lugar. Diversas vezes eu vi atores fazendo intervenções, espetáculos, performances, dentro dos shoppings. O leque em que um ator pode atuar é muito grande.



Adriana Crisanto

Jornalista



Foto: Divulgação

*Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O Norte, terça-feira, dia 27 de março. Dia Internacional do Teatro e do Circo.

sexta-feira, março 23, 2007

Jessier Quirino, um xilopoeta arretado!


“Arquiteto por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção” é assim que costuma declamar para as pessoas o poeta Jessier Quirino que realiza show “Bandeira Nordestina” nesta quarta-feira (14 de março), a partir das 20h00, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. O show é também comemorativo ao Dia Nacional da Poesia. Os ingressos para a apresentação estão sendo vendidos na bilheteria do teatro ao preço de R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (estudante).
Jessier Quirino é natural de Campina Grande, município localizado a cerca de 118 quilômetros da Capital João Pessoa, mas reside no município de Itabaiana, mais perto de João Pessoa, cerca de 80 quilômetros. Ele é um recordista em publicações literárias que tem como essência à expressão oral e linguagem nordestina, ou como costuma denominar os poetas, a poesia matuta.
Poeta, declamador, tocador, trovador, escritor, músico. Ele tem tantos adjetivos, funções e identidades que daria até para se fazer uma rima. A primeira incursão editorial de Jessier foi Paisagem de Interior (Bagaço, 158 págs.1996), ilustrado por ele com orelha escrita por Paulo Caldas. Desde então não parou mais de escrever e ser convidado para ministrar palestras em convenções, teatros e outras exibições públicas. Seguindo a mesma linha publicou também o livro de poesia Agruras da Lata D'Água (Bagaço, 166 págs. 1998), com prefácio escrito por Bráulio Tavares. Na literatura infantil publicou Chapéu Mau e Lobinho Vermelho (1998), A Muidinha (infantil) e ainda A Folha de Boldo - Notícia de Cachaceiro (esgotado), um livro encomendado pela empresa de aguardente Pitu que reuniu uma série de piadas sobre cachaceiro.
Lançou, ainda, no ano de 2001, Prosa Morena, um livro que acompanha um CD com declamações do autor. O livro contribuiu mais ainda para a linguagem e estética de sua obra. Jessier segue a tradição da poesia matuta, que teve início com poetas populares como Cornélio Pires e Catulo da Paixão Cearense. Tem ainda editado o livro “Política de Pé de Muro – O Comitê do Povão”, é um bem humorado comitê de legendas e imagens composto por 195 fotografias de pichações políticas exóticas e gargalhativas. No ano passado lançou “Bandeira Nordestina”, que leva o mesmo título do show, onde faz um verdadeiro mergulho na cultura nordestina. Para falar sobre essas e outras coisas da poesia matuta segue uma entrevista com esse arquiteto das palavras. Leia:

O dia nacional da poesia, não por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do escritor baiano Castro Alves. Que análise você faz da poesia neste dia? Os poetas têm o que comemorar?
Há quem diga que a poesia é o laboratório da palavra. A poesia acabada é a palavra confeitada, polida, lapidada - no meu caso - lubrificada com óleo de risada e almofadada com penas de sobrecú de pavão; tudo isto, como forma de levar emoção às pessoas. Essa emoção, na realidade, é que precisa ser comemorada, não só no seu Dia Nacional, mas no bora-bora da vida diária.
Quanto aos poetas, têm sim o que comemorar; são discípulos de Castro Alves e, com a arma pontariosa da palavra, só ferem as pessoas a golpes de entusiasmo. Temos do ponto de vista didático, uma visão do poeta Castro Alves, em posição declamatória, como era do seu feitio, e usual no seu tempo. Por coincidência, faço uma poesia que pede voz e gestos largos, operísticos. Neste sentido, apesar de fazer uma poesia garranchenta, guardo um pouco dessa postura declamatória. É nessa relação de palco e platéia que tenho vivenciado intensamente essa emoção. Torço para que seja nossa cicerone no dia a dia.

