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terça-feira, julho 10, 2007

Natureza e cultura

A cidade de Bananeiras - distante cerca de 140 quilômetros de João Pessoa, capital da Paraíba - será o primeiro município a realizar o projeto “Caminho do Frio – Rota Cultural”, programa que integra várias cidades do brejo paraibano num circuito de eventos turísticos-culturais. De acordo com a programação, Bananeiras promove o evento “Aventura e Arte na Serra”, no período de 16 a 22 de julho, que consiste na realização várias atividades nas áreas de teatro, dança, música, artes plásticas, literatura e cinema. Além da promoção de oficinas, palestras e esporte de aventura.
As atividades estão previstas para começar às 08h00, da segunda-feira (16), no Colégio Executivo, com a apresentação de dança de rua do professor Rafael, a interpretação solo com a atriz Ingrid Trigueiro, a custumização da professora Rosemary de Sousa, a areografia de Gigabro e o show acústico com cantor e violonista Letinho.
Dentro da programação do segmento Cinema na Escola estão previstas as exibições dos filmes: “Velha História” de Cláudia Jouvin, a partir das 15h00, no Centro Integrado de Educação de O Neves e “Ilha das Flores” de Jorge Furtado. No centro da cidade, no antigo cinema, às 20h00, será exibido o longa-metragem ”Houve uma vez dois verões”.
Na terça-feira (17), está programada a exibição dos curtas-metragens: “Dona Cristina Perdeu a Memória” de Ana Luiza Azevedo e o premiado “Transubstancial” do cineasta Torquato Joel, na Escola Miguel Filgueira Filho, no Distrito do Tabuleiro. Logo após, às 20h00, no antigo cinema do centro, será exibido o longa-metragem “Bicho de Sete Cabeças”, com o ator Rodrigo Santoro.
Na seqüência, dia 18 de julho, quarta-feira, a Escola Normal Professor Pedro Américo de Almeida, no centro da cidade, exibirá o curta-metragem “A Árvore da Miséria”, do cineasta Marcos Vilar. A partir das 20h00, duas excelentes exibições estão programadas. Uma delas é “Aruanda” do cineasta paraibano Linduarte Noronha e em seguida o longa-metragem “Abril Despedaçado”, que traz também como protagonista principal o ator Rodrigo Santoro. Haverá ainda a exibição dos filmes “Um fazedor de filmes” de Arthur Lins e Ely Marques e “Villa-Lobos uma Paixão”.
Na programação está prevista a apresentação da Filarmônica Lira dos Artistas, de José da Rabeca, do grupo de dança popular do Peti, da banda Antares, Chico Correa e banda, grupo folclórico do Serviço Social do Comércio (Sesc), SBTU, do grupo de dança Sem Censura, além das apresentação dos espetáculos teatrais “Quem Casa quer Lona e Magia”.
No evento “Aventura da Serra” haverá ainda exposição de artes plásticas do acervo da Sub-Secretaria de Cultura do Estado e exposição sobre Edilberto Coutinho, mostra de artesanato e gastronomia. No segmento “Esporte de Aventura” haverá Trilha e Rappel no Lajedo Preto, com saída prevista no pátio da igreja matriz da cidade de Bananeiras. No local, durante todo o evento, condutores estarão realizando programações dos passeios as trilhas ecológicas.

Onde fica?

O município de Bananeiras é uma região de grande beleza cênica, com seus patrimônios históricos, artísticos e arquitetônicos, além de uma deliciosa gastronomia e da cultura do seu povo. A sensação de vida saudável logo que se chega ao lugar e é percebida pela topografia do local que propicia o turismo de aventura e o eco-turismo.
A cidade está situada à cerca de 500 metros acima do nível do mar, o que permite um clima completamente diferenciado do que existe em outras regiões do Estado da Paraíba. O clima frio úmido chega a uma temperatura média de 28°C no verão e 10 °C no inverno.
As peculiaridades climáticas impressionam qualquer cidadão. A cidade de Bananeiras integra a micro-região do Brejo, com superfície de 284 quilômetros quadrados. Cortada por rodovias estaduais a cidade fica a 140 quilômetros da capital paraibana, João Pessoa, a 70 km de Campina Grande e a 148 Km de Natal (RN).
Bananeiras possui um rico patrimônio arquitetônico. São mais de 80 edificações catalogadas pelo IPHAEP, que estão em bom estado de conservação. As edificações são do século XVIII em estilos neoclássico, ecléticos, arte-decô e protomodernistas. Oferece ainda inúmeros itinerários para os mais aventureiros desfrutarem do passeio em contato com a natureza exuberante do local.
A região foi no passado o maior produtor de café da Paraíba e o segundo do Nordeste. No ano de 1852, o café rivalizava em qualidade e aceitação como de São Paulo. O transporte era precário para fazer o produtor chegar aos principais centros consumidores. O trem só chegaria 72 anos depois.

Onde se hospedar?

Hotel Pousada da Estação – Rua Alcides Bezerra, 160
40 leitos
Hospedagem com café da manhã
Fone: 83. 3367.1339

Hotel Fazenda Vale do Paraíso – Rua das Laranjeiras, s/n
100 leitos
Hospedagem com café da manhã
Fone: 83. 3363.3962

Hotel São Pedro – Praça Epitácio Pessoa, 48
18 leitos
Hospedagem com café da manhã
Fone: 83. 3367.1318

Albergue do Cruzeiro de Roma - Cruzeiro de Roma, S/N.
20 Leitos
Tarifa de hospedagem individual com jantar e café da manhã = R$ 20,00
Fone: 83. 9962.1092

Onde Comer?

Churrascaria Boi na Brasa – R. Joaquim Florentino de Medeiros, s/n.
Fone: 83. 3363 2639 / 9991 6606

Pizzaria e Soparia Aconchego - Praça do Colégio, s/n, centro
Fone: 83. 3367 1321

Restaurante da Pousada da Estação (Antiga Estação) – R. Alcides Bezerra, 160, Centro.
Fone: 83. 3367 1339

Emilly’s Pizzaria e Lanchonete – Praça Epitácio Pessoa, 64.

Panificadora Continental – R. Coronel Antonio Pessoa, 376.

Churrascaria “A Cabana do Brejo” - Conjunto da Rádio.
Fone: 83. 3363 2639

Skina Bar e Churrascaria - Distrito de Taboleiro-Bananeiras.

Lanchonete Pit’s Burg – R. Coronel Antonio Pessoa, 381.

Center Lanche - Terminal Rodoviário de Bananeiras.

Styllus Bar – Praça Epitácio Pessoa, 60.

Kilanche – R. João Pessoa, s/n.

Churrascaria Novo Horizonte - Distrito de Roma-Bananeiras.

Bar do Ronaldo - Coronel Antonio Pessoa, s/n.

Lanchonete Pit Stop - Coronel Antonio Pessoa, 399.

Restaurante do Bananeiras Clube - Centro

Bar e Restaurante do Roncador - Sítio Angelim-Bananeiras.

Sítio Mijônia - pesque e pague + trilha ecológica + passeio de canoa + banho de açude + restaurante + bar + fruteiras - Estrada para Borborema.
Fone: (83) 3363-2842

Bica dos Côcos - bar + restaurante + trilha + bica d’água nas pedras + fruteiras - Estrada dos Côcos – Zona Rural

Bar da D. Iris - Sítio da Chã do Carro-bananeiras (pesque e pague sitio jardim) - Sitio Jardim – Fone: 83. 3363 2716
Obs: Preço médio de refeições = entre R$ 5,00 e R$ 8,00 por pessoa

Serviços:
Clubes Sociais: Bananeiras Clube – Avenida João Pessoa - Centro
AABB – Estrada do Túnel do Trem

Bancos:
Caixa Econômica Federal – R. Coronel Antonio Pessoa, s/n - centro
Banco do Brasil – R. Coronel Antonio Pessoa, s/n - centro

Hospitais:
Hospital Municipal – Centro - Fone: 83. 3367-1316 ou 1127.

