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quarta-feira, junho 21, 2006

Quando não é oito é oitenta


Para comemorar os 50 anos de carreira artística e os 80 anos de vida a cantora e compositora Francisca Januário Custódia, a Chiquinha Gonzaga, irmã do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, estará lançando seu segundo CD, intitulado “Oito e Oitenta” em João Pessoa neste sábado (13), às 21h, no Bar da Buchada, localizado na praia de Intermares, em Cabedelo. Os ingressos estão sendo vendidos no local ao preço único de R$ 10,00.
Chiquinha Gonzaga foi a primeira mulher a tocar uma sanfona de oito baixos, nos anos de 1950. Ela começou na carreira pelas mãos do irmão mais ilustre, que a levou para o Rio de Janeiro, onde logo se destacou na sanfona, que mais tarde viria a lhe garantir o título de Rainha dos Oito Baixos.
Em entrevista por telefone Chiquinha contou que o chapéu de couro sempre foi um instrumento certo na sua bagagem. Mesmo sob os olhares não muito amistosos do pai (Januário) e da mãe (Dona Santana) que diziam que sanfona não coisa para mulher, a jovem Chiquinha insistiu e partiu o irmão Luiz Gonzaga para seguir carreira no Rio de Janeiro. Chegando lá formou com os irmãos o grupo “Os Sete Gonzaga” que acabou sendo documentado em vídeo por uma televisão canadense em 1952.
Chiquinha diz que o irmão lhe faz muita falta, pois foi ele quem lhe ensinou a cantar, Zé Gonzaga lhe incentivou na sanfona e Severino Januário produziu o primeiro disco. Com família participou do lançamento do grupo na TV Tupi. Na discografia da artista constam cinco LP´s: Filha de Januário (1973), Xodó na Rede (1976), Penerou Xerém (1978), Chiquinha Gonzaga e Severino Januário e Forró com Malícia (1980). No ano de 2002 gravou o CD Pronde tu vai, Lui?, que contou com participação do atual Ministro da Cultura, o cantor e compositor Gilberto Gil.
A cantora já se apresentou em Nova York, em programa de rádios, mas revelou que sempre teve vontade de morar em João Pessoa, pois é uma cidade que lembra muito a sua Exu (PE). No entanto, a vida dessa mulher nunca foi muito fácil não. Em 1980, após a morte do seu marido se distanciou da música e da sanfona de oito baixos. Foi quando em 1990, a convite do cantor e compositor Gilberto Gil participou do filme “Viva São João!”, dirigido pelo cineasta Andrucha Waddington. O trabalho resultou na gravação em conjunto do CD “Pronde tu vai, Lui?”, com doze músicas incluindo seu maior sucesso, que dá nome ao disco.
Em “Oito e Oitenta”, ela mostra que não está enferrujada. Os solos da sanfona de oito baixo são muito bem pontuados e certeiros. É difícil encontrar pessoas que se interessem pelo fole de oito baixo, por ser um instrumento que oferece um certo grau de dificuldade para os principiantes. Chiquinha é autodidata no instrumento diz que aprendeu vendo o pai e os amigos tocarem nos forrós de latada no sertão de Pernambuco.
O disco contém 18 músicas. Boa parte das canções são de sua autoria e outras em parceria com outros artistas, além de canções de autoria do irmão Luiz Gonzaga. Participam do trabalho como convidados os músicos: João Cândido, Sérgio Gonzaga, Genaro, Marines, Dominguinhos, Joquinha Gonzaga, Bia Marinho, Walkyria, Nadia Maia, Ivan Ferraz e Júlio César. Acompanham a sanfoneira neste trabalho Fafá bezerra (triângulo), Apolo Natureza (violão e viola), Chico Botelho (cavaquinho), Toninho Tavares (baixo), Walkyria, Dora e Genaro (vocais). A produção é de Sérgio Gonzaga.
Atualmente a artista reside no Rio de Janeiro, mas está sempre em Pernambuco. Hoje ela tem três filhos (Sérgio, Anazili e Aparecida) e seis netos. O disco é todo ele dedicado a memória do filho Januário (Zuca) falecido aos 40 anos de idade e que segundo Chiquinha está no forró de Deus, junto com o pai José Custódio (ex-marido) e a maior parte da família Gonzaga. A artista se apresenta dentro do projeto cultural Identidade Nordestina, produzido por Orlando Camboim há mais de cinco anos, uma das figuras mais apaixonadas pelas cantorias de viola e trovadores.

