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sábado, outubro 20, 2007

Tributo a Gonzaguinha


"Cantar, cantar e cantar" é o que os fãs e admiradores do cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior vão fazer neste sábado (20), a partir das 21h00, no 12o Tributo a Gonzaguinha. O encontro será na Rua Antônio Laurentino, 74, no Conjunto dos Bancários, na residência da escritora Nara Limeira.
A homenagem ao artista, que se fosse vivo completaria 61 anos, surgiu com a morte dele, em 1991, por intermédio de um grupo de amigas: a jornalista Fátima Sousa (Mana), Mary Bernardo e Cristina Araújo. Cinco anos depois do falecimento do artista, Fátima Sousa resolveu unir um grupo de pessoas para uma grande cantoria em homenagem ao artista. "Nunca pensei que tinha tanta gente que gostava de Gonzaguinha. Precisei desligar o telefone de casa por algumas horas de tanto que as pessoas me procuravam para saber onde seria a festa", disse a companheira Fátima Sousa.
A confraternização acabou se tornando uma marca e todos os anos os amigos e admiradores do cantor se reúnem para cantar, recitar e encenar a obra do moleque Luizinho, como era carinhosamente chamado.
O evento se tornou tão grandioso que artistas, intelectuais, poetas, escritores e jornalistas passaram a ser presença garantida no encontro. Já estão confirmadas as presenças da cantora Gláucia Lima, do grupo Voz Ativa, do músico Adeildo Vieira, Jesse Gel, João Jaguaribe, Kennedy Costa, Roberto Araújo, Alcântara, Débora Vieira, o instrumentista Eduardo Jorge, Márcio Bernardo, a artista Vilma Case, o cartunista Régis Soares, a fotógrafa Mônica Câmara, os jornalistas David Fernandes, Joanildo Mendes, Emmanuel Noronha ( que dizem estarem afinando as vozes) e outros.

Artista da poesia, do protesto e da vida
Luiz Gonzaga Júnior nasceu e cresceu no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro. Era filho de Luiz Gonzaga com a cantora de cabaré Odaléia, falecida nos primeiros anos de vida do artista, um dos mais fiéis e dignos compositores deste País, ao lado de nomes como Chico Buarque de Holanda, Ivan Lins, Aldir Blanc e outros famosos contemporâneos da Música Popular Brasileira.
Gonzaguinha, como ficou conhecido, teve uma carreira brilhante e com altos e baixos. Ele foi vítima da ditadura militar. Teve 53 músicas censuradas, muitos discos, inclusive, recolhidos da praça. Na opinião da jornalista Fátima Sousa, Gonzaguinha foi o grande porta voz do povo oprimido, do trabalhador explorado, das mulheres, das crianças de rua, das minorias deste país.
Infelizmente Gonzaguinha Júnior morreu no melhor de sua produção artística num acidente de carro, no dia 29 de abril de 1991. Outro grande fã do cantor é o empresário Paulo Vanderley, que criou o site www.gonzaguinha.com.br. Para ele não importa se a inspiração foi buscada nas ladeiras do morro do São Carlos, nas estradas do sertão, nas histórias de seu Lula, na cultura nordestina ou até mesmo nas agruras da repressão militar. O que interessa, de acordo com Wanderley, é que a MPB ficou mais rica a partir de então, e que hoje, se perpetua na mente de velhos e jovens que expressam sentimentos cantarolando e assobiando canções que sempre serão sucesso.
Gonzaguinha em uma de suas celebres frases dizia: "Uma coisa eu aprendi pelas estradas onde andei, e que eu sei que vou levar para estradas por onde eu vou andar. Eu aprendi que é fundamental que eu tenha respeito pela minha pessoa, para que eu possa, evidentemente, passar esse respeito para outras pessoas. Porque não há coisa ' mais maior de grande' do que a pessoa e porque somente juntos, somente unidos, é que vamos conseguir uma coisa bem maior chamada a nossa liberdade".

E foi seguindo uma das linhas desse raciocínio que Gonzaguinha compôs poesias que mais tarde viraram músicas, a exemplo de "O que é o Que é" - um verdadeiro tributo à vida e tantos outros sucessos.


Serviço:
12o Tributo a Gonzaguinha
Hoje, 20/10
Hora: 21h30
Local: Rua Antônio Laurentino Ramos, 74, Conjunto dos BancáriosPonto de referência: Entra no primeiro sinal dos Bancários, esquina Farmácia Rede Med, à direita, vai até o final da rua, dobra à direita, à esquerda e à direita.Informações: 8887.2006/3235.0306.
Adriana Crisanto
Repórter
Foto: Divulgação.
Matéria publciada no caderno Show do Jornal O Norte

sábado, outubro 13, 2007

I Mostra de Cultura Popular

I Mostra Popular do Nordeste traz grandes nomes da arte popular da Paraíba, Pernambuco e Ceará
As apresentações acontecem neste final de semana nas praças da Paz (Bancários), Coqueiral (Mangabeira) e Bela (Funcionários II) em João Pessoa.

Os mais importantes grupos de cultura popular da região nordeste estarão reunidos em João Pessoa, nesta sexta-feira (19), sábado (20) e domingo (21), na I Mostra de Cultura Popular – O Nordeste Mostra sua Arte, um evento promovido pelo coletivo cultural Muriçocas do Miramar que tem o objetivo de salvaguardar e valorizar o patrimônio imaterial dos Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará.
São grupos de coco, ciranda, repentistas, maracatus, emboladores, cavalo marinho, reizado, aboiadores e tribos reunidas para mostrar o universo de suas brincadeiras e tradições. As apresentações acontecem em três praças públicas da cidade de João Pessoa: Praça da Paz, do Conjunto dos Bancários, Praça Coqueiral, localizada no bairro de Mangabeira, e na Praça Bela do bairro Funcionários II.
Entre as atrações desta primeira mostra estão programadas as apresentações da dupla de repentistas Bebé de Natécio e Daudete Bandeira (PB), Chico do Canolino (CE), Maracatu Leão da Fortaleza (PE), Coral de Aboiadores (PE), as emboladoras Terezinha e Lindalva (PB), o grupo Caiana dos Crioulos (PB), Cavalo Marinho do Mestre Zequinha (PB), Selma do Coco (PE), Reisado de Zabelê (PB), Pandeiro do Mestre (PE), Marzuca do Mestre Zé Preto (PB) e Lia de Itamaracá (PE).
De acordo com o diretor executivo do bloco Muriçocas do Miramar, Marconi Serpa, a proposta é abrir uma nova possibilidade de entretenimento e vivência cultural, atingindo jovens, artistas, a população da cidade, turistas e com isso fazer com que mais um evento passe a fazer parte do calendário de eventos culturais da cidade.
A estimativa dos organizadores é de que compareçam em cada local cerca de duas mil pessoas. A realização da primeira edição da Mostra de Cultura Popular só foi possível graças ao patrocínio da Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal, da Eletrobrás e ao apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa e do Sebrae - Paraíba.
A intenção do diretor executivo do bloco Muriçocas do Miramar é que esse evento seja ampliado para outras praças do nosso Estado e cada vez mais a cultura popular dos brincantes seja salvaguardada no Nordeste. “Queremos fazer circular a arte, mostrar a dança, o canto e encanto de nosso povo”, acrescentou Marconi.

