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terça-feira, julho 11, 2006

Walter Carvalho lança Moacir - Arte Bruta

Foto: Divulgação - http:/republicapureza.com.br



Adriana Crisanto


Um confronto entre o primitivo e o moderno são focos evidentes no longa-metragem “Moacir – Arte Bruta” (72 minutos, color, 35mm) de autoria do cineasta e fotógrafo paraibano Walter Carvalho lançado em junho deste ano, no circuito “Unibanco Arteplex” do Rio de Janeiro e São Paulo. O filme registra a vida de Moacir, 42 anos, um artista plástico negro, que vive isolado num recanto do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, em condições de extrema pobreza.
O cineasta conta que descobriu Moacir por um acaso há cerca de 15 anos, numa de suas viagens pelo interior do Brasil e desde então acalentou o sonho de registrar a vida dele e só agora vê esse sonho realizado. A intenção do cineasta não foi identificar onde se encontra a normalidade de Moacir.
Foram sete dias de filmagem na casa do artista plástico que, segundo Walter, tem problemas sérios de audição, fala e de formação óssea, um “quasímodo”, que manifesta toda sua angústia interior desenhando e pintando figuras míticas, seres humanos, santos e beatos reproduzido dentro de um universo muito particular. Os desenhos são carregados de erotismo e sensualidade e tem impressionado os artistas plásticos pelo primitivismo e pela beleza.
O longa é todo ele pontuado por entrevistas com seus familiares que se comunicam num quase dialeto próprio, com palavras e expressões que o país desconhece. Um Brasil, segundo Walter, esquecido, não oficial, porém forte e representativo.
Moacir Arte Bruta foi dedicado a Leon Hirszman, que, em 1987, produziu “Imagens do Inconsciente”, com três artistas do Museu das Imagens do Inconsciente, dirigido na época pela doutora Nise da Silveira. A trilha sonora é de autoria do músico Léo Gandelman, com cello de Jacques Morelembaum e canção tema de Antonio Nóbrega. A direção de fotografia é do filho de Walter, Lula Carvalho, que amplia o olhar do personagem e utiliza recursos extras, como filmar por debaixo de um vidro onde o artista desenha.
O longa infelizmente não tem previsão de ser exibido na Paraíba, devido a falta de espaços destinados a exibição de filmes de arte e documentários. Está semana foi exibido em Nova York e antes de embarcar para lá o cineasta Waltaer Carvalho concedeu uma entrevista ao caderno Show do Jornal O NORTE em que fala dentre outras coisas sobre documentário “Francisco Brennand”, dirigido por Mariana Fortes e que está em fase de preparação para filmagem de numa nova produção com Laís Bodansky, em São Paulo. Além da produção de um filme documentário de “Um filme de Cinema”, em que faz uma reflexão sobre o próprio cinema. Leia:

Como aconteceu o seu primeiro contato com o Moacir?

Foi em 1988, estava filmando, quando encontrei por acaso perdido no meio da Chapada dos Veadeiros no interior de Goiás, um artista outsider, negro, isolado, com problemas de formação óssea, de audição e fala. Um quasimodo. Mas que desenhava de forma impressionante, com um traço desconcertante. Voltei em 2003 para registrar seu trabalho e sua maneira de viver.

E como se encontra o Moacir hoje?
Foi um encontro interessante porque Moacir não se lembrava do nosso primeiro encontro. Digo não se lembrava, mas é possível que nem tenha registrado nossa conversa quando da primeira vez. Era uma pessoa arredia e nitidamente uma pessoa com sua psique alteada.

Como o senhor observa, mesmo que de longe, o cinema paraibano? O que falta para ele ser mais atuante?
Acho o cinema paraibano muito atuante. Temos cineastas como Torquato Joel, Marcus Villar, Bertrand Lira e muitos outros fazedores de filmes que se destacam no panorama nacional e internacional. Não falta nada para ele ser atuante, ele já é. Alô! Eliezer e Heleno estamos aí curiosos para ver pronto o novo e maravilhoso longa paraibano.

O senhor saiu magoado da Paraíba?
Não, em absoluto não tenho tempo para ter mágoa. Viver é muito rico e não podemos permitir espaços para essas coisas. Vim morar no Rio em 68, ano em que a repressão era assustadora. Em João Pessoa, fui preso numa passeata estudantil e muito perseguido pela direção da Escola Técnica que na época chamava Escola Industrial. Mas isso são coisas do passado e citaria Darcy Ribeiro que preferia estar do lado dos perdedores.

Na sua opinião atualmente existe boicote e censura estética no cinema?
Não. Existe censura econômica. Falta grana pra se filmar. Quando houver uma política decente, um cineasta como Torquato Joel, só para citar um nome, não vai parar de filmar nunca.

O senhor tem algum projeto em andamento? Em que fase está?
Tem. Estou filmando um documentário sobre Francisco Brennand, dirigido por Mariana Fortes. Estou me preparando para filmar com Laís Bodansky em São Paulo. Estou realizando um filme documentário sobre cinema chamado Um filme de Cinema, uma reflexão sobre o próprio cinema. Já estou filmando a cinco anos e ainda vou levar mais outros cinco para terminar. É um filme que me acompanha e só filmo quando acontece. Aceitei dirigir a adaptação de Budaspeste de Chico Buarque, estamos trabalhando no projeto. Mas ainda vai demorar.

O que pretende fazer daqui pra frente?
Filmar e fotografar. Estou trabalhando em silencio num projeto de fotografia com o grande fotografo paraibano Gustavo Moura juntamente com o nosso Antonio Augusto Fontes que também mora aqui no Rio. Aliás por falar em fotografia, gostaria de recomendar dois livros de Gustavo, a fantástica leitura imagética que ele fez sobre Ariano Suassuna e a expressiva poesia visual em A primeira luz do sonho. Por um transcinema.