Rodoviária - Praça Epitácio Pessoa, centro. Fone: 83. 3367 1034

Cyber cafés:
Cyber Bans – cyberbans@hotmail.com - Fone: 83. 9985 7530
Fz On-line – fernandomanchinha@yahoo.com.br - Fone: 83.9118 2432
JF’Inforservice – araujo_fco@hotmail.com - Fone: 83 3367 1598

Praça de Táxi:
Fone: 83. 3367-1194.

Delegacia de Policia: Fone: 83. 3367-1718.

Correios e Telégrafos: Travessa Coração de Jesus, S/N, Centro.
Fone: 83. 3367-1052

Receptivo Turístico e Venda de Artesanato

Casa do Turista – Praça Epitácio Pessoa, s/n Centro.
Marina – 9305 3590

O projeto Caminho do Frio

Os “Caminhos do Frio – Rota Cultural” é uma proposta de roteirização elaborado pelo Plano Nacional de Turismo (Projeto de Roteirização do Brasil), abrangendo os municípios de Areia, Bananeiras, Pilões, Serraria, Alagoa Grande e Alagoa Nova, localizados na microrregião do brejo paraibano. É desenvolvido pelas Prefeituras dos municípios envolvidos, Governo do Estado da Paraíba e Sebrae/PB.
O projeto se propõe realizar um evento cultural em cada região. Os eventos que caracterizam o roteiro acontecem no período de 19 de julho a 1º de setembro, seguindo o seguinte cronograma:

Município: Bananeiras
Período: 19 a 21 de julho de 2007.
Evento Cultural: Aventura e Arte na Serra

Município: Alagoa Nova
Período: 26 a 28 de julho de 2007.
Evento Cultural: Festival da Galinha Capoeira.

Município: Serraria
Período: 02 a 04 de agosto de 2007.
Evento Cultural: Cultura, Seresta e Natureza.

Município: Areia
Período: 09 a 11 de agosto de 2007.
Evento Cultural: Frio, Cachaça e Arte

Município: Pilões
Período: 16 a 18 de agosto de 2007.
Evento Cultural: Festa das Flores.

Município: Alagoa Grande
Período: 30 de agosto a 1º de setembro de 2007.
Evento Cultural: Mostra de Arte e Cultura.

Adriana Crisanto
Répórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
*Obs: Fui a Bananeiras a convite da Prefeitura do município.

quinta-feira, julho 05, 2007

Há 100 anos nascia Frida Kahlo


Hoje, dia 6 de julho de 2007, é comemorado o centenário de nascimento de Frida Kahlo, uma das grandes artistas plásticas do século 20. Para falar sobre ela conversei com a atriz e escritora paraibana, Petra Ramalho, que interpretou Frida no teatro, um espetáculo produzido por ela e Natanel Duarte, baseado em um texto do também artista plástico W.J. Solha, que consiste num resumo da vida de Frida e, segundo atriz, estava preparado para ser encenado pela atriz Eliane Jardine.
Após muitas pesquisas sobre a vida e obra, a montagem foi encenada em João Pessoa pela primeira vez em 2004, ano em que se comemorava o aniversário de morte de Frida. Desde então Petra não parou de admirar o trabalho de Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón e realizar atividades artísticas sobre a artista.
Frida nasceu em Coyacán, México, no dia 6 de julho de 1907. Mais tarde, mudou a grafia de seu nome para "Frida". Em 1913, sofreu um ataque de poliomielite, que lhe afetou permanentemente o uso da perna direita. Ingressou, aos quinze anos, na Escola Preparatória Nacional. No dia 17 de setembro de 1925, sofreu um grave acidente de ônibus e, durante a convalescença, começou a pintar. Casou-se, em 1929, com o também artista plástico Diego Rivera. De 1 a 15 de novembro de 1938, Frida Kahlo realizou sua primeira exposição individual, em Nova York.
Petra comenta que Frida passou muito tempo no ostracismo e só após o filme de Julie Taymor tornou-se mundialmente reconhecida. Frida era filha de um fotógrafo judeu-alemão e uma mestiça mexicana. A poliomielite deixou uma lesão em seu pé direito e com isso, ganhou um apelido "Peg-leg Frida". A partir disso ela começa a usar calças, depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas registradas.

Frida foi uma mulher politizada. Em 1928, entrou para o partido comunista mexicano. Foi quando conheceu o muralista Diego Rivera, com quem se casou no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples num estilo propositalmente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isto adotava com muita freqüência temas do folclore e da arte popular do México.
“Muitos críticos da obra dela diziam que era egocêntrica, que só pintava a vida dela. Mas, pintando ela própria ela pintava o entorno. Não a vejo como egoísta puramente, pois falando dela, ela remetia aos problemas da relação do México com os Estados Unidos e outros assuntos”, analisou Petra Ramalho.
Frida Khalo aprendeu a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Em 1938, André Breton, qualificou sua obra de surrealista em um ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova York. Anos mais tarde ela mesma declarou: "Acreditavam que eu era surrealista, mas não o era. Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade".
E que realidade. Frida amargou muito com os relacionamentos extra-conjugais do marido, seu grande amor e reconhecido mulherengo. No entanto Frida Kahlo, também viveu romances paralelos com mulheres e homens, o mais famoso com o revolucionário russo León Trotski. Apesar das traições do marido, a maior dor de Frida foi à impossibilidade de ter filhos, o que ficou claro em muitos dos seus quadros.
Existe uma identificação muito grande das mulheres com Frida. Essa identidade, de acordo com Petra, talvez seja pela história da vida dela. “Eu comparo a vida difícil de Frida com a vida de nossa Anayde Beiriz, que se tivesse nascido em outro local teria uma repercussão maior do que tem no Brasil. Porque Anayde era uma mulher tão politizada como foi Frida”, comentou Petra.
Frida ainda teve que superar a morte da mãe, mais um aborto e algumas crises no seu casamento com Diego Rivera, que a traía com a sua irmã mais nova, Cristina. Em 1939, parte sozinha para Nova York, onde faz a sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, que é um sucesso. Em seguida, segue para Paris, onde é hospitalizada com uma infecção renal, mas também entra no mundo da vanguarda artística dos surrealistas. Conheceu Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst. O museu do Louvre adquiriu um dos seus auto-retratos. No mesmo ano, divorciou-se de Diego Rivera, com quem volta a casar-se um ano depois. Em 1942 começa a dar aulas de arte numa escola recém aberta na Cidade do México.
Ela pintou até à sua morte, que chegou na madrugada de 13 de Julho de 1954. A mexicana sofredora, tinha 47 anos e causa oficial da morte foi uma embolia pulmonar, no entanto a última anotação no seu diário permite aventar a hipótese de suicídio: "Espero alegre a minha partida e espero não retornar nunca mais."

Livro sobre Centenário de Frida

Para comemorar o centenário de Frida, a Editora José Olympio, lançou a quarta edição das “Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo” (Editora José Olympio 160 págs., R$ 30,00). O livro traz cartas compiladas e representam uma profusão de informações sobre a vida conturbada e trágica dessa grande pintora mexicana.
Nas 80 cartas Frida revela um humor negro, uma impressionante intensidade e um genuíno calor humano. Ela escrevia, de acordo com a organizadora do livro, Martha Zamora, com franqueza e sem reservas, empregando todo o vocabulário de que dispunha para externar suas idéias e emoções.
"Seus escritos revelam sua precocidade, a intensidade de seus afetos e seu persistente sofrimento físico: retiram os véus de sua personalidade de um modo que seria impossível a qualquer biografia", comenta Zamora.