Artistas populares de Pernambuco, Paraíba e Ceará na Praça da Paz

As atividades da primeira edição da Mostra de Cultura Popular têm início nesta sexta-feira (19), a partir das 19h30, na Praça da Paz dos Bancários, com a apresentação dos artistas populares Bebé de Natércio e Daudete Bandeira, Chico do Canolino (CE), o Maracatu Leão da Fortaleza (PE) e o Coral de Aboiadores de Serrita –Pernambuco.
Bebé Natércio é compositor, poeta popular, cantador e contador de causos bastante conhecido no nordeste. Herdou das suas andanças pelos sertões e da vivência com grupos e mestres populares a proximidade com a rua e a cultura popular. Atualmente reside em João Pessoa e faz parte da cena cultural da cidade, sendo freqüentemente encontrado em pontos de convergência social e artística, onde diversos artistas, professores, estudantes e pessoas de diferentes categorias se encontram.
Nesta apresentação ele faz parceria com outro conhecido cantador Daudete Bandeira, que já declamou poesias com outros cantadores e tem um disco gravado com o cantador Oliveira de Panelas. O disco que se chama, Musique do Munde - Brazil Improvised Song, chegou ao Brasil com poucas cópias e teve vendas esgotadas.
Daudeth Bandeira se apresentou em vários festivais de repentes, uma de suas grandes apresentações foi no Festival de Cantadores de Pombal (PB), em que apresentou canções como Nordestinação, Brasil Virgem, Homem na 4a Ronda, Sonho de Leandro (uma homenagem ao poeta Leandro Gomes de Barros), Ladeira de Tambaú, Provocação de Vizinho, Manicure, Conversando com as Águas, entre outras.
Em seguida se apresenta Francisco Cassiano Nazaro, artisticamente conhecido como Chico do Canolino, de Baixio (CE). Chico é um músico popular, que toca um instrumento por ele criado, semelhante ao violino, feito de canos de PVC. Seu Chico do Canolino é um autodidata que toca sanfona e cavaquinho desde os oito anos de idade, quando inventou seu primeiro instrumento, um violão, feito de lata de doce. Com uma curiosidade incomum, ele aprendeu sozinho observando os músicos da sua cidade. Não freqüentou escola de música, toca de “ouvido” e confessa que desconhece os nomes dos acordes, mas quem prestigia seus shows fica encantado com o seu estilo.
Ele tem se apresentado nas principais festas populares, da padroeira, em praças e terreiros dos sertões cearense e paraibano. Anualmente mostra seu trabalho em Cajazeiras (PB), na festa da cidade ao lado do renomado sanfoneiro Chico Amaro e também tem tocado ao lado de Nonato Cearense no São João promovido pelas prefeituras da região.
Outra grande atração da sexta-feira (19) na Praça da Paz é o Maracatu Leão da Fortaleza (PE), fundado na cidade de Flecheiras (PE) e tem como dono o senhor José Beto da Hora. É formado por vários fogosões, a exemplo do caboclo de lança, mestre e o terno de seis, Burra, Mateu, Catirina entre outros. Logo após se apresenta o Coral de Aboiadores de Serrita, também de Pernambuco. O coral foi formado em 1999, pela Fundação Quinteto Violado e desde então não parou de realizar apresentações pelo país. O grupo foi convidado para participar do espetáculo “Além da Linha D´água”, em São Paulo, com a atriz Marília Pêra.
Em tão pouco tempo conseguiram gravar três CD´s e participar com oito músicas no CD tributo a Geraldo Regis. É formado pelos compositores e vocalistas Chico Justino, Cícero Mendes, Dedé, Quesado, Edgar, Murilo, Paulo Pedro, Cícera e Elonir. O repertório das apresentações é composto por músicas de aboios, toadas e capelas, além de muito improviso e interação pública.

Praça do Coqueiral recebe Selma do Coco

No sábado (20), a partir das 20h00, a Praça do Coqueiral do bairro de Mangabeira recebe a cantadora Selma do Coco (PE). A pernambucana Selma Ferreira da Silva ou dona Selma, como é mais conhecida, viveu no interior até os dez anos, quando travou contato com as festas juninas e as músicas da região, como o coco de roda.
Mudou-se com a família para o Recife, casou-se, teve 14 filhos e ficou viúva aos 30 anos, quando foi viver em Olinda (PE). Lá trabalhava como vendedora de tapioca, e nos horários de folga começou a promover rodas de coco em seu quintal, que ganharam fama e a fizeram viajar para se apresentar em eventos e casas de espetáculos.
Em 1996, participou do badalado festival Abril Pro Rock, que provocou uma guinada radical em sua carreira artística. O "hit" que impulsionou o sucesso foi "A Rolinha", gravada por outros artistas e muito executada no carnaval de 97. Foi convidada a se apresentar em São Paulo (SP) e de lá para a Europa, notadamente a Alemanha, onde fez diversos shows. Em 1998 a Paradoxx lançou o disco "Minha História", também lançado na Europa.
Outra atração da noite não menos importante são as emboladeiras, cantoras e compositoras Terezinha e Lindalva de Santa Rita (PB). Elas possuem um estilo satírico. As irmãs paraibanas tornaram-se conhecidas por apresentarem-se ao público no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, cantando suas composições e vendendo fitas cassete de suas músicas. Apresentaram-se em outros estados em festas como a de folia-de-reis em Alto Belo, em Minas Gerais. Em 1999, lançaram pela Eldorado/Pequizeiro o CD "Terezinha e Lindalva", na série "Grandes repentistas do Nordeste", onde interpretam, entre outras, as emboladas "Proseado", "Coco da baiana", "O rico e o pobre" e "Coco do seringueiro", todas de autoria da dupla, além de "O macaco e o ferreiro", de Zé Monteiro e Curió.
Está programada ainda a apresentação do grupo Caiana dos Crioulos de Alagoa Grande - PB. Eles são integrantes reconhecidos pelos Palmares como um dos 13 legítimos quilombos brasileiros teve os seus primeiros negros (Século XVIII), vindo de Mamanguape - PB, de uma rebelião ocorrida em um navio que aportou em Baía da Traição - PB. Há 20 ou 30 anos atrás usavam roupas coloridas, onde ainda hoje se vê as tradições herdadas dos seus ancestrais africanos.
A Caiana é um pedaço do continente africano nas terras do Paó. Os negros de Caiana já foram exemplos de pureza étnica. Alguns afirmam que Caiana surgiu por esses negros no passado terem fugido de Palmares. Seus instrumentos, suas músicas, danças e costumes, ainda guardam um pouco de sua cultura e de sua história. Até algum tempo atrás, era difícil o contato do povo da cidade com os negros, pois eles tinham medo do homem branco.
O Cavalo-Marinho de Mestre Zequinha se apresenta também no sábado (20) na Praça do Coqueiral de Mangabeira. O grupo é o único em atividade na Paraíba e dos mais importantes do Nordeste. É reconhecido por diversos pesquisadores como possuidor de um estilo ímpar na apresentação musical dos diversos gêneros que perfazem esse folguedo, como as toadas, abios e baiões.
O estilo é bastante diferente do encontrado em grupos semelhantes do Rio Grande do Norte ou Pernambuco. Esse folguedo, ou “brincadeira do cavalo-marinho”, como é denominado pelos seus membros, representa atualmente a continuidade de uma longa tradição advinda da zona rural e, no passado, encontrada em cidades como Guarabira, Santa Rita, Borborema, Mari, Bayeux e outros. Mestre Zequinha é o que mais diretamente dá continuidade de uma longa tradição dos mestres que o antecederam, como Mestres Paizinho, Raul, Gasosa e Neco. Por esse cavalo-marinho já passaram brincantes que hoje são mestres em folguedos semelhantes, como o Mestre Pirralinho, do Boi-de Reis Estrela do Norte, e João do Boi, do Cavalo-Marinho Infantil do bairro dos Novais.

Lia de Itamaracá na Praça Bela dos Funcionários II

Cirandeira de Itamaracá, ilha perto de Recife, Maria Madalena Correia do Nascimento é a grande atração da terceira e última noite da Mostra de Cultura Popular que terá como palco a Praça Bela do Conjunto dos Funcionários II, em João Pessoa. A apresentação cirandeira está prevista para começar às 19h00.
Lia de Itamaracá ficou conhecida por esse nome nos anos 60, quando a compositora e cantora Teca Calazans registrou a quadra "Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá". Lia canta e compõe desde a infância, e em 1977 gravou seu primeiro disco, o LP "A Rainha da Ciranda". Mas não enveredou pela vida artística e continuou trabalhando como merendeira em uma escola de sua cidade.
Na década de 1990 foi redescoberta pelo produtor Beto Hees, que a levou para participar do festival Abril Pro Rock em 1998, com grande êxito. Com repertório que inclui coco de raiz e loas de maracatu, além, é claro, de cirandas, acompanhadas por percussões (ganzá, surdo, tarol, congas) e saxofone, gravou o segundo álbum em 2000, o CD "Eu Sou Lia", lançado inicialmente pela Ciranda Records e depois pela Rob Digital. Por ocasião do lançamento, apresentou-se em outras capitais e ministrou workshops.
Além de Lia de Itamaracá se apresentam no local o Reizado de Zabelê, o grupo Pandeiro Mestre (PE) e Marzuca do Mestre Preto (PB).
O Reizado é uma das manifestações mais autênticas da cultura folclórica paraibana. Teve sua obra conhecida em todo mundo devido ao lançamento do primeiro CD da cantora Sandra Belê, outra artista de Zabelê que está mostrando seu trabalho para o mundo.
O Reisado teve início na localidade a partir da grande devoção ao Padre Cícero. A história começou em 1919, com a iniciativa do Senhor Manoel Venceslau, mais conhecido como Manoel João, que era praticante do Reisado na cidade de União dos Palmares em Alagoas.
Fazem parte ainda do elenco as figuras do Rei e da Rainha, do Mestre e do Contra-Mestre, dos Embaixadores, do Médico, do Boi, do Jaraguá, dos Mateus, da Burrinha, dos Soldados e outros membros secundários, todos com indumentárias e funções próprias ao evento. Em geral as indumentárias têm como base a cor azul (com calças e saias brancas, enfeitadas com miçangas, espelhos, fitas de diversas cores, coroas que representam a Igreja do Município), máscaras, botinas e sapatilhas. Os instrumentos musicais utilizados são o cavaquinho, alguns maracás, um violão, uma caixa e um bombo.