sexta-feira, julho 07, 2006

Site mostra vídeos inéditos de Gonzaguinha






Adriana Crisanto



É de autoria de um paraibano, o gerente de negócios Paulo Vanderley, um conteúdo inédito em vídeo que está sendo disponibilizado no website sobre o compositor e cantor Gonzaguinha e que se tornou notícia na imprensa cultural do país. Desde que foi ao ar, no início de janeiro, o site teve mais de três mil acessos, apesar de ter sido construído há oito anos.
O website, construído com muita dedicação por Paulo, resgata a história e a arte de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha. São quatro vídeos com cerca de três minutos cada contendo a inauguração do Museu do Gonzagão, pai de Gonzaguinha, o discurso final e os shows Pense N´eu e Asa Branca.
As imagens, segundo Paulo Vanderley, estavam nas mãos de seu pai guardadas por mais de 15 anos. “São as únicas imagens da inauguração do Museu do Gonzagão, feitas em 13 de dezembro de 1989, com o show final de Fagner, Elba Ramalho, Gonzaguinha e Dominguinhos, em que teve a queima de fogos de artifícios”, recordou Paulo Wanderley, que é natural de Piancó, interior do Estado da Paraíba.
Ele conta que a sua paixão pela obra de Gonzagão e Gonzaguinha aconteceu porque seu pai, que era funcionário do Banco do Brasil, foi designado para trabalhar numa agência em Exú, interior do Estado de Pernambuco e no lugar só fala da família Gonzaga. Hoje ele tem um acervo que só quem é fã sabe o significado. São mais de dez Lp´s, fitas, fotos, reportagens e agora vídeos com imagens inéditas. “A principio estão apenas quatro vídeos, depois colocaremos mais imagens”, comentou.
De acordo com os idealizadores, o site é um trabalho cultural e tão fins lucrativos com o único objetivo de manter viva a memória de um ídolo. As imagens dos vídeos deixam um pouco a desejar devido ao período em que foram filmadas, mas, vale como registro e memória de um dos melhores cantores da música popular brasileira que faleceu ainda jovem, vitima de um acidente automobilístico.
Várias são as discussões quanto a veracidade sobre a paternidade de Gonzaguinha. Muitos ainda questionam se ele era mesmo filho do Rei do Baião. Paulo Vanderley rebate as discussões explicando que Gonzagão conheceu a mãe de Gonzaguinha num de seus shows, com ela teve um romance e nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que durante um tempo de sua vida foi criado pelos padrinhos, que o iniciaram na música.
Desde cedo freqüentou os blocos e rodas de samba do Estácio, principalmente a Unidos de São Carlos no Rio de Janeiro, onde nasceu. Mais tarde entrou na faculdade de economia e conheceu, na Tijuca, o compositor Ivan Lins e o letrista Aldir Blanc (todos integrantes do MAU - Movimento Artístico Universitário), com quem, alguns anos mais tarde, o apresentou no programa Som Livre Exportação, na TV Globo.
Gonzaguinha concorreu, em 1968, no I Festival Universitário de Música Popular do Rio de Janeiro com a canção "Pobreza por Pobreza", que chegou às finais. No ano seguinte, na segunda edição do festival, foi o vencedor com "O Trem". Fazendo carreira em festivais, concorreu em 1970 com "Um Abraço Terno em Você, Viu, Mãe?", lançada em um compacto.
No ano de 1973, participou de um programa de televisão com a música "Comportamento Geral", em que fez duras críticas ao regime militar, que gerou polêmica e esgotou seu compacto que estava à venda. Desde então Gonzaguinha sempre teve outros problemas com a censura. Ainda na década de 70 excursionou por todo o país e gravou, em 1976, o disco "Começaria Tudo Outra Vez", um dos maiores sucessos de sua carreira.
Na sua discografia constam o lançamento de dezesseis LP´s e participou de outros tantos durante a vida, e depois de sua morte coletâneas e discos ao vivo foram lançados. Suas composições foram gravadas com êxito por diversos intérpretes, como Maria Bethânia, Fagner, Elis Regina, Simone, Joanna, As Frenéticas e outros. Entre elas, "A Felicidade Bate à Sua Porta", "Explode Coração", "Grito de Alerta", "Espere por Mim, Morena", "É", "Sangrando", "O Que É o Que É", "Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)".
No site construído por Paulo Vanderley consta toda trajetória do artista e segundo seus idealizadores é um trabalho cultural, sem fins lucrativos, com o único objetivo de manter viva a memória de um ídolo. Para conferir basta acessar o endereço eletrônico www.gonzaguinha.com.br.






Xangai lança DVD "Estampas Eucalol"








Adriana Crisanto


O cantor e compositor baiano Xangai acaba de lançar seu primeiro DVD “Estampas Eucalol, gravado ao vivo em três dias na Sala da Fundação Nacional de Arte (Funarte), no Rio de Janeiro no ano de 2005. O novo trabalho está sendo distribuído pela Karup.
Acompanham Xangai nesta produção o arranjador João Omar (violão), Ocelo Mendonça (violoncelo e flauta) e Ferretti (percussão), com participação especial da filha Maria Porto.
O DVD contém ainda uma entrevista de uma hora de duração, gravado em Belo Horizonte (Minas Gerais) e Lauro de Freitas (BA), em que mostra os diversos sucessos do cantor e compositor que tem fãs de carteirinha aqui na Paraíba. O trabalho conta ainda com a participação de Elomar, seu eterno parceiro. O título do DVD “Estampas de Eucalol” surgiu da famosa canção de Hélio Conteiras.
Eugênio Avelino, mais conhecido como Xangai, é filho e neto de violeiros, nascido no Sertão da Bahia, e criado na zona da Mata de Minas Gerais. O nome artístico foi dado por causa do nome da sorveteria do pai, na cidade de Nanuque.
O avô, seu Avelino, era sanfoneiro e faleceu aos 101 anos. Viveu um tempo na fazenda de seu primo e parceiro musical Elomar. Aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros da região. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por mais de dez anos. Chegou a começar a faculdade de economia, mas abandonou para seguir a carreira artística.
Hoje ele é considerado por parte da crítica uma das mais belas vozes a serviço da música sertaneja "de raiz" e apontado por outros como o aglutionador de linguagens do sertão. O seu primeiro trabalho foi gravado em 1976, pela CBS, intitulado “Acontecimento” que continha entre outras canções Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, "Forró de Surubim", "Marcha-rancho" , "Esta mata serenou".
No ano de 1980, lançou, em parceira com Elomar, Arthur Moreira Lima e outros, o disco "Parceria Malunga", pelo selo Marcus Pereira. Em seu disco "Qué qui tem canário", de 1981, interpretou, entre outras, "Curvas do Rio", "Pé de milho" e "Estampas Eucalol", esta última de Hélio Contreras.
O terceiro disco solo chama-se "Mutirão da vida", gravado em 1984, que teve direção musical de Jaques Morelenbaum e com acompanhamento do grupo Cumeno cum cuentro, com Jaques Morelenbaum, no celo, Alex Madureira, na viola, Marcelo Bernardes, no sax, clarineta e flauta, e Mingo, na percussão. Contou ainda com a participação especial de Geraldo Azevedo, Hélio Contreras, Marquinhos do Acordeom, Marcos Amma e Paula Martins.
Que Ricardo Anísio me corrija se estiver errada, mas destacaram-se no disco, entre outras, "Fábula ferida", de Jatobá, "O menino e os carneiros", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, "Ele disse", de Edgar Ferreira, antigo sucesso de Jackson do Pandeiro sobre a carta testamento de Getúlio Vargas, "Violêro", de Elomar, e "Alvoroço", dele e Capinam. O disco trazia sofisticação instrumental e surpresas rítmicas. No mesmo ano, apresentou show no Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. Do show nasceu o disco ao vivo "Cantoria 1", lançado pela Kuarup, no qual interpretou "Desafio do auto da catingueira", de Elomar, acompanhado do próprio Elomar, "Novena", de Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius, que cantou juntamente com Geraldo e Vital, "Cantiga do boi incantado", de Elomar, e "Kukukaya", de Cátia de França. No ano seguinte, com o mesmo grupo, foi lançado o disco "Cantoria 2".
A discografia de Xangai é extensa. Após receber o prêmio Chiquinha Gonzaga lançou em 1986 o disco "Xangai canta cantigas, incelenças, puxulias e tiranas de Elomar". Na seqüência vieram: "Xangai lua cheia-lua nova", "Das labutas". Com Renato Teixeira lançou o disco "Aguaterra". Em 1997 editou "Cantoria de festa", com o qual recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Disco do Ano.
Depois vieram "Um abraço pra ti, pequenina", gravado com o Quinteto da Paraíba, somente com músicas de compositores paraibanos como José Marcolino, Cassiano, Geraldo Vandré, Chico César, Bráulio Tavares e alguns outros, contando com as participações especiais de Vital Farias, Cátia de França e Pedro Osmar.
No ano de 2002 lançou CD “Brasileirança”, também gravado com o Quinteto da Paraíba, no qual interpretou, entre outas, "Pequenina", de Renato Teixeira, "Luz dourada", de Juraildes da Cruz e o "ABC do preguiçoso (Ai d'eu sodade)", um de seus maiores sucessos.
Pela Kuarup Discos ele lançou o CD "Nóis é jeca mais é jóia, além de áudio, o CD, que tem co-produção de Xangai com Mário Aratanha, também é CD-Rom, com dois vídeoclipes que mostram, em tela de computador, Xangai e Juraildes cantando no estúdio.

