Encurtador para Whatsapp

terça-feira, novembro 28, 2006

Dadi Carvalho


O baixista Eduardo Magalhães de Carvalho, conhecido no meio artístico por Dadi, estará lançando no próximo ano seu primeiro disco solo pela gravadora Som Livre. O título, que ainda não foi divulgado pelo instrumentista,
terá participações de Marisa Monte, Rita Lee, Jorge Mautner, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso e outros.
Dadi também é baixista da banda A Cor do Som que junto com o seu irmão, o pianista Maurício Magalhães de Carvalho (Mú), incentivado pelo baiano Armando Macedo (guitarra), Gustavo Schroeter (bateria) e Ary Dias (percussão) retomaram as atividades do grupo e lançaram, em 2005, um DVD e CD acústico pela gravadora Performance Be Records, distribuído pela Som Livre, e que também planeja para 2007 um novo trabalho para trazer de volta a conjunção de boa música com excelente execução instrumental.
Na última passagem pelo Rio de Janeiro entrevistei o baixista Dadi Carvalho, em pleno Leblon, que falou sobre sua carreira musical, seu novo trabalho solo, a saída do guitarrista Armandinho da banda, os 30 anos da Cor do Som, sobre os Novos Baianos, o projeto Os Tribalistas dentre outros assuntos. Confira a entrevista:

Dadi você tocou com Barão Vermelho, Caetano Veloso e agora acompanha a cantora Marisa Monte. Como é que você agüenta?
É realmente cansativo. Mas, é que as coisas vão aparecendo. E também porque são trabalhos legais. A Marisa, por exemplo, é minha vizinha. Hoje é minha amiga e parceira. Tocamos quase todo dia. E para mim é super legal. Porque através dela acabei conhecendo mais de perto o trabalho do Arnaldo Antunes, que para mim é um poeta maravilhoso. As letras que ele escreve eu adoro. Compomos algumas músicas. Compus com a Marisa uma música que está neste novo trabalho dela.

E aquele seu disco solo que só tem no Japão?
Esse disco eu gravei, na verdade, por conta própria. Através da internet eu descobri esse selo no Japão. Mandei umas músicas para o dono do selo. Ele adorou. Daí, eu assinei um contrato de dois anos. Ele lançou o disco lá. Foi super legal. Vendeu quase duas mil cópias. Para mim foi uma surpresa e as pessoas também gostaram.

Esse disco não existe no Brasil não é?
Pois é. Mas, agora estou negociando com a gravadora Som Livre para editar algumas músicas desse disco e outras inéditas. Estou quase lá. Pode ser que em janeiro já esteja lançando ele aqui no Brasil. E já estou preparando outro também. Mas, esse daí, em janeiro, eu estarei lançando. Vou querer fazer uma divulgação legal, fazer show e tudo mais.

Como é que vai ficar então esse novo disco solo?
Tem umas coisinhas apenas para serem resolvidas, mas se Deus quiser vai sair em janeiro. O disco tem onze músicas. Uma instrumental. É um trabalho que me apresenta como compositor. Todas as composições são minhas em parceria com outros músicos. Tem seis músicas com letra de Arnaldo Antunes. Uma música em parceria com o Caetano Veloso, que a Rita canta comigo. Tem uma letra de Jorge Mautner e tem uma letra da Rita Lee, que ela me deu. É uma versão da letra de uma música dos Beatles. Eu coloquei a música. A canção fala de uma pessoa que está envelhecendo.

As tuas influências musicais continuam as mesmas do passado?
O tempo vai passando e cada coisa que você escuta vai somando. Mas, com certeza a base mesmo começou com a bossa nova. Quando eu era menino do lado da minha casa tinha um teatro (Santa Roza) que tinha shows. E meus primos tocavam. Tinham um trio de bossa nova instrumental. Isso fez com que eu fosse me interessando pela música. Eu assistia muitos ensaios neste teatro. Escutava muito Jorge Ben, aquele primeiro disco dele “samba esquema novo”. Até que apareceram os The Beatles, Stones, Erick Clapton, Jimi Hendrix, The Who e Kinks. E ai mexeu com tudo. A década de 1970 foi para mim muito forte musicalmente. Depois tive a sorte de tocar com os Novos Baianos. Eu tinha 18 anos. Era um trabalho que tinha uma influência muito grande de João Gilberto. Ficamos amigos do João. E ele me trouxe de volta para a música brasileira. Isso fez com que a gente escutasse Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros. Os Novos Baianos foi uma grande escola. Toquei cinco anos com eles. Gravei cinco discos. A primeira vez que entrei num estúdio para gravar foi com eles. Depois sai para tocar com Jorge Ben, que foi outra escola para mim. A música do Jorge é muito intuitiva. Deu certo comigo, porque eu também gosto de usar a intuição. A primeira vez que sai para tocar fora do país foi com ele. Fomos para Paris. Viajamos vários países do mundo fazendo shows. Foi na mesma época que estávamos começando com a Cor do Som. Então eu tocava com a Cor do Som, tocava com o Jorge e com Moraes Moreira. Tudo na mesma época. Os Mutantes também foi outra grande influência que tive. Quando os vi pela primeira vez aqui no Rio eu tinha 15 anos e pensei comigo: “É isso que quero fazer. Tocar e viver da minha música”.

Os Mutantes depois de vários anos voltou a ativa. Assim como Mutantes, os Novos Baianos podem voltar também?
Quanto aos Novos Baianos voltar eu não sei te dizer. Seria maravilhoso se retomasse. Eu daria a maior força para voltar. Mas, tem alguns problemas internos que precisam ser resolvidos.

Muitas pessoas não sabem que aquela canção “Leãozinho”, composta por Caetano Veloso, foi para te homenagear e dedicada a você. Como foi isso?
É verdade. Eu acho que isso foi em 1977 ou 79, num lembro direito. Foi quando Caetano estava gravando o disco “Bichos”. Eu estava ensaiando e começando a tocar com a Cor do Som. Fiquei muito amigo do Caetano logo que ele voltou de Londres. Ele foi assistir alguns shows de umas bandas que eu tocava. E ficamos amigos depressa. Porque ele é do signo de leão e eu também. Eu e a Leilinha sempre fomos fãs dele. Freqüentávamos a casa dele. Somos amigos também da Dedé, sua primeira mulher. Caetano sempre teve essa coisa de fazer música para homenagear pessoas. E foi assim comigo.

E como você ficou sabendo?
Um dia eu estava ensaiando com a Cor do Som, no estúdio da Polygram, na Barra da Tijuca. Ele estava gravando e chegou para mim e disse: “Hoje você não vai poder entrar no estúdio porque eu estou preparando uma surpresa para você”. Ele tava gravando justamente Leãozinho, que era só com violão, voz e assobio. Eu fico e sou super honrado de ter uma música composta por uma figura como Caetano Veloso, do qual também sou fã.

A Cor do Som vai fazer 30 anos. Que balanço que você faz desse tempo?
Que loucura hein... (risos). Eu faço um balanço positivo, de certa forma, porque influenciamos muita gente do rock, como os Paralamas, Barão Vermelho, Rita Lee. E todos falam que aprenderam com A Cor do Som. Porque a gente abriu um espaço. A mídia não estava preparada e voltada para escutar aquelas coisas que fazíamos na época. Logo depois veio o rock brasileiro. A mídia voltou o olhar para o rock nacional. A gente abriu o espaço para muita gente, mas não usufruímos desse espaço, nem financeiramente e nem artisticamente. Mas, tem muita gente que ainda gosta, comenta sobre o nosso trabalho. Outra coisa que pegou naquela época foram às letras das músicas. Quando começamos a cantar gravamos Beleza Pura, uma letra de Caetano, com uma música e uma letra maravilhosas. Nessa época estávamos instrumentalmente iguais às letras. Depois gravamos Abri a Porta, de Gilberto Gil, que tem uma letra simples, mas tem uma poesia linda também que diz: “o bom da vida vai prosseguir”. Depois a gente se perdeu um pouco nas letras. Mas, o balanço final acaba sendo sempre muito positivo. Precisávamos passar por isso para amadurecer.

Como vocês sentiram a saída do guitarrista Armandinho Macêdo?
Com certeza foi uma coisa que atrapalhou e marcou muito a todos da banda. Gravamos com o Armando quatro discos. Entrou Victor Biglione, também um super guitarrista, mas tinha outra cabeça. Victor tinha uma veia mais voltada para o jazz, que foi bom também para a banda, mas com o Armando existia uma química. Eu gosto muito dele. A gente se dá muito bem. Naquela época da saída dele à gente não soube organizar as coisas. Foi um certo tipo de despreparo mesmo. Não tínhamos também um empresário bom que soubesse conduzir essa crise. Estávamos, naquela época, crescendo muito. Era para gente ter dado uma parada. Esperado um pouco para fazer música. Ficado tocando apenas em casa. Ter ficado só compondo e escrevendo música para depois lançar um outro bom trabalho. Mas ai entrou naquela coisa do mercado da época que exigia que a banda lançasse um disco por ano. Isso desgastou e perdemos de dar continuidade a um trabalho bacana. O rock nacional entrando com força também. Isso meio que enfraqueceu a gente. Hoje o Armando é o maior incentivador da banda.

E como foi que você conheceu o Armandinho?
Eu o conheci quando tocava com os Novos Baianos. Fui para a Bahia e quando vi aquele trio elétrico e escutei-o tocando guitarra fiquei impressionado e pensei: “Quem é esse cara que toca assim desse jeito, com essa pegada”. Quando eu o conheci foi que fiquei mais intrigado ainda porque eu o achei uma pessoa muito bacana.