O que falta a poesia popular para ela ser mais acessível do que é?
Talvez a chave de acesso esteja na sala de aula, como matéria obrigatória. A oralidade da rapaziada, o rádio e a própria internet cuidariam de espalhar o boato. Em outros outroras, poetas como Augusto dos Anjos, Manoel Bandeira, entre outros, que, de tão cantados, até são considerados poetas populares, usavam o jornal e o panfleto como forma de divulgar suas obras. O próprio cordel foi, e ainda é, um grande veículo de difusão. Hoje, esse papel é desempenhado, na velocidade de Heródes pra Pilátos e em escala mundial pelo pombo-correio da internet. Caso as escolas adotassem como matéria obrigatória, a fonte de pesquisa seriam: cordéis, livros, cds, panfletos e esse folheto eletrônico, ferramenta indispensável nos dias de hoje.

No seu livro, “Bandeira Nordestina”, que não tive acesso ainda, há uma alusão à invenção da xilolinguagem. Em que sentido e de que maneira a xilogravura se situa na sua poesia?
Na realidade, essa expressão foi usada pelo escritor Gilberto Melo, que fez a apresentação do livro Bandeira Nordestina. Em determinado ponto, ele compara minha poesia à invenção de xilolinguagem. Refere-se que, de tão artesanal, seria como uma xilogravura; uma arte rústica de resultado sensível, capaz de retratar a riqueza cultural nordestina, sem perder o traço fundamental da simplicidade do seu povo. De fato, tenho muito zelo por essas miudezas. Retratar isto, de forma amanteigada foi à fórmula que descobri pra emocionar as pessoas.

Você participou das gravações da microssérie A Pedra do Reino. Como foi ter participado desta gravação?
Apesar de sempre imprimir uma boa dose de teatralidade nos meus espetáculos, nunca fiz teatro ou cinema propriamente dito. Na realidade entrei meio assustado feito papagaio que sobra do frechá, mas logo foi me familiarizando com o processo. Foram quatro meses de laboratórios, ensaios e gravações, amoitado no Cariri paraibano. O grande diferencial: Um elenco genuinamente nordestino e mestres de altura e robustura, mais jequitibá do território nacioná. Foi tarefa cumprida feito rabo de pavoa, mas, remédio de grande valimento. Volto aos palcos com esse aprendizado. Em formato de ator, fiz o fotógrafo e poeta Euclydes Villar, que acompanha o protagonista – Quaderna – em pelo menos uma, das inúmeras aventuras – a Caçada Aventurosa. Minha fala é pequena, feito escada de tirar maxixe, mas, tanto na caçada, como ao longo da microssérie, foi não foi, estou lá estampando minha quirinidade, ou minha euclydesdade, como queira. No decorrer das filmagens, findei fazendo outros personagens: um fanático religioso de túnica e enrolado numa rede e um padre com batina e tudo. Este último, já sem bigode e sem barba.

Você tem algumas publicações para criança. Como está essa produção para o público infantil? Parou?
Minha incursão literária infantil se resume a: “Chapéu Mau e Lobinho Vermelho” e “Miudinha”, são histórias alegres feito zoológico sem dragão. Foi não foi, estou sendo solicitado para fazer oficinas em escolas e colégios, principalmente em Recife e Natal, onde os livros são adotados. Nessas ocasiões, os gurizinhos soltam porções de: queremos mais. Ando com umas idéias na marmita dos pensamentos, e nesses dias sai coisa nova.

Quais são os planos para 2007? Mais livros, mais shows, mais eventos? Você não pensa em gravar um DVD para encartá-lo junto aos livros como já faz com os CD´s?
Os espetáculos e os eventos continuam. A feitura dos livros é mais lenta; é feita com recuos e volteios, bem ao sabor da ventania. Temos recebido muita cobrança de um Quirino falante em imagem buliçosa de DVD. Vamos fazer sim, mas ainda estamos arrumando as idéias para ter umas cenas campeiras e descritivas no andamento da palavra declamada, e isso requer mais produção.