Serviço:
Estampas de Eucalol (DVD)
Xangai
Distribuição: Kuarup Discos
Preço: R$ 45,00
Informações: www.kuarup.com.br


Star 61 em Fiplerama



Banda Star 61
Foto: Divulgação



A irreverência tomará conta do Parahyba Café na noite deste sábado (8), a partir das 23h, com o lançamento oficial do segundo CD demo da Star 61. A festa de lançamento acontecerá dentro da 15a edição do Zona Zine de Carol Morena, editora e produtora do evento, que tem previsão para começar às 21h, com discotecagem de Dj Verdee e apresentação da Flying Back.
A banda que foi atração principal do festival do SESC Paraíba ,“Todas as Tribos”, e traz nesta produção cinco músicas e um bônus da faixa multimídia do clipe “Fácil Demais”.
Apesar da produção musical ter escondido um pouco a voz do vocalista Flaviano e não apresentar uma capa bem encartada, com cores nem tão harmônicas, a demo chega em boa hora para dar uma sacudida no pacato cenário alternativo da Paraíba.
O Star 61 ao lado de grupos como The Sylvias, Cabruêra (rock mais regional), Unidade Móvel (rock industrial pop) vem se revelando como um dos mais irreverentes. Depois da extinta banda Flávio Cavalcanti, atual Flávio C, hoje, pode-se dizer sem pestanejar que o Star é o que de melhor existe na cena musical.
Comentários que surge de pessoas que estão sempre ligadas no que há de melhor no cenário local, a exemplo do ator, diretor de teatro e especialista em música alternativa, Everaldo Pontes. Na opinião de Everaldo, o grupo tem uma energia muito verdadeira. Pulsação está que ficou esquecida pelas bandas, devido, talvez, quem sabe, a exigência e urgência que tem os músicos, em se aliar as novas ferramentas da tecnologia, principalmente os que estão surgindo.
No melhor estilo “Placebo purpurina de ser” o efeito deles no palco é poderoso e impressionante. Resultado observado em nomes como Mick Jagger. Algumas pessoas acreditam que este efeito que enlouquece contagia a platéia que os assiste e escuta e isso se deve ao despojamento de Flaviano que a cada apresentação entra vestido com um figurino mais absurdo do que o outro.
Até um vestido de noiva ele já usou. Foi no Festival Mada, no Rio Grande do Norte, onde ganhou o prêmio como banda revelação de 2004, abrindo para o Sepultura. O público foi conquistado ali, à primeira vista, com a performance da noiva Flaviano regando flores no palco.
A fora toda essa irreverência a musicalidade em momento nenhum é perdida. A formação é a tradicional, ou seja, baixo (Edy - ex-Flávio Cavalcanti), guitarra (Túlio) e bateria (Walter Marrano), no melhor estilo rock. Tudo isso aliado a voz de Flaviano que já diz tudo.
O talento e despojamento levou a banda a participar do Abril pro Rock de 2005, ganharam a eliminatória de Recife do “Claro Que é Rock”. Existe comentários de que a mídia tenha ofuscado um pouco o trabalho do grupo, pois as matérias falavam mais das bandas de Recife do que o grupo da Paraíba.
Em novembro do ano passado a banda foi para São Paulo para participar do festival Claro Que É Rock, junto com as bandas Cachorro Grande, Iggy Pop & The Stooges, Sonic Youth, Nine Inch Nails, Flaming Lips e outras. A apresentação rendeu um outro convite. Desta vez para se apresentar no Blen Blen, casa de shows paulistana, dentro do projeto 2em1, ao lado das bandas Rock Rocket e Bidê ou Balde.
Para quem quiser conhecer o trabalho da banda pode acessar o website da trama, através do endereço eletrônico http://www.tramavirtual.com.br/star_61. Além do histórico do grupo você escutar as músicas do primeiro CD demo e também o mais recente “Fliperama”. Habilite-se e divirta-se.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Serviço:
Star 61 - Fliperama
Sábado (8)
Hora: 23h
Local: Parahyba Café – Usina Cultural da Saelpa - Tambiá
Informações:
flastar61@yahoo.com.br
www.star61.cjb.net www.fotolog.com/banda_star61

Quando o meio é o ambiente

Figura híbrida de Gina Dantas, meio homem, meio serpente, em postura de oração, em terracota. Simboliza a necessidade de transformação do homem para que aflorem sentimentos de paz e a harmonia. A peça estará em exposição no evento que reúne moda, meio ambiente e arte.


Na tentativa de ampliar o entendimento sobre as questões ambientais um grupo de artistas em parceria com a Associação Acácia Pingo d´Ouro promovem nesta quinta-feira (6), a partir das 19h, na Usina Cultural da Saelpa, localizado no bairro de Tambiá, o evento “O meio ambiente está na moda e na arte”.
No local haverá desfile de moda, exibição de curta metragens, mostra de dança contemporânea e dramatização teatral. Tudo relacionado a temática do meio ambiente, proposta maior da Organização Não Governamental (Ong) Acácia Pingo D´Ouro que congrega pessoas preocupadas com as questões ambientais locais e globais, engajadas em projetos de conscientização ambiental e geração de renda segundo os princípios da sustentabilidade e do “fair trade”.
Na ocasião a artista plástica e estilista Fabíola P mostra sua nova coleção em que mistura fibras de bananeiras, material reciclado e tecido. Recém chegada da Europa a artista traz toda sua vivência das artes (teatro e dança) e sua experiência familiar do mundo das mercadorias para seus desfiles. “Acredito que todas essas experiências estão um pouco refletidas no meu trabalho”, contou Fabíola que parte agora com muito mais força e dinamismo para o mundo da moda.
A ceramista Gina Dantas também estará expondo suas personagens volumosas e de formas arredondadas que lembra a tradição da cerâmica andina, notadamente da cultura “mochica”. Uma de suas últimas obras é a figura híbrida, meio homem, meio serpente, em postura de oração que simboliza a necessidade de transformação do homem para que aflorem sentimentos de paz e harmonia.
Gina Dantas é uma das poucas ceramistas que conseguiu encontrar uma identidade própria. Conseguida, segundo a artista, sem muita explicação. “As coisas foram surgindo sem nenhuma pretensão”, comentou. A artista é natural de Recife (PE), mas está radicada em João Pessoa há mais de 30 anos. Suas peças estão expostas em várias capitais brasileiras e esculturas vendidas em vários países.
Engajada com os movimentos em defesa da arte Gina diz que sempre esteve a favor das pessoas que trabalham por uma causa. Esse foi um dos motivos que a fez apoiar o trabalho da Ong Acácia Pingo D´Ouro, da qual também faz parte e realiza estudos e pesquisas sobre as condições de vida das populações urbanas e tradicionais, nos aspectos ambientais, sanitário, educacional, sócio econômico e cultural e ainda apoiar e assessor grupos e entidades afins.
Os integrantes do grupo Acácia elaboram ainda projetos de combate à degradação e riscos ambientais em áreas de populações tradicionais e urbanas em situação de pobreza e risco, bem como projetos de desenvolvimento auto-sustentável.
A professora, poeta e artista plástica Terezinha Fialho estará no local fazendo também suas intervenções artistas e distribuindo com público pedaços de poesia que remetem a discussões sobre meio ambiente e artes. O evento contará com a presença de integrantes de movimentos ambientais, de representantes civis e políticos, que durante o evento estarão discutindo temas relacionados à educação e gestão ambiental na tentativa de criar oportunidades econômicas compatíveis com a realidade regional.
A moda e arte entram nesta contexto, segundo os organizadores, para nortear as discussões e como forma de chamar atenção da sociedade para os problemas ambientais e que teve seu ápice de discussão e conscientização na Eco 92 e desde então pouco se tem feito de fato pelo o meio ambiente. Os esgotos continuam sendo despejados no mar das praias de Manaíra, Bessa, Tambaú e Cabo Branco. Na Beira Rio esgoto “in natura” é depositado nas margens do Rio Jaguaribe provocando uma fedentina maldita que mais lembra os canais do Recife antigo. O rio São Francisco sendo alvo de brigas políticas partidárias sem precedentes.
A tentativa é fazer com a arte desperte essa consciência nas pessoas. Talvez consiga, desde que a mídia, que também diz ter uma função social, paute com maior intensidade sobre as questões ambientais e não fique puramente no discurso falacioso e não engajado.
Adriana Crisanto

Serviço:
Meio Ambiente está na moda e na arte

Quinta-feira (6)
Hora: 19h
Local: Usina Cultural da Saelpa - Tambiá


Martinho Patrício na Bienal


Martinho Patrício é único paraibano convidado a participar da 27a edição da Bienal de Artes Plásticas de São Paulo


O artista plástico Martinho Patrício foi o único paraibano a ser convidado para a 27a edição da Bienal de São Paulo. O evento, considerado um dos mais concorridos do país, está previsto para acontecer no período de 7 de outubro a 17 de dezembro no parque Ibirapuera. A edição, tem como tema “Como viver junto”, este ano contou com um total de 119 artistas.