E o projeto Tribalistas? Como foi ter participado?
Foi outro projeto maravilhoso que adorei ter participado. Foi um disco gravado por nós cinco. Eu, Marisa, Arnaldo, Carlinhos Brown e César Mendes. Foi delicioso. Gravamos no estúdio da casa da Marisa. Gravávamos uma música por dia. A gente fazia uma base com três violões: Eu, Cesinha e a Marisa. Em cima dessa base íamos colorindo. Colocávamos baixo, bateria, guitarra, Brown colocava percussão. Eu adorei porque toquei vários instrumentos ao mesmo tempo. Foi um sucesso. Só na Itália vendeu 250 mil cópias.


Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Publicado no caderno Show do Jornal O Norte em novembro de 2006.
Entrevista realizada no Leblon, Rio de Janeiro, outubro, 2006.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Paraibano arrebata prêmio no "IX Troféu São Paulo Capital Mundial de Gastronomia"


O professor paraibano e chef Carlos Manoel Ribeiro foi o primeiro colocado no “IX Troféu São Paulo Capital Mundial de Gastronomia”, prêmio instituído pela Câmara Municipal de São Paulo, em que elege os melhores trabalhos jornalísticos sobre a gastronomia na capital paulista.
O chef Carlos Ribeiro levou o primeiro prêmio especial de televisão com seu programa "Chef Itinerante", com a matéria sobre os "Chefs Especiais", projeto idealizado por Marcio Berti voltado para crianças portadoras de síndrome de Down. “Produzi essa reportagem antes mesmo da novela das 8 horas entrar no ar e abordar sobre os portadores da síndrome”, comentou feliz da vida o paraibano que foi professor do curso de comunicação social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na década de 1990.
O programa vai ao ar pela Rede Mundial de Televisão (RedeTV). É um quadro dentro do Programa Vida Plena que é exibido nas quartas e sextas-feiras, a partir das 10h00, e que em João Pessoa pode ser visto através do canal de televisão a cabo Big TV. Carlos contou que no ano passado tentou concorrer ao prêmio, mas não aconteceu.
Uma das vencedora da noite também foi à revista "Prazeres da Mesa", premiada em várias categorias, inclusive de melhor revista de gastronomia. Na categoria reportagem o prêmio foi para a jornalista Helena Jacob da Destak.
Carlos Manoel Ribeiro é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor dos cursos técnicos e de pós-graduação da Hotel São Paulo (Hotec). Lecionou em importantes instituições de ensino, a exemplo da Anhembi Morumbi, Faap e Senac. Atualmente dá aulas na Escola de Belas Artes lecionando na pós-graduação da Hotec e Viander Casa de Gastronomia, além de ser o chef da cozinha do restaurante Mamarana.
Foi professor visitante e palestrante da Universidade Sagrado Coração (Porto Rico), Escola de Hotelaria St. Paul de Mer (Barcelona), Universidade do México, Universidade de Sophia e Osaka. É autor da série de livros sobre gastronomia, editados pela Hotec, sobre a história e a cultura da gastronomia, o aspecto cultural da cozinha contemporânea, panificação, confeitaria, estrutura, funcionamento e higiene das cozinhas.
Em João Pessoa, sua cidade natal, implantou o cardápio do Restaurante Tamarindus, ministrou aulas no curso de gastronomia e nutrição da Faculdade de Ciências Médicas.
Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: arquivo do autor.
Mais informações na página:
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro

Dia do Músico e da Música


Na quarta-feira, dia 22 de novembro, comemorou-se em todo país o Dia do Músico. Passa ano e entra ano e a reclamação dos músicos ainda são as mesmas, ou seja, falta de espaço para se apresentar, cachês baixos, casas noturnas explorando artistas, além da competitividade entre os companheiros de profissão. São fatores que fazem com que muita gente boa se perca nesta dura caminhada. Sem falar no esquema da indústria fonográfica brasileira principal obstáculo na carreira do músico e nas rádios que só tocam o que elas querem.
O presidente da Associação dos Músicos da Paraíba (AMP), o guitarrista, Eduardo Montenegro, diz que as reclamações continuam as mesmas desde 1960, tanto dos músicos da área erudita, quanto os profissionais que atuam na música popular. Muito pouco se conquistou nesse tempo devido à falta de organização da própria categoria.
A AMP mesmo, disse Eduardo, no ano passado, nesta mesma data, promoveu uma missa e realizou shows na cidade em favor da categoria, mas poucos foram os colegas que participaram efetivamente das comemorações. A entidade começou a funcionar 2003 após um racha que foi parar na justiça com os membros da atual diretora da Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional da Paraíba (OMB/PB) sob a acusação de que a OMB estava agindo de forma irregular, com poderes de polícia, mandando parar a apresentação e exigindo a carteira de músico.
O músico Radegundis Feitosa, trombonista da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB), é um dos poucos que diverge da maioria. Na opinião dele a situação do músico brasileiro melhorou se compararmos com o que existia há 10 anos atrás. De acordo com o instrumentista, a situação é melhor principalmente para aqueles que foram em busca da profissionalização e para aqueles que tocam em bandas de forró que se venderam fácil.
O que fazer para dar maior credibilidade ao músico brasileiro e melhorar a situação poucos sabem dizer com certeza, mas todos são unânimes em afirmar que a legislação (decreto lei 3.857) que regulamenta a profissão precisa ser atualizada, pois ela foi escrita no dia 12 de dezembro e nunca foi modificada.
O contrabaxista Adriano Ismael, músico free-lance, com formação acadêmica na área, diz que o que atrapalha a profissão do músico hoje é sem dúvida a não qualificação profissional. “Isso faz com que o cachê nas apresentações diminua em decorrência do cachê menor oferecido pelo músico não qualificado”, comentou Ismael que além das apresentações com o grupo Nossa Voz e com a OSPB trabalha com técnico no Estúdio SG, em João Pessoa.

Campanha para o músico brasileiro

Este ano a Associação Brasileira da Música (Amemúsica), sediada em São Paulo, lança nesta quarta-feira uma campanha publicitária para homenagear o músico brasileiro. A campanha vai ser divulgada em outdoors, painéis do metrô, trens e ônibus da capital paulista.
O senador Eduardo Suplicy (pai do cantor Supla) e o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo FC, são os primeiros nomes confirmados para a campanha. As atrizes Malu Mader e Regina Duarte, além do ministro Gilberto Gil, também devem confirmar suas participações ainda nesta semana.
A campanha traz as fotos das celebridades com a frase "Dá pra imaginar a vida sem eles?" e o selo da Abemúsica homenageando o Dia do Músico. "Ainda estamos longe do que gostaríamos de fazer enquanto Associação para comemorar este dia, mas certamente este é o começo de muitas outras ações que estaremos desenvolvendo com o intuito de ajudar no crescimento do mercado da música no Brasil", disse Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica, em nota sobre a campanha.

Comemorações na Paraíba

Em João Pessoa, o Dia do Músico, será marcado por um dia inteiro de atividades na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da Capital. Entre as atividades, acontecerão workshops de instrumentos (contrabaixo, guitarra, bateria, percussão e piano popular), ministrados pelos músicos Sérgio Gallo, Léo Meira, Beto Preah, Chiquinho Mino e Helinho Medeiros.
Na programação, que tem início às 17h30, com a mostra de vídeos de música, com a exibição dos DVDs “Danado de Bom”, um especial de Luis Gonzaga; ‘Obrigado, gente!’, de João Bosco; ‘Seu Jorge e Ana Carolina’; ‘Toca Brasil – Itaú Cultural’, de Escurinho; Vídeo Documentário do ‘Jaguaribe Carne’; ‘Paraíba do Forró’; ‘Lenine in Cité’; ‘Cátia de França’; ‘Musiclube 2006’ e ‘Cinema Falado’, de Caetano Veloso.
A partir das 21h00, no mesmo local, haverá uma coletiva de música, mostrando o resultado das oficinas dos instrumentos, que aconteceram ao longo deste dia, em seguida tem ‘Free Jazz’ com apresentações livres com os artistas presentes.
Pode participar o músico arranjador, intérprete, regente e compositor, podendo enveredar pela música popular ou erudita, em atividades culturais e recreativas, em pesquisa e desenvolvimento ou na edição, impressão e reprodução de gravações. A categoria profissional, em sua grande maioria, trabalha por contra própria, mas existem ainda, os que trabalham no ensino e os que são vinculados a corpos musicais estaduais ou municipais.