Objetos de Frida encontrados no México

Mais de cinqüenta anos após a morte da pintora mexicana foram encontrados numa caixa de papelão na casa em que ela morou com seu marido, o muralista Diego Riviera, na Cidade do México com algumas de suas roupas, fotografias e jóias. Em reportagem da Folha de São Paulo, a coordenadora do Casa Museu Frida Kahlo, Hilda Trujillo, disse que os objetos foram achados em outubro, mas estavam sendo restaurados.
A descoberta aconteceu após um projeto de dois anos para a reforma do lugar. Ainda não há dados precisos sobre a história dos objetos, mas se presume que os vestidos são os mesmos usados por Frida em seus auto-retratos.

Curiosidades
A cantora Madonna emprestou dois quadros de sua coleção particular ao museu de arte moderna britânico Tate Modern, que vai abrigar uma exposição de trabalhos da pintora mexicana Frida Kahlo.
As pinturas intituladas "Auto-Retrato com Macaco" e "Meu Nascimento", descritas por Madonna como dois de seus quadros preferidos, vão ser exibidos na galeria de Londres a partir do dia 9 de junho. Eles estarão entre os itens que farão parte da primeira grande exibição de Kahlo no Reino Unido em mais de 20 anos.


Adriana Crisanto
Repórter
Foto de Petra: Ovídeo Carvalho
*Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte

Galeria e frases de Frida

''Querem que eu retrate cinco mulheres mexicanas importantes em nossa história; faço pesquisas para saber que tipo de baratas foram essas heroínas, que tipo de psicologia era o seu fardo, a fim de, ao pintá-las, as pessoas possam diferenciá-las das mulheres comuns e vulgares do México, as quais, para mim, são mais interessantes e poderosas do que as damas mencionadas.''
''Me parece que a coisa mais importante na Gringolândia é ter ambição e se tornar 'somebody', e francamente, não tenho a menor ambição de ser ninguém.''
[Frida não gostava dos EUA, a quem chama sempre de Gringolândia. Acha os 'gringos' , como diz, 'arrogantes de nascença'.]

''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida.Vou esperar mais um pouco...'' Foto: BBC Brasil

''Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor.'' Foto: BBC Brasil

''Eu vou mal e irei pior ainda mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo.'' Foto: BBC Brasil

''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''

'Cartas de Frida - 'Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade.''

''Estou pintando um pouco, sinto que aprendi algo e estou menos estúpida do que antes.''

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''

''Ele leva uma vida plena, sem o vazio da minha. Não tenho nada porque não o tenho.''
Em referência ao marido Diego
''Por que o chamo meu Diego? Nunca foi, nem será meu. É dele mesmo.''
Frida e Diogo Rivera - Foto: BBC Brasil

Humor levado a sério


Chargista, humorista, ator e jornalista Cristovam Tadeu está completando 25 anos de carreira artística. Para comemorar a data ele realizará um show de humor com estréia nesta quinta-feira (5), a partir das 18h30, no Teatro Santa Roza, localizado no centro histórico da Capital. O show permanece no local até o dia 26 de julho, sempre as quintas-feiras, exceto no dia 12 de julho. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do teatro e custará R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante, deficientes e idosos).
O show intitulado “RisoPontoCom – Uma Ri-trospectiva”, como o próprio nome já diz, será uma exposição do que produziu ao longo dos anos e mostrará todas as facetas engraçadas do comediante, a exemplo da imitação de uma conversa entre Caetano Veloso e Gilberto Gil, no quadro chamado Diálogos ImPertinentes.Tadeu também satiriza o pseudo-isolamento político-existencial de uma famosa cidade da Paraíba: Campina Grande, faz piada da sua própria vida desde menino, sem contar com tentativa do presidente Lula em ensinar a língua dos americanos ou também os diferentes sotaques dos assaltantes pelo Brasil.
Cristovam Tadeu começou sua carreira no ano de 1980. Participou de peças de teatro, fez parte de mais 100 comerciais para televisão, produziu cerca de 15 shows de humor e já realizou várias apresentações pelo país. Para falar um pouco sobre esses 25 anos de carreira ele nos concedeu uma entrevista, onde fala dentre outras coisas porque parou de publicar as histórias de Bartolo, sua convivência com Ednaldo do Egypto e diz que o que gosta mesmo é fazer as pessoas sorrirem. Leia:

Televisão, teatro, comerciais, dublagens, charges... O que tem te dado mais prazer de fazer nestes 25 anos de carreira?
Tudo. Na minha vida sempre fiz tudo com muito humor. Por isso me considero um humorista e não um multimídia. Eu fiz tudo isso que você citou ai em cima mas tudo carregado de humor. Mas, se for eleger uma eu prefiro os shows ao vivo, porque a reação é imediata. Uma charge, por exemplo, precisa ser, pensada, riscada, pintada, elaborada e publicada pra chegar até o publico. A piada não...Ela é pêi-buf!

É difícil fazer as pessoas sorrirem?
Acho que não. Não no meu caso. Tenho uma cara engraçada, acho que é imprescindível para qualquer humorista. O riso está muito associado com o trágico. Por exemplo, se você escorregar numa casca de banana é trágico para você, mas pode ser engraçado para os outros. O humor tem que ser engraçado e se for pensado, pesquisado, trabalhado, melhor ainda.

Sua carreira teve início no final da década de 1970. Como foi fazer arte e comunicação no período da ditadura? Ou você não chegou a sentir muito esse período?
Olha aí o trágico de novo!!! A gente tem a impressão que toda a produção cultural daquela época é mais intensa do que hoje, porque a gente vivia um momento trágico e tinha-se que fazer algo para combater. O riso era uma arma poderosa. Diga-se de passagem as piadas de Juca Chaves, O pasquim, O Millôr...Seinti mais a ditadura na época de criança, mas ainda peguei o restinho da coisa ruim!

Você é autor de Bartolo um personagem de quadrinhos que ganhou até uma publicação. Não tivemos mais notícias dele. Você parou de criar novas histórias para Bartolo?
Parei porque não tenho mais onde publicar. A publicação diária estimula a criatividade. Ainda assim produzi mais de 300 tiras do Bartolo e quando publicava aqui mesmo no Norte tinha até um fã clube dele em Campina Grande. Uns caras que recortavam as melhores tiras e iam pro Chopp do Alemão (tradicional reduto da boemia de lá) para comentar e rir. Recentemente Bartolo foi re-publicado num jornal de mesa de uma famosa cervejaria em São Paulo, a Braunmaster e numa revista de quadrinhos da USP chamada Quadreca. Pena que aqui as coisas são diferentes

No teatro você trabalhou com o teatrólogo e dramaturgo Ednaldo do Egypto. Como foi essa experiência de está do lado de um grande diretor paraibano como Ednaldo?
Excelentes, com momentos bons e ruins. Como sempre tratei Ednaldo como pai e irmão a gente se faíscava algumas vezes. Mas, o que eu aprendi com Ednlado sobre humor me serve até hoje. Ele me ensinou uma coisa boa que foi a "pausa" na piada. Às vezes a pausa funciona tanto quanto um desfecho bacana. Escrevi duas peças para ele atuar: Vôvô Viu a Uva e Vovó Viu a Ave. Ele sempre foi um cara generoso. Ednaldo não passou pelo teatro, o teatro sim, passou por ele ao ponto dele construir sua própria casa de espetáculos. Muita coisa de humor que tenho comigo veio dele.