Um dos projetos que provavelmente estará na Bienal é “Brincar com Lygia, com Hélio, com Volpi e com Rubem”. Brincar com Lygia, que foi exposto pela primeira vez na torre Malakof em Recife (PE), teve como curadora Cristiana Tejo. O trabalho consiste numa instalação em que o artista expõe cinco mesas com cerca de 18 mil peças confeccionadas em papel laminado onde as pessoas podem brincar com elas.

Uma das instalações que chama atenção são os expositores com três mil múltiplos que são vendidos ao preço de R$ 1,00 cada. Fazendo com que o público pense sobre o valor que pode ter a obra de arte e se ela tem realmente valor. São trabalhos representativos de pouco mais de dez anos de atividade, nos quais o artista criou uma obra singular na arte brasileira contemporânea.

A utilização do tecido como suporte dos trabalhos se ancora em referências fortes do cotidiano do artista, desde cedo cercado por um repertório variado de formas litúrgicas e lúdicas feitas de engenho e pano. Embora esteja próximas as formas construtivas cultas, essas outras formas dos trabalhos de Martinho não são fixas ou rijas, cedendo ao sopro do vento e à proximidade do corpo humano.

Os trabalhos Martinho Patrício estabelecem diálogos com artistas reconhecidos no cenário da arte contemporânea brasileira, a exemplo da artista construtivista mineira Lygia Clark que iniciou nas artes plásticas sob orientação de Burle Marx e criou, em 1960, “Os Bichos” - estruturas móveis de placas de metal que convidam à manipulação e a obra-mole, pedaços de borracha laminada entrelaçados.

O projeto selecionado, segundo Patrício, ainda está sendo desenvolvido, pois o evento acontecerá em outubro. Os trabalhos de Martinho são o que de mais “vanguardista” existe no cenário “contemporâneo” das artes plásticas da Paraíba, termos que por sinal, o artista não gosta muito de utilizar, como também é cauteloso e detalhista nas suas explicações. “É importante que as pessoas entendam o que o artista está querendo dizer e muitas vezes quem escreve não consegue transmitir”, criticou o artista.

Na opinião da Curadora Cristiana Tejo, o procedimento proposto pelo artista alia seu interesse pela forma (até então conseguida por tecidos, fitas, fuxicos, rendas e suas cerziduras) à espontaneidade de configuração de um jogo como o de búzios. Para quem quiser dar uma conferida no trabalho do artista pode acessar o seu web site através do endereço eletrônico www.martinhopatricio.com.br.

Sobre o artista

Martinho Patrício é natural de João Pessoa, onde ainda vive e trabalha. Graduado em Educação Artística na Universidade Federal da Paraíba, em1999. Entre as exposições individuais constam: Solo exhibitions (2005), Brincar com Lygia (2002). Expôs no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, que teve como curador Moacir dos Anjos, no Espaço Cultural Casa da Ribeira, Natal (2002), Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro, Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, que teve como curadora Valquíria Farias, (1999), Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Galeria Vicente do Rego Monteiro. Fundação Joaquim Nabuco, Recife (1997), Núcleo de Arte Contemporânea (UFPB), Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda (1991), Pinacoteca da UFPB, João Pessoa.

Entre as exposições coletivas constam sua participação no Group exhibitions (2005), Homo Ludens: do faz de conta à vertigem. Instituto Itaú Cultural, São Paulo, que teve como curadora Denise Mattar, Nordeste: fronteiras, fluxos e personas. Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza (2004), Narrativas: desenho contemporâneo brasileiro. Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Coleção Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães: doações 2001-2004. Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife, Galeria Mariana Moura, Recife. Para ver de(s)perto. Galeria da Faculdade de Artes Visuais, Goiânia. Heterodoxia. Galeria Archidy Picado. Fundação Espaço Cultural, João Pessoa (2003). Ordenação e vertigem. Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.

Coletiva. Dumaresq Galeria de Arte, Recife (2002), Pupilas Dilatadas. Galeria Massangana. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Rumos da Nova Arte Contemporânea Brasileira. Paço das Artes. Belo Horizonte, que teve como curador Fernando Cocchiarale.

Participou ainda da II Bienal Internacional de Buenos Aires. Museu de Bellas Artes, Argentina. Faxinal das Artes . Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba. Caminhos do Contemporâneo: 1952-2002. Paço Imperial, Rio de Janeiro. O Presente e a Presença: coleções. Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Onde o Tempo se Bifurca. Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa. Entre o Eu e o Mundo... Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa. Fez parte do Projeto Nordestes. SESC Pompéia, São Paulo. Entre o Eu e o Mundo... Museu de Arte Contemporânea, Goiás.

Arte Contemporânea da Paraíba. Museu de Arte Assis Chateaubriand, Campina Grande. Quatro vezes. Galeria Archidy Picado. Fundação Espaço Cultural, João Pessoa. Galeria Funjope. Fundação Cultural de João Pessoa, João Pessoa. No ano de 1998 expôs seus trabalhos na Geração 90. Galeria Casa Triângulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. V Salão MAM. Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador. Arte Contemporânea da Gravura. Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, Curitiba. Antarctica Artes com a Folha. Pavilhão Pe. Manoel da Nóbrega, São Paulo.

A Bienal

A 27ª Bienal de São Paulo iniciou suas atividades em janeiro. Pela primeira vez, foram abolidas as representações nacionais. O título da mostra, “Como Viver Junto”, inspirado em seminários de Roland Barthes no Collège de France realizados em 1976-77 propõe uma reflexão acerca da construção de espaços partilhados. Coexistência e convivência, ritmos de produção e práticas cooperativas são questões que integram a tentativa de chegar a um sentido ético do Viver-Junto. A 27ª Bienal está conceitualmente situada na interseção de duas linhas de pensamento que Hélio Oiticica (1937-1980) desenvolveu: o sentido de "construção", que está na base da experimentação neoconcreta, e o "adeus à estética". Na mostra, essas duas linhas se traduzem em "Projetos Construtivos" e "Programas para a Vida".

Adriana Crisanto

Mais um prêmio para Mônica


Paraibana Mônica Câmara recebe das mãos do presidente Luis Inácio Lula da Silva prêmio promovido pela
Secretaria Nacional Antidrogas