Dia do Músico e da Música

O dia do músico e também o dia da música. A palavra, de acordo com a definição do Dicionário Aurélio significa: "arte ou ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido". A palavra de origem grega deriva de "arte das musas" em uma referência à mitologia grega, marca fundamental da cultura da Antigüidade ocidental.
Há quem acredite que as origens da música podem ser encontradas nos períodos anteriores da história do homem, ou seja, na Pré-história. De fato, tal suposição paira no reino das hipóteses, visto que os "homens das cavernas" não deixaram qualquer vestígio arqueológico a respeito da compreensão ou diferenciação dos sons.
É possível que os homens pré-históricos tenham produzido um tipo de música com caráter religioso, mágico, quase ritualístico, batendo mãos e pés, de modo ritmado, reverenciando seus deuses ou buscando proteção para a caçada ou para a guerra. No mesmo período, os homens passaram a bater na madeira, produzindo um som ritmado, surgindo assim o primeiro instrumento de percussão.
A história da humanidade é extremamente longa e mapear sua produção musical seria um trabalho demasiadamente grande e com lacunas tão explícitas que certamente viríamos a omitir dados de extrema importância.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Beto Brito "Imbolador"


A literatura de cordel e a música em um único produto artístico-cultural. É assim “Imbolê – Cordel e som na caixa” que Beto Brito lança nesta quarta-feira (15), a partir das 21h00, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Como diz a jornalista Ruth Avelino: “Pense num disco bom! Não dá nem pra explicar”. O disco foi gravado no Special Stúdio no Rio de Janeiro e contou com a participação especial de Zé Ramalho, com produção que leva assinatura do guitarrista pernambucano Robertinho do Recife.
O disco vem acompanhado de doze folhetos de cordel assinados pelo também poeta popular Beto Brito, em que traça o perfil social do povo do nordeste e remete a fatos que acontecem no cotidiano da cultura nordestina. É ouvir e ler se divertindo ao mesmo tempo. A produção é uma mistura de ritmos e sons brasileiros e nordestinos que parece mais uma vez marcar as produções musicais do país no início deste século.
Mesmo em meio a discussões partidárias sobre a política cultural local ele se lança por inteiro e com afinco neste trabalho. Beto Brito talvez tenha sido um dos únicos artistas regionais a se preocupar com a produção de sua obra. As apresentações são ricas em cenário e ele não está nem um pouco preocupado com o conservadorismo da cultura nordestina. O disco, por sua vez, é percussivo, marcante, contemporâneo com guitarras distorcidas, raps, violas, rabecas, zambumbas e grooves eletrônicos.
Ele mistura e prova mais uma vez que ninguém está de fora do processo globalização muito menos a cultura nordestina que ainda insiste em se conservar dentro de uma redoma de vidro. Preservar sim, conservar intocada não, pois a cultura é também democrata e feita para todos.
As canções, em sua maioria, leva a sua assinatura, exceto “Zé Limeiriano” (faixa 5) em parceria com Orlando Tejo e “Dureza” (faixa 6) que teve como parceiros Gerino e Pedro Tavares. “Dureza é falta de fé, dureza é não ter o perdão, dureza é viver de salário, ser analfabeto e otário, dureza é o fim do amor, dureza é não ter coração”, diz a canção. E é nesta dureza da vida que segue seu trabalho, muitas vezes criticado, algumas vezes “arreliado” com as injustiças.
Cantor, compositor, rabequeiro e cordelista Beto Brito começou a fazer música ainda criança, por influência do pai que era tocador de sanfona de oito baixos. Teve ainda a influência de cantadores de feiras de sua cidade natal. No ano de 1983, mudou-se para a cidade de João Pessoa, a fim de dar seguimento a sua carreira artística.
Beto Brito começou a carreira apresentando-se em festas e outros eventos na cidade de João Pessoa. Participou de diversos festivais nacionais e internacionais e teve sua música "Pandeiro Sideral" incluída em uma coletânea em Portugal. Beto é também cordelista e publicou, entre outros, os cordéis: "O dia que lampião chorou", "O Prefeito Analfabeto", "Sabedoria Popular" e "Mei-de-feira Mei-de-vida".
Na opinião do crítico e pesquisador Roberto Moura, o compositor Beto Brito é um nordestino rabequeiro, cordelista com suingue e balanço irresistíveis. “Seus CDs soam como um Alceu Valença jamais aculturado, mas sintonizado com as coisas do mundo. Os discos fluem, fácil. O sul-maravilha (ave, Henfil) precisa conhecê-lo mais", comentou.
No currículo conta ainda participações em eventos como Projeto Seis e Meia, e das festas de São João em Campina Grande, Caruaru e Recife. Além do Festival de Inverno de Domingos Martins (ES), São João no Parque (PB), Fenart (PB), Forró do Ball Room (RJ), Os Encontros Fnac (RJ/SP), Centro em Cena (PB) e Festival do Pau da Bandeira (CE).
No ano de 1997, lançou de forma independente o disco "Visões". No ano seguinte, também de forma independente, lançou o disco "A cara do Brasil". Em 2000, lançou o CD "Doidinho por forró", também em gravação independente.
Em 2002, lançou o CD "Pandeiro sideral", com destaque para as músicas "Canoa boa não vira à toa" e "Pra lavar a alma", de sua autoria, além da música título que foi incluída em Portugal, na coletânea "Brazil lounge". Em 2003, apresentou-se com Dominguinhos no Projeto Seis e Meia, no Cine Bangüê do Espaço Cultural, em João Pessoa.
No ano seguinte dividiu palco com Joquinha Gonzaga e Os Três do Nordeste, durante a Festa de São João de Campina Grande. Nesse ano, apresentou-se na Lona Cultural Elza Osborne em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, primeiro com Marinês e depois com Moraes Moreira.
Apresentou-se também no Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, na famosa Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, além de show solo, dividiu palco com Marinês e sua gente, cantando e tocando rabeca. Apresentou-se ainda em show de forró no Marco Zero, bairro de Recife juntamente com Oswaldinho do Arcodeon, Glorinha Gadêlha, Marinês e sua Gente, Sivuca e Savinho do Acordeon.
Ainda em 2004, lançou o CD "Mei de feira", que consolidou seu trabalho, abrindo espaço para convites para apresentações pelo Brasil e no exterior. Nesse disco destacam-se as faixas "Xote mei-de-feira", "Coco na beira-mar", "Trem do forró", "Xô aperreio", "Quebra tudo", "Balaio" e "Deus nunca tarda", todas em parceria com Pedro Tavares.
Com os CDs "Pandeiro sideral" e "Mei de feira", seu trabalho recebeu elogios de diversos críticos e reportagens das revistas MTV e Bravo. Em 2005, entre outros shows, apresentou o espetáculo "Mei de feira" na Casa de Cultura Lúcio Lins, em João Pessoa.

Adriana Crisanto


Serviço:
Beto Brito - Imbolê – Cordel e som na caixa

Quarta-feira (15)
Hora: 21h00
Local: Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Tim Festival 2006



Novo local, quatro espaços climatizados para apresentações, novas bandas, uma multidão, muitos artistas e a cerveja sendo vendida a R$ 5 foram às marcas registradas na edição deste ano do TIM Festival que aconteceu neste último final de semana na Marina da Glória, no Estado do Rio de Janeiro.
O primeiro dia do Festival foi aberto às 20h20, na Tenda Tim Club, por Ivan Lins, que fez um tributo ao produtor Paulinho Albuquerque, um dos curadores do evento que faleceu em junho deste ano. Logo em seguida se apresentou Jenniffer Sanon, que só fez completar o show anterior e não trouxe nada de diferente do que os ouvidos dos jazzistas brasileiros estão acostumados a escutar. Neste palco o melhor mesmo foi o show da orquestra Maria Schneider que finalizou o show com uma canja de Ivan Lins.
Nos palcos Tim Stage e Tim Lab o público sofreu com o atraso das apresentações, o que para o carioca é absolutamente normal tendo em vista a grandeza do evento. O primeiro grande atraso foi da cantora Céu que começou sua apresentação a meia noite, uma hora depois do previsto no palco do Tim Lab. Outro atraso aconteceu no espaço Tim Stage com o show do duo eletrônico francês Daft Punk, um dos mais esperados da noite que teve seus ingressos esgotados.
O show do Daft Punk foi uma das apresentações mais colorida, lisérgica, hipnotizante, brilhante, vibrante e impressionante que assisti este ano. Eles começaram o show com as cinco notas do filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, tocadas para avisar que estavam chegando de outro planeta. E pareciam mesmo de outro mundo, pois vieram vestidos como robôs com capacetes e jaquetas de couro dentro de uma pirâmide, munidos de um incrível jogo de luzes e projeções.
Os robóticos Daft Punk tocaram músicas que já fazem parte da história da música eletrônica, a exemplo de: “Da Funk”, “Harder Faster Better Stronger” e “One More Time”. A mistura, como não poderia deixar de ser, levou a platéia, jovem em sua maioria, ao delírio, e cativou os mais descolados.
O cantor Lulu Santos, que estava no espaço, não cansou de dizer que nunca havia escutado coisa tão mais alta e vibrante. Na opinião do crítico de música Tom Leão do Globo o Daft Punk é a versão mais completa e bem acabada de um novo esquema de show desenvolvido pela geração eletrônica dos anos 90.
Outro show bastante esperado da noite foi do neohippie americano Devendra Banhart, que aconteceu no espaço Tim Lab. Mas o rapaz mandou muita gente embora mais cedo, pois iniciou a apresentação com rocks pouco criativos. Na metade da apresentação as composições melhoraram um pouco e animou o público que restava na tenda.
Com longos cabelos e um visual messiânico o Devandra veste roupas, segundo ele, preferidas da mãe ou das namoradas. Aos 25 anos, nascido no Texas, filho de uma Venezuelana, o cantor ressuscitou o folk americano e misturá-lo ao rock. Autor dos celebrados discos “Niño Rojo” (2003) e Cripple Crow (2005) o Devendra acredita que tudo no mundo pode ser harmônico. Fã incondicional Caetano Veloso, que estava nos três dias do Festival, terminou o show com uma canção em inglês do baiano “Lost in the Paradise”.
Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs, Bonde do Rolê e Thievery Corporation foram às atrações mais esperadas do segundo dia do festival. A vocalista Karen do grupo suou e berrou muito no palco do Tim Stage dentro de um figurino colorido. Até o microfone ela quebrou e no final ficou rindo. No Tim Lab a noite foi comandada inicialmente pelos curitibanos do Bonde Role que misturou o batidão do funk com o humor das letras como na música “James Bond”, em que questiona sobre a masculinidade do agente secreto mais famoso do cinema americano.
Para um dos curadores do evento, Hermano Vianna, a reação do público é o melhor retorno. E foi o que a roqueira Patti Smith mostrou no sábado, véspera do segundo turno das eleições para presidente. O show de Patti Smith foi, na minha modesta opinião, e sem sombra de dúvidas, o melhor do Festival.
A senhora Smith entrou no palco sem alarde e à medida que tinha contato e resposta da platéia a roqueira se soltava. Entre uma cusparada e outra desfilou clássicos como: “Because the Night” e “Glória”, na qual dedicou aos civis mortos por governos irresponsáveis e aconselhou ao público brasileiro a votar com o coração, lembrando que o “governo trabalha para vocês e vocês para ele”. “Usem suas vozes”, dizia Patti.
A cantora na vitalidade de seus 59 anos mostrou-se entusiasmada com o Brasil e ora empunhando um violão, ora uma guitarra, da qual arrancou aos solavancos as cordas, agradou em cheio o público presente ao cantar seus antigos sucessos, a exemplo de Redondo Beach, Pissing in River. Um dos momentos do show foi quando dedicou a música “Southern Cross” aos homens, mulheres e crianças que morrerem quando seus países foram invadidos por outros governos.
No domingo as atrações foram o italiano Stefano Bollani, Herbie Hancock, Beastie Boys e o mano Caetano Veloso que apresentou para a platéia do Tim Festival seu mais recente trabalho “Cê” que foi pouco citado pela imprensa carioca. Ao lado de uma banda bastante jovem, o guitarrista Pedro Sá, que o conheceu ainda pequeno, Marcelo (bateria) e Ricardo (teclado), Caetano debulhou seu repertório de Cê.
E por incrível que pareça “Cê” agradou ao público que foi a loucura a cada pulinho dado no palco pelo baiano preferido dos cariocas. Com uma platéia bastante jovem o músico optou por cantar, no “bis”, canções como Black or White”. Ao lado de Paulinha e outros amigos Caetano Veloso foi a figura mais fácil de ser encontrada circulando nos quatro dias do Festival na Marina da Glória.
Enfim, shows que nunca teria a oportunidade de ver senão fossem festivais com este, que ao mesmo são duramente atacados revelam surpresas. Apresentações que infelizmente não chega na nossa Paraíba.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Fotos: divulgação