Que análise você faz do humor no Brasil. Você não acha que essa fórmula de imitação de personalidades da televisão e da política está um pouco desgastada?
Se estivesse não existiria. Isso funciona como uma catarse e não é só aqui no Brasil não. No mundo todo. Na RTP (Rede de TV Portuguesa) tem um programa de bonecos satirizando os políticos de lá, chamado Contrainformaçâo. Até Lula apareceu num dos programas dele bebendo uma garrafa de 51!! Acho que a gente tem é poucos programas de humor, tanto é que o SBT está reprisando o Golias. Nos anos 80 todas as Tv´s tinham mais de um programa de humor. Hoje tem as tais “sitcons”, mas acho que só a Grande Família se destaca, porque trata de uma realidade bem brasileira. Na TV humor funciona sempre!

Algumas pessoas pensavam que com o advento da internet e as novas tecnologias os chargistas e quadrinistas desapareciam. No entanto, o que se observa é uma quantidade enorme de websites com charges e quadrinhos. Como você tem visto e sentido esse processo?
A internet é mais um veículo, com a vantagem da rapidez e do alcance. Já vi charges minhas publicadas em sites europeus. Acho bom que quando você não tem um veículo que queira publicar suas charges e idéias a internet tem o recurso dos blog´s. Acho bacana o uso legal da internet. Eu mesmo uso e muito. Agora mesmo para divulgar o show estou até abusando do uso dos e mails, blogs, orkuts e msns que existem!

Na sua opinião, hoje, quem são os melhores humoristas do Brasil? E na Paraíba, temos novos talentos? Quais ou quem são eles?
Foi-se o tempo dos grandes humoristas no Brasil. A gente tinha tradição do rádio, do cinema com Ankito, Oscarito, Grande Otelo. O grande Chico Anysio e seus muitos e inesquecíveis personagens, o Jô, Agildo (cadê ele??). Morreram muitos humoristas, em pouco tempo, e isso não se repõe assim da noite para o dia, não é? Mas, ainda tem o Tom Cavalcante, que abriu as portas para muita gente, o nosso Shaollim. Cada um aqui na Paraíba faz um estilo diferente, mas o objetivo é o mesmo: fazer rir. É o que eu vou fazer hoje à noite e no dia 19 e 26...Fazer o que mais gosto: as pessoas rirem!

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação do artista
*Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em julho de 2007.

terça-feira, julho 03, 2007

O espírito de Marx



Mais uma biografia sobre Karl Marx acaba de sair. Trata-se de "Karl Marx ou o Espírito do Mundo” (Editora Record, 448 p. 2007. R$ 60,00) de autoria do ex-conselheiro do presidente da francês François Miterrand, o escritor e economista Jacques Attali.

Com tradução de Clovis Marques, a obra revela as relações singulares de Marx com o dinheiro, o trabalho e as mulheres. Além de nos apresentar o grande jornalista e um impressionante teórico.


Muita coisa foi escrita sobre Marx, o mais controverso personagem da filosofia, mas pouco foi respondido sobre a interpretação que deu a seu tempo, qual a sua teoria da conjuntura social, qual a sua visão histórica e que relação estabeleceu entre a sociologia, a história, a filosofia e a política?


O relato de Jacques Attali é interessante e o mais interessante era se Marx vivesse nos dais atuais para observar o mundo que ele mesmo orientou e onde chegou. Mesmo escrevendo sobre economia, globalização, Marx não foi o filósofo da tecnologia, não é o filósofo da alienação. Marx foi sociólogo e economista do regime capitalista.


Ele pensava sobre seu tempo e sobre o futuro e não sobre nosso tempo e de nosso futuro. No entanto, suas obras apresentam algumas dificuldades de compreensão, uma delas são as várias interpretações dadas ao seu pensamento. O teórico também escreveu muito e nem sempre disse a mesma coisa sobre os mesmos temas.


Sua obra é composta por textos da teoria sociológica, teoria econômica, história e teoria explícita que se encontram escritos em vários compêndios científicos. No livro o autor apenas refaz uma biografia que muitos já conhecem, com a diferença de que no primeiro capítulo ele traz a história dos ancestrais de Karl Marx.


A diversidade em Marx pode ser encontrada também nos períodos históricos. Alguns teóricos dizem que a vida dele pode ser dividida em dois períodos. O primeiro, chamado período da juventude, que são os escritos entre 1841 a 1848. Neste momento ele lança: “Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (ou o Ensaio sobre a Questão Judaica), escreveu e lançou “A Sagrada Família”, “A Miséria da Filosofia” (uma polêmica contra o filósofo Proudhon) e por último o “Manifesto Comunista”, considerado a obra-prima da literatura de propaganda.


O segundo período, foi a partir 1848, quando deixa de ser filósofo para se tornar um sociólogo economista, e lança “Contribuição à Critica da Economia Política (outra obra-prima) o “O Capital” (maior e mais polêmica obra dele). No Manifesto Comunista o tema central é a luta de classes. Nesta obra ele mostra as contradições da sociedade capitalista. Contradições entre as forças e as relações de produção.


O Capital é um empreendimento grandioso e genial, e compreende de três livros, que os livreiros antigos chamam de tomos. O primeiro volume foi publicado pelo próprio Marx, o segundo e o terceiro, são póstumos e por isso são contestados por sua veracidade e contradição. No primeiro volume de O Capital Marx fala dos tipos de troca, constrói a teoria do valor salário, da mais-valia, do valor-trabalho e a teoria da exploração.


O segundo volume foi publicado por seu amigo Engels e nele estão as compreensões ou incompreensões sobre a circulação do dinheiro na sociedade. Neste livro Marx elabora uma teoria macroeconômica comparada ao “Tableau Économique” de Quesnay e também uma teoria das crises.


De acordo com Marx, o caráter concorrencial anárquico do mecanismo capitalista e a necessidade de circulação do capital criam a possibilidade permanente de hiato entre a produção e a repartição do poder de compra.


O terceiro livro do Capital, conforme alguns estudiosos, também foi concluído por Engels e consiste num esboço de uma teoria do desenvolvimento histórico do capitalismo (regime) baseado na análise da sua estrutura. Os escritores de Marx sempre falam que o pensamento dele traz um relacionamento com o pensamento hegeliano, que consiste em apresentar um Hegel marxista. Para detectar isso basta apresentar Hegel de acordo com os manuais de história da filosofia, com um filósofo idealista, que concebe o histórico como o processo do desenvolvimento do espírito, para que Marx se torne essencialmente anti-hegeliano.


Todas as respostas que não são trazidas por Jacques Attali neste livro podem ser compreendidas em torno de conceitos ditos positivos e negativos, a exemplo da totalidade, a universalidade e a alienação. Mas, é evidente que Marx foi um homem que estava além do seu tempo e escreveu coisas que nunca pensaria que fossem tão atuais como é hoje.


Sobre o autor


O economista Jacques Attali foi assessor do presidente François Mitterrand (1981-1990) antes de fundar e presidir o Banco de Reconstrução e Desenvolvimento da Europa do Leste (Berd). Criou a A&A, consultoria internacional com sede em Paris, e preside a PlaNet Finance, organização de microcrédito para países do Terceiro Mundo, através da Internet. É autor de vários ensaios econômicos, romances e um livro de memórias. Dele, a Editora Record publicou Dicionário do século XXI.


Serviço:
Karl Marx ou O Espírito do Mundo

(Karl Marx ou l’esprit du monde)
Jacques Attali
Tradução de Clóvis Marques
Editora Record
448 páginas
Preço: 60,00.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com.br
Fotos: Divulgação.