Serviço:
I Mostra de Cultura Popular – O Nordeste mostra sua arte

Dias 19, 20 e 21 de outubro
Locais: Praça da Paz (Bancários), Praça Coqueiral (Mangabeira) e Praça Bela (Funcionários II)
Hora: a partir das 19h00


PROGRAMAÇÃO

DIA 19 DE OUTUBRO (SEXTA-FEIRA)
Hora: 20h00
Local: Praça da Paz do Conjunto dos Bancários
Ø Repentistas Bebé de Natécio e Daudete Bandeira (PB)
Ø Chico do Canolino (CE)
Ø Maracatu Leão da Fortaleza (CE)
Ø Coral de Aboiadores (PE)

DIA 20 DE OUTUBRO (SÁBADO)
Hora: 20h00
Local: Praça do Coqueiral de Mangabeira
Ø Emboladoras Terezinha e Lindalva (PB)
Ø Caiana dos Crioulos (PB)
Ø Cavalo Marinho do Mestre Zequinha (PB)
Ø Selma do Coco (PE)

DIA 21 DE OUTUBRO (DOMINGO)
Hora: 19h00
Local: Praça Bela Funcionários II
Ø Reizado de Zabelê (PB)
Ø Pandeiro do Mestre (PE)
Ø Marzuca do Mestre Zé Preto (PB)
Ø Lia de Itamaracá (PE)

Realização: Muriçocas Eventos Culturais
Patrocínio: Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal e Eletrobrás
Apoio: Prefeitura Municipal de João Pessoa e Sebrae Paraíba

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Tragédia nos morros cariocas


"Tropa de Elite" é um retrato fiel do caos em que está mergulhada uma das mais importantes cidades do mundo

Eu não sou muito de fazer comentários sobre filmes, pois aqui na redação e no cenário intelectual-cinematográfico de João Pessoa existem pessoas muito mais gabaritadas para analisar, criticamente, a tonelada de filmes que são lançados no país e no exterior. Mas, chega a ser impossível não comentar sobre a mais nova polêmica cinematográfica brasileira, o filme "Tropa de Elite", do diretor José Padilha.
Para quem achava que eu não assistia filme, eu assisto, e fico também chocada e assustada com os inúmeros comentários que fazem sobre as obras e o emaranhado de situações que ocorrem depois que um filme é finalizado. Não está sendo muito diferente com Tropa de Elite. O filme não tinha ainda chegado nas salas de cinema do país e causou a maior polêmica entre produtores, críticos, mercado, cinéfilos e o que é pior, nos altos escalões da polícia brasileira. Sem falar no fato de que edições clandestinas circulam de norte a sul do país, antes mesmo dele ter sido exibido.
O filme, para quem ainda não assistiu, retrata o dia-a-dia do grupo de policiais e de um capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro (Bope), no ano de 1997, que deseja sair da corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente a isso, há a história de dois amigos de infância que se tornam policiais e se destacam por sua honestidade e honra. Eles ficam indignados com a corrupção no batalhão em que atuam e decidem entrar para o Bope para lutar contra isto.
As cenas de violência e humilhação são pesadas demais da conta e deixa a certeza que a polícia brasileira está preparada para guerra sem que para isso seja preciso encaminhar nossos homens para treinamento no exterior. O filme está inserido no gênero drama, mas bem que ele poderia ser lido como uma tragédia, pois termina com acontecimentos funestos que despertam o país para o horror que é o trafico de drogas e armas nas favelas do Rio de Janeiro.
Na opinião do jornalista e crítico de cinema, Alex Lacerda, as cenas de violência intensa, que permeiam todo o filme, não são o que mais chocam os expectadores e sim a angustiante sensação de reconhecimento de uma possível verdade sobre a corrupção nas instituições responsáveis por nossa segurança.
O filme, diz Lacerda, segue a tendência assumida pelo cinema nacional após o sucesso de filmes como "Cidade de Deus", "Carandiru e Amarelo Manga", que permeiam a crueza dos fatos com elementos de violência e da cultura marginal. "Como os demais, Tropa de Elite traz à tona uma realidade não usual e amargamente verossímil aos expectadores", disse.
Foi-se o tempo em que o cinema reproduzia os assaltos de bandidos a trens, aviões, e retratando de forma bucólica a vitória ou derrota dos bandidos. Os diretores estão virando suas lentes para direções contrárias para assim mostrar o que ainda não foi dito para sociedade abertamente. O cineasta Torquato Joel, que recentemente teve um dos curtas-metragens pirateados, disse que ainda não assistiu ao filme.
Torquato observa positivamente essa mudança de visão dos novos cineastas. "É uma outra realidade que estamos vivendo. O cinema não pode mais negar as coisas que estão ai. Ele tem mais é que sair das correntes do cinema americano e procurar encontrar outros nichos", comentou.
Em Tropa de Elite, o diretor, conta à história de outra maneira, apresentando a visão dos policias sobre o tráfico também de influências dentro das instituições de segurança no país. E essa é a pior parte, ou seja, ter a "certeza", de que a sociedade está entregue a esse monte de baratas que usam fardas, calçam botinhas de cor preta, desfilam em carros pintados e são tão malfeitores quanto os traficantes, agiotas e bandidos.
Se existe crime perfeito esse é um deles: homens abusando do poder dentro e fora de instituições de segurança pública e matando inocentes para também sobreviverem. Para pontear a história o diretor utiliza “Vigiar e punir”, uma publicação do teórico francês Michel Foucault. A obra é um estudo científico, em que o autor fala os métodos coercitivos. Métodos estes que vão desde a violência física ao poder das instituições de segurança pública. E fala muito da norma, da ordem e da disciplina rígida adotada por algumas instituições.

Saiba Mais

“Tropa de Elite” nasceu em meio à polêmica. Cópias piratas foram vendidas antes da estréia. O Bope tentou impedir a estréia na Justiça, mas não conseguiu. Parte dos espectadores que o assistiram consideram o filme é excessivamente “violento”.

Diretor não poupa a classe média

José Padilha faz referência também à classe média. Para falar sobre ela, o autor utiliza os consumidores de maconha e cocaína de uma das faculdades mais conceituadas do Rio Janeiro. O diretor não cita o nome, mas o cenário é a Pontifícia Universidade Católica (PUC/Rio), onde se concentra o maior número estudantes universitários de classe média do Rio. A estudante Valéria Costa, 23 anos, disse que o filme assusta e que não muito diferente acontece em universidades públicas e particulares do nordeste brasileiro. "Uma parcela da sociedade, que hoje pouco se fala, e que financia indiretamente o consumo e tráfico de drogas nas favelas", comentou.
Tentei entrar em contato com as instituições de segurança pública federal e estadual para que os mesmos opinassem sobre o filme e até mesmo para saber como os órgãos de segurança estão fazendo para controlar pirataria do filme aqui no Estado, mas não obtive sucesso em nenhum dos contatos. Por medida de segurança eles não quiseram opinar a respeito.
O coordenador do programa de Pós-Graduação em Sociologia do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA/UFPB), o professor Ariosvaldo da Silva Diniz, após assistir três vezes ao filme, comentou que a abordagem dada pelo diretor José Padilha pode constituir numa armadilha unilateral das coisas, ou seja, a polícia vista apenas como de forma maniqueísta, mostrando o lado podre dela quando outros aspectos devem ser levados também em consideração, com o caráter humanitário que ele também presta a população e como essa mesma policia se encontra inserida em um sistema de repressão.
Outro dedo na ferida tocado pelo diretor é quanto ao papel das instituições de ajuda humanitária, as organizações não-govermentais, que estão inseridas nas zonas de risco social do Rio de Janeiro, que estão sujeitas a pressões tanto dos traficantes quanto da polícia. As Ongs são associações do terceiro setor que se declaram com finalidades públicas e sem fins lucrativos, desenvolvendo ações em diferentes áreas e que, geralmente, mobilizam a opinião pública e o apoio da população para melhorar setores da sociedade.
O professor do curso de jornalismo da UFPB, Pedro Nunes, chama atenção também para o vazamento de informações e quebra de confiança por parte dos integrantes da produtora do filme. No caso de “Tropa de Elite”, diz ele, isso é perfeitamente passível de punições. "A partir daí, temos uma cadeia de situações que por um lado se configura inicialmente como crime à propriedade autoral e, por outro, representa o acesso aos bens culturais. Temos a disseminação de uma proposta cultural que circulou por favelas, escolas, universidades, corporações policiais e, até, por tribunal onde foi vetada a liminar que impedia a exibição pública do filme. Essa situação paradoxal é uma realidade. A pirataria possibilitou projeção e discussão do filme, a criação de movimentos pela internet, gerou notícias e matérias polêmicas", disse.
Além do abismo de um país desigual, o filme é para Pedro Nunes uma espécie de recriação da realidade. "Tropa de Elite procura abrir os nossos olhos sobre a segurança pública no Brasil", finalizou.