Matéria publicada no jornal O Norte dia 2 de novembro de 2006.

Escultor de quadrinhos



Ele nunca freqüentou escola de arte, nem fez curso de designer, mas desenha, pinta e faz esculturas como se tivesse freqüentado a mais conceituada escola de arte do país. O nome dele é Zenilton Gomes Albuquerque, mais conhecido por Chico, um escultor autodidata especializado em esculturas de personagens em quadrinhos, comics e super heróis.
Chico é praticamente desconhecido dos paraibanos. Apenas profissionais e interessados na área de esculturas em quadrinhos já ouviram falar dele, mesmo assim muito vagamente. Ele tem sido requisitado principalmente pelos amantes dos quadrinhos e HQ´s para transformar os personagens de quadrinhos em belíssimas estátuas que agrada crianças e adultos.
A modelagem das peças é feita toda em arame, durepox e tinta plástica (brilhante e fosca). A riqueza de detalhes impressiona, os traços são precisos, os cortes feitos nas peças são exatos. Chico foi descoberto por Ana Karina, uma estudante que conheceu o trabalho dele através do seu professor de violão e logo que viu ficou encantada com a qualidade das esculturas e resolveu divulgar o trabalho de Chico na internet, através do website de relacionamentos Orkut, deixando “scarps” e convidando as pessoas para visitar a página do artista. O retorno foi imediato. Várias pessoas começaram a ligar e fazer encomendas. Foi assim que eu também o descobri e convidei-o para visitar a redação do jornal O NORTE para a matéria.
Ao chegar com suas peças à redação parou para admirar o trabalho dele. Chico começou a esculpir ainda criança com massinhas de modelar fornecida pela avó quando morava no bairro da Torre. “Eu via os desenhos na televisão. Queria fazer e fazia. Só que as massinhas não duravam muito. Ao completar 17 anos eu descobri o durepox e comecei a fazer e dar de presente para as pessoas. Nunca tive coragem de divulgar e fazer exposição”, relatou o artista dono de uma timidez contagiante.
Em menos de 20 dias exposto na internet a comunidade de amigos e pessoas interessadas pelo trabalho de Chico chegou a 800 pessoas, que tanto entram para elogiar como fazem pedido das esculturas do artista. Ele já tem encomenda para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
As esculturas variam de tamanho e peso. “O que você imaginar ele produz. Tanto em desenho como escultura. Para ele não tem grau de dificuldade”, interveio a esposa Joseane Gomes, que o ajuda sempre que pode com os trabalhos do marido.
Para ganhar o pão de cada dia Chico revende seus produtos para algumas lojas da cidade, são souvenir com temas sobre a cidade de João Pessoa. Mas é na série de reprodução dos personagens de quadrinhos que ele surpreende. Outras esculturas estão sendo produzidas como um Incrível Hulk de 40 centímetros. A previsão é de que até o final do ano novos personagens sejam produzidos, a exemplo de Tom e Jerry, Tutubarão, Scoobi-Doo, Supergirl, Mulher-Gato, Hera Venenosa e tantas outras.
No ano passado ele produziu um boneco com a caricatura do senador eleito Cícero Lucena. “Mas eu acredito que ele nem sabe quem foi que produziu, pois eu entreguei a uma pessoa para entregá-lo”, comentou. Os trabalhos de Chico podem ser encomendados através do telefone: 8825.1954 ou com a amiga Ana Karina pelo fone: 3255.0068 ou 9924.5573.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Foto: Ovídeo Carvalho

Matéria publicada no jornal O Norte.


quinta-feira, outubro 26, 2006

Aumenta que é rock

O programa de rock Aumenta que é Rock está promovendo mais uma enquete para saber qual a banda paraibana que o público gostaria que tocasse na próxima edição do festival. As bandas paraibanas Star 61, Cabeça, Dalila no Caos, Dawn Jones, Enquanto Isso, Flying Back, Gargalo, Motherhell, Projeto 50, Poetas do Absurdo, Sem Horas, Sem Horas, Scary Monsters e Rotten Flies estão na concorrência para saber qual delas é a favorita.

O evento Aumenta que é Rock, que teve sua primeira edição em caráter de festival em agosto deste ano, reuniu nomes de peso do rock brasileiro e promessas locais em dois dias de festa na Casa de Cultura Lúcio Lins, no centro histórico da capital. Por lá, segundo os amigos dos organizadores, passaram cerca de 1800 pessoas.

Apesar da quantidade de bandas de rock existentes em João Pessoa e de um público ávido a cidade ainda carece de eventos de grande porte para que essa produção possa ser escoada para outros Estados. Para acessar votar basta acessar a página http://www.festivalaumenta.com/ e votar na sua banda preferida.

Na edição passada do Aumenta que é rock as bandas que agitaram bastante o público foram Star 61, Dawn Jones e Motherhell. A Star 61 que lançou este ano o segundo CD demo é uma das favoritas do público.

O Star 61 ao lado de grupos como The Sylvias, Cabruêra (rock mais regional), Unidade Móvel (rock industrial pop) vem se revelando como um dos mais irreverentes. Depois da extinta banda Flávio Cavalcanti, atual Flávio C, hoje, pode-se dizer sem pestanejar que o Star é o que de melhor existe na cena musical.

Comentários que surge de pessoas que estão sempre ligadas no que há de melhor no cenário local, a exemplo do ator, diretor de teatro e especialista em música alternativa, Everaldo Pontes. Na opinião de Everaldo, o grupo tem uma energia muito verdadeira. Pulsação está que ficou esquecida pelas bandas, devido, talvez, quem sabe, a exigência e urgência que tem os músicos, em se aliar as novas ferramentas da tecnologia, principalmente os que estão surgindo.

No melhor estilo “Placebo purpurina de ser” o efeito deles no palco é poderoso e impressionante. Resultado observado em nomes como Mick Jagger. Algumas pessoas acreditam que este efeito que enlouquece contagia a platéia que os assiste e escuta e isso se deve ao despojamento de Flaviano que a cada apresentação entra vestido com um figurino mais absurdo do que o outro.

Até um vestido de noiva ele já usou. Foi no Festival Mada, no Rio Grande do Norte, onde ganhou o prêmio como banda revelação de 2004, abrindo para o Sepultura. O público foi conquistado ali, à primeira vista, com a performance da noiva Flaviano regando flores no palco.

Fora toda a irreverência à musicalidade em momento nenhum é perdida. A formação é a tradicional, ou seja, baixo (Edy - ex-Flávio Cavalcanti), guitarra (Túlio) e bateria (Walter Marrano), no melhor estilo rock. Tudo isso aliado a voz de Flaviano que já diz tudo.

O talento e despojamento levou a banda a participar do Abril pro Rock de 2005, ganharam a eliminatória de Recife do “Claro Que é Rock”. Existe comentários de que a mídia tenha ofuscado um pouco o trabalho do grupo, pois as matérias falavam mais das bandas de Recife do que o grupo da Paraíba.

Em novembro do ano passado a banda foi para São Paulo para participar do festival Claro Que É Rock, junto com as bandas Cachorro Grande, Iggy Pop & The Stooges, Sonic Youth, Nine Inch Nails, Flaming Lips e outras. A apresentação rendeu um outro convite. Desta vez para se apresentar no Blen Blen, casa de shows paulistana, dentro do projeto 2em1, ao lado das bandas Rock Rocket e Bidê ou Balde.