Adriana Crisanto

Beato de Vila Rica


Exposição de Nivalson Miranda reúne réplicas em azulejos vitrificados dos profetas de Aleijadinho

Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br
Doze estátuas dos profetas do velho testamento, esculpidas pelo mestre Aleijadinho em pedra-sabão, que se encontram no Santuário Senhor Bom Jesus de Matosinhos, na cidade mineira de Congonhas do Campo (89 km a sul de Belo Horizonte/MG), foram replicadas pelo professor paraibano Nivalson Miranda, em azulejo vitrificado, transpostas para painéis, e agora estão expostas na mostra intitulada “O Aleijadinho – O Beato de Vila Rica”, que será aberta nesta quinta-feira (19), a partir das 18h00, na Associação Comercial da Paraíba, localizada no início da Rua Maciel Pinheiro, no centro histórico da Capital.
Na mostra podem ser encontradas 13 peças medindo aproximadamente 1,20m x 40 cm, desenhadas em azulejos, super aquecidos a 700 graus com uma substância oxidante (óxido de cobalto) que liquefaz a superfície e dá o efeito de vidro no plano branco do azulejo.
A idéia para composição de algo que deixasse viva a obra de Aleijadinho, segundo Nilvalson Miranda, surgiu quando visitou a cidade de Congonhas do Campo (MG), em 1970. Desde então ficou maturando a idéia de um projeto sobre o escultor, mas, só agora, cinco anos após, se debruçou nas pesquisas e leituras sobre Aleijadinho para composição da exposição.
As peças contêm o rosto dos doze profetas, pintados em azul português. Cada exemplar acompanha uma descrição, escritas em quatro idiomas. De acordo com o professor Nivalson Miranda foram quase cinco anos de pesquisas e leituras sobre Aleijadinho.
Uma exposição como está nos dá oportunidade de pesquisar com cuidado e conhecer um pouco mais sobre a obra de um dos maiores escultores brasileiros de todos os tempos. Muitas coisas foram ditas e escritas sobre Alejadinho. Nas bibliotecas, livrarias e a Internet o leitor pode encontrar textos e mais textos que falam e questionam sobre a grandiosidade da obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), por volta de 1730. Era filho natural de um mestre-de-obras português, Manuel Francisco Lisboa, um dos primeiros a atuar como arquiteto em Minas Gerais, e de uma escrava africana ou mestiça que se chamava Isabel.
A formação profissional e artística de Aleijadinho é atribuída a seus contatos com a atividade do pai e a oficina de um tio, Antônio Francisco Pombal, afamado entalhador de Vila Rica. Alguns historiadores dizem que a sua aprendizagem foi facilitada por eventuais relações com o abridor de cunhos João Gomes Batista e o escultor e entalhador José Coelho de Noronha, autor de muitas obras em igrejas da região. Na educação formal, nunca cursou senão a escola primária.
O apelido que o celebrizou veio de enfermidade que contraiu por volta de 1777, que o foi aos poucos deformando e cuja exata natureza é objeto de controvérsias. Uns a apontam como sífilis, outros como lepra, outros ainda por um nome cientifico esquisito: “tromboangeíte obliterante” ou “ulceração gangrenosa das mãos e dos pés”. De concreto se sabe que ao perder os dedos dos pés ele passou a andar de joelhos, se protegendo com pedaços de couro. Ao perder os dedos das mãos, passou a esculpir com o cinzel e o martelo amarrados aos punhos pelos ajudantes.
O Aleijadinho tinha mais de sessenta anos quando, em Congonhas do Campo, realizou suas obras-primas: as estátuas em pedra-sabão dos 12 profetas (1800-1805), no adro da igreja, e as 66 figuras em cedro que compõem os passos da Via Crucis (1796), no espaço do santuário de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
O Santuário do Bom Jesus do Matosinhos é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra sabão de 12 profetas: Isaias, Jeremias, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Jonas, Joel, Abdias, Adacuque, Amós e Naum. Cada um desses personagens está numa posição diferente e executa gestos que se coordenam.
Toda sua obra foi realizada em Minas Gerais e ainda hoje é admirada. A obra do Aleijadinho caiu, porém no esquecimento com o tempo, só voltando a despertar certo interesse após a biografia precursora de Rodrigo Bretãs (1858). O estudo atento dessa obra, como ponto culminante do barroco brasileiro, esperou mais tempo ainda para começar a ser feito, na esteira do movimento de valorização das coisas nacionais desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922.
Antônio Francisco Lisboa, segundo consta, foi progressivamente afetado pela doença e se afastou da sociedade, relacionando-se apenas com dois escravos e ajudantes. Nos dois últimos anos de vida se viu inteiramente cego e impossibilitado de trabalhar. Morreu em algum dia de 1814 sobre um estrado em casa de sua nora, na mesma Vila Rica onde nascera.