Serviço
Filme: Tropa de Elite
Diretor: José Padilha
Estréia
Hoje
Local: Multiplex (Tambiá)

Adriana Crisanto
Repórter

adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@yahoo.com.br
Fotos: Divulgação

terça-feira, outubro 09, 2007

Ednaldo do Egypto renasce e promove a 7a Mostra de Teatro Infantil


O Teatro Ednaldo do Egypto, que há bem pouco tempo estava ameaçado de fechar suas portas, foi definitivamente locado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa. De acordo com Fabiano do Egypto, o contrato de arrendamento do local será assinado ainda essa semana. No local, além do teatro, funcionará também o Centro Municipal de Artes (CMA) e terá como coordenador o ator e diretor Alberto Black.
O CMA estará vinculado a Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) e pretende atender aos alunos das escolas municipais, com aulas de dança, teatro e música. As atividades do teatro continuaram funcionando normalmente, com a locação do espaço para as companhias de artes.
A casa voltou a funcionar ontem com a abertura da 7a Mostra de Teatro Infantil Ednaldo do Egypto que se estende até o dia 14 de outubro. A Mostra está inserida no evento “Outubro do Teatro”, que teve início no dia 2 de outubro com o lançamento oficial do DVD do espetáculo “Cordel da Paixão 2006”, no Teatro Lima Penante do Núcleo de Teatro Universitário da Universidade Federal da Paraíba (NTU/UFPB).
De acordo ainda com Fabiano do Egypto, serão apresentados sete espetáculos. Destes seis são locais e apenas um convidado, a peça Cinderela Com Lazanha e Raviolli. Nesta edição se apresentam os espetáculos: Brincadeiras de Criança (Cia de Bonecos de Cena), Os três mosqueteiros, Espantaram o espantalho (Cia de Teatro Pit Stoy), Os Três Porquinhos (Cia de Teatro Argonautas), Cinderela com Lazanha e Raviolli, A Ver Estrelas (Cia de Teatro Bom de Cena), O Gato de Botas (Grupo Tenda).

Programação Mostra Teatro Infantil

Nesta terça-feira (9), se apresenta o espetáculo “Os Três Mosqueteiros Atrapalhados” da Companhia de Teatro Ednaldo do Egypto, a partir das 16h00. Os bilhetes de entrada para a Mostra custam R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira). Apenas no dia 12 de outubro que a entrada será aberta ao público.
O espetáculo é uma adaptação do livro do escritor francês Alexandre Dumas. A peça narra à história proveniente da Gasconha de três jovens atrapalhados que servem ao reino do Rei Artozio e tentam salvar o príncipe Túlipio, que foi transformado em sapo, das garras da bruxa Rugosa e do seu fiel ajudante Traquineo, que além de desastrado guarda um grande sonho de se tornar um mosqueteiro do reino.
De acordo com o diretor da Companhia, Tony Silva, a montagem tem o objetivo de ajudar aos educadores e pais na difícil tarefa de fazer as crianças compreenderem algumas necessidades básicas e fundamentais para o desenvolver o ser humano.
Quarta-feira (10), a partir das 16h00, se apresenta o espetáculo infantil “Espantaram o Espantalho” que conta a história de um garoto (Caio), um menino que tem de se acostumar com a situação de seus pais saírem todos os dias para trabalhar deixando-o com seus avós. Cansado de seus brinquedos um belo dia resolve criar um espantalho que tempos depois ganha vida e se torna o melhor amigo de Caio, mas o vilão, o senhor Corvo, tenta de todas as formas tirarem o espantalho do milharal e com isso comer toda a plantação de seu avô.
Ainda dentro da programação será apresentado o espetáculo “Os Três Porquinhos” da companhia de Teatro Argonautas. A peça será encenada, na quinta-feira (11) em dois horários, 15h00 e 16h00. O espetáculo é uma adaptação da conhecida fábula, em que o autor procura manter o tempo e a mensagem principal, ou seja, a importância de se ter bons amigos e de que a união faz a força.
A estória é contada de forma diferenciada da original e trazem surpresas encantadoras para o público infantil, pois são mescladas com humor, brincadeiras, com uma trilha sonora original e recheada de músicas animadas e muita mímicas. Os três porquinhos têm texto e direção de Tony Silva. No elenco estão os atores: Thiago Ferraz (porcão), Epitácio Souza (porcolino), Natanael Duarte (porquito), Evaldo de Souza (Lobão) e Erlaine Souza (Lili e Dona Tuca). Na seqüência da 7a Mostra de Teatro Ednaldo do Egypto se apresentam Cinderela com Lazanha e Raviolli, às 16h00. No sábado (13) se apresenta a montagem “A Ver Estrelas”, 16h00 e 17h00, e no domingo (14), o espetáculo “O Gato de Botas” do grupo Tenda.

Serviço:
7a Mostra de Teatro Ednaldo do Egypto

Período: 8 a 14 de outubro
Local: Teatro Ednaldo do Egypto – Av. Maria Rosa – Manaíra
Ingressos: R$ R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira).

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@yahoo.com.br
Fotos: Divulgação
* Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte em outubro de 2007.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Livraria de Montaigne


“Sou humano e considero que nada de humano me é estranho”. Essa é uma das frases impressas na exposição “Um passeio ao universo do escritor francês Michel de Montaigne”, que será aberta nesta terça-feira (9), a partir das 10h00, na Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Na mesma ocasião será lançado o livro do projeto de autoria do professor e coordenador José Alexandrino de Souza Filho.
A exposição faz parte do projeto Livraria de Montaigne, que trata de uma réplica, em miniatura, da torre que funcionou como biblioteca para o referido escritor, confeccionada em grossas folhas de isopor, cola e papel. A torre está exposta no hall da Biblioteca Central da UFPB e vem chamando a atenção dos estudantes, professores e freqüentadores da Biblioteca Central.
Ela tem seis metros de altura, três de diâmetro e oito de circunferência. Frases do escritor francês Montaigne estão fixadas no teto da torre em francês, grego e latim. O projeto é bilíngüe e abarca tanto lusófonos como francófogos. Essa não é a primeira vez que o projeto da Livraria de Montaigne é exibido ao público. Ela foi exposta pela primeira vez em 1997, mas como o professor Alexandrino teve que sair para o doutorado na França precisou guardar o material da exposição.
A idéia do projeto, de acordo com o professor Alexandrino de Souza Filho, surgiu quando foi ministrar uma disciplina no curso de especialização em língua e literatura francesa na UFPB e resolveu aprofundar os autores do século 16. O curso era sobre dois autores, em prosa, e um deles foi Montaigne. O resultado foi uma coletânea de trabalhos escrita pelos alunos e publicada pelo Centro de Ciências, Letras e Artes (CCHLA), em janeiro de 1997, todo em francês, com ilustrações da época.
Em seguida, os professores do Departamento de Letras foram convidados a fazer um mural dos escritores de sua preferência. Foi quando sugeriu o escritor Montaigne. “Como tinha conhecido a livraria dele na França decidi fazer uma réplica da livraria. Foi um ano de trabalho intenso. Na época tive apoio da Funape, da Embaixada de França, Prefeitura, Governo do Estado e empresas locais”, disse.
Na primeira exposição os índios da Baía da Traição foram convidados a participar do lançamento, onde fizeram um batismo ritual. “Essa parada do projeto, de certa forma foi bom, pois tive a oportunidade de ampliar o projeto”, comentou.
Nesta edição, o projeto inclui, além da torre, um portal em tamanho real, painéis com informações sobre o escritor e um jardim desenhado no chão que conduz o visitante ao mundo de Montaigne. A idéia é fazer com que o visitante faça um passeio pelo jardim e vá até a torre, que é o núcleo da exposição, tal qual acontece na França.
O nome, “Livraria de Montaigne”, era como se chamava, no século 16, na França, as bibliotecas, as livrarias, lugar de livros. Não se conhece na história da literatura e filosofia uma biblioteca semelhante a está de Montaigne, que além dos livros continham frases fixadas no teto para criar um ambiente sagrado, como se fosse um lugar privilegiado e para poucos.
As frases, impressas no teto, de acordo com o professor Alexandrino, foram tiradas da bíblia, outras são de autores gregos e latinos. É um mundo impregnado de filosofia, de pensamento, de ideais, de reflexão e meditação. Montaigne acreditava que o homem era feito para ação e para contemplação.
Ele também tinha grande interesse pelas culturas ditas primitivas. Foi o primeiro humanista a defender os índios, que eram acusados, pelos descobridores (espanhóis e portugueses), de serem selvagens e bárbaros, ou seja, povos sem cultura, sem civilização, mais próximos aos animais do que dos seres humanos. Montaigne desconstruiu esse argumento, que na verdade, era apenas uma desculpa para explicar o genocídio dos índios na sua época.
Montaigne, diz Alexandrino, tem uma ligação interessante com o Brasil, pois escreveu vários ensaios sobre os índios canibais brasileiros, em que dizia ter essa ligação e possuir objetos indígenas. “Ele transformou a biblioteca dele em um gabinete de curiosidades”, comentou o professor. Os objetos indígenas foram obtidos quando ele se encontrava na França, no século 16, com um grupo de índios brasileiros que para lá haviam sido levados pelos traficantes franceses do Pau Brasil que freqüentavam muito a Paraíba, pois, a Paraíba tinha um clima propício para o cultivo da árvore, uma vez que a planta gosta de muito sol. O melhor Pau Brasil do Brasil, de acordo com Alexandrino e Montaigne, era da Paraíba. Os colonizadores franceses penetravam pelo Rio São Domingos, como era chamado antes do Rio Paraíba, seguia até brejo paraibano em busca da árvore mais conhecida do país.
As histórias e situações sobre Montaigne estão espalhadas em vários websites na internet. Michel Eyquem de Montaigne nasceu em 28 de fevereiro de 1533 em château de Montaigne e faleceu em 13 de setembro de 1592, no mesmo lugar. Foi escritor e ensaista francês, considerado por muitos como o inventor do ensaio pessoal.
As suas obras e, mais especificamente nos seus "Ensaios", analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objeto de estudo. É considerado um céptico e humanista.
Exerceu a função de magistrado em Périgoux (de 1554 a 1570) depois em Bordéus onde travou profunda amizade com La Boetie. Retirou-se para o seu castelo quando tinha 34 anos. Para se dedicar ao estudo e à reflexão. Levou nove anos a redigir os dois primeiros livros dos ensaios. Depois viajou por toda a Europa durante dois anos (1580-1588). Faz o relato desta viagem no livro Journal de Voyage, que só foi publicado pela primeira vez em 1774. Foi presidente da Câmara em Bordéus durante quatro anos. Depois regressou ao seu castelo e continuou a corrigir e a escrever os ensaios. Os seus Ensaios compreendem três volumes (três livros) e em três versões: Os dois primeiros em 1580 e 1588. Na edição de 1588 aparece o terceiro volume. Em 1595, publicou uma edição póstuma destes três livros com novos acrescentos.
Os ensaios são um auto-retrato de um homem, mais do que o auto-retrato do filósofo. Montaigne apresenta em toda a sua complexidade e variedade humanas. Procura também encontrar em si o que é singular. É autor de frase celebres como: “A palavra é a metade de quem a pronuncia, metade de quem escuta”; “Existem derrotas mais triunfantes que as vitórias” e tantas outras.