Para quem quiser conhecer o trabalho da banda pode acessar o website da trama, através do endereço eletrônico http://www.tramavirtual.com.br/star_61. Além do histórico do grupo você escutar as músicas do primeiro CD demo e também o mais recente “Fliperama”. Habilite-se e divirta-se.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Foto: Arquivo divulgação da banda Cabruêra.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Treze dias com Santa Teresinha



Para quem acredita no poder místico dos santos não pode deixar de adquirir o livro “Trezena de Santa Teresinha” editado pela própria autora, a advogada pernambucana Verônica Campos lançado este mês em Recife. A idéia do livro surgiu espontaneamente, após se tornar uma evangelizadora pela internet.
Atualmente ela coordena três comunidades na rede de relacionamentos Orkut, nas quais sempre preparou orações, novenas, trezenas e tríduos para os vários santos. Foi quando um sacerdote, que faz parte de uma das comunidades, chamou atenção de Verônica para o fato de que Deus havia dado um apostolado muito especial que era o de escrever novenas, o que acabou a estimulando a escritora.
Após muitas orações para obter inspiração surgiu a idéia de escrever uma trezena, uma vez que já existia a novena da santa, que é rezada sempre no período de nove dias (9 a 17 de cada mês). Antes Verônica Campos fez a experiência de rezar os 13 dias para comprovar as ações e efeitos da oração e no meio da semana de orações recebeu como sinal duas rosas em dias diferentes. Uma no novo dia de oração e outra no décimo primeiro dia.
No livro, além da trezena, dispõe de fotos de sua visita ao Carmelo de Santa Teresa, em Liseux, na França. A pequena publicação recebeu a aprovação do bispo de palmares e secretário do regional Nordeste da CNBB, Dom Genival Saraiva de França e do Monsenhor Pedro Teixeira Cavalcante de Alagoas, Macéio.
Para quem não conhece Teresinha, Teresa Martin, Santa Teresa de Lisieux, Santa Teresinha, Santa Teresinha do Menino Jesus são nomes para a mesma pessoa: Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, carmelita descalça francesa, do séc. XIX, que viveu até os 24 anos de idade.
Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin), seu nome de batismo, nasceu no dia 2 de janeiro de 1873, em Alençon. Quando nasceu, era muito franzina e doente. Desde o nascimento exigia muitos cuidados. Aos dois anos de idade já pensa na idéia de ser religiosa, para a alegria de sua mãe, mas para o desconsolo de seu tio Isidore Guérin (seu futuro tutor sub-rogado).
Em agosto de 1876, a mãe falece vítima de um câncer. É quando o pai e os irmãos se mudam para Lisieux. A prematura morte da mãe, quando tinha 4 anos fez com que ela se apegasse a sua irmã Pauline, que elegeu para sua "segunda mamãe". A repentina entrada dessa irmã no Carmelo, fez a jovem Thérèse, adoecer. Curada pela ‘Virgem do Sorriso’, imagem da Imaculada Conceição que seus pais tinham afeição, tomou uma forte resolução de entrar para o Carmelo.
Entrou para ser aluna na Abadia das Beneditinas de Lisieux, e lá permaneceu por cinco anos, porém após sofrer muitas humilhações, de lá saiu e passou a receber aulas particulares. Ao completar 14 anos Teresa passa por uma experiência que chamou de "Noite da minha conversão". Ao voltar da missa e procurar seus presentes, percebe que seu pai se aborrece por ela apresentar comportamento infantil. A menina decide então a renunciar a infância e toma o acontecido como um sinal inspirador de força e coragem.
Seis meses depois, Teresa decide que quer entrar para o Carmelo (Ordem das Carmelitas Descalças). Como a pouca idade a impede, é levada por familiares, em novembro de 1887, para uma audiência com o Papa, em Roma, para pedir a exceção. Em abril do ano seguinte é aceita. Concedida a autorização ingressou em 9 de abril de 1888 e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus.
Fez sua profissão religiosa, em 8 de setembro de 1890, e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus et de Sainte Face, mas ficou conhecida após sua morte como Thérèse de Lisieux.
Inclinada para um temperamento calmo e a triste, Thérèse com lindos olhos azuis, cabelos louros, traços delicados, alta e extraordinariamente bonita, quando escrevia no seu diário “Oh! Sim, tudo me sorrirá aqui na terra”, era uma época em que estava experimentando injustiças e incompreensões. Já atingida pela tuberculose pulmonar, debilitada nas forças, não rejeitava trabalho algum e continuava a “jogar para Jesus flores de pequenos sacrifícios”.
Após seis anos na ordem, em 1894, almejando o caminho da santidade, Teresa percebe que não conseguiria pelas tradicionais mortificações, disciplina e sacrifício observado pelos santos a quem se dedica a estudar. Inspirada nas palavras de um padre, Teresa adota a "Pequena Via", um caminho pequeno e reto para a santidade, que consiste simplesmente em se entregar ao amor de Jesus Cristo, para que ele conduza pelo caminho.
Morreu em 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Disse, na manhã de sua morte: “eu não me arrependo de me ter abandonado ao amor”. No dia 4 de outubro de 1897, foi sepultada no cemitério de Lisieux. Sua irmã, Paulina, também carmelita, publicou em 1898 os escritos de Santa Teresinha, intitulados "História de uma alma". No dia 17 de maio de 1925, Teresinha foi canonizada pelo Papa Pio XI. O mesmo Papa a declara Patrona Universal das Missões Católicas em 1927. O Papa João Paulo II a declara Doutora da Igreja em 1997.

Testemunhos

Os testemunhos sobre as graças recebidas da santa são muitos e estão disponibilizados em vários websites na internet. Geralmente os admiradores da santa fazem a novena e um pedido, e Teresa de Lisieux se encarrega de dar um sinal fazendo com que alguém te ofereça uma rosa como forma de dizer sua graça será atendida.
No caso da advogada Verônica Campos, o primeiro contato com a santa aconteceu há sete anos. Ela contou que conheceu Santa Teresinha por intermédio da mãe que a entregou um santinho dela com uma oração. “Na ocasião, ela me explicou que essa Santa agia através de sinais, ou seja, caso a nossa graça a ser pedida viesse a ser alcançada, ela enviaria uma rosa como sinal.Na hora, vacilei, pois me pareceu uma coisa fascinante,mas ao mesmo tempo, difícil de ser alcançada”, disse.
Entretanto, a mãe estava muito impressionada com um fato recente acontecido com uma colega de trabalho, que havia recebido o aviso-prévio e, muito aflita, rezou sem parar invocando a intercessão de Santa Teresinha para que o presidente da empresa mudasse de idéia.
Cerca de uma semana depois, uma outra colega do trabalho a visitou e para surpresa dela, a presenteou com uma linda rosa vermelha. No outro dia, o presidente da empresa, inesperadamente, mandou avisar que havia desistido de exonerá-la. “Sabendo desse fato, eu guardei a oração e viajei para São Paulo. Algumas semanas depois, estando ainda lá, eu adoeci com fortes crises de tosse e febre e tinha que me recuperar rapidamente para estudar e trabalhar. Recorri logo para a Santa para fazer uma experiência. Comecei a rezar e no terceiro dia de oração, meu colega de escritório veio me visitar e , para minha surpresa, ele chegou com um vaso de flores. E olha que ele nunca havia me dado flor nenhuma”, comentou.
O livro está sendo vendido em João Pessoa, na livraria do Carmelo dentro da Igreja do Carmo, localizado na Praça do Bispo, no centro histórico da Capital, no quiosque católico do Shopping Manaíra ou ainda pela internet através do endereço eletrônico www.trezenasantateresinha.com.br. No site da trezena o internauta vai encontrar uma sala de orações 24 horas, um altar, espaço para testemunho, uma capela virtual e outras informações.
Adriana Crisanto
Serviço:
Trezena de Santa Teresinha
Editora do Autor
Autora: Verônica Campos Lima
Email: veronicacampos2@hotmail.com
Preço: R$ 12,00.

domingo, outubro 08, 2006

Educação em discussão

O professor Jorge Fernando Hermina estará lançando, respectivamente, nesta quinta-feira (5), às 18h30, na Fundação Casa de José Américo de Almeida, na avenida Cabo Branco, dois livros: “A Reforma Educacional no Brasil (1988-2001) – Processos Legislativos, Projetos em conflito e sujeitos históricos” e Educação na era FHC – Fundamentos Filosóficos e Políticos”. Na ocasião a professora Maria Aparecida Menezes falará sobre a obra.
As publicações são resultados de pesquisas da tese de doutorado defendida na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE/Unicamp) e foi editada pela Editora Universitária da UFPB.
Os dois livros coincidentemente chegam no mesmo momento em que os candidatos disputam vagas nas assembléias e projetam planos mirabolantes para resolver os inúmeros problemas da educação no país. Em “A Reforma Educacional no Brasil”, o autor levanta dados relevantes para compreender a reforma educacional brasileira.
O estudo é abrangente e complexo uma vez que envolve questões relacionadas às normas jurídicas, que estão indicadas no anexo no final do livro. São pareceres, portarias aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação e Ministério da Educação (Mec). Embora apresente dados de 2001, a pesquisa parece atual, uma vez que os conflitos para se obter uma reforma educacional séria e verdadeira no país passa longe do desejo dos brasileiros.
O professor Jorge Fernando, mais conhecido por Tom, esclarece que o estudo se encerrou em 2001 devido à aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), ou Lei no 10.172, que dentre outras coisas aprova o plano nacional de educação e dá providências.“Este fato foi reconhecido tanto pelas autoridades educativas nacionais como também pelas numerosas associações de professores, estudantes e sindicatos vinculados ao campo da educação, que historicamente, localizam-se na oposição política do processo de reformas, em especial depois que Fernando Henrique Cardoso chegou ao governo”, disse Hermida, um estrangeiro, natural da República Oriental do Uruguai, que parece conhecer muito mais da realidade política educacional brasileira do que os educadores brasileiros.
A publicação vem disposta em três capítulos em que fala, dentre outros assuntos, sobre o primeiro momento da reforma educacional no Brasil e seus antecedentes históricos, além de comentar sobre as propostas, seus mentores e os processos legislativos.
Um dos assuntos polêmicos do livro diz respeito ao papel do partido dos trabalhadores na atual conjuntura quando apoiava os sujeitos coletivos populares contra a proposta neoliberal de reforma educacional se portavam de uma maneira, e agora, como governo, continua mantendo vigente a política educacional aprovada nos governos anteriores.
Na opinião do professor, Silvio Sánches Gamboa, da Unicamp, que escreve o prefácio da obra, o livro contém novos elementos que responde a certas interrogações e vem para questionar se atual reforma em andamento poderá ser a manutenção de uma falácia com conseqüente aprofundamento das desigualdades.
O segundo livro “A Educação na Era FHC – Fundamentos Filosóficos e Políticos”, como próprio título sugere, consiste num aprofundamento filosófico sobre a educação no Brasil, no período de 1995/1998 e 1999/2002, quando o então sociólogo e intelectual Fernando Henrique Cardoso foi presidente da República Brasileira, no qual levantava a bandeira de um país democrático e igualitário.
O estudo ao mesmo tempo em que mostra aspectos qualitativos traz também dados quantitativos, com número populacional e educacional no Brasil sobre a educação básica, gráficos do Ministério da Educação com as taxas de analfabetismo e escolaridade em renda per capita.
Para César Aparecido Nunes, também professor da Unicamp, que escreve a apresentação da obra, a publicação tem um excelente potencial reflexivo e detém uma rigorosa estrutura expositiva. O que impressiona no livro é a comprovação autêntica dos interesses históricos da educação brasileira.