Sobre o autor

Nivalson Miranda ou professor Nivalson, como é mais conhecido, é natural de João Pessoa, além de artista plástico, é xilogravurista e um dos primeiros na Paraíba a pintar com bico de pena aquarelado e bico de pena em vista de pássaro. Formado em Farmácia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foi bioquímico, atuou em vários laboratórios da cidade. É hoje professor aposentado da UFPB, onde lecionou as disciplinas de Física Industrial e Izimologia.
Ele conta que sempre teve paixão por arquitetura, mas, como na sua época não existia curso de arquitetura enveredou na área da farmacologia, o que foi de grande resultado, pois aprendeu a manusear com os óxidos, tirando deles técnicas para a sua arte. Nivalson Miranda já fez mais de 30 exposições. São dele os azulejos pintados com fortes do Brasil que estão expostos na Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, e a exposição sobre as aventuras do alemão Hans Staden, também exposta no mesmo local.
Um estudioso natural das técnicas xilográficas e um apaixonado pelo patrimônio arquitetônico do país ele diz que está sempre se aventurando em novos estudos e possui em sua casa de uma coleção em miniatura de brasões, todos pintados à mão. Atualmente vem se dedicando ao Memorial Iconográfico Histórico Brasileiro que deverá funcionar numa sala da Associação Comercial da Paraíba, ao lado do espaço destinado a exposição que ficará exposta no local até o dia 31 de março.

Serviço:
Exposição: O Aleijadinho – O Beato de Vila Rica de Nivalson Miranda
Abertura: Quinta-feira (19)
Hora:18h
Local: Associação Comercial da Paraíba, localizada no início da Rua Maciel Pinheiro, no centro histórico da Capital
Visitação: Horário comercial até o dia 31 de março