Móveis Coloniais de Acaju

A banda “Móveis Coloniais de Acaju” foi um dos destaques do último Festival Música Alimento da Alma (MADA) que aconteceu em maio deste ano em Natal (RN) e continua a divulgação nacional de seu CD de estréia, Idem (2005, Tratore). O disco foi produzido por Rafael Ramos e vendeu cerca de duas mil cópias em apenas dez dias e está em sua segunda prensagem. Com um estilo bem diferente, sem ser vulgar, a banda tem agradado em cheio. O grupo ao contrário do que algumas pessoas pensam surgiu em Brasília (DF) e não em Aracajú. André Gonzáles (voz), BC (guitarra), Beto Mejía (flauta transversal), Eduardo Borém (gaita, teclados e escaleta), Esdras Nogueira (sax barítono), Fabio Pedroza (baixo), Leonardo Bursztyn (guitarra), Paulo Rogério (sax tenor), Renato Rojas (bateria) e Xande Bursztyn (trombone), formam os Móveis Coloniais de Acaju. Para conhecer um pouco mais sobre “os caras” entrevistei-os, via email. Sempre irreverentes e brincalhões Esdras (sax), Beto (flauta) e Paulo (sax tenor) falaram como conciliam os horários, explicam sobre a origem e grafia do nome da banda, falam do cenário musical de Brasília e as novas investidas do grupo para o ano de 2007. Leia a entrevista:

A banda de vocês tem onze músicos, é isso? Têm sido difícil conciliar dia, horários, os shows com tanta gente?

Esdras: Não é difícil não, na verdade acho que a banda só conseguiu crescer por que somos muitos. Temos a banda como prioridade, cada um trabalha de uma forma, site, merchandising, finanças, etc, além do artístico.

Beto: Nem tanto. Tomamos a banda como prioridade nas nossas atividades. Compromissos de banda são compromissos profissionais.

Paulo: Na realidade são 10 músicos e um produtor que é da tem função de músico, mas ele ainda está estudando música e não decidiu o instrumento. Quanto a questão de horários nós procuramos agendar da melhor maneira possível, duas vezes por semana com alguns extras mas tudo resolvido de acordo com a necessidade e possibilidade de cada um, a agenda de ensaios é sempre resolvida em comum acordo.

Algumas pessoas pensam que vocês são um grupo daqui do Nordeste, mas especificamente do Estado de Aracajú? Explica ai para as pessoas que não conhecem vocês como surgiu a banda e o por que esse nome tão extenso?

Esdras: O nome é uma homenagem à Revolta do Acaju, que aconteceu no século retrasado na ilha do Bananal. Foi uma união inédita entre portugueses e nativos contra os ingleses. Para mais informações sobre ela, publicamos uma tese de mestrado sobre isso no site: http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/blog/432.

Paulo: Então também em função desse Acaju as pessoas imaginam que somos de Aracajú e apesar de não sermos do Nordeste acho que depois de alguns shows já fomos adotados... (risos).

Tem uma história ai também da grafia da banda não é mesmo?

Esdras: Pois é, já fomos chamados de Móveis Coloniais de Aracaju, Móveis Coloridos do Acaso, até com banda de Pífanos de Caruaru...

Beto: Grafia? É mesmo... a caligrafia do Fabio (baixista) é horrível. Gostamos de que a banda seja chamada pelo nome completo. Abreviações do nome são reflexos deterministas da nossa música. Para os mais íntimos, Móveis é o suficiente.

Paulo: E, sobre a grafia, basta seguir as normas da gramática brasileira... acaju não tem acento, pois é oxítona terminada em U.

Brasília sempre foi referência na música alternativa e tem fama de revelar muitos nomes. Foi assim com Legião Urbana, o próprio Paralamas do Sucesso e outros. Como se encontra atualmente o cenário musical na Capital Federal?

Esdras: Cheio de novidades, muitas bandas boas aparecendo para o Brasil... Prot(o), Lucy and the Popsonics, Lafusa, Galinha Preta. O Móveis tem um projeto que se chama Móveis Convida e busca esse intercâmbio entre bandas daqui e de fora, justamente para movimentar a cena e tentar mostrar um pouco do que acontece por aqui para o Brasil.

Paulo: A cidade sempre foi uma cidade muito musical, aqui tem grandes músicos e continua a revelar... Temos um dos grandes músicos da atualidade, o bandolinista Hamilton de Hollanda. Mas, a realidade é diferente do que houve nos anos 80 quando houve o ínicio desse movimento de capital do Rock, no entanto aqui continua de certa forma se produzindo bastante e talvez com tanta intensidade ou mais como nos anos 80, a diferença porém creio que seja a pluraridade musical. Basta observar as bandas que o Esdras citou.

Beto: No entanto, a falta de locais para tocar ainda é um grande empecilho.

Outro dia Nando Reis disse numa entrevista que fazia música ruiva. E a MCA faz que tipo de música?

Esdras: Feijoada Búlgara.

Vocês me disseram, por telefone, que estavam em processo de gravação de um vinil compacto com duas canções. Esse trabalho sai quando? E quais os planos e projetos artísticos para o ano de 2007?

Paulo: Na realidade, o embrião para esse trabalho foi um show que rolou no CCBB em Brasília, onde tocamos com Gabriel Thomaz, da banda Autoramas, onde fazíamos referência as bandas que fizeram um grande sucesso como Maskavo, Câmbio Negro e Litle Quail and Mad Birds (ex-banda do Gabriel) o show foi muito bom e o Gabriel propôs essa parceria e fizemos uma nova roupagem das músicas e resolvemos fazer em formato vinil pela Gravadora Discos do Gabriel e o nome será "Vai Thomaz no Acaju" previsto pra o segundo semestre de 2007.

Esdras: Para o CD novo que deve sair no ano que vem estamos em fase de composição, estamos tocando algumas músicas nos shows e já estão rolando no Youtube. a resposta do público está sendo muito boa.

Paulo: Os planos artísticos são muitos shows também!

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

*Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O Norte.

segunda-feira, julho 02, 2007

A Prática das audiências

Para quem deseja se manter atualizado sobre o que acontece no mundo da comunicação a Editora Hackers tem uma coleção (comunicação), em que lança todo mês o que vem sendo discutido com maior freqüência entre os estudiosos e pesquisadores da área. As publicações são estilo pocket-livro, de fácil manuseio e com preço de agradar ao bolso dos mais duros.
Um dos últimos lançamentos da editora foi o livro “Comunicação e Recepção” (Hackers, 128 p. R$ 23,76) de autoria das professoras Ana Carolina Escosteguy e Nilda Jacks. Ainda que lançado em 2006, o trabalho merece comentários, pois traz uma reflexão sobre as práticas da audiência das mídias e sua relação com os públicos.
No primeiro momento as autoras recuperam as abordagens clássicas, como a dos efeitos, que demarcaram a formação dos estudos na América Latina, bem como os estudos sobre comunicologia, que de acordo com as autoras, no México um grupo de estudiosos está desenvolvendo um projeto de elaboração de uma comunicologia possível, uma ciência da comunicação com autonomia sistêmico-construtivista em relação às outras, com seus próprios princípios, operações e pontos de vista.
A publicação vem dividida em três capítulos. No primeiro traz um mapeamento das pesquisas sobre recepção e comunicação. Através do problema as autoras desenvolvem o tema, mostra a plasticidade do termo, o seu uso, os problemas teóricos apresentados, os estudos culturais sobre o assunto e outras narrativas.
O estudo sobre recepção é mais um caminho que se abre no vasto leque de pesquisas na área de comunicação e desta vez com um estudo para fundamentar as pesquisas.
Uma das partes interessantes deste livro é quando as autoras comentam sobre as frentes culturais, um modelo, de acordo com Ana Carolina Escosteguy e Nilda Jacks, concebida pelo mexicano Jorge González, resultante de estudos empíricos sobre a relação da cultura de massa e popular com seus públicos, desde um ponto de vista sócio-antropológico, ou seja, desde a relação com a multi-dimensionalidade espacial e temporal das distintas formas simbólicas com a sociedade.
Na tentativa de entender como acontece o relacionamento da televisão com sua audiência, as autoras estudam os vários modelos teóricos-metodológicos existentes. A televisão, segundo elas, é uma mediação que enquanto instituição social é produtora de significados que ganham, ou não, legitimidade e vai muito além da opinião do telespectador.
Embora o estudo reflita didaticamente sobre o assunto as abordagens podem muito bem serem identificadas e aplicadas no cotidiano dos programas de auditórios das emissoras de televisão brasileira.