Sobre o autor:

O professor Jorge Fernando Hermida atualmente leciona na Universidade Federal Paraíba (UFPB). É natural de Montevidéu, república Oriental do Uruguai. Naturalizado brasileiro. Doutor em História, Filosofia e Educação pela Unicamp. Foi pesquisador visitante na Universidade de Salamanca, Espanha, no período de 1999 a 2001. Leciona nas áreas de educação infantil, ciência política e política educacional.
Adriana Crisanto

Serviço:
Lançamento:
A Reforma Educacional no Brasil (1988-2001) e
A Educação na Era FHC – Fundamentos filosóficos e políticos
Autor: Jorge Fernando Hermida
Editora Universitária – UFPB
Quinta-feira (5)
Local: Fundação Casa de José Américo de Almeida – Praia do Cabo Branco
Preço: R$ 27,00 e R$ 30,00
Pode ser encontrado na Casa do Livro no Campus I e em todas as livrarias da cidade.
Informações: jorgehermida@hotmail.com
Foto: Ovídeo Carvalho.
Matéria publicada no Jornal O Norte em outubro de 2006 com autorização do autor.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Paulinho e Lessa em novo duo musical

Foto: Divulgação

Paulo Tapajós Gomes Filho além de cantor e compositor é produtor musical e arquiteto. Paulinho, como é conhecido no meio artístico, faz parte de um time de primeira linha de poetas da geração dos anos 60, 70 e 80, com centenas de músicas gravadas, diversos prêmios em Festivais, parceiros dos mais consagrados compositores e gravado pelos mais atuantes intérpretes da música brasileira.
É dono de uma poesia marcante e extremamente bela. Nasceu no Rio de Janeiro, em agosto de 1945. É filho do compositor, cantor e radialista Paulo Tapajós, com quem teve as primeiras noções de música, e de Norma Tapajós, e irmão do compositor Maurício Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós. Durante sua infância, costumava freqüentar o auditório da Rádio Nacional, emissora da qual seu pai era diretor artístico. Cresceu em um ambiente musical, convivendo desde menino com vários artistas, como Emilinha Borba, Marlene e Radamés Gnatalli, que costumavam freqüentar a casa de seus pais. Na adolescência, estudou violão com Léo Soares e Arthur Verocai, que veio a ser seu primeiro parceiro.
Participou, em 1968, do "Música Nossa", projeto realizado com o objetivo de promover encontros entre compositores e cantores em espetáculos realizados no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro. Nesse ano, teve pela primeira vez registrada uma música de sua autoria: "Madrugada" (com Arthur Verocai), incluída no LP "Música Nossa", em gravação de Magda. Entre 1968 e 1970, destacou-se como compositor premiado em diversos festivais de música, com destaque para sua participação no III Festival Internacional da Canção, no qual obteve o terceiro lugar, na fase nacional, com a canção “Andança” (com Edmundo Souto e Danilo Caymmi), hoje com quase 300 gravações, e no IV Festival Internacional da Canção, no qual obteve o primeiro lugar na fase nacional e o primeiro lugar na fase internacional, com “Cantiga por Luciana” (com Edmundo Souto), hoje com mais de 100 gravações. Recentemente Paulinho lançou o CD “Tantas Canções” com o parceiro Marcelo Lessa, em que faz outro passeio pela musica brasileira e alinha nove parcerias inéditas. Para falar um sobre o novo trabalho e os sucessos antigos Tapajós concedeu está entrevista que segue:

Quanto tempo você e Marcello Lessa são parceiros?
Nos conhecemos em 2000, no Vinicius Piano Bar, e passamos a trabalhar juntos logo depois.

Vocês nunca pensaram na possibilidade de registrar essa parceria em DVD?
Talvez um pouco mais pra frente.

A música popular da década de 1970 tinha um poder psicológico, social, político, espiritual e mágico muito grande. Na sua opinião o que aconteceu com a MPB que é produzida atualmente?
É evidente que os acontecimentos históricos, políticos e sociais vão se modificando. Mas, outros surgem e outras necessidades também. E hoje ainda se faz uma música de boa qualidade, voltada para esses aspectos, por parte de alguns de nossos criadores. O que leva a crer que nada exista neste sentido é o fato de que nada do que se faz de melhor qualidade chega ao grande público. Apenas porque, nem toda, mas a grande mídia, que é quem dita o consumo, está mais interessada, como todos sabem e afirmam, em obter faturamento rápido e não em divulgar a boa cultura, mas essa mantém sua sobrevivência em vários cantos do país, e é só procurá-la que há de se encontrar.

Suas canções e composições ao mesmo tempo em que traz uma sofisticação apresenta uma melodia simples. De onde vem esse maneirismo magistral?
Não saberia dizer com certeza. Fui criado dentro da Rádio Nacional, mas além daquele vasto repertório de canções brasileiras, sempre escutei de tudo o que havia em matéria de música popular e erudita.

Por que esse título “Par e Ímpar”? Foi difícil fazer a seleção de “Tantas Canções”?
Existe também a dualidade no nosso trabalho. E ela no final resulta numa soma. É o reflexo de uma “par-ceria” ou de uma “ímpar-ceria?”. Somos dois criando uma unicidade. Paulinho e Marcello? ou Marcello e Paulinho? Inicialmente foi Viola, Violão e no prosseguimento haverá outros títulos duplos.
Sim, em parte foi difícil, já que das canções inéditas em parceria com o Marcello, o material que ficou pronto até ali foi todo gravado. Mas para as minhas canções conhecidas, que procuramos regravar, sempre fica muito difícil a escolha, pois existe muito mais material do que espaço. E desta vez não ficou nenhum espaço para as canções inéditas com outros parceiros, que ficarão para outro projeto.

Você poderia contar para a nova geração a história da música “Cantiga para Luciana”?
Ela foi feita em maio de 1969 como um gesto de carinho e também homenagem à coragem do enfrentamento de uma gravidez complicada, principalmente naquele tempo, por parte nossa grande amiga Vânia Carvalho que é irmã da cantora Beth Carvalho. Ela havia escolhido esse nome Luciana, caso nascesse uma menina, por ser apaixonada por uma valsa de Tom e Vinicius feita para a filha de Vinicius. Quando ela foi feita, Vânia estava no início da gravidez, e não sabíamos se nasceria uma menina mesmo ou um menino, já que não havia ultra-sonografia na época. Posteriormente em junho, ela foi inscrita no festival Internacional da Canção, em 1969, enquanto viajamos para a Grécia com a Beth. Eu e o parceiro Edmundo, para participar do Festival Internacional de lá. Prosseguimos viajando e acompanhamos de longe os acontecimentos da classificação da música que seria apresentada no Maracanãzinho quando chegássemos. Ela seria defendida pela Evinha que era uma menininha de quinze anos, e estava saindo do Trio Esperança para iniciar carreira solo. Vânia fez uma cesariana no final do mês de julho daquele ano, e chegamos aqui no início de agosto, numa época em que não havia internet ou celular e as ligações telefônicas eram dificílimas de serem feitas de lá da Europa para cá. Chegamos ainda sem saber se havia nascido Luciana ou Ricardo. Eles também não queriam nos dizer, pois nos prepararam uma surpresa. O resto eu creio que todos já sabem. E para quem não sabe, para a nossa alegria, a música venceu o festival em setembro daquele mesmo ano, na parte Nacional pelo voto do público e pelo voto dos jurados, e logo depois em outubro representando Brasil, venceu também a parte internacional outra vez pelo voto do público e pelo voto dos jurados. A Luciana com três meses de idade assistiu no colo da Vânia a final do Festival.

Outra canção que marcou sua carreira foi “Sapato Velho” e que ganhou neste trabalho nova versão para violões. Como se dá essa “coisa” de ter três parceiros compondo uma única música?
Como eu trabalho mais como letrista, essa melodia foi feita pelo Cláudio Nucci e pelo Mu Carvalho, e eu coloquei a letra posteriormente, que é como eu costumo fazer na maior parte das vezes em que trabalho em parceria, seja com um ou dois parceiros... Embora eu atue também como melodista em muitas canções feitas em parceria, as letras sempre cabem a mim.