Adriana Crisanto



Fotos: Divulgação do artista

Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, no dia do lançamento.

sexta-feira, março 16, 2007

"A Paraíba é terra de letras. A poesia está por toda parte"


Padre Fábio de Melo faz show para católicos em João Pessoa neste sábado
Um dos shows de música católica mais esperados do ano acontece hoje em João Pessoa, no Esporte Clube Cabo Branco, em Miramar, a partir das 20h. Trata-se do show do Padre Fábio de Melo, considerado atualmente como um dos mais centrados padres da nova igreja católica. O ingresso, a preço popular, custa R$ 7,00 e pode ser encontrado para compra nas livrarias católicas da Consolação, Paulinas e na Carmem Steffans (Shopping Manaíra).
Fábio de Melo é natural de Formiga, interior do Estado de Minas Gerais. Herdou do pai o amor pela música. Os sons e tons sempre embalavam suas brincadeiras de crianças. Ele é uma prova de que compondo ou cantando, encontra um jeito construtivo de empregar seus talentos artísticos. Antes de entrar para o seminário, Fábio de Melo já gostava de usar sua bela voz grave. Desde cedo mostrou sua inclinação para o mundo das letras, tendo inclusive recebido um prêmio em um concurso de literatura no Rio de Janeiro; mas voluntariamente, por suas próprias razões, renunciou um contrato com a editora que estava patrocinando o concurso.
É membro da congregação do Sagrado Coração de Jesus, e faz questão sempre de ressaltar que tudo que escreve e faz é naturalmente evangélico. A mensagem de Jesus Cristo é o viés de suas composições. Suas palavras e expressões ainda que estejam tocadas pelo específico de sua sensibilidade e criatividade, obviamente estão sinergizadas nas palavras do mestre de Jesus. Sua bibliografia é extensa. Ao comemorar 10 anos como cantor lançou um dos mais belos trabalhos de sua carreia, um disco intimista, diferente de tudo que havia produzido, o CD “Sou um Zé da Silva e outros tantos” pela editora Paulinas, em que faz uma verdadeira homenagem a música de raiz e resgate a cultura popular.
Tentei por vários dias entrar em contato com o Padre Fábio de Melo (que tem uma agenda lotada de compromissos) para falar de temas que até então não haviam sido abordados. Tarefa difícil, pois perguntaram a ele tudo ou quase tudo sobre religião. Nesta entrevista que segue ele fala, dentre outros assuntos, sobre teologia, poesia e como concilia o exercício religioso e as atividades artísticas. Leia:


Essa é a primeira vez que o senhor vem a João Pessoa?
Não. Na verdade João Pessoa já faz parte da minha vida. Minhas primeiras experiências com a música católica foram vividas aqui nesta terra.

Além do exercício religioso o senhor é professor, músico e escreve poesias. Entre ser professor, escrever poesia e música, o que mais o senhor se identifica ou ambas atividades se completam?
Eu não consigo me identificar compartimentado. Quando penso no que faço imediatamente eu me reporto ao que sou. É um jeito interessante de reconciliar minhas inúmeras atividades. A consistência do eu é que assegura um desdobramento das atividades sem o risco da perda da identidade. Gosto de ser, antes de fazer.

O senhor conhece algum poeta paraibano?
Conheço sim. A Paraíba é terra de letras. A poesia está por toda parte. Gosto muito de Augusto do Anjos, mas procuro conhecer as riquezas ainda desconhecidas. Os poetas do cotidiano, gente que ainda não alcançou o reconhecimento, mas que com mestria tornou-se tradutor dos sentimentos do povo.

Hoje muito mais pessoas procuram as faculdades e cursos de teologia não apenas para ingressar na vida religiosa, mas para ter conhecimento. A quê o senhor atribui esse interesse das pessoas pela religião?
A fé é uma mistura de certeza e dúvida. Não é possível crer, sem antes ter duvidado. A Teologia é uma palavra sobre Deus. Palavra que se movimenta no tempo. Por isso a investigação teológica é tão necessária nos dias de hoje. Teologia é experiência de desvelamento. Deus se mostra na vida, e nós, por meio do discurso teológico, tentamos dar nome a esta revelação. O que sabemos sobre Deus é também uma forma de saber sobre nós mesmos. Conhecer a Deus é também conhecer a humanidade. Neste tempo onde prevalece o interesse por Deus, de alguma forma identificamos o desejo de resolver as questões humanas. São dois fios entrelaçados. Divino e humano. O estudo sobre um lança luzes sobre o outro. E assim vamos compondo o tecido deste tear da existência.