A fotojornalista Mônica Câmara recebeu em Brasília (DF) o prêmio de R$ 4 mil pela primeira colocação no IV Concurso Nacional de Fotografia, categoria profissional, promovido pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Ao todo foram 80 fotógrafos de várias partes do país.
A solenidade de entrega do prêmio aconteceu ontem no Palácio do Planalto, durante a Semana Nacional Antidrogas, com a presença do presidente da república Luis Inácio Lula da Silva. Desta vez a foto premiada foi “Recreio”, tirada por um acaso na cidade de Caapora, quando trabalhava na editoria de fotografia do Jornal O NORTE.
A foto ficou guardada por algum tempo até que surgiu a oportunidade do concurso e ela resolveu concorrer. As regras do concurso eram claras e só poderia inscrever apenas um trabalho inédito sobre o tema “Atitudes positivas na vida e a prevenção do uso indevido de drogas”, não foi permitido utilizar imagens negativas ou preconceituosas, muito menos cópia ou adaptação de fotografia já existente.
O prêmio é sem dúvida o reconhecimento do trabalho de uma das melhores, senão a melhor, profissional de fotografia que o Estado da Paraíba dispõe. Sensibilidade é o que não falta a Mônica, a prova são os inúmeros prêmios que vem recebendo ao longo de sua carreira. Também não é a toa que ela carrega o sobrenome Câmara, quase chega a ser “Câmera”. Nesta simbiose de nomes, Câmara ou Câmera, na verdade, para quem a conhece bem e conviveu diariamente na redação com sabe o quanto é apaixonada pelo que faz.
Mônica Câmara é natural de João Pessoa (PB). É jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Na fotografia começou no ano de 1997. Por quase seis anos atuou em redação de jornal. Hoje é programadora visual, concursada, na Editora Universitária da UFPB, que está vinculada ao Pólo Multimídia.
No currículo dela constam o prêmios concedidos pela AETC/JP de Jornalismo (2003). Conquistou o prêmio Momentos Incríveis promovido pela National Geographic Channel, na categoria Natureza, foi tema de um concurso redação do cursinho clássico de português da professora Valdenora Nogueira. “Isso vale mais do que qualquer premiação”, comentou a fotógrafa Mônica Câmara na época.
Ela também foi vencedora do prêmio “Click João Pessoa”, com a foto que retrata um momento da procissão de Nossa Senhora das Neves, padroeira da Paraíba, produzida no dia 5 de agosto.
A profissionalização só aconteceu em 2001, quando se despertou o interesse pelo fotojornalismo, e quando a arte de fotografar passou a ter um significado maior. Compromissada com a gente do lugar onde reside ela começou seus estudos na área de linguagem visual com às manifestações populares infantis, tema que muito lhe agrada. Em seguida, vieram os experimentos, as paisagens, os desastres sociais.
Há três anos, juntamente com os amigos Helder Machado, Amilton Simão e David Fernandes, vem desenvolvendo um trabalho de resgate e divulgação do fabrico e consumo da cachaça e rapadura artesanais, produzidas no Estado da Paraíba. Como senão bastasse Mônica Câmara desenvolve pesquisas em parceria com algumas Organizações Não-Governamentais (Ong´s), visando o reconhecimento da cidadania de crianças e adolescentes em situação de risco, no Estado.
Mônica diz que sua paixão mesmo está nas estradas e nas imagens. Tanta paixão levou a fotógrafa, em cerca de oito anos, a participar de 26 exposições, entre individuais e coletivas, destacando “12 motivos para não deixar de ser criança”, sua primeira exposição e o passo decisivo para o fotojornalismo.
Entre os prêmios que conquistou estão menções honrosas e honrarias, cerca 12. “Só o brasileiro se ver não é o bastante, ele tem que se reconhecer enquanto cidadão e ser humano”, disse. Um dos meios que a fez se enxergar enquanto agente formador de opinião foi a fotografia. Através dela, Mônica se reinventa. Sua construção visual se consolida a cada piscar. E vem do cheiro, da música, da poesia, do jeito, que sua gente tem de sorrir e de se dar. Parabéns por mais essa conquista.

O prêmio

Na categoria profissional, o 2° lugar ficou com Daniel Protzner de Melo, de Belo Horizonte (MG), que vai receber R$ 2 mil. Os prêmios de Menção Honrosa vão para Valéria Leite Simões, de Salvador (BA), Márcio Henrique Furtado Vasconcelos, de São Luís (MA), Severino Ferreira da Silva, de Caruaru (PE) e Helder Messias de Almeida, de Paraupebas (PA).
A vencedora na categoria amador foi Hellen Tatiene Vieira, de Campinas (SP), com o trabalho “Pelos passos da vida... não me canso de viver, nem de dançar”. O 2° lugar ficou com Valéria Aparecida de Mello, de Batatais (SP). Carlos Roberto Chaves Faria, de Salvador (BA), Cíntia de Souza Locaregio, de Chapecó (SC) e Ana Gabriela Correia de Albuquerque, do Recife (PE) vão receber os prêmios de Menção Honrosa.
O júri foi formado pela coordenadora de prevenção da Secretaria Nacional Antidroga, Doralice Oliveira Gomes; Wagner Antônio Rizzo, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB); Josué Gonçalves de Vasconcellos, representante da Unesco e pela Subsecretaria de Comunicação Institucional da Presidência da República, Silvana Ferreira.
Adriana Crisanto

quarta-feira, junho 28, 2006

Arte e Moda

Foto: Divulgação do artista



Adriana Crisanto



As tentativas de aproximar moda e arte não é coisa recente. Diga-se de passagem que o Museu de Arte de São Paulo (MASP) guarda, em seu acervo, um vestido desenhado por Salvador Dalí. Nos anos 60, Lygia Clark e Hélio Oiticica criavam obras para serem vestidas. Nos 80, Leda Catunda e Leonilson também se valeram dos códigos da indumentária para compor seus objetos.
Aqui na Paraíba o artista plástico Amenemar Tenório desenha suas obras em roupas da moda praia e até tem uma griffe chamada “Perto da Lua”. Recentemente o artista plástico paraibano Tito Lobo teve algumas de suas telas impressa na coleção verão 2006 da marca Lygia & Nanny, das empresárias e irmãs Lygia Moreno e Nanny.
A griffe está presente na moda praia, fitness e sportwear há 25 anos e tem apresentando crescimento a cada coleção. Lygia Moreno, uma das empresárias da marca, em uma de suas viagens a João Pessoa para acompanhar o marido e o filho em competições de Kitsurf, disse que se impressionou logo que viu as telas de Tito Lobo.
O cruzamento das linguagens (artes plásticas e moda) criam artefatos híbridos – bem adequados ao momento contemporâneo. Como destacou, Lygia Moreno, que inspirada nessa possibilidade de cruzamentos, de contaminação dos meios. A coleção, segundo a estilista, terá número limitado. Para a coleção verão 2006 ela lança duas espantas e no próximo ano mais duas. “Quem comprou comprou, quem não comprou não compra mais”, comentou.
A outra novidade que Lygia Moreno traz, além da arte de Tito, é o fio da lycra da peças. O material utilizado se chama “amni” da empresa Rohia. A malha é mais macia e proporciona mais conforto. A coleção será lançada, segundo Tito Lobo, será lançada também em Portugal, na cidade de Viseu, na Natural Fashion e na cidade de Sino, com apoio do Cassino Vistoriu.
Para quem não a conhece Lygia Moreno começou a participar de competições de Windsurf em 1979, tornando-se campeã de sua categoria por vários anos, o que rendeu uma ligação com a Maio e a Lygia Campeã. Um dos fatores que contribui para propagação da griffe, foi quando a atleta competiu em adiantada fase de gravidez e consagrou-se vice campeã mundial. Lygia e Nanny tem conquistado um público fiel de todas as faixas etárias de idade.
Questionar a existência de uma moda autenticamente brasileira é como questionar a transparência de nossa cultura. Somos um produto de cruzamentos, uma cultura mestiça, dependente, em conflito com as nossas próprias vocações. A moda não poderia ter a seu cargo resolver um problema que o país e seu povo não resolveram. No livro a História da Moda no Brasil, editado pelo Centro Cultural Cândido Mendes e a TV Educativa, os estilistas Ruth Joffily e Luiz Antônio Aguiar revelam que haverá cultura e moda brasileiras quando o povo brasileiro for ideológica e economicamente autônomo o bastante para gerar seu estilo e circunstâncias próprios de vida. Para Tito Lobo o prazer de ver suas telas valorizadas desta maneira só o deixa mais animado a querer seguir em frente e produzir cada vez mais.
As peças em breve serão lançadas na capital com grande desfile com modelos. Por enquanto a estilista e o artista plástico estão divulgando os trabalhos na mídia impressa e eletrônica.
Tendência – Atualmente ligar a moda com música e atitude, por exemplo, é bem simples. Basta você ir num show e olhar à sua volta. Adeptos da música eletrônica se vestirão de uma maneira, rappers de outra, roqueiros e seus mais variados estilos (metal, punk, indie, rockabilly...) de uma outra bem diferente.
Já existem várias marcas que estão se mobilizando nesse sentido, e o rock é uma das grandes apostas. As próprias Triton e Ellus, conceituadíssimas, têm buscado um público mais jovem com esse estilo. Já em festivais alternativos que acontecem no Brasil, é usual darmos de cara com banquinhas que vendem roupas e acessórios que remetem ao rock´n´roll que também está sendo visto no palco. São marcas menos conhecidas, mas não menos descoladas.
Recentemente a jornalista Goretti Zenaide, que acompanha os eventos de moda pelo país, revelou em reportagem aqui no Jornal O NORTE, a perfeita sinergia entre a cultura e a moda durante do BH Fashion Music que aconteceu no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Os desfiles foram verdadeiros shows e a Cavalera, apoiada por um projeto do governo do Estado, apresentou a coleção primavera-verão com peças de rendas feitas no cariri paraibano e com shows simultâneos das Ceguinhas de Campina Grande e Zabé da Loca e sua banda de pífanos.