O capim ainda é cubano


Para quem pensava que a banda Capim Cubano havia saído do modesto circuito musical paraibano se enganou redondamente. Mesmo com a saída do ex-vocalista José Neto o grupo continua na ativa e recentemente lançou o DVD que leva o mesmo nome da banda e será uma das atrações do programa de auditório “Sabadaço” do apresentador Gilberto Barros que vai ao ar neste sábado (15) a partir de 12h30.
A banda surgiu em junho de 2003 de uma brincadeira entre amigos com a proposta de tocar música latina: salsa, merengue, cúmbia, música cigana, rumba, pop latino e outros gêneros. O grupo está em sua terceira formação. No início eram: Marcos Bita (teclados) e Marquinhos Jamaica (percussão), Stênio Alencar (baixo) e Lula Nicácio (bateria), mas, segundo o baterista Lula Nicácio, Bita e Marquinhos não estavam conseguindo conciliar com o trabalho na orquestra de baile Mistura Fina, do qual faziam parte. No lugar dos que saíram entram Clodoaldo Mucarvel (guitarra), José Neto (vocal e percussão), Francy (percussão) e André (teclado).
Na época havia o comentário de que eles tinham surgido devido ao modismo de uma novela. “Quando surgimos à novela ainda não estava no ar e ela nem faz tanto sucesso assim”, disse Lula, um dos grandes bateristas do Estado.
Quem mora em cidade litorânea sabe que a medida em que o verão se aproxima os ritmos latinos são tocados com maior freqüência e na cidade de João Pessoa não é muito diferente. A prova é a enxurrada de novos grupos que surgiram no ano de 2003, como foi mencionado na imprensa local.
Quem pensava que os pessoenses gostavam apenas de forró de plástico, música eletrônica e rock urbano se surpreenderam ao verem, por exemplo, grupos como Capim Cubano se lançando em palcos de boates e bares da cidade com suas blusas floridas, calças brancas e maracas nas mãos “desconstruindo” a música latina em sua essência e ao mesmo tempo reinventando estilos, fazendo os mais puristas reverem seus conceitos.
No ano passado, o vocalista José Neto resolve sair do grupo para se dedicar a carreira médica, embarca para a Argentina, onde tenta fazer, paralelamente, seu trabalho autoral. No seu lugar entra o jovem Yegor Gómez (voz, percussão e violino), um garoto muito bem preparado falando e cantando um espanhol sem embromação. Recentemente a banda ganhou um reforço nos metais com dois trumpetes e um trombone. O sonzinho mecânico do teclado ganhou vida e a banda ganhou força.
Atualmente o grupo é formado por nove músicos. Entre eles Yegor Gómez (voz, percussão e violino), Stênio Alencar (baixo e vocal), Clodoaldo Mucarbel (guitarra, violão e vocal), Lula Nicácio (bateria e vocal), André Ricardo (teclados), Francy Moura (percussão) e o trio de metais.
O recém saído DVD também já pode ser encontrado nas carrocinhas ambulantes dos vendedores piratas, assim como aconteceu com o primeiro disco da banda. A gravação, segundo Stênio Alencar, aconteceu em junho do ano passado na casa de shows Boullevard, em Natal (RN).
O CD contém dezessete músicas desde Eldorado, Yo Viviré, Vivir Sin Aire, Volare, Bay I love your way, até músicas clássicas como “Guantanamera”, um gênero musical muito popular nos campos de Cuba (a guarija ou punto cubano), na época em que os conquistadores espanhóis, depois de dizimar a população indígena, ainda sem os escravos negros, recorreram os índios da região de La Gurajira, entre a Venezuela e a Colômbia para trabalhar no campo.
Joseíto Fernández, conhecido trovador havaneiro, foi o primeiro cantador de guarijas e um dos responsáveis por disseminar La Guantanamera, em um programa de rádio da década de 1940, que levava o mesmo nome da música – cujos temas eram escolhidos nas páginas policiais dos jornais e os crimes dramatizados com partes cantadas.
O refrão “Guantanamera, guarija guantanamera...“ ficou tão popular que o povo adotou a frase “me cantó uma guantanamera...”, para falar que alguém contou um fato triste. Na terra de Jackson do Pandeiro, a música se adaptou, foi pasteurizada pelo teclado e popularizou-se. Sendo, muitas vezes, cantada da boca para fora, sem nenhuma noção do seu conteúdo, dançada como forró.
Hoje a banda se apresenta mais fora do Estado do que nunca. Entre 2003 e 2005, a banda Capim Cubano, por diversas vezes, dividiu o palco com grandes expressões do meio musical, tais como: Jota Quest, Babado Novo, Timbalada, Raça Negra, Ney Matogrosso, Reginaldo Rossi, Calcinha Preta, Limão com mel, Calypso, Zé Ramalho, entre outros.
O primeiro CD “Capim Cubano ao vivo”, lançado em Janeiro de 2004, vendeu mais de 60 mil cópias. O 2º. CD de nome “Tereza Bandolera”, foi lançado em Maio de 2005. O lançamento oficial do primeiro DVD da banda está com lançamento previsto ainda para este mês.
E falando em shows a banda está com agenda cheia. Eles tocaram em Recife no dia 13 de abril, em São Paulo dia 15 de abril, novamente em Recife nos dias 20 e 21 de abril. Em seguida em Cajazeiras (dia 22 a confirmar), em Salvador (BA) no Rock Rio Café (Rio Vermelho), e dia 29 de abril no Tequila Café na cidade de Aracajú.
Bem recentemente a banda concluiu o website do grupo (http://www.capimcubano.com.br/) com detalhes sobre a banda, blog, fotos, agenda, discografia, mp3, letras e vídeos. O site é bem animado e foi produzido pela BC 10, empresa especializada em construção de páginas para internet. Agora é só conferir.