A teologia sistemática é o ramo da teologia cristã que reúne as informações extraídas da pesquisa teológica, organiza-as em áreas afins, explica as suas aparentes contradições e, com isso, fornece um grande sistema explicativo. Não é isso? Já que ela tenta explicar “tudo” ou “quase tudo” como ela explicaria a violência no mundo?
O conceito de perfeição é muito fértil para entendermos esta questão. Tudo o que é perfeito é também processual. O acabado está distante de ser perfeito, porque corre o risco de cair de moda. Uma realidade para ser perfeita precisa atender ao movimento do tempo. Assim é o mundo. É perfeito, mas sofre das conseqüências do movimento. A violência do mundo é fruto das escolhas que fazemos e que atentam contra sua perfeição. O mundo criado é um mundo perfeito porque precisa de retoque constante, mas no momento em que abrimos mão da parte que nos cabe, de alguma forma estamos condenando o mundo à condição de caos.

Qual o ponto de vista cristão sobre o mundo?

Um dos grandes equívocos que nós podemos identificar no cristianismo é justamente o conceito de mundo. Isto se dá devido o fato de no contexto joanino a palavra mundo se referir ao império romano. É contra esta estrutura que Jesus se posiciona. O mundo que era contrário à felicidade humana precisava ser evitado, mas Jesus não se referia à realidade criada. O mundo, este lugar onde estamos situados é naturalmente bom. Mas não podemos negar que a metáfora do império que destrói ainda vale para os dias de hoje. Há muitas estruturas pecaminosas nos engolindo aos poucos.

O senhor é um padre jovem, bonito, tem uma voz privilegiada, é uma pessoa sensível, fala e escreve bem, e ainda por cima é poeta. Mas, também, como o senhor mesmo diz, é humano demais. Toda essa mitificação que as pessoas fazem de sua imagem não o incomoda e atrapalha?
Claro que sim. Ser imaginado é uma forma de aprisionamento. O que faço é reivindicar o direito de ser gente, de poder sofrer e de não ter respostas prontas para tudo. Não sou adepto de uma religião que responde a todas as perguntas do mundo. A religião que gosto de ensinar é a que ajuda a conviver com as questões.

O senhor nunca pensou em transformar em livro sua dissertação de mestrado?
Ainda não. O tema é interessante, mas precisa passar por um processo literário que ainda não tive tempo para realizar. Quem sabe um dia...

Quais suas pretensões para 2007? Algum livro novo?
Vou escrever muito neste ano. Estou me programando para isso. Vou lançar meu primeiro livro de contos: “Mulheres de aço e de flores”. Lançarei também dois livros pela Canção Nova: “Quem me roubou de mim? O seqüestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa”, e “Uma palavra que lhe faça bem.”
Adriana Crisanto
Jornalista
Foto: Divulgação da Talentos Produções
*Matéria publicada no caderno show do jornal O Norte em 17 de março.