Sobre as autoras

Nilda Jacks é professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). É pós-doutora pela Universidade de Copenhague (Dinamarca). Professora colaboradora dos cursos de mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Montevidéu e da Universidade Andina Simão Bolívar (Quito). É autora de Mídia Nativa – Indústria Cultural e Cultura Regional (mestrado) e Querência – identidade Cultural como mediação simbólica (doutorado). Coordenou o livro Hermanos, pero no mucho.
Ana Carolina Escosteguy é professora da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS) da Puc-RS. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Publicou Cartografias dos Estudos Culturais – Uma Versão Latino-Americana (Ed. Autêntica, 2001) .

Serviço:
Comunicação e Recepção
Coleção Comunicação
Ana Carolina Escosteguy e
Nilda Jacksisbn
Editora: Hacker Editores LTDA
Número de páginas: 128
Encadernação: Brochura. Edição: 2006
Preço: R$ 23,76.






Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação
*Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte

sexta-feira, junho 29, 2007

Revelando Brasis


O vídeo-documentário “Extraordinárias Estórias em Manecos” de autoria da professora de letras e literatura, Maria José da Silva, mais conhecida por Tuca, será exibido nesta quarta-feira (4), a partir das 20h00, na praça da cidade de Guirinh
em, município localizado 67 quilômetros da Capital João Pessoa.

A exibição faz parte do programa "Revelando os Brasis", um projeto de formação audiovisual do Ministério da Cultura (Minc), concebido através da Secretaria do Audiovisual, que viabilizou a produção de 40 vídeos digitais em pequenas cidades do país. As histórias foram selecionadas após um processo de inscrição destinado exclusivamente a moradores de municípios com até 20 mil habitantes. Os vídeos têm duração máxima de 15 minutos.


“Extraordinárias Estórias em Manecos” foi gravado na comunidade rural de Manecos, onde as histórias sobrenaturais de Cumade Fulozinha, a Senhora das Matas, é contada por moradores. O vídeo mostra o imaginário e as supertições das pessoas sobre o personagem, e revela o convívio entre o homem e o meio ambiente.


O roteiro, direção e produção são de autoria de Maria José da Silva, com imagens João Carlos Beltrão, edição de Adilson Luiz da Silva, sonorização de Lúcio César, Magno Augusto e Job Andrade.


Manecos está localizado na região agreste e seus habitantes sobrevivem da caça e da agricultura de subsistência. O surgimento da comunidade de Manecos está ligada a história da cidade de Gurinhem, fundada por padres jesuítas e tornou-se freguesia em 1873. Foi emancipada em 19 de dezembro de 1958. O nome da cidade tem origem indígena e significa “rio do peixe saboroso”.


Logo após haverá exibição do “Contador do Doce”, uma espécie de continuação de “Extradionárias Estórias em Manecos”, contada pelo construtor de ferramentas e doceiro Luiz Ferreira Guerra, mas conhecido por Luiz do Doce, um homem simples que tenta sobreviver sozinho na comunidade de Manecos. Sua história e seu cotidiano são mostrados com extrema leveza pela autora que contou com a mesma equipe de técnica.

Quem foi Comadre Florzinha?

Comadre Florzinha ou “Cumade Flozinha”, como se diz a tradição oral, é uma lenda do nordeste brasileiro. O espírito de uma cabocla de longos cabelos que vive na mata protegendo a natureza dos caçadores e que gosta de fumo e mel. Diz-se que açoita violentamente aqueles que adentram suas matas sem levar uma quantidade de fumo como oferenda e também lhes enrola a língua. Furtiva, seu assovio se torna mais baixo quanto mais próxima ela estiver, parecendo estar distante.

Projeto Revelando Brasis - Além do vídeo-documentário “Extraordinária Estórias de Manecos”, o projeto Revelando Brasis contemplou mais três vídeos paraibanos: “Um dia na vida de uma marisqueira” de autoria da professora Adelma Cristovam dos Passos, de Pitumbú (litoral norte do Estado da Paraíba). O documentário acompanha a rotina de uma marisqueira, mostrando a organização do trabalho, as relações familiares, as dificuldades e as esperanças das trabalhadoras que vivem da pesca de mariscos.

O vídeo acompanha a rotina de Abonira dos Santos Ferreira que começou a catar mariscos aos nove anos de idade. Hoje, ela ajuda a sustentar a família com o fruto de seu trabalho.

Outro audiovisual contemplado foi “O Bode do Padre”, do professor de história Cícero Josenaldo Alves de Lira, do município de São Sebastião do Umbuzeiro (Cariri Paraibano). O vídeo ficcional conta à estória de um padre que ganha um bode de presente e passa a criar o animal na casa paroquial. O bode é leiloado várias vezes e sempre retorna a paróquia. Até o dia que um forasteiro participa de um dos leilões e decide não devolver o animal.

O roteiro, direção e produção de Cícero Josenaldo Alves de Lira, com edição de Anderson Augusto, música de Nanado Alves, arranjos de Jorge Cochó e elenco composto por Lucenilda Tomé Aleixo, José Washington Lima, Tarciana Maria Dias Feitosa. Os atores, de acordo com o produtor do vídeo, foram recrutados de São João do Tigre, cidade vizinha.

Outro contemplado com o projeto foi o vídeo-documentário também ficcional do jornalista Damião Expedito de Lima Rodrigues, intitulado “O Assalto”, da cidade de Jacaraú (PB). No elenco estão os atores: Alex Silva, Ana Luiza Camino, André Morais, Bete Maia e Cristiane Alves. A produção contou com o apoio de Jorge Bweres e Walter Cortez, com imagens de Onilson Pires e edição de Anderson Augusto. O vídeo foi baseado em um assalto que mobilizou a agência dos Correios e Telegráficos de Mataraca, município localizado a cerca de 87 quilômetros da Capital.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Equipe do vídeo Manecos - Divulgação - http://www.revelandobrasis.com.br/

Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte em julho de 2007.

quinta-feira, junho 28, 2007

Pigmentos da Informação


As criações são legítimas e o processo de interiorização das cores condensa a personalidade do autor. São essas as primeiras leituras que se pode fazer das telas do artista plástico Carlos Leão que estará expondo “Pigmentos da Informação”, nos dias 6, 7 e 8 de julho, na Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.
Carlos Leão é portador da “Retinose Pigmentada”, uma doença ocular de caráter degenerativo e hereditário cujo traço comum é a deterioração gradativa dos fotorreceptores e eventual atrofia do tecido retiniano. Mas, esse fato em nenhum momento diminuiu o desejo de desenhar e pintar telas que tem impressionado pelo contraste das cores.
A idéia de pintar surgiu do curso para cegos em Natal (RN), onde reside atualmente. “Eu dei risada quando soube”, comentou Carlos. Mas, o grupo foi formado por quatro irmãs e um cunhado do artista que tinha também deficiência visual. A princípio a técnica utilizada era tinta guache sobre o papel, técnica com a qual produziu cerca de 60 quadros, dos quais 12 estão na parede de sua casa, exposta como recordação.
O grupo se desfez e Carlos foi o único a continuar pesquisando outras técnicas. Utilizou PVA sobre eucatex. Foi quando, em maio de 2005, passou a usar óleo sobre tela. Após algumas exposições em hotéis e centros de convenções em Natal foi convidado para expor em Paris no ano passado e em Curitiba (PR) em maio deste ano.