Frases de Michel de Montaigne

Montaingne

* Os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos compreendem.
* O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o que acontece.
* Não me encontro onde procuro, mas de repente, quando menos espero.
* Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra a sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.
* Ensinar os homens a morrer é ensiná-los a viver.
* Nós podemos chegar a ser cultos com conhecimento de outros homens, mas nós não podemos ser sábios com sabedoria de outros homens..
* Eu não recolhi um ramo de flores de outros homens, mas a linha que os liga é meu própria.
* O que o teme sofre, sofre já de seu medo
* A menos que um homem sente que tem uma memória bastante boa, ele nunca deve arriscar-se encontrar-se
* Eu sei bem do que eu estou fugindo, mas não o que eu estou buscando.
* Eu entendo que os prazeres devem ser evitados se as dores forem a grande conseqüência, mas se as dores forem cobiçadas, elas terminarão em prazeres mais grandes.
* É uma presunção perigosa e fútil, além de uma absurda temeridade, ter desprezo pelo que nós não compreendemos.
* Que eu sei?

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Ovídeo Carvalho
* Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em maio de 2007.

terça-feira, setembro 25, 2007

Oi Blues by Nigth


O norte-americano Greg Wilson, o baterista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos e a banda carioca Blues Power são as atrações do Oi Blues By Nigth que acontece em João Pessoa nesta quinta-feira (27), a partir das 22h00, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural. Os bilhetes de entrada custam R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante) e estão sendo vendidos antecipadamente nas lojas Oi dos Shoppings Mag, Tambiá e Manaíra e na loja Oi da Epitácio Pessoa.
O evento de blues, que começou meio tímido, vem tomando corpo em três capitais do nordeste, aconteceu ontem em Recife e segue amanhã para Natal (RN). O Blues tem exercido grande influência na música popular ocidental, definindo e influenciando o surgimento da maioria dos estilos musicais como o ragtime, jazz, rhythm and blues, rock and roll e música country, além de ska-rocksteady, soul music e influenciando também na música pop convencional e até na música clássica moderna.
E não foi diferente com o pessoal da banda carioca Blues Power, que se apresenta hoje a noite no Paulo Pontes. A banda surgiu pela primeira vez em 1998, e foi idealizada pelo guitarrista Sérgio Rocha, o baixista Fábio Mesquita (ambos ex-integrantes da banda Baseado em Blues), e pelo baterista Beto Werther, que já fez parte da Big Alanbik.
No show de logo mais o Blues Power apresenta seu primeiro trabalho de título homônimo lançado no início deste ano. No disco o grupo não economizou nas guitarras para fazer o gênero blues/rock. Todas as músicas foram editadas pela Setembro Edições, exceto a música Amor e Verde Vale, editadas na Universal Publish.
Como todo disco de blues tem músicas que falam de estrada, como a “Down The Road” e outras tantas baladinhas que dizem o que há de bom no amor, felicidade, melancolia, solidão e sobre obras da coesa da alma humana que o só blues consegue imprimir.
A grande atração do Blues By Nigth é John Greg Wilson, mais conhecido no Brasil, como Greg Wilson. Ele nasceu no Mississipi, na cidade de Tupelo e é formado em música pela Universidade da Carolina do Sul. Greg entrou para a história nacional ao fundar com amigos a banda Blues Etílicos.
Greg sempre manteve laços estreitos com o Brasil. Formou-se em bacharel em música sacra. Nos shows ele toca guitarra e dá um show no trompete. Na banda Blues Etílicos ingressou em 1987, quando o guitarrista Derek Bosshart o apresentou aos já integrantes da banda. Ele tem seis discos gravados, o mais recente intitulado “A Cor do Universo”. Greg Wilson apresenta composições próprias e clássicas do gênero, que fazem um estreitamento entre o blues e o country. Em entrevistas a imprensa do sul ele revela que tem admiração por Allman Bros e Lynyrd Skynyrd. De J.J. Cale, pode ser incluída em suas apresentações a música Misty Mountain, que Greg Wilson normalmente coloca em pauta dentro do repertório de suas apresentações e, ainda, III Be Back, uma gravação feita para a edição Pororoca.

A outra atração do Oi Blues é o baterista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos, que recém-lançou o disco “Um pouco mais de calma” e já emplacou com uma música “Pão Duro”, na novela das sete horas, “Sete Pecados”. Rodrigo tem cerca de 26 anos de carreira musical. Começou cedo e já recebeu três prêmios Sharp.Tocou com diversas bandas, ficou conhecido pelo público quando entrou para o Barão Vermelho e hoje (de férias do Barão) segue com sua carreira solo.
A primeira banda a compor foi a Choque Geral, ainda no tempo de escola. Tocou na banda Prisma, com Marcelo Serrado. Foi vocalista da banda Front e João Penca e seus Miquinhos Amestrados, com quem gravou os discos: Ok May Gay e Além da Alienação. Com Leo Jaime, gravou dois Lp´s (Vida Difícil e Direito do meu coração para o seu). Gravou com Lobão quatro discos: Cuidado, Sob o Sol de Parador (gravado em Los Angeles), Ao Vivo! (gravação da apresentação no Hollywood Rock, 1990) e O Inferno é Fogo (com duas composições suas). Com Lobão também se apresentou no Rock in Rio.
Depois de passar pela banda de Paulinho Moska entrou na banda Barão vermelho, onde diversificou seu estilo e lançou Puro Êxtase. Ele também é integrante da banda “Os Britos”, um banda cover que faz releituras dos Beatles, com quem gravou e produziu Cd e DVD. Rodrigo também atacou como produtor em alguns discos do Barão Vermelho. Neste seu recente trabalho solo “Um pouco mais de calma”, toca violão, baixo e compõe músicas e é acompanhado por Zélia Duncan, Frejat, Lobão, Mauro Santa Cecília, Guto Giffi e outros.