Você também escreve para o público infantil. Não é isso? Como andam as produções literárias? Você parou?
Andei afastado algum tempo, mas lancei no ano passado mais dois livros infantis, que são lendas amazônicas adaptadas em versos, e que contém vocabulário tupi. São elas, a do Uirapurú, e a da Vitória Régia. Elas têm além da função lúdica, o propósito de serem adotadas pelas escolas para divulgar os costumes e o idioma de nossos índios. Esse idioma embora tenha originado muitos de nossos vocábulos, caiu em desuso e hoje é completamente desconhecido pelas novas gerações.

Um de seus livros “Verde que te quero ver” foi para televisão, num musical que levou o mesmo nome. Hoje a televisão brasileira não mais faz essas produções. O que mudou? Os valores sociais? A economia?
Não creio. Penso que principalmente mudaram as pessoas responsáveis pela programação, que não tem os mesmos valores íntimos e interesses para realizarem estas produções, já que há investimentos altíssimos em outros produtos televisivos, e tanto o público infantil, como o público que consome música, continua sendo segmentos de grande retorno comercial.

Adriana Crisanto

adriana@jornalonorte.com.br

Paraibanos no Oscar


Foto: Divulgação - Atriz Zezita Matos (meio) no elenco do filme

O longa-metragem “Cinema, Aspirinas e Urubus”, dirigido pelo estreante pernambucano Marcelo Gomes, é um dos filmes que estão na lista dos indicados pelo Ministério da Cultura para disputar uma indicação ao Oscar 2006 de melhor produção em língua estrangeira.
"Cinema, Aspirinas e Urubus" conta a história de dois viajantes que, em 1942, introduzem o cinema em empobrecidos e pequenos municípios do nordeste brasileiro. Os dois empreendedores, um alemão que foge de seu país durante a II Guerra Mundial e um brasileiro que tenta fugir da seca que afeta o nordeste brasileiro, não só levam o cinema as pessoas que nunca tinham sonhado com a novidade, como também oferecem a seu público aspirinas, que apresentam como um remédio "milagroso".
Para surpresa de alguns estão em cena cinco paraibanos. Entre eles as atrizes Zezita Matos e Verônica Cavalcante, e os atores Nanego Lira, Mano Fialho, além da participação especial de Fernando Teixeira e Humberto, que apesar de terem gravado, não tiveram as cenas selecionadas, mas que aparecem nos créditos do filme.
A atriz Zezita Matos, que faz apenas uma ponta neste filme, desponta neste longa como uma senhora vendedora de galinhas, que pega carona no caminhão do vendedor de aspirina. Zezita diz que apesar de ter sido uma participação pequena ficou muito feliz com a sua atuação. “Foi uma surpresa para todos. E pelo Marcelo Gomes, que apesar de muito jovem é um diretor tranqüilo que merece chegar onde está chegando”, disse Zezita Matos que também faz outra participação no filme experimental “O Céu de Suelli”, onde interpreta a avó da personagem principal do filme.
Na opinião de Zezita Matos, um dos aspectos intrínsecos do filme é que ele apresenta para o público não apenas o nordeste sofrido da seca, mas aspectos que até então ninguém havia observado, como a fuga de estrangeiros para o nordeste do Brasil, uma vez que só se pensava que estes migravam apenas para o sul e sudeste do Brasil.
O júri, escolhido pelo próprio Ministério de Cultura, foi integrado por seis representantes do Governo e da indústria cinematográfica. O filme de Marcelo Gomes venceu o favorito em pesquisas realizadas por meios de comunicação. Os outros filmes que disputaram a candidatura brasileira ao Oscar foram: "Árido Movie", de Murilo Salles; "A Máquina", de João Falcão; "Bens Confiscados", de Carlos Reichenbach; e "Cafundó", de Paulo Betti e Clóvis Bueno.
Também se inscreveram na disputa "Depois daquele Baile", de Roberto Bontempo; "Doutores da Alegria", de Mara Mourão; "Estamira", de Marcos Prado; "Irma Vap - O Retorno", de Carla Camurati; "O Maior Amor do Mundo", de Cacá Diegues; "Tapete Vermelho", de Luiz Alberto Pereira; e "Vida de Menina", de Helena Solberg.
É neste cinema para sonhar e nesta aspira para dor que o cinema brasileiro persegue a estatueta que deverá ter sua solenidade de entrega direto de Beverly Hills, Califórnia. Na internet e nas agências de notícias já estão circulando o nome dos principais indicados para receber a estatueta mais cobiçada do mundo do cinema. Um dos filmes que lidera as indicações de melhor filme é "O Segredo de Brokeback Mountain" e ainda: Capote, Crash – No Limite, Boa Noite e Boa Sorte, Munique.
Na categoria de melhor ator estão concorrendo: Philipe Seymour Hoffman (Capote), Heath Ledger (O Segredo de Brokeback Mountain), David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte), Joaquin Phoenix (Johnny e June), Terrence Howard (Ritmo de um Sonho).
Concorrendo ao prêmio de melhor atriz estão na lista: Reese Witherspoon (Johnny e June), Judi Dench (Sr. Henderson Apresenta), Felicity Huffman (Transamerica), Charlize Theron (Terra Fria), Keira Knightley (Orgulho e Preconceito). Na categoria de melhor diretor concorrem: Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain), George Clooney (Boa Noite e Boa Sorte), Steven Spielberg (Munique), Bennett Miller (Capote).
Entre os filmes estrangeiros estão: Paradise Now, Don't Tell, Joyeux Noël, Sophie Scholl: The Final Days, Tsotsi. Na categoria melhor documentário estão concorrendo: A Marcha dos Pingüins, Street Fight, Murderball, Enron: The Smartest Guys in the Room, Darwin's Nightmare e outras tantas categorias. A lista completa dos indicados pode ser acessada através do endereço eletrônico: http://br.yahoo.com/oscar/indicados.html.
Adriana Crisanto

Zefirina Bomba lança primeiro CD

Com um nome bastante esquisito, “Noisecoregroovecocoenvenenado”, escrito assim tudo junto, a banda paraibana Zefirina Bomba, lançou, no mês passado, pelo selo-gravadora Trama Virtual, seu primeiro trabalho autoral. A banda, que fixou residência na capital paulista, traz neste disco um trabalho bem diferente do que vinha produzindo na garagem de casa.
Gravado no melhor estilo nordestino de se fazer rock, os produtores e a divulgação reclamaram, que a mídia local nem deu tanto destaque assim ao trabalho da banda como a imprensa do sudeste. A Folha de São Paulo, diz a produção, deu metade de uma página ao grupo da Paraíba.
Todas as quinze letras são de autoria do fundador da banda, o guitarrista, Ilsom Barros, um pernambucano, que se sente mais paraibano do que qualquer nativo. A banda amadureceu bastante e deixou de lado o estilo meio “mangue beat de ser” do início para investir num som mais pesado e ligeiro, muito embora ainda apresente numa e outra música um timbre sutil e amaneirado de ritmos nordestinos.
Munido de um violão eletrificado com cordas de aço e as vezes cordas normais de um violão antigo e surrado Ilsom Barros tira solos pesados com toda distorção necessária para o estilo de som que tentam imprimir. As letras das músicas não parecem tolas, mas estão carregadas de uma poética de cordel, como na canção “Oportunidade” em que diz: “Seu doutor me dê uma chance. Pra eu mostrar minha força. Ajuda a vingar meu sustento. E se eu tiver uma oportunidade eu lhe provo que to disposto. Me ajuda a vencer meu sustento. E mostrar que eu sei”.
A atitude irreverente do rock e toda sua indignação vem estampada na décima faixa “Vá se Foder”. A música tem poucos minutos. Você não entende muita coisa, mas como diz o próprio guitarrista, no encarte do disco: “Mas quem se importa?”. É nesse fazer de coisas que o trabalho segue irreverente e tem chamado a atenção dos ouvidos mais aguçados e exigentes do sul e sudeste do país.
“Power-trio”, “banda pós-punk” são alguns dos adjetivos que estão qualificando o grupo paraibano. Quanto surgiu, fazia parte ainda da banda o baixista Edy Gonzaga (ex-Flávio C). Hoje o grupo é formado por dois nordestinos Ilsom Barros (violão eletrificado) e Guga (bateria), e um paulista Martim (baixo) que se encantou com o trabalho do grupo desde que os viu tocar pela primeira numa noite em São Paulo. Neste trabalho ninguém é melhor que ninguém. O baixo distorcido aparece forte e com destaque na faixa 14 (HC) e a bateria exibe todo o seu peso sincopado em músicas como “A-M-N”.
O nome da banda foi dado por Ilsom quando conheceu, na infância, uma velha lavadeira que trabalhava na casa de seus pais em João Pessoa e que ganhou o apelido de Bomba por causa do barulho que fazia ao bater com a roupa molhada na pedra à beira do rio. Ilsom integrou a banda Pau de Dá em Doido (pop-rock com forte acento regional). Depois que a banda acabou resolveu buscar novos parceiros e rever seus objetivos musicais. Guga foi um dos caras que topou juntar bateria e baixo a uma certa viola-guitarra inventada pelo próprio Ilson para formar o Zefirina Bomba, cuja relação com a velha lavadeira não está somente no nome, mas também no som que os três músicos perseguem: um rock direto, de impacto, feito com vigor, como a pancada da roupa molhada na pedra.
Para quem gosta de som pesado eis a dica: o disco “Noisecoregroovecocoenvenenado”da Zefirina Bomba. É peso do início ao fim. Os ouvidos descansam um pouco apenas na 15a faixa, “Enquanto Otacílio Batista Explicava”, em que rendem uma homenagem ao repentista pernambucano Otacílio Batista. O repentista, que estava radicado em João Pessoa há vários anos, faleceu em 5 de agosto de 2003. Foi autor de livros como: Poemas que o Povo Pede; Rir Até Cair de Costas; Poema e Canções; e Antologia Ilustrada dos Cantadores, este último com F. Linhares. Versos de Otacílio foram musicados pelo compositor Zé Ramalho, dando origem à canção “Mulher Nova Bonita e Carinhosa”, gravada inicialmente pela cantora Amelinha e depois pelo próprio Zé Ramalho. A canção foi tema de uma filme brasileiro sobre Lampião, o Rei do Cangaço. Em João Pessoa, o disco está sendo vendido na loja de discos “Música Urbana”, localizada no centro da cidade. Agora quem quiser escutar uma prova do trabalho da Zeferina pode acessar o site da Trama Virtual, através do endereço eletrônico: http://www.tramavirtual.com.br/zeferina. Lá o internauta vai encontrar também galeria de fotos, o premix do disco e algumas canções do primeiro CD-demo.
Adriana Crisanto
Serviço:
Banda Zefirina Bomba
Título: "Noisecoregroovecocoenvenenado"