Apertando o parafuso

Foto: Divulgação da banda



Original e espontâneo é assim o som da banda de rock pernambucana Parafusa que acaba de lançar o disco “Meio Dia na Rua da Harmonia”, segundo trabalho do grupo totalmente independente. No álbum eles misturam sonoridades e saem na frente em termos de estrutura musical no pop rock.
A formação básica de qualquer banda de rock (bateria, guitarra, baixo, piano e percussão) em nenhum momento se aproxima de fórmulas convencionais neste trabalho. O que se pode escutar no CD são construções sonoras experimentais sem a sujeira convencional das novas bandas de rock que estão no cenário alternativo. Não é para menos, pois, as influências musicais vêm de nomes como Mutantes, Ave Sangria, Secos e Molhados, Jethro Tull, Beatles, Bem Folds, Chico Buarque, Cartola e outros afins.
“Meio Dia na Rua da Harmonia” têm doze faixas com letras de Diego Andrade, Tiago Araújo, Malu Allen, Lucas e Juliano. São marchinhas de carnaval, rock, sambas e música popular brasileira com arranjos criativos e diversificados. O maior mérito é escutar o disco prestando atenção nas letras, que não estão impressas no encarte, mas são carregadas de poesia cotidiana na voz personalística de Tiago Araújo.
O disco foi gravado pela própria banda no estúdio sala 7 da Escola de Música Cema, em Recife (PE). A quarta faixa do CD, “No Asfalto”, eles inseriram trechos de canções da cultura popular, como “Bendito de São João”, gravado na cidade de Aparecida, interior do Estado da Paraíba, pelos pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Marcos, Maria Ignez Ayala e Vlader Nobre, contido no trabalho “Responde a Roda Outra Vez”, coordenado pelo professor de etnomusicologia Carlos Sandroni, que traçou um panorama da música folclórica da Paraíba e Pernambuco hoje, tal como fez a equipe do escritor paulista Mário de Andrade em 1938 quando ainda era Chefe do Departamento de Cultura do Estado de São Paulo (1935-1938).
O fato é que a mistura de música folclórica, rock pop, MPB e marchinhas de carnaval são eficientes e prova como o cenário alternativo da capital pernambucana vem amadurecendo a cada ano. Hoje existe uma certa maturidade nos trabalhos das bandas alternativas que mesmo no meio daquele mangue sujo, conseguem tirar vida, provar a força que tem sua música e produzir trabalhos de qualidade sonora.
A banda Parafusa parece não ter recebido bons elogios da imprensa pernambucana que duvidam da capacidade do grupo entrar na máquina industrial do circuito “mainstream”. Mas, ao que parece o parafuso da parafusa está bastante apertado para cair na malha especulativa de uma mídia cega e surda que vive da espetacularização e unicamente dos produtos culturais que são lançados.
O grupo tem a mesma formação desde que surgiram em 2002, com Juliano Ribeiro (piano), Lucas Araújo (bateria e percussão), Diogo Andrade (guitarra e voz) e Tiago Araújo (baixo e voz). A intenção deles agora, segundo Juliano Ribeiro, é divulgar o trabalho em todo Nordeste.
Em João Pessoa, o disco poderá ser encontrado nas lojas Música Urbana (no centro da cidade) e em Oliver Discos (na praia de Manaíra) ao preço de R$ 12,00. Quem quiser se adiantar e conferir o trabalho da banda pode acessar a página do grupo (http://www.parafusa.com.br/) e baixar algumas canções que estão disponíveis ou então entra em contato através do e-mail parafusa@parafusa.com.br ou pelo telefone (81) 9146.2604/9282.1365.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Serviço:
Parafusa – Meio dia na rua da harmonia
Preço: R$ 12,00
Informações no website http://www.parafusa.com.br/
Fones: (81) 9146.2604 ou 9282.1365