Serviço:
Oi Blues By Night
Atrações: Greg Wilson, Blues Power e Rodrigo Santos

Quinta-feira (27)
Local: Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural - Tambauzinho
Horário: 22h00
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante)
Venda antecipada: Lojas Oi dos Shoppings Mag, Tambiá, Manaíra e Epitácio Pessoa.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Greg Wilson - Divulgação.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Projeto "Esquina Brasil" contempla música paraibana

Com o objetivo de divulgar e promover a música da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, o Sebrae em parceria com a Associação dos Produtores de Disco do Ceará (Prodisc), estará lançando nesta sexta-feira (5 de outubro), às 10h00, no Teatro Severino Cabral, em Campina Grande, o projeto Esquina Brasil. O lançamento faz parte da Feira do Empreendedor, que acontece no período de 4 a 7 de outubro, no Parque do Povo, no Açude Novo.
Durante toda noite o público da feira vai ter a oportunidade de assistir a vários shows. No primeiro dia (4 de outubro), a partir das 21h00, se apresentam o grupo “Costa a Costa” de hip-hop do Ceará, seguidos pela banda campinense “Odecasa” e “SeuZé” do Rio Grande do Norte. Na sexta-feira (5) a diversão fica por conta dos músicos do “Brassil” (PB), da cantora Rejane Luna (RN), do músico Isaac Cândido (CE) e da banda de rock Star 61 (PB).
Na quinta-feira (6), se apresentam o baixista Sérgio Groove (RN), a cantora Sandra Belê (PB), a banda “Dona Zefinha” (CE) e o grupo “Da Silva e a Usina Dub” (PB). No último dia (7), o evento é fechado com o brilho das meninas do grupo Clã Brasil (PB), da banda “Rosa de Pedra” (RN) e do cantor cearense Marcos Dias.

Shows de destaque da Feira do Empreendedor

Uma das atrações culturais da Feira do Empreendedor é a banda potiguar Seu Zé. A banda vem construindo um trabalho sólido baseado nas diferenças de seus integrantes. O primeiro CD do grupo, Festival do Desconcerto, lançado pelo selo potiguar Mudernage Diskos, A banda participou de importantes festivais de música do país, a exemplo da Feira da Música do ceará, Ceará Music 2006 (CE) e o Tim Mada 2005 e 2006 (RN). Os Zés receberam oito indicações, em 2004 e 2005, como uma das mais importantes cerimônias musicais do Nordeste, o Prêmio Hangar de Música. Em 2006 foi indicado em 6 categorias ao Prêmio Rock Potiguar.
A máxima do SeuZé é, sem dúvidas, a de fazer música sem se preocupar se ela vai se chamar samba, xote, rock, tango ou vai ser simplesmente anônima. Na discografia da banda constam os trabalhos: o independente SeuZé (Demo/ 2003), participação na coletânea Bronzeador Virtual, gravado pela DoSol Records, o EP “Realidade Não Tão Paralela (2004), participação na coletânea virtual Papa Jerimum/Tim Mada 2005 (Rock Potiguar) e o Cd Festival do Desconcerto (2005) gravado pela Mudernage Diskos.
Outro destaque é apresentação da banda cearense que lançou recentemente o disco “Dona Zefinha vai a Feira". O CD leva o público a uma reflexão do atual cenário social: o consumo desenfreado, a interferência da mídia no cotidiano, o faz de conta que vira negócio.
O show da banda tem como pano de fundo o teatro de bonecos, o mamulengo e os títeres do nordeste brasileiro. Seu personagem, Casimiro Coco viaja pelo nordeste em busca do divino e da utopia. Viola, marimbau, rabeca, banjo, pífano e a percussão da zabumba, pandeiro, caixa e alfaia dão o tom neste espetáculo de criatividade da cultura nordestina. A banda Dona Zefinha está na estrada desde 2001, nasceu da veia cênica do diretor e compositor Orlângelo Leal e carrega uma combinação artística singular de interpretação teatral que se manifesta através de sons e melodias. No palco seus integrantes cantam com o corpo e buscam inspiração dos folguedos brasileiros.
Dona Zefinha é composta por: Maninho (bateria), Vanildo Franco (percussão, pífanos e flauta), Joélia Braga (percussão, voz e figurino), Ângelo Maximo (percussão e sax é o Mateus do reisado cearense) Paulo Orlando (performance e percussão) Orlângelo Leal (diretor e compositor cênico - violão, viola, rabeca, marimbau, banjo e canto) e Danilo Sampaio (músico convidado - baixo). Mais informações sobre a banda na page www.caldeiraodasartes.com.br

O projeto Esquina Brasil

O projeto Esquina Brasil consiste uma caixa com quatro CD´s, com 18 faixas cada, recheados de música que vão do instrumental, regional/raiz, rock, pop e MPB. Cada CD possui 18 faixas. Foram selecionados seis artistas de cada Estado que mostram a diversidade do cenário musical de sua região.
Uma caixa, bem elaborada, foi criada para divulgação dos talentos regionais que possuem discos gravados. Nela são encontrados trabalhos de músicos contemporâneos da cena musical paraibana, a exemplo de Adeildo Veira, Milton Dornellas, Eleonora Falcone, Dalila do Caos, Unidade Móvel, Zé Filho, Quinteto da Paraíba, Jessier Quirino, JPSax, Tocaia da Paraíba, Gláucia Lima, Paulo Ro, Emboscada, Star 61, Didier Guigue, Clã Brasil, Biliu de Campina, Aerotrio e outros.
A distribuição do material será gratuita em eventos como Feiras, Congressos, shows em todo o Brasil e exterior. As bandas selecionadas foram avaliadas por uma curadoria composta por representantes da música em cada Estado, bem como formadores de opinião e profissionais conceituados. A coordenação geral é de Ivan Ferrero, com produção de Thais Andrade.

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Banda Rosa Pedra - Divulgação.

Eleonora Falcone lança novo trabalho no Santa Roza


A cantora e compositora Eleonora Falcone estará lançando oficialmente seu segundo trabalho, “Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde criança”, nesta terça-feira (25), a partir das 20h00, no Teatro Santa Roza, localizado na praça Pedro Américo, no centro histórico da Capital. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante) nas lojas Boticário nos shoppings Tambiá (centro), Sul (Bancários) e Mag (Manaíra).
Neste trabalho Eleonora Falcone atinge um grande momento de maturidade profissional. A cor, a gradação rítmica e a intensidade dramática das canções estão impecáveis e originais. O novo trabalho vem com dez canções. Destas quatro músicas são parceiras dela com Paulo Ró, Walter Galvão, Lúcio Lins e Val Velloso.
Numa revivência pura da cultura popular Eleonora interpreta “Ô Serena Serená” (faixa 9), da cantadora de cocos e ciranda Odete Josefa da Conceição. São poucos os artistas que livram a poesia popular dos cantadores de coco e ciranda do cativeiro em que se encontram. Odete Pilar, como é mais conhecida, é uma cantadora singular, ela usa, na maioria das vezes uma lata como zabumba para dar vida as suas músicas. Sua voz também está presente na trilha sonora do filme Transubstancial, de Torquato Joel e em discos de Chico Correa.
Nesse pedaço de sol que Eleonora Falcone traz dentro dela e que só agora apresenta para o público paraibano traz ainda duas composições de sua autoria “Carta de Amor” (faixa 1) e “Muxarabi” (faixa 2), em que revela as mil faces do amor que naufragou dentro dela ou que ficou num balcão morisco protegido de uma janela. Do músico Adeildo Vieira ela canta “Nunca é pra sempre”, (faixa 5), uma baladinha forte que recebe a guitarra Léo Meira e o violoncelo de Francieudo Torres.
Brincando com a métrica das palavras ela compôs, em parceira com o jornalista Walter Galvão, a canção “Sol de Só” (faixa 6), uma música rica e hábil que transpõe de uma estética para outra. De Erivan Araújo e Anderson Graciano canta “Carro de Boi”, uma música lamento que lembra o choro e gemido-rangido de uma pessoa que esqueceu o amor na estrada e que “já não serve para nada”.
O amor, o mar, o vento, o sol, a maresia e as temáticas ligadas à natureza estão muito presente nas letras deste novo trabalho de Eleonora Falcone e que ela traduz para a poesia da música. “São pedaços mesmo de mim”, disse a cantadora em dos desses muitos encontros na noite fria de um julho/setembro desse nosso litoral.
É um trabalho elegante e inteligente, que além de muito leal, é bom de se ouvir. Mostra encanto, proporciona uma paz e paciência melancólica de domingo nublado. Como todo trabalho tem músicas que rendem mais que outras. Tanto na execução quanto na interpretação, e para alguns pode dar a sensação de que, talvez, apresente maior prazer para a poesia do que para música. Mas, tudo foi bem pensado pela cantora que foi produzida musicalmente por Fernando Morello, que também compôs os arranjos de algumas músicas, e contou com um excelente corpo de músicos. Entre eles estão: Léo Meira (guitarra), Adriano Ismael (baixo), Victor Ramalho (bateria), Joca do Acordeon (sanfona), Chiquinho Mino (percussão), Francieudo Torres (violoncelo) e Helinho Medeiros (acordeon). No show de logo mais ela sobe no palco do Teatro Santa Roza com os mesmos músicos que fizeram parte do disco. Agora é só conferir o trabalho de mais nome da música popular paraibana que amadurece.