O moído de Stalimir Vieira


Para quem gosta de política, marketing e publicidade (ou tudo isso junto) um aviso: há um livro importante na praça. O título “O Moído de 2002 – Bastidores da campanha eleitoral que rachou a Paraíba” (Editora Livro Livre, 2006. 231 págs.) e o autor Stalimir Vieira, publicitário gaúcho. O lançamento oficial acontece nesta sexta-feira (24), no Mezanino II do Espaço Cultural José Lins do Rego, mais precisamente no stand da Estratégia Consultoria na Exposição de Marketing Político, a partir das 18h30.
O livro é um diário de bordo de como aconteceu, passo a passo, o desenvolvimento de uma estratégia de marketing político, bem com a definição de um conceito de campanha publicitária política. O texto não é urdido e para os acostumados a elaborações mais densas, lê-lo talvez seja fácil, uma vez que o autor não apela para críticas, reflexões fundamentadas.
Em um Estado em que tudo, mais tudo mesmo, cheira a política o livro chega estrategicamente em boa hora, em ano eleitoral. As questões colocadas pelo autor são fruto de uma experiência de 18 meses em que tentou eleger alguns políticos da região. No entanto, diz o editor na orelha do livro, fazer marketing político é fazer história, pois a história precisa ser contada, registrada, discutida.
O marketing político se transformou, nos últimos anos, em um instrumento indispensável para a sobrevivência dos empresários e de suas instituições. Segundo o papa do assunto, Philip Kotler, marketing é “a atividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”.
Toda campanha política necessita de criadores, onde cada passo é uma nova criação. A criação nasce do confronto. Opor-se a seu cliente é uma necessidade profissional. Todo político é muito cortejado, também não há candidato sem cortejo. Os seus assessores e aqueles que andam muito próximo a ele o cobrem de louvores que o sufocam. Mas, mesmo assim, ainda existem muitos políticos que, mesmo cercados de incompetentes assessores, bajulados o tempo todo, não conseguem abrir os olhos e enxergar o inverso da situação. Não conseguem sequer, perguntar para si mesmos, que produto estão oferecendo, que idéia estão transmitindo e que percepção os eleitores estão tendo.
Neste livro, Stalimir Vieira oferece em doses adequadas um medicamento chamado comunicação que se tomado conforme a bula pode salvá-los e em doses elevadas pode se tornar um veneno fatal. Uma outra questão levantada por “Stalim” (ir) – ou nome difícil - é o perigo da banalização da imagem do político, pois o marketing político está relacionado diretamente com a formação da imagem em longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam se projetar publicamente. É preciso saber o momento certo para falar e com muita moderação.
As campanhas eleitorais envolvem uma série de profissionais de diversas áreas, pois não existe mais espaço para campanhas de improviso, feitas apenas na base da intuição e acordos políticos, principalmente na atual conjuntura em que se encontra o País, imersos em altas taxas de juros e com vários problemas sociais. Ou será que na Paraíba política intuitiva ainda existe? Bem, como aqui tudo é possível acontecer faz-se necessário então ter umas aulas com o publicitário político Stalimir Vieira.
O que chama bastante atenção na publicação é a ilustração, uma charge dos políticos envolvidos na campanha de 2002. Imersos em uma piscina, os candidatos, munidos de luvas de boxes se esbofeteiam como numa brincadeira de crianças. Na Europa uma charge dessa poderia virar motivo para uma guerra civil, mas como estamos no Brasil, graças a Deus, tudo é liberdade de expressão.
O título do livro “Moído” é outro ponto que chama atenção do leitor. Moído, para quem ainda desconhece, é uma expressão popular (gíria local) para se dizer quando um assunto já foi exaustivamente discutido, falado, mexido, maçado e fatigado pelos candidatos, assessores, eleitores e pela opinião pública, e que mesmo assim continua sem solução definitiva.

Sobre o autor

Stalimir Vieira tem um abastado currículo profissional. É publicitário há 31 anos. Dirigiu a criação na DPZ, na W/Brasil, na Bates, em São Paulo, e na DDB Argentina. Foi professor e coordenador da cadeira de criação e inovação da Escola Superior de Propaganda e Marketing, diretor do Clube de Criação de São Paulo, conselheiro-fundador da Escola de Criação da ESPM, diretor da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) e da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap). É membro do Conselho de Ética do CONAR.
Assina colunas na revista Amanhã e no semanário Propaganda & Marketing, além de ter artigos publicados em outros importantes meios de comunicação, como Folha de S. Paulo e revista Exame. É conferencista, com palestras e workshops realizados em todo o Brasil e no exterior. Professor convidado de pós-graduação em Comunicação Social pela Universidade de Havana. É autor dos livros “Raciocínio Criativo na Publicidade” (em terceira edição) e “Marca: o que o coração não sente os olhos não vêem (reflexões sobre marketing e ética), publicados pelas Edições Loyola e pela Editora PUC-Rio e co-autor do livro “Propaganda: profissionais ensinam como se faz” (em segunda edição pela Editora Atlas). É diretor-geral da Stalimir Publicidade e da Stalimir Marketing Político e Comunicação Institucional.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Serviço:
O Moído de 2002 – Bastidores da campanha eleitoral que rachou a Paraíba

Autor: Stalimir Vieira
Editora Livro Livre
231 páginas
Lançamento: Sexta-feira (24)
Hora: Mezanino II do Espaço Cultural José Lins do Rego, mais precisamente no stand da Estratégia Consultoria na Exposição de Marketing Político.
Hora: 18h30.

terça-feira, junho 20, 2006

Versatilidade Cearense



Cacau Brasil trocou Minas Gerais pelo Ceará
e hoje equilibra rock com música regional
Para quem pensava que com o surgimento do rock aconteceria a grande ruptura estética e cultural da música e com isso estavam alteradas as formas de fazer música popular no século 20, hoje, se impressiona ao ver a mistura dos gêneros. A fusão de estilos, que para alguns não agrada na primeira audição, provocou o rejuvenescimento em algumas áreas da música e em todos os Estados do Nordeste. Foi assim nos Estados de