Oscar Wilde

Foto: arquivo jornal

No dia 30 de novembro comemora-se o estranho “aniversário de morte” de um dos mais polêmicos escritores da literatura inglesa, o irlandês Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde. Vários eventos estão acontecendo no mundo deste o dia 16 de outubro, data do seu nascimento, para brindar a obra de um dos mais famosos poetas, romancistas e dramaturgos do século 19.
Nas prateleiras das livrarias da cidade já circula o livro “Contos Completos – Stories” (Landmark, 2004, 256p. R$ 30,40), uma edição bilíngüe comemorativa, com treze contos escritos por Wilde, no período de 1888 a 1891, publicado posteriormente em quatro edições. O que chama atenção nesta versão é que o texto em inglês vem ao lado da tradução original.
Entre os contos mais conhecidos de Oscar Wilde estão o clássico “O Fantasma de Canterville”, que foi encenado no teatro por várias companhias, “O Pescador e Sua Alma” e “O Crime de Lorde Arthur Savile”. Durante a leitura o que se pode observar é a rapidez dos diálogos que vão evoluindo texto a texto e atingindo um grau de intensidade dramática invejável. No conto “O Crime de Lorde Arthur Savile” deixa bem claro nas falas a representação cênica, com atores entrando e saído do palco.
Uma das marcas literárias de Wilde é que seus textos passeiam entre o conto e o ensaio, e ele o deixa muito claro, principalmente numa época em que a sociedade era mais moralista do que hoje e que ser homossexual era crime e dava cadeia. O senso de humor burlesco e a alegria do autor deixam marcas no conto “Fantasma de Canterville”. Com riqueza de detalhes ele valoriza o trabalho do artesão que ele admirava bastante em detrimento a coisa massificada, industrializada ricamente descrita nas características físicas dos personagens masculinos.
Um dos aspectos que chama atenção na escrita do livro é a substituição do travessão (bastante utilizado para marcar os diálogos na gramática de língua portuguesa-brasileira) pelas aspas (“..”). Com este livro o leitor tem nas mãos não apenas a biografia de Oscar Wilde mais a obra mesmo do autor.
Mas, o que muitos leitores gostam e querem saber é quem foi esse escritor tão polêmico e mal-dito? Oscar Wilde nasceu em Dublin, na Irlanda. É o autor do romance “O Retrato de Dorian Gray”, de 1890, considerado sua obra-prima. Wilde se destacou pelo seu envolvimento com o Movimento Estético – A arte pela Arte – e pela adoção peculiar na maneira de se vestir e agir. Destacou-se no teatro e, por meio de sua ironia e humor, seus jogos de palavras e subentendidos, criou um novo tipo de comédia.
Foi um aluno inteligente e de temperamento forte. Casou-se com Constance Lloyd, com quem teve dois filhos, Cyril e Vyvyan. Oscar Wilde era filho de um médico, Sir William Wilde, morto em 1876 e uma escritora, Jane Francesca Elgee, árdua defensora do movimento da Independência Irlandesa, fazendo com que desde criança Oscar Wilde estivesse rodeado pelos maiores intelectuais da época.
Criado no Protestantismo, Oscar Wilde foi um aluno brilhante, sobretudo nos estudos de obras clássicas gregas e seus conhecimentos nos idiomas. Estudou na Portora Royal School de Enniskillem, ganhou vários prêmios com destaque no Trinity College, em Dublin, e no Magdalen College, Oxford, onde ingressou em 1874. Em 1978, ganhou o prêmio Newdigate, com a clássico "Ravena".
No ano de 1895 foi preso, condenado a dois anos de trabalhos forçados por seu envolvimento com o Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como era apelidado), pivô de todo seu drama amoroso. O pai de Lord Douglas, Marquês de Queensberry, sabendo do envolvimento do filho com o escritor, envia uma carta aonde o ofende e recrimina toda e qualquer relação que viesse a ter com o jovem Lord.
O escritor processa o Marquês por difamação. Mas, as provas concretas de sua conduta sexual aparecem e um novo processo instaurado contra ele. A mais contundente prova é uma carta enviada por Wilde para Lord, peça chave no julgamento. Em 11 de abril, é transferido da Prisão de Bow Street, onde estava encarcerado, para a de Holloway, como réu de crime inafiançável. Em 1985, a sentença é decretada: Oscar Wilde foi condenado por sua relação dúbia com o Lord e suas práticas homossexuais a dois anos de cárcere.
Foi libertado em 19 de maio de 1897 e transferiu-se para a França, onde adotou o pseudônimo de Sebastian Melmouth, usando esse nome inclusive para o seu registro no Hotel d´Alsace, onde passou o resto dos seus dias. Mesmo após sua libertação, continua a manter contato com Lord, mas, sua relação já não era mais tão íntima. O escritor vive isolado em hotéis baratos, destruindo-se através do absinto, cuja cor lhe rendeu frases célebres.Oscar Wilde morreu vitimado por uma meningite e com uma infecção no ouvido, "cholesteotoma" (doença muito comum antes do advento dos antibióticos) em um quarto barato do hotel de Paris, às 9h50, dia 30 de novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado insubstituível obra que ainda hoje é admirada devido a sua genialidade. Suas últimas palavras foram "Esse papel de parede é horrível! Alguém precisa trocá-lo!", referindo-se ao papel de parede do quarto de hotel onde se encontrava.
Curiosidades sobre Wilde
  • Na internet pipocam páginas inteiras falando sobre Wilde. As turbulências e confusões de sua vida são eternas, desde o seu nascimento. A data mais defendida seria 16 de outubro de 1854, mas, existem divergências.
  • Wilde era o prisioneiro C-33 do presídio de Reading. E está sepultado no cemitério Père Lachaise, o mais célebre de Paris, onde estão os túmulos de outras 105 grandes personalidades, como Balzac, Chopin, Alan Kardec, La Fontaine e Molière. Seu túmulo fica no número 83 da Avenue Carette, entre a Transversal 3 e a Avenue Circulaire.
  • Lord Douglas, ironicamente, arca com todas as despesas do funeral do escritor e depois disso, casa-se, porém, não foi feliz em sua nova união, separando-se mais tarde.
    "Neste mundo há somente duas tragédias. Uma é não conseguir o que se quer, a outra é conseguí-lo" Talvez seja esta a frase mais conhecida de Oscar Wilde.
Adriana Crisanto
**** Texto publicado em novembro de 2004 no caderno Show do Jornal O Norte.

Lya Luft e sua "Secreta Mirada"

Escritora relança pela Editora Record livro
com acréscimo de outros poemas

Foto: arquivo o norte



Adriana Crisanto

O amor em suas variadas formas, o drama da existência humana, as escolhas, encontros, desencontros ou fatalidades. Estas são algumas das temáticas trazidas no livro “Secreta Mirada e Outros Poemas” (Editora Record. 160 pág. R$ 24,90) da escritora Lya Luft, a mesma autora de Perdas e Ganhos.
O livro, que foi lançando originalmente no ano de 1997, chega para o leitor reeditado com acréscimo de outros poemas selecionados da obra “Mulher no Palco”. Os poemas vêm recheados de emoção e sensibilidade, uma característica da autora. Os mais sensíveis diriam. “Ela é maravilhosa, diz aquilo que estamos sentindo”. Antes mesmo de aprofundar na leitura do livro me veio uma dúvida: Mas, o que tem os escritores e poetas que traz na alma um pedaço do sentimento de outras pessoas?
Não demorou muito e a própria autora me respondeu no poema “Canção da Mulher que Escreve” (página 19): “Não perguntem pelo meu poema: nada sei do coração do pássaro que a música inflama (...) Não queiram entender minhas palavras: não me dissequem, não segurem entre vidros essas canções, essas asas, essa névoa. Nem eu ouso erguê-lo entre meus dedos e perturbar a sua liberdade”.
É assim que os escritores da alma da gente escrevem. É assim que escreve Lya Luft, sempre direta, certeira. Pronta a vencer a banalidade do cotidiano e entender o outro, sem pestanejar, sem um pingo de tédio. Os poemas da autora são como canções mesmo que ela as nomeou um a um de conformidade com as coisas que acontecem na sua vida.
São 160 páginas em que Lya Luft fala sobre o amor e também como anistiar os ressentimentos do passado, as mágoas, e como se sentir inteiro depois que tudo passou. Os poemas são bem dispostos, um por página, contados como num romance. O campo de visão da autora é vasto ao mesmo tempo em que se parece com uma folha no vento, que sai rasgando a liberdade.
Para os filhos (Susana, André e Eduardo) ela dedicou três poemas-canções. Para ela a maternidade é como encostar o ouvido na porta fechada sobre o mistério, se sente amor, ternura e uma espécie de medo.

Sobre a autora
Lya Luft nasceu no dia 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Posteriormente, estudou em Porto Alegre (RS), onde se formou em pedagogia e letras anglo-germânicas. Iniciou sua vida literária nos anos 60, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Lya Luft já traduziu para o português mais de cem livros.
Entre outros, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Na bibliografia da escritora consta os lançamentos de Canções de Limiar (1964), Flauta Doce (1972), Matéria do Cotidiano (1978), As Parceiras (1980), A Asa Esquerda do Anjo (1981), Reunião de Família (1982), O Quarto Fechado (1984), Mulher no Palco (1984), Exílio (1987), O Lado Fatal (1989), O Rio do Meio (1996), Secreta Mirada (1997), O Ponto Cego (1999), Histórias do Tempo (2000), Mar de Dentro (2000), Perdas e Ganhos (2003).

terça-feira, junho 27, 2006

Tocaia da Paraíba

Tocaia agora em "Botando pra Quebrar"