Serviço:
Eleonora Falcone
Gênero: Música Popular Paraibana
Terça-feira (25)
Hora: 20h00
Local: Teatro Santa Roza – Praça Pedro Américo – Centro Histórico
Ingressos antecipados: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Venda: Shoppings Tambiá (centro), Sul (Bancários) e Mag (Manaíra).
Endereço eletrônico: http://www.eleonorafalcone.com.br/
Email: contato@eleonorafalcone.com.br
Fotos: Divulgação


Adriana Crisanto
Repórter

sábado, setembro 22, 2007

Professor da UFPB lança livro sobre Educação Infantil nos Estados do Maranhão e Piauí


O professor doutor Jorge Fernando Hermida do Departamento de Educação Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estará lançando nos municípios de Balsas, Imperatriz e Caxias (MA) e na Capital de Teresina (PI) sua mais recente publicação, o livro “Educação Infantil: Políticas e Fundamentos” (Editora Universitária. UFPB. 2007. 296 p.).
A ação faz parte do programa do Banco do Nordeste do Brasil de Cultura, versão 2007, que consiste também na promoção de palestras, oficinas e seminários gratuitos para professores e estudantes de educação. O projeto tem início nesta quarta-feira (19 de setembro) na cidade de Teresina (PI), onde o professor Hermida ministrará palestra para 200 supervisores e diretores de escolas infantis. No dia seguinte, quinta-feira (20 de setembro), o professor realizará uma oficina que terá como tema “Políticas e Fundamentos da Educação Infantil” para um público de 200 professores da rede de ensino municipal. Cada participante receberá um exemplar do livro.
Na sexta-feira (21 de setembro), o professor Jorge Fernando Hermida, estará na cidade de Caxias (MA) ministrando um mini-curso na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) para professores e estudantes universitários. No município de Balsas (MA) participará do II Seminário de Educação Infantil, que acontecerá no período de 24 a 27 de setembro. Estão previstas a realização de mesas de debate e uma oficina sobre Educação Infantil.
Seguindo a agenda de lançamentos, na sexta-feira (28 de setembro), o professor Jorge Fernando Hermida, ministrará um mini-curso nas instalações da Faculdade Educacional Santa Teresina (FEST) para estudantes de pedagogia, psicologia, educação física e áreas afins.
Uma bolsista e sete professores estão organizando e desenvolvendo as atividades juntamente com o professor Jorge Fernando Hermida. Nesta primeira parte do projeto serão visitados quatro municípios e dois Estados. Serão distribuídos 900 livros e 900 diplomas entre os participantes das oficinas e mini-cursos.
As próximas atividades do projeto estão previstas para acontecer no período de 10 a 15 de outubro, novamente na cidade de Imperatriz (MA), durante o Primeiro Encontro de Educadores da Região Tocantina, que terá como tema: “Compromissos e desafios educacionais: da escola que temos à escola que queremos”.

Sobre o livro Educação Infantil

O livro, “Educação Infantil: Políticas e Fundamentos”, foi organizado pelo professor Jorge Fernando Hermida e consiste numa coletânea de textos sobre educação infantil redigida por conceituados professores de educação do país, que discutem sobre todos os aspectos que envolvem a educação infantil, a partir de experiências desenvolvidas no nordeste brasileiro.
A publicação está dividida em duas partes. Na primeira, os textos tratam da importância e condição da criança como sujeito de direito e, em igual medida, a importância da educação na vida da criança. Também são analisadas as contradições, as especificidades e as perspectivas que caracterizam a educação, com ênfase à contribuição que os movimentos sociais realizaram e ainda realizam, e que é vital para o desenvolvimento deste setor de ensino.
Participam da coletânea os educadores: Antônio Luiz Alencar Miranda, Benito Almaguer Luaiza, Clidiane Maurício dos Santos, Everaldo José Freire, Francisca Ferreira dos Santos, Francisco de Assis Carvalho de Almada, Heloisa Cardoso Varão Santos, Jeiel Maria Lucena da Silva, João Ricardo Pereira da Silva, Klébia Maria Ludgério, Roberto Mauro Gurgel Rocha, Márcia Maria Rocha Martins, Miguel Daladier Barros, Nadja Calábria, Roberto Luis Renner, Shirlane Maria Batista da Silva Miranda. O texto de apresentação é de autoria da professora Terezinha Diniz.
Todos os textos abordam assuntos vinculados com a legislação brasileira que trata da educação em geral, e em especial, da educação infantil, assim como, da eficácia dessa legislação frente aos desafios enfrentados ao longo dos anos pela educação no Brasil.
Nesta primeira parte se encerra com um texto que procura respostas para os seguintes questionamentos: É possível conciliar o projeto de formação para a cidadania com uma proposta educativa desvinculada de uma teoria crítica de educação? A quem interessa o discurso de inutilidade da pedagogia no cotidiano das instituições de ensino? A partir desses questionamentos se discute a importância da pedagogia, especialmente na sua tendência crítico-social, nas tarefas de cuidar/educar na educação infantil.
A segunda parte da publicação está constituída de dez textos, que versam sobre temas, saberes e conteúdos que são imprescindíveis para a formação da educação infantil, a exemplo da cultura corporal, lúdica, leitura, letramento, ética e formação de professores, televisão e criança, gestão escolar e educação e cuidados para crianças.
Todos os artigos entendem a infância como uma categoria social e histórica, um período da história de cada um que, na nossa sociedade, estende-se do nascimento até aproximadamente os 10 anos de idade, e as crianças como sujeitos históricos e sociais, marcadas pelas características e contradições das sociedades em que estão inseridas. Enquanto sujeitos históricos e sociais, as crianças produzem cultura, ao mesmo tempo em que elas são produzidas pela própria cultura na qual estão socialmente inseridas.
Ao considerar a educação como uma comunicação entre seres humanos em graus diferentes de maturidade, os saberes supracitados passam a ser fundamentais para o processo de constituição da personalidade das crianças e do mundo da cultura. Na construção do mundo do humano, e do mundo da cultura, a categoria mediação ocupa um lugar central.
Desta maneira, a coletânea de textos e os cursos de aperfeiçoamento procuram contribuir para a melhoria da qualidade da educação de nossa região. O livro tem patrocínio direto do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e do Programa BNB de Cultura. O patrocínio direto permitiu a edição de dois mil livros.
Na opinião do professor Jorge Fernando Hermida, iniciativas como está do Programa BNB de Cultura sem dúvidas fortalece a imagem de uma empresa socialmente responsável, atuando no processo de patrocínio cultural de forma ética e democrática, visando ao desenvolvimento sustentável da cultura nordestina.

Sobre o organizador

Naturalizado brasileiro, o professor Jorge Fernando Hermida nasceu de Montevidéu, República Oriental do Uruguai. É professor de Educação Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutor em História, Filosofia e Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É pós-doutorando no Departamento de Sociologia da Universidade de Salamanca (Espanha). Suas principais áreas de atuação são Educação Infantil, Ciência Política e Política Educacional. É de sua autoria os livros: A Reforma Educacional no Brasil (Editora UFPB/2006), A Educação na Era FHC: fundamentos filosóficos e políticos (Editora UFPB/2006) e Educação física e Saber Escolar (no prelo).

Serviço:
Educação Infantil – Políticas e Fundamentos
Jorge Fernando Hermida (organizador)
Editora Universitária da UFPB
Ano 2007
296 páginas.


Adriana Crisanto
Repórter
Foto: divulgação do autor
Capa do livro: Mônica Câmara
*Obs: Matéria publicada nos jornais O Norte, Meio Norte (PI), Portal O Dia (PI), O Estado do Maranhão (MA), O Progresso de Imperatriz (MA).COM AUTORIZAÇÃO DO AUTOR.

Finestra leva ao palco do Santa Roza a dança, o teatro e artes visuais

"Fito Pelo Filo da Finestra", que traduzindo para o português quer dizer "Um Olhar pela Fresta da Janela”, é o nome do espetáculo que estará sendo apresentado neste final de semana, sábado (22) e amanhã, domingo (23), a partir das 20h00, no Teatro Santa Roza, localizado no centro histórico da Capital. Nesta temporada exclusiva os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (estudante).
A montagem mistura diversas linguagens artísticas (dança, teatro, música e artes visuais) e muita improvisação dentro de um recorte arquitetônico de janelas entre o real e o imaginário (janelas físicas, emocionais, psicológicas, morais e institucionais).
Em cena, os interpretes-criadores partem da janela como tema para encontros que possam ser traduzidos em diálogos múltiplos, sempre marcados pela entrega e espontaneidade. A dramaturgia é de Miriam Gaspar. A atriz Daniela Guimarães dirige e atua juntamente com Cristiano Karnas. Os atores usam textos de filósofos Deleze, Spinoza e Agostino da Silva.
"Um Olhar pela Fresta da Janela", que em italiano, significa "Fito pelo Filo da Finestra" são destacados imagens de vários pintores italianos abstratos, livros, fragmentos de textos e instrumentos musicais que são utilizados durante o espetáculo num jogo de improvisação de resultado surpreendente. A montagem tem duração de 50 minutos e já passou por Recife, Fortaleza, Salvador, Cataguases e São Paulo.
Em cada exibição músicos da região são convidados para fazer parte da montagem. Em João Pessoa, participou da montagem anterior feita durante o Cineport o contrabaixista parauibano Xisto Medeiros e desta vez estará no palco o carioca Fábio Luna, que durante muitos anos trabalhou com Sivuca. O espetáculo foi um dos vencedores do edital Prêmio Klauss Vianna de Incentivo à Dança, instituído pela Funarte.