terça-feira, março 13, 2007

Teatros pedem socorro


Enquanto os grupos de artistas se reuniam para elaborar um documento manifesto a ser entregue as autoridades públicas, reivindicando melhorias na política cultural do Estado e do Município, o diretor do Teatro Ednaldo do Egypto, Fabiano do Egypto, se contorcia com a possibilidade de ver o teatro, herdado de seu pai, fechar as portas em definitivo, devido aos prejuízos financeiros que ultrapassam a R$ 3,6 mil.
Após a divulgação na imprensa de que o teatro fecharia suas portas, Fabiano do Egypto recebeu convite de dois políticos para uma conversa e verificar a possibilidade de resolver a situação do não fechamento da casa. “Se até o final dessa semana não conseguir resolver a situação, infelizmente vou ter fechar as portas do teatro e vender para alguma empresa ou igreja”, desabafou o diretor do teatro que teve, em 2006, uma receita total inferior a R$ 21 mil.
Fabiano do Egypto diz que há muito tempo vem procurando apoio dos órgãos públicos do Estado e do Município sem obter sucesso. Ele contou que no ano passado o único órgão que teve interesse em ajudar foi a Prefeitura Municipal, mediada pelo Vereador Fúba, na tentativa de obter isenção dos impostos municipais, no entanto, o prefeito Ricardo Coutinho, não encontrou respaldo legal na Lei de Responsabilidade Fiscal.
A proposta apontada foi à realização de um convênio entre a administração pública municipal e o teatro para realização de oficinas e cursos para os estudantes da rede municipal. O valor estipulado foi de R$ 3 mil por mês. Mas, o acordo esbarrou na Secretaria de Educação do Município, que alegou não ter condições de arcar com os custos do IPTU do imóvel, além do salário de dois funcionários: um iluminador e uma secretária.
Sobre essa questão Fabiano do Egypto disse que não pediu a prefeitura descontos no IPTU, mas adiantou que o valor do imposto a ser pago pelo teatro este ano será de R$ 1.319,06. “Fora à taxa do lixo. Não tenho condições infelizmente”, contou emocionado. A reportagem procurou o secretário de educação do Município, Walter Galvão, durante toda a manhã e o mesmo não pode atender por está despachando os diretores das escolas.
Fabiano do Egypto diz que viu nascer aquele teatro de um sonho de seu pai. “Ele tinha um sonho de erguer o primeiro teatro particular do Estado e conseguiu”, disse. Ednaldo do Egypto conseguiu construir o teatro com o dinheiro de sua aposentadoria de professor universitário, coisa inédita nesse país.
O teatro tem 172 lugares e um sistema ainda precário de refrigeração. , foi palco de espetáculos como o show de lançamento do CD “Aos vivos”, de Chico César, as comédias “Vovô viu a uva” e “Vovó viu a ave”, com Cristovam Tadeu, humorísticos com Zé Lezin, Piancó, Márcio Tadeu e peças infantis como “Os três porquinhos”, “Os três mosqueteiros”, “Rock monstro” e “Scooby-doo”. Este final de semana apresenta “Espantaram o espantalho” e, na próxima semana “O gato de botas”, ambas para crianças.

A pauta do Ednaldo do Egypto custa R$ 100. Com dois espetáculos por final de semana e dando público suficiente para que este valor seja cumprido, o rendimento após cinco finais de semana é de R$ 2 mil. Mesmo com alguma renda extra vinda de cursos e oficinas, que são irregulares, o montante somado é inferior aos mais de R$ 3 mil necessários para custear a casa. “Este é um teatro privado, que deveria dar lucro, mas a realidade tem sido bem diferente”, conta Fabiano, que já teve três funcionários e hoje conta apenas com um que acumula as funções de iluminador e serviços gerais.

Teatro Lima Penante

Na semana passada o Teatro Lima Penante, que pertence ao Núcleo de Teatro Universitário da Universidade Federal da Paraíba (NTU/UFPB), uma parte do fôrro do teatro caiu devido às infiltrações, interrompendo uma oficina de música que estava acontecendo no local. O diretor do NTU, o ator Edílson Alves, comunicou que o teatro ficará sem funcionar por cerca de 40 dias e que todas as atividades programadas estão sendo canceladas, até que dos órgãos da prefeitura universitária tome as devidas providências.
O laudo que interrompeu as atividades no teatro foi dado pela Divisão de Manutenção e Conservação da Universidade Federal da Paraíba (DMC/UFPB), a engenheira, Ligia da Silva Brito. “Os espíritos do teatro estão soltos”, comentou Edílson Alves, um dos recordistas em bilheteria nos teatros paraibanos.
A história do Núcleo de Teatro Universitário se confunde com a do Teatro Lima Penante, inaugurado no dia 08 de fevereiro de 1980. O Núcleo é subordinado a Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários (PRAC), setor responsável pelo estudo, pesquisa e produção teatral, através de ações extensionistas voltadas para o desenvolvimento cultural na região. As ameaças ao fechamento do Lima Penante também são constantes. Durante um tempo as atividades do NTU estiveram ameaçadas, pela falta de verba e de uma política cultural planejada, sem falar nas condições estruturais do teatro e no seu alojamento.
Apesar de ser considerado um teatro pequeno o Lima Penante possui uma boa acústica, o palco é elevado, tipo italiano, conta com 150 cadeiras, dois camarins, uma bilheteria, cabines de som e luz. Na noite de sua estréia quem subiu ao palco foi o espetáculo “A Noite de Matias Flores”, em que faziam parte do elenco: Ednaldo do Egypto (ator e diretor), Clizenite Assis, Ubiratan Assis, Carlos Lima, Osvaldo Travassos, Marcos Tavares e a atriz Nautília Mendonça, que se apresentou pela última vez.
O Núcleo de Teatro consiste num complexo físico de fundamental importância para o Estado, porque representa o resgate de anos de lutas e conquistas na relação universidade e movimento cultural, ao mesmo tempo em que concretiza nos espaços, planos e projetos de trabalho que provocam discussões sobre a real importância do teatro para as comunidades e de que forma beneficiam ou alteram a vida das pessoas enquanto cidadãos.