Nesta mostra ele apresenta 20 telas que medem 50 x 80 metros (as menores) e de 80 x 1,20 metros de altura (as maiores). Nos trabalhos ele não identifica as cores, apenas os vultos. O artista tem os conceitos das cores básicas e dentro deste conceito ele pinta com as mãos e a parte periférica utiliza os pincéis. “Por exemplo, se for fazer um rosto. Ele é feito com a mão e a parte periférica com o pincel”, explicou Carlos.

De acordo com o artista, o nome da mostra se deve ao fato de ter informações visuais, das formas e informações auditivas. Com os 10% de visão que ainda tem, o artista consegue visualizar apenas os tons escuros e médios. Algumas telas são pintadas de forma aleatória.
O elemento fundamental da pintura é a cor. A relação formal entre elas presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, que guia o olhar do espectador e propõe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos. A cor é considerada por muitos como a base da imagem.
No caso de Carlos Leão, foge a tradicional forma de pintar e misturar as cores. O artista reproduz em suas telas uma realidade que lhe é familiar, com extrema naturalidade interna. Ele pinta a natureza (natural ou imaginada) e rostos de sua realidade sensível.
Carlos Leão é natural da cidade de Bezerros (PE), residiu 23 anos em João Pessoa, onde tem duas filhas. Trabalhou com produção de festas infantis e eventos. Atualmente reside em Natal e trabalha na Fundação Norte Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec).

Serviço:
Pigmentos da Informação

Carlos Leão
Dias 6, 7 e 8 de julho
Local: Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Foto: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte em junho de 2007.

Tim Festival confirma atrações internacionais

Estão confirmadas para edição do Tim Festival 2007 a banda britânica Arctic Monkeys e as americanas The Killers e Juliette & The Licks. A exemplo do ano passado, o festival acontecerá em quatro cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Vitória.

E na semana passada a organização do festival confirmou a presença da cantora islandesa Björk. Ela nasceu em 1965, na cidade de Reiquiavique, capital do país. Björk Guðmundsdóttir foi a primeira artista pop islandesa a vencer as barreiras geladas de sua terra natal e alcançar projeção internacional. Cantora, compositora é também atriz de vez em quando. Atuou no filme ‘Dançando no escuro’, de Lars von Trier, no qual também assinou a trilha sonora, lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 2001. Ela liqüidifica influências que vão do pop ao folk, do eletrônico ao clássico, do jazz ao rock alternativo. O resultado de suas criações a transformou em uma das mais instigantes artistas do pop atual.

De acordo com a assessoria do evento, Björk mostrará as músicas inéditas de seu sexto disco solo, ‘Volta’ - cujo nome batiza a turnê iniciada em abril passado –, além de outras de trabalhos anteriores.

O evento, que já imprimiu sua marca, no Rio de Janeiro ocorrerá mais uma vez na Marina da Glória. Em São Paulo os shows acontecem no auditório do Ibirapuera e na Arena Skol Anhembi. Na cidade de Vitória (ES), a versão compacta do festival acontece no Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e em Curitiba no bucólico cenário da pedreira Paulo Leminski.

A banda Juliette & The Licks surpreendeu a cena rock em 2003 ao revelar para o mundo um lado inesperado da atriz norte-americana Juliette Lewis, consagrada em filmes como ‘Cabo do Medo’, ‘Assassinos por natureza’ e ‘Kalifornia’ e hoje conduzindo uma bem-sucedida carreira de cantora à frente do seu próprio grupo.

Já as bandas “Arctic Monkeys e The Killers” surgiram em 2002 e se firmaram como grandes revelações do rock alternativo, com rápida ascensão na lista das mais executadas e vendas de discos ultrapassando a casa dos milhões.

As mudanças do festival ainda não foram anunciadas. O Tim Festival é um dos poucos que salva a tradição de festivais no Brasil e põe o país em contato com as atrações internacionais de peso. Desde que ressurgiu o festival trouxe para o público brasileiro um total de 136 atrações, sendo 44 nacionais e 102 estrangeiras, de 17 nacionalidades diferentes.

Já circularam pelo festival nomes como: Beastie Boys, The Strokes, Wilco, Brian Wilso e Diplo. A intenção dos organizadores é manter o público antenado com o que existe de mais novo na música nacional e internacional e assim antecipar tendências.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte.

sexta-feira, junho 22, 2007

Diário de um louco

Adaptado do conto do escritor russo Nikolai Gogol, o monólogo “Diário de um Louco”, estréia na próxima quinta-feira (28), a partir das 21h00, no Teatro Santa Roza em João Pessoa. O espetáculo permanece em cartaz nos dias 29 e 30 junho e 1 de julho; dias 7 e 8 de julho, sempre as sextas e sábados (às 21h00) e domingos (20h00). Os bilhetes de entrada estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).

O monólogo do funcionário público fala de um anônimo apaixonado pela filha do chefe que vive a fantasia esquizofrênica do poder e da riqueza. A interpretação estilizada é do ator André Morais (o arrecadador de prêmios do vídeo Alma) e direção do arquiteto, ator e diretor Jorge Bweres, integrante do Grupo de Teatro Bigorna.

O texto é de autoria do russo Nikolai Gogol, escrito no século 19, fase áurea do realismo russo. A montagem constrói um funcionário público que é a encarnação da insignificância humana. Em cena um personagem pobre, solitário, que ocupa a função de apontador de penas de escrever que vive num pequeno quarto.

Para escapar de todas as mazelas de sua vida cria para si um mundo de fantasias. Ele da origem, na primeira parte do espetáculo, uma identidade que vai crescendo até se sentir um rei. A segunda parte da montagem o coloca em um manicômio. A todo o momento estão presentes as metáforas sobre a alienação em questões sociais da loucura mostrando que, na cisão entre realidade e desejo, entre o mundo que se oferece para ser vivido e o mundo a que não se tem acesso, cria-se um abismo que cinde a personalidade.

O cenário é de autoria do próprio André Morais e traz inúmeras páginas de diários. “A idéia é que a peça se passe dentro das folhas deste diário”, explicou Morais no programa do espetáculo. A música foi composta pelos estudantes do Laboratório de Composição Musical da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Samuel Correia, Marcílio Onofre, Wilson Guerreiro, sob a orientação do regente Eli-Eri Moura. O figurino é assinado por Suzy Torres e Graça Morais.

A iluminação tenta não apenas representar espaços ou reforçar situações dramáticas, mas de acordo com o diretor, Jorge Bweres, coloca Sophie, sua paixão e o herói da trama, em luz brilhante que encanta e faz sonhar. “A luz constrói ambientes e divide a encenação em diferentes planos, profundidades e alturas”, comentou o diretor-iluminador.

O texto foi adaptado para o teatro em várias casas de espetáculos no Brasil e na Europa. Uma destas montagens salvou o Teatro do Rio de uma crise financeira que parecia irreversível. No ano de 1997, Diogo Vilela retomou o papel, com encenação de Marcus Alvisi. O diretor deu ao texto um tratamento leve, centrado mais na personagem do que no mundo que o esmaga. A intimidade que se cria entre o ator e a platéia é utilizada por Diogo Vilela com uma interpretação olho a olho e a projeção da interioridade do personagem.

O ator André Morais diz que o processo desse diário compreender o quanto o humano pode ser frágil e simples. “Mergulhar no universo de Gogol me fez sentir uma alma morta e ao redor de almas mortas, alienadas, mesquinhas e egoístas com uma ilusão de um ideal de felicidade social. E quanto a ascensão pode ser dura para muitos”, descreve o ator no encarte da montagem.