Serviço:
Espetáculo: Fito pelo Filo da Finestra

Sábado (22) e Domingo (23)
Hora: 20h00
No: Teatro Santa Roza (Praça Pedro Américo, centro)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (estudante).

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

Cultura, HIV e Aids


Como objetivo de falar sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/Aids) através da cultura a Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, o grupo Pela Vidda de São Paulo e instituições fomentadoras de cultura de João Pessoa e Campina Grande firmaram uma parceria e juntas promoverão os eventos: "Cinema Mostra Aids", “Festival Internacional de Humor em DST/Aids” e a "Campanha Educativa em Respeito à Diversidade Cultural".
O lançamento para imprensa aconteceu ontem, na sala cristal do Hotel Caiçara, na Capital. O gerente operacional das DST/Aids da Paraíba, Ranulfo Cardoso Júnior, disse que um vasto painel sobre o tema será traçado. De acordo com ele, não foram poucos os autores e diretores que transformaram a Aids em fonte de inspiração e utilizaram o cinema, por exemplo, para tratar da doença.
A primeira ação será a exposição do Festival Internacional de Humor em DST/Aids, que será apresentada ao público na próxima sexta-feira (28), a partir das 20h00, no Salão de Exposições da Usina Cultural Saelpa, localizada no bairro de Tambiá. Também no mesmo dia o cartunista Edgar Vasques estará ministrar Oficina de Cartuns.
Dentro da programação apresentada pela secretaria consta ainda o lançamento da campanha educativa de respeito à Diversidade Sexual que tem como tema "Não Nego. Orientação Sexual não é uma Escolha. É um Direito". Na ocasião serão lançadas as peças promocionais da campanha (folder, cartazes, cartões postais, adesivos e camisetas). Existe hoje no país uma boa literatura sobre o HIV/Aids. Na área de cinema está é a primeira vez que são selecionados filmes sobre a temática. O Cinema Mostra Aids acontecerá em João Pessoa, nos dias 4, 5 e 6 de outubro e em Campina Grande nos dias 7, 8 e 9 de outubro, com entrada aberta ao público.
Na Capital, as sessões acontecem na Usina Cultural da Saelpa, no mini-auditório do Serviço Social do Comércio (Sesc Centro), Cine Clube Parai´wa (Bairro São José), Hospital Clementino Fraga, Zarinha Centro de Cultura (Tambaú) e na sede da Associação Brasileira dos Documentaristas (ABD/PB). De acordo com Ranulfo Cardoso Júnior, a curadoria escolheu os filmes que não são tão conhecidos do grande público, que têm um caráter mais educativo e que tem um impacto maior sobre as conseqüências da contaminação.
Na lista de filmes selecionados estão: Transit (Inglaterra), Jesus Children of América (EUA), Dias (Itália), Cazuza (Brasil), Anjos da Asa Quebrada (Brasil), Eu amo esse homem (França), Matraca e o Povo Invisível (Brasil), House of Love (Namíbia), Pequenos Guerreiros - Nascidos com HVI (EUA), Alguém ainda morre de Aids (EUA), O Presente (EUA), Yesterday (África do Sul), Protesto Conta o Monopólio (EUA), O Dia em que meu Deus Morreu (EUA), APROS-PB (EUA), Basta um Dia (Brasil), A Closer Walk (EUA). Os filmes serão exibidos também espaços alternativos.


Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Cancioneiro Vinícius de Moraes


As mais belas canções de Vinicius de Moraes estarão dispostas agora num bem produzido songbook. Trata-se do lançamento, em várias Capitais do país, da edição “Cancioneiro Vinícius de Moraes – Biografia e obras selecionadas”, que conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O produto, de acordo com os assessores do Ministério da Cultura (MinC), mescla arte com biografia, e está dividida em duas partes. A obra traz introdução de Eucanaã Ferraz, texto da contracapa de Chico Buarque, transcrição e edição dos textos por Maria Lucia Rangel, desenhos de Carlos Leão e coordenação editorial e direção de arte de Elianne Canetti Jobim.
A primeira parte tem 176 páginas, de autoria de Sérgio Augusto, e relata a vida do poeta que, além de músico, também foi diplomata e jornalista. Constam ainda entrevistas e cartas inéditas escritas para familiares e amigos. A outra parte, com 304 páginas, coordenada por Paulo Jobim, é um volume de arranjos (songbook) para piano de sua obra musical. Ao todo, são 57 composições.
Parte dos documentos foi pinçada de acervos como o da Fundação Casa de Rui Barbosa (instituição vinculada ao Ministério da Cultura) e o do Instituto Antonio Carlos Jobim. Mas a maioria do material inédito saiu dos acervos de parentes de Vinícius.
O lançamento oficial da obra será no dia 12 de setembro, no Rio de Janeiro, e de acordo com a assessoria, estarão presentes Susana Moares (filha de Vinicius), que apresentará a edição, e os coordenadores do projeto, Sérgio Augusto, Paulo Jobim e Ana Lontra Jobim. O poeta carioca Eucanaã Ferraz fará a leitura de textos de Vinicius.
Se fosse vivo Vinicius de Moraes completaria, agora em outubro, 94 anos. Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes nasceu, em meio a um forte temporal, na madrugada de 19 de outubro, no Rio de Janeiro. Aos nove anos de idade parece que pressente seu cunho poético e vai com a irmã Lygia a um cartório no centro carioca, com o propósito de alterar seu nome para Vinícius de Moraes.
A mãe, Lydia Cruz de Moraes, era uma excelente pianista, e ao lado do pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta bissexto, Vinícius desenvolveu sua criatividade, passando pela literatura, teatro, cinema e música.
Na música, o Poetinha (como ficou conhecido) teve Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra como principais parceiros. Seu primeiro registro como letrista aconteceu em 1928, quando compôs Loura ou Morena, junto com Haroldo, um dos Irmãos Tapajós, conjunto que popularizou a música em gravação de 1932.
Vinicius de Moraes faleceu numa manhã de julho de 1980, em sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho, seu mais constante parceiro, e de Gilda, sua última companheira. Saiba mais sobre a vida e a obra do poeta e compositor no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/.


Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte.

Discoteca tombada pelo Iphan

A antiga discoteca Municipal de São Paulo, discoteca Oneyda Alvarenga, foi está semana tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O material tombado inclui documentação histórico-administrativa da discoteca, os acervos da Sociedade Brasileira de Etnografia e Folclore e os acervos da Missão de Pesquisas Folclóricas, organizada pelo escritor Mário de Andrade.
Este sem dúvida trata-se do primeiro tombamento de material áudio-visual do país, mas todo material ainda está aguardando a homologação pelo Ministro Gilberto Gil, ser publicado no Diário Oficial da União para poder entrar em vigor.
O acervo da discoteca é bastante variado e possui desde filmes, discos, desenhos, fotografias, cadernetas de campo, notações musicais, notações de coreografia e objetos de caráter religioso, como os usados nos terreiros de candomblé e ex-votos.
A discoteca Oneyda Alvarenga, possui, em seu acervo geral cerca de 65 mil discos (de 33 e 78 rpm), 30 mil partituras, 11 mil livros, além de CD´s e hemerotecas, sobre música brasileira e estrangeira, porém a parte tombada se refere apenas à documentação histórico-administrativa, ou seja, referente à produção de todo o material.
A discoteca foi criada em 1935, por Mario de Andrade, que era, na ocasião, diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. O material foi o resultado de uma política que visava integrar o erudito ao popular e em visita recente ao Centro Cultural de São Paulo, todo ele está em processo de digitalização e organização em um banco de dados, o que inclui a disponibilização de fonogramas que poderão ser escutados na própria discoteca a partir de outubro deste ano.
Completam ainda do material os tombado os arquivos da Sociedade Brasileira de Etnografia e Folclore, uma associação que teve ramificações em diversos pontos do país e congregou pesquisadores do assunto. Há também a documentação sobre a Missão de Pesquisas Folclóricas, uma viagem feita por pesquisadores do Departamento de Cultura do Estado de São Paulo, em 1938, com intuito de recolher cantos e danças populares do Norte e Nordeste e documentá-las com filmes, discos e fotografias.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte.
Foto: Centro Cultural de São Paulo onde se encontra o acervo da discoteca.