O NTU Núcleo, que abrange teatro, pousada, café, salas de ensaio e biblioteca, sofreram uma grande reforma na sua estrutura física. Em outubro de 1999 o NTU inaugurou a Biblioteca Ângelo Nunes, a Pousada Nautília Mendonça, a Praça Pedro Santos, onde funciona o bar e o restaurante (Café do Lima) e mais quatro salas de ensaio.

A Biblioteca de Artes Cênicas conta com um acervo de 418 livros sobre artes, história do teatro no Brasil, nordeste e na Paraíba, abriga periódicos (cartazes, calendários, programas, folders, textos e agendas). Possui ainda um arquivo fotográfico dos espetáculos encenados no Teatro Lima Penante. A biblioteca passou a se chamar Ângelo Nunes, uma homenagem do Núcleo ao jovem ator e diretor de teatro falecido em acidente de carro. Ângelo foi diretor de uma das peças mais vistas no Teatro Lima Penante, o premiado espetáculo “Não se incomode pelo Carnaval”. O ator também deixou sua contribuição para o Curso de Teatro para Crianças e Adolescentes, ministrando aulas nos cursos promovidos pelo Núcleo.

O presidente do Sindicato dos Artistas do Estado da Paraíba (Sated), o ator Horiebe Ribeiro, lamentou o fechamento do teatro Ednaldo do Egypto e diz que a crise no teatro paraibano não é geral. “Os artistas sofrem com a falta de apoio e com a desunião da própria classe artística” comentou Horiebe que está à frente do sindicato desde 2005.
O Sated mesmo funciona apenas com a metade do número de artistas que deveria funcionar. De acordo com ele, contribuem com o sindicato regularmente apenas 15 sócios. A mensalidade é R$ 10,00 e anual fica por R$ 60,00.

Adriana Crisanto
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O NORTE, em março de 2007.
Foto: de arquivo.