quarta-feira, setembro 27, 2006

"Deputados, senadores e vereadores são o câncer da política do Brasil"



A voz de Jorge Vercilo irá ecoar pelo litoral paraibano nesta sexta-feira (22). O cantor se apresenta na casa de shows Forrock a partir das 22h00. Os ingressos estão a venda na bilheteria da casa ao preço individual de R$ 15,00. O camarote para 10 pessoas custa a bagatela de R$ 500,00. As mesas-camarote, aquelas que ficam no meio do salão, espremendo a multidão, custam R$ 200,00 e o camarote individual R$ 50,00.
No show de logo mais o cantor e interprete apresenta as canções do DVD ao vivo, gravado em abril deste ano no Canecão, Rio de Janeiro. O show, segundo Vercilo, é uma mutação do último disco da carreira “Signos de Ar” e outras canções que se tornou sucesso na voz do interprete.
Ontem Jorge Vercilo se apresentou em Campina Grande e também ontem, cumprindo uma lotada agenda de compromissos, concedeu entrevista coletiva a imprensa e aos fãs numa agência de propaganda da Capital. Nesta entrevista o artista fala principalmente sobre o novo trabalho, mas não deixa de questionar aspectos da política e de suas canções. Leia a entrevista:

Como foi para você gravar um DVD ao vivo?
Foi e está sendo surpreendente. Porque eu sempre relutei muito em gravar um DVD ao vivo. Sempre achei que um DVD ao vivo fosse um projeto e nunca fui motivado por projetos. Até porque essa cultura de regravação que as pessoas vinham e vem fazendo não me agradava muito. Era um tanto apelativo. Ultimamente a MPB tem fugido um pouco deste perfil e eu tenho achado legal. Mas está sendo ao mesmo tempo uma surpresa agradável, porque sempre achei que fosse me realizar como interprete e cantor no disco, gravando em estúdio, porque você tem a possibilidade de gravar a voz várias vezes no mesmo canal. Sempre fui muito crítico e achava que ao vivo não iria ficar bom tecnicamente. Acabou que gostei mais dessas músicas gravadas no ao vivo do que a gravação das mesmas no disco original. Talvez porque tenha observado meu amadurecimento na voz, enquanto timbre, nas músicas mais dançantes, como também nas músicas mais lentas com a voz mais emotiva.

Não te seduz a proposta do projeto MTV acústico por exemplo?
Não sei. Até porque a MTV nunca me tocou. Nunca estive presente dentro da MTV. Sou um completo desconhecido dentro do universo da MTV. Talvez porque a empresa tenha um perfil mais pop rock. Não sei o que acontece especificamente. Nunca tive essa expectativa.

Você deixou de colocar uma música em um de seus álbuns. Por quê? Não quis misturar as coisas por estarmos em ano eleitoral?
Em deixei duas músicas de fora. Uma com conteúdo político e outra romântica. A com conteúdo político é um rap chamado “A Cidade e seus Meninos”. E esse rap bate, mete o pau mesmo, em tudo quanto é político. Principalmente os deputados, senadores, vereadores que para mim são o câncer da política no Brasil. Esse congresso que não anda, onde você tem que pagar o mensalão para que o político compareça ao plenário e faça o trabalho dele. É tanto que acho ingenuidade ou hipocrisia as pessoas que se posicionam contra o governo Lula. Você não votar pelo governo que ele vem administrando é aceitável. Agora não votar por causa do mensalão é uma loucura. Até porque já é loucura pensar que algum político seja santo. Eu votei em Lula alguns anos. Hoje tenho dúvidas se voto nele ou no Cristovam Buarque, porque acho que ele traz uma proposta importante, embora a gente saiba que neste momento não tenha tanta chances de ser eleito.
Essa música tem um refrão que falava assim: “Será que a gente esquece de quem é estando no poder”. E tinha certeza que essa frase a oposição iria usar para atingir o Lula. Me senti mal ao pensar na possibilidade de que minha música acabasse virando “jingle” eleitoreiro para muito safado colocar no interior do Brasil rodando em carrinho. Eu achei que não era o momento. Neste momento eu chego a triste conclusão de que tanto faz o Serra, Lula, Alkimim ou Buarque. Porque o sistema está tão corrompido que não sabemos em que votar. Eu penso que cidadão nenhum chegando lá, querendo fazer um bom trabalho, consegue realizar alguma coisa. O que ainda tenho fé é na pressão do povo.

E a outra música?
A outra que acabou não entrando foi o soneto “Fidelidade” de Vinícius de Moraes. Aquele poema que o mais conhecido dele: “Que não seja eterno posto que é fama. Mais que seja infinito enquanto dure”. Esse poema ficou num estilo meio bossa nova com aquela vibe de Tom Jobim. Acabou entrando na novela Páginas da Vida. Só que a família do Vinicius de Moraes brecou. Eu também fiz isso sem pedir autorização a eles. É claro que na hora de registrar no DVD nós fomos pedir autorização e eles explicaram que não era nada relacionado a mim e a meu trabalho, mas que era uma regra. Chico Buarque ligou para mim família também porque ouviu e gostou. Ana Carolina também pediu para que liberassem. Manoel Carlos também ligou pedindo para liberar. Mas ninguém conseguiu liberação. Enfim, eu não concordo com o argumento deles, mas entendo e respeito.

Você tem uma música em parceria com o paraibano Bráulio Tavares. Que canção é essa?
Se chama “Olhos de Nunca Mais”. É uma balada do meu quatro disco “Elo”. Ela não entrou neste trabalho porque não se tornou uma música conhecida. Mas é uma das músicas que dá muito prazer de cantar. É uma música forte que eu chamo lado B. Para mim as perolas da MPB ainda estão escondidas no lado B. São as música que não foram trabalhadas ainda. Bráulio é um letrista incrível. Sou fã de várias músicas dele em parceria com Lenine. Conheci o Bráulio na casa de Elba e foi quando surgiu essa parceria.

E o que você tem a dizer da crítica?
Os críticos são os que menos entendem o que eu faço. A elite da imprensa que se autodenomina "formadores de opiniões" são os que menos entendem o que faço e o que muitos fazem. Caetano Veloso, por exemplo, não fala mais com a revista Veja. Fizerem outro dia uma matéria grotesca com Vanessa Mata outro dia. Logo ela que é uma cantora ótima. Uma menina talentosa que teve o mérito de compor uma música que se tornou sucesso nacional. Estourou e atingiu a todos. Por causa desse sucesso a imprensa elitizada começou a chamá-la de chata, porque estava tocando muito na rádio. As pessoas que entendem meu trabalho é o público mesmo.

Algumas pessoas dizem que seu timbre de voz se assemelha a do Djavan. Em 2000/2001, você respondeu a crítica dizendo para as pessoas lerem o release escrito pelo Ed Motta...
Não lembro do que falei mas, na verdade, a minha resposta continua sendo a mesma. No meu site, na internet, tem como você chegar lá. É aquela coisa. Vocês é quem decidem. Eu acho Djavan um dos caras mais bacanas do planeta. Assim como gosto muito de Steve Onder, hoje minha maior influência. Só que as pessoas não percebem outras coisas. Quando eu canto Fênix está lá o Milton Nascimento, Flávio Venturini, assim como está também o Jorge Vercilo. Então... é chato sim ser comparado. Porque as pessoas não falam da qualidade do meu trabalho? A imprensa, muitas vezes, usa o Djavan para me atingir, numa mediocridade muito grande. Tem tanta coisa para se falar sobre meu trabalho. Por que sempre trazer esse assunto a baila? Eu ganhei o prêmio Tim, as pessoas estão reconhecendo meu trabalho. Isso é importante.

Adriana Crisanto

Serviço:
Show: “Jorge Vercilo ao Vivo” – com participação das bandas Auto Pista e Raízes

Local: Forrock – Tel 3331-1210
Data: 22 de setembro de 2006 (sexta)
Horário: 22hs
Preços: Pista: R$ 15,00; Camarote (p/ 10 pessoas): R$ 500,00; Mesas-Camarote: R$ 200,00 e Camarote Individual: R$ 50,00
Vendas: Forrock: 3246-5858 e CCAA: 3226-1561.
Foto: Divulgação
Matéria publicada no jornal O Norte em setembro de 2006.