Está também não a primeira vez que os textos de escritores russos são adaptados por atores em João Pessoa. O grupo de teatro Piollin, em 2003, apresentou “Woyzeck”, do dramaturgo alemão Georg Büchner (1813-1837) que adaptada pelo ator Matheus Nachtergaele recebeu o nome de “Woyzeck, o brasileiro”, que teve no elenco os atores paraibanos Everaldo Pontes, Servilho e Soia Lira. A peça foi encenada em várias capitais do país, menos na Paraíba.

Nikolai Vasilievich Gogol? - Nasceu na Ucrânia, mas viveu em Moscou. Foi um escritor russo de origem ucraniana. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela sua herança ucraniana, ele escreveu em russo e é considerado parte da literatura russa. Seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura. Sua mãe lhe transmitiu a fé religiosa, que veio a acarretar, à beira da sua morte, em um misticismo doentio. Após os estudos deixou a Ucrânia para trabalhar num escritório em São Petersburgo, num ministério. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta, lhe inspiraram alguns dos seus escritos. Mesmo não sendo um medíocre empregado, a experiência lhe inspirou uma magnífica novela, O Capote (1843), cujo herói, Akaki Akakievitch, tornou-se o arquétipo do pequeno funcionário russo.

Logo depois Gogol consegue uma cadeira de professor de História no Instituto Patriótico de Jovens Moças, e em seguida, na Universidade de São Petersburgo. Durante este período, ele publica numerosas novelas. Em 1836, a peça de teatro “O Inspetor Geral” conhece um real sucesso em São Petersburgo, aplaudida pelos liberais e atacada pelos reacionários; Gogol se sente incompreendido, tanto irritado por aqueles que lhe apóiam quanto por aqueles que lhe criticam, pois, segundo ele, todos simplificam e deturpam seu pensamento profundo, pensam que ele ataca as instituições, de uma maneira quase militante, sendo que ele não quer denunciar senão os vícios e os abusos que se encontram no interior da alma humana.

Ele é autor do romance “Almas Mortas”. Ele tenta publicá-la em Moscou em 1841; mas o Comitê Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado em 1842. Este romance é uma descrição sem concessão da Rússia profunda, uma sátira às vezes impiedosa, porém onde guarda subjacente, de maneira permanente, o profundo amor de Gogol pelo país.

Em 1848, faz uma peregrinação em Jerusalém. Pouco a pouco sua saúde fica abalada e mais ainda a percepção que ele tem da mesma, pois ele se crê sempre mais doente do que de fato - e seu sentimento religioso se exalta: ele se torna cada vez mais místico.

Morre no dia 21 do mesmo ano, fatigado pelos jejuns. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscou. É autor das obras: Almas Mortas, O Nariz, O Capote, O Retrato, Taras Bulba, O diário de um louco, O Inspetor geral, Arabescos, Serões na propriedade de Dikanka, Vij e Uma terrível vingança.

Serviço:
Diário de um Louco (monólogo)

Quinta-feira (28)
Hora: 21h00
Local: Teatro Santa Roza
Em cartaz nos dias 29 e 30 junho e 1 de julho; dias 7 e 8 de julho, sempre as sextas e sábados (às 21h00) e domingos (20h00).Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Foto: Divulgação

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
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Em discussão a nova classificação indicativa para televisão e cinema no Brasil

Passa a vigorar ainda este ano a classificação indicativa de obras audiovisuais para a televisão e cinema. Na última quarta-feira (20), em Brasília, aconteceu a audiência pública no Ministério da Justiça, para debater sobre alguns artigos da portaria 264 que definiu algumas regras para classificação. A portaria regulamenta, entre outros assuntos, a padronização dos símbolos que informam a classificação indicativa dos programas de televisão, a necessidade de informar a faixa etária em chamadas e traillers da programação e a reclassificação cautelar.

O Curador da Infância e da Juventude da Paraíba, Aderaldo Soares, disse que até o momento o órgão não recebeu nenhum comunicado sobre as modificações e tão logo entre em vigor serão tomadas as devidas providências. O curador disse que as pessoas que se sentirem incomodadas pode e devem entrar em contato com o órgão para que o programa ou o audiovisual seja denunciado sobre o abuso. Em carta aberta enviada ao ministro Tarso Genro, cidadãos brasileiros enviaram abaixo assinado manifestando apoio à política de classificação indicativa de obras audiovisuais de que trata a portaria 264 de 2004 do Ministério da Justiça.


O cineasta, Marcus Vilar, disse que é contra qualquer tipo de censura, mas considera importante que haja um mínimo de controle sobre o que é veiculado hoje, principalmente na televisão brasileira. Marcus, assim com boa parte dos produtores e cineastas locais, tem receio que a classificação interfira no processo criativo das obras.


A carta encaminhada ao ministro lembra que a Constituição Federal de 1988 substituiu a prática da censura pelo instrumento democrático da Classificação Indicativa. E sublinha ainda a existência de regulamentações complexas e democráticas sobre a radiodifusão – tanto na questão da infra-estrutura como em relação ao conteúdo veiculado (área que diz respeito à Classificação Indicativa) – nas nações mais consolidadas do planeta, fato que, segundo a carta, só colabora para a tese de que tais instrumentos não guardam, nem remotamente, nenhum parentesco com as práticas de censura.


A mesma Constituição, no seu artigo 227, indica que a proteção dos direitos da criança e do adolescente tem, no ordenamento jurídico brasileiro, prioridade absoluta. A Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual o Brasil é signatário, fala, em seu artigo 17, sobre a importância de políticas que atentem para a relação entre os direitos da criança e do adolescente e os meios de comunicação de massa.


Na opinião do diretor de jornalismo dos Associados da Paraíba, o jornalista, Luiz Carlos de Sousa, qualquer iniciativa que tente estabelecer novos critérios para qualquer tipo de programa para televisão é uma forma de censura. O diretor acredita que é uma maneira do Estado intervir diretamente na vida do cidadão. “Está classificação tem o objetivo de orientar para evitar que crianças tenham acesso a programas que não contribuíam para uma boa formação. Mas, eu tenho a impressão que o governo generaliza e nivela por baixo. Porque só aos pais caberia a decisão para decidir sobre o que é bom ou não. Cada pai tem uma forma de educar e esclarecer seus filhos”, disse.


“Esse procedimento deveria ser não apenas para o cinema e televisão, mas se estender também para a internet”, comentou a empresária Maria Lúcia Menezes, mãe de dois filhos menores de 10 anos (Gabriel e Maria Helena). A empresária contesta dizendo que o assunto foi pouco discutido na Paraíba e que a sociedade deve exigir que sejam definidos horários adequados para exibição de determinados programas.


A propósito da classificação indicativa, o diretor do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o professor David Fernandes, comentou que a TV UFPB não tem esse problema com a censura indicativa, pois é uma televisão educativa e suas faixas de programação são todas livres.


David Fernandes diz que é favorável à discussão junto a sociedade civil, com debate para os pais sobre as regras e critérios utilizados para a classificação de um programa. “A criação de uma linguagem única, uma simbologia única, deixará bem claro qual a faixa etária indicada pelos especialistas para o programa exibido. Não se trata de censura prévia”, argumentou.


A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), através do website http://www.educamidia.unb.br/ disponibiliza na internet um Manual da Nova Classificação Indicativa que dentre outros tópicos traz as formas de veiculação e as categorias. O documento traz informações sobre a nova regulamentação para classificação indicativa de diversões públicas, especialmente obras audiovisuais destinadas a cinema, vídeo, Dvd, jogos eletrônicos, jogos de interpretação (RPG) e congêneres. Dentre outras mudanças, a Portaria permite que os pais autorizem, mediante a assinatura de um termo de responsabilidade, o acesso dos filhos a filmes e espetáculos com classificação indicativa superior à faixa etária, desde que acompanhados de um adulto.


Adriana Crisanto


Repórter


adriana@jornalonorte.com.br


adrianacrisanto@gmail.com


Fotos: Agência Brasil