sábado, março 03, 2007

Paixão de Humberto


Técnicas de circo e a verticalidade do teatro de rua são alguns aspectos inseridos no espetáculo “Jesus, uma Paixão”, montagem teatral promovida anualmente pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), durante a Semana Santa, na Praça do Bispo, em João Pessoa. O ator e diretor, Humberto Lopes, foi o escolhido para dirigir o espetáculo religioso que narra sobre a história da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, na visão das mulheres.
Humberto Lopes e Celly Freitas (autora do texto) concorreram ao edital de seleção da Funjope com outros três de diretores locais. Essa é a quarta vez que Humberto participa de montagem sobre a história de Cristo. Há cerca de 12 anos ele produziu três espetáculos, da mesma natureza, na gestão do então secretário de educação Raimundo Nonato.
A montagem será diferente dos anos anteriores. Ela estará fundamentalmente centrada nas técnicas do espetáculo de rua, com o uso da verticalidade. Terá o espaço urbano como cenário e uso das técnicas de circo, sem deixar de fora os aspectos da cultura popular.
Uma das coisas que incentivou o diretor a concorrer o edital para encenação do espetáculo foi o fato de ser uma montagem centrada no ponto de vista das mulheres. “Costumo dizer para alguns amigos que estou dirigindo o espetáculo com meu lado feminino”, se diverte o diretor que sempre esteve ligado aos órgãos que apóiam a luta pelos direitos das mulheres no Estado.
“A concepção do espetáculo em si é como se ele não existisse, uma coisa de mesa-teatro, que tenta aproximar o Deus do humano” explicou Humberto Lopes. A história é narrada no plano da realidade (dias atuais) e no plano da memória que são os acontecimentos ocorridos no passado histórico. A memória será mantida através dos figurinos do espetáculo e no cenário.
No papel das lavadeiras narradoras da história de Cristo estão as atrizes: Patrícia Braz, Melânia Silveira e Francijane Cavalcanti. O personagem central Jesus será interpretado pelo ator Daniel Porpino e Maria será dramatizado pela atriz Valeska Picado. No elenco estão ainda os atores: Ângelo Guimarães (Judas), Fernando Teixeira (Caifás), Vladimir Santiago (João Batista), David Muniz (Pilatos), Neto Ribeiro (Herodes), Kilma Farias (Salomé). Interpretando os evangelistas estão os atores: Joti Cavalcanti (Pedro), Joevan Oliveira (Tiago), Felipe de Oliveira (André) e Paulo Henrique (João).
Além dos 55 atores em cena Humberto coordena uma equipe com cerca de 150 pessoas. São técnicos de luz, som, imagem, maquilagem e outros tantos profissionais. A parte cantada de “Jesus, uma Paixão” será realizada por um coral de vozes femininas e uma orquestra de pequena formação que serão coordenadas pelo maestro Carlos Anísio.
Uma das características do espetáculo é a utilização do tempo e espaço urbanos e nesta montagem, de acordo com Lopes, todos os espaços da praça serão aproveitados de uma forma ou de outra. Como o espetáculo está centrado na imaginação das lavadeiras os elementos do circo vão ajudar a compor a idéia essencial do teatro que é o caráter lúdico.
A proposta de Humberto Lopes é que o espetáculo seja encenado uma média de dez vezes, durante toda a Semana Santa. “Essa gestão deu uma nova cara ao projeto, à medida que foi democratizado o acesso à Paixão de Cristo e valorizado o artista local”, destacou.

Sobre o Diretor

Humberto Lopes nasceu em Alto Santo (sertão do Ceará), mas desde da infância reside em Campina Grande, município localizado a cerca de 118 quilômetros, da Capital, João Pessoa. Toda a formação artística foi em Campina Grande, onde participou de todo movimento artístico-cultural das décadas de 1970, 1980 e 1990.
Embora venha de uma formação católica Humberto diz que foi seminarista, espírita, comunista, e ateu e mesmo não sendo um católico fervoroso diz que a espiritualidade está em tudo e acredita que o mundo ainda não piorou porque as pessoas ainda acreditam em Deus. “Trabalhar com um tema como a Paixão de Cristo termina transformando a gente em pessoas melhores ou mais sensíveis que já é melhor”, disse.
Há cerca de 20 anos que atua em teatro. Sempre esteve ligado ao teatro de rua, embora seu processo criativo abarque várias coisas ao mesmo tempo. Coordena o grupo “Quem tem boca é para gritar” com quem já produziu 16 montagens teatrais de rua e 10 de palco. Foi ator e diretor de “A Feira”, “Lampião vai o inferno buscar Maria Bonita”, “Paixões urgentes”, “A árvore dos mamulengos” (vencedor de prêmio em festivais de teatro no Paraná), “Trupizupe o raio da silibrina” (texto de Bráulio Tavares), “A festa do Rei”, “As aventuras de uma alucinada”, “Quem tiver achando ruim que saia”, “Quatro na Lona”, “A farsa do advogado Pathelin” (espetáculo com penas de pau), entre outros.
No cinema atuou no filme “A Sintomática Narrativa de Constantino”, do diretor Carlos Downling, “Por Trinta Dinheiros”, filme de Vânia Perazzo, e recentemente gravou cenas para minissérie A Pedra do Reino.

Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Arquivo O Norte
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, 4 de março de 2007.