O grupo Tocaia da Paraíba acaba de lançar o tão esperado segundo CD da carreira, intitulado "Botando pra Quebrar". O lançamento oficial aconteceu na semana passada no Teatro Iracles Pires, em Cajazeiras, interior do Estado, de onde o grupo veio. Ontem, no MPB Funesc, eles abriram o show dos pernambucanos Dominguinhos e Nando Cordel, e deram uma mostra do que está contido no disco.
É complicado escrever sobre um grupo que está à cerca de dezoito anos fazendo música no alto sertão da Paraíba. O esforço para não se cometer erros é uma constante no trabalho do grupo. Tanto é verdade que mesmo com a entrada e saída de alguns integrantes eles continuam na ativa.
Mesmo sem querer utilizar metáforas para construir conceitos é inevitável perceber o quanto à música produzida pelo Tocaia da Paraíba está ligada às coisas o mundo. No disco, "Botando pra Quebrar", a sonoridade musical continua sendo a mesma, ou seja, cocos de roda, cirandas, baião, maracatus, bumba e todos os elementos constantes na cultura popular. Tudo isso aliado à nova ordem mundial da sociedade de massa, industrializada e tecnologicamente informatizada, o que faz com que o trabalho tenha uma especificidade, e estabeleça assim uma nova maneira de ser e estar no mundo da música.
No disco são encontrados 15 composições de autoria de Erivan Araújo, Naldinho Braga, Pedro Santos, Salvador Alcântara, Marcos Vinicius. A música para cinema é uma constante neste trabalho. A começar pela primeira faixa de Salvador de Alcântara (Desafio) que foi composta para o filme "O Sonho de Inacim", de autoria do cineasta Eliezer Rolim, que teve como locação a cidade de Cajazeiras. O grupo participa em uma das cenas do filme ao lado do cantor e compositor Flávio Eduardo (Fubá) que interpreta o personagem Zé das Antas.
Outra música que está na trilha sonora do filme é a canção Saóra (Naldinho Braga – faixa 3). Saróa é o nome do padeiro mais conhecido da cidade de Cajazeiras, falecido a pouco tempo, e foi composta para homenagear a personalidade mais popular da cidade, conhecido tanto pela qualidade do seu produto, como pelos gritos que dava pelas ruas da cidade anunciando a todos o seu pão. Os gritos viraram slogan na sociedade mundializada e se tornou refrão na música. "Eh! que pãozão de arroba. Corre que tá se acabando!", diz a canção que conta com a participação muito especial da cantora e compositora Cátia de França.
O pão produzido por Saóra continua sendo fabricado pelos filhos e, segundo Erivan Araújo, é bastante consumido pela população de Cajazeiras, por ser um pouco menor do que o pão industrializado das padarias, mais consistente e com menos fermento do que as massas convencionais. "Este disco tem vários personagens que estão no imaginário popular, fictício ou não", comentou Erivan que nasceu em Campina Grande, mas que fixou residência em Cajazeiras há cerca de doze anos para trabalhar como professor de música.
Neste trabalho três músicas são de autoria do maestro Pedro Santos, a exemplo de "Canção do Serviço" (gravada por Zé Rodrix - faixa 15) que foi produzida para o filme Salário da Morte em parceria com Marcos Vinicius, "Zefa Cajá" (Walter Lima Júnior e Pedro Santos - faixa 11), que também é personagem do livro Menino de Engenho, de autoria de José Lins do Rego, composta para o filme que leva o mesmo nome. A terceira canção, composta para o mesmo filme, se chama Zé Cutia (Walter Lima Júnior e Pedro Santos – faixa 2).
Os índios não poderiam ficar de fora deste universo cultural da Tocaia. A canção Tabajara (Erivan Araújo), um caboclinho, que está presente no disco da cantora Gláucia Lima, é uma música dedicada ao Jaguaribe Carne e a professora de Sociologia Ana Coutinho. "É uma homenagem que particularmente eu faço a tribo dos tabajaras, do qual eu tenho descendência. Minha mãe e minha avó são descendentes indígenas", revelou Erivan. Este bem elaborado projeto musical não pode ser considerado um trabalho de etnomusicologia, mas, de acordo com Erivan, é uma tentativa de entender a cultura popular através da antropologia.
As coquistas Selma do Coco e Lia de Itamaracá também são homenageadas neste trabalho com a canção Duas Gatas que conta com a participação do trombonista Radegundis Feitosa. Outro homenageado no disco é o escritor Ariano Suassuna com a música "João Grilo" (faixa 8), em que na visão do letrista Erivan Araújo, criador e criatura se misturaram tanto e se assemelham tão profundamente que ninguém mais sabe quem é o escritor e quem é o personagem. A música surgiu de um poema escrito pelo músico e em seguida musicado. Num processo completo de aliteração, o compositor brinca com o nome do autor do Santo e a Porca. O escritor, segundo Erivan, chegou a ver a letra e a escutar a música, e segundo o músico, disse que havia gostado. A música conta com a participação honrosa do grupo Quinteto da Paraíba num bem afinado coro de cordas.
Adriana Crisanto

segunda-feira, junho 26, 2006

Cinema Paraibano



Sonho de Inacim tem locações no centro histórico de João Pessoa



O Convento da Igreja de São Frei Pedro Bento Gonçalves, no centro histórico de João Pessoa, foi o cenário para a etapa final das filmagens do longa metragem “O Sonho de Inacim – O Aprendiz do Padre Rolim” do diretor paraibano Elizer Rolim, que vai contar sobre a obra missionária do religioso, nascido no século IX e se tornou conhecido em todo sertão nordestino após a criação de várias casas-escolas no interior do Estado. Um dos estudantes de sua escola foi o Padre Cícero, que segundo conta a história, foi um aluno brilhante.
O longa começou a ser filmado na Fazenda Acuã, em Aparecida e também em Cajazeiras, municípios do interior do Estado da Paraíba, e retrata o passado e o presente da vida do padre Rolim. As gravações, no entanto, começaram sendo feitas de trás para frente. Na primeira etapa foram realizadas gravações com o ator global José Wilker que interpretou o padre na sua fase adulta. Durante os dez dias que esteve na região o ator percorreu os caminhos feito pelo Padre Rolim, onde interpreta o teólogo, educador, botânico e naturalista do século XIX, que revolucionou o interior nordestino.
Quem interpreta o Padre Rolim, na fase criança, é o estudante Gabriel Batistuta que foi selecionado, no ano passado, entre as 100 crianças, para interpretar o padre. Batistuta, que tem esse nome devido ao nome do jogador de futebol argentino, disse que essa é a sua primeira atuação em cinema e nunca havia participado de espetáculos de teatro “nem de brincadeira”. Ao lado de Gabriel participa também o ator mirim Lindon Johnson de 12 anos.
Gabriel Batistura será Inacim, um menino do século XXI, morador do morro do Cristo Rei, que atuará como "aviãozinho" dos traficantes de drogas da região. Após um sonho, ele tem uma série de visões, onde volta aos tempos de 1800, à antiga Vila de Cajazeiras. Gabriel estuda na 5ª série e revela ser um aficionado pela sétima arte: em especial, pelas recentes produções do cinema brasileiro, que ele conhece por intermédio do pai, o policial militar Raimundo Gonçalves André.
Sem muita noção do que está acontecendo com sua vida e achando tudo novidade como qualquer criança de sua idade ele comentou que contracenar com o José Wilker “foi legal”, mas que nunca teve essa coisa de assediar e ser fã de artistas como algumas crianças da sua idade possui. Gabrielzinho, como é carinhosamente chamado pela equipe de produção do filme, disse que já conhecia a história do padre porque já estuda no Colégio Diocesano de Cajazeiras, que teve como fundador o Padre Rolim e na escola Nossa Senhora de Lourdes da mesma congregação.
Na segunda etapa de filmagem encontramos no set de filmagem a atriz Marcélia Cartaxo que disse que Eliezer já vinha comentando com ela a respeito desse longa-metragem e tinha um personagem que se encaixava com seu perfil de atriz. Ela perdeu as contas de quantos filmes já participou atuando até mesmo em papéis secundários. Em “O Sonho de Inacim”, a atriz interpreta a mãe de Inacim, uma moradora da cidade de Cajazeiras, que fica aflita ao perceber que o filho tem visões e vai em busca da identidade do filho, dentro de uma realidade interiorana que a atriz conhece muito de perto por ser filha natural de Cajazeiras. Marcélia estreou no cinema em 1985, no filme Hora da Estrela de Suzana Amaral e se tornou a primeira brasileira a ganhar o Urso de Prata do Festival de Berlim (Alemanha).
Fazem parte do elenco ainda os atores Luiz Carlos Vasconcelos, José Dummont, Edílson Alves, Roberto Cartaxo, Suzi Lopes, Fabíola Teixeira, Fernando Teixeira, Criselide Barros, Zezita Matos, Cida Costa, Gal Cunha Lima, Ravi Lacerda, Clizenite Assis e Dadá Venceslau, e ainda cerca de 32 figurantes.
O longa-metragem está sendo apoiado pelo FIC Augusto dos Anjos e pela Saelpa/Celb, e contou com o apoio das prefeituras onde foram rodadas as cenas. O filme deverá ser concluído ainda este ano e pretende percorrer as salas de cinema e projeção de todo país.
Adriana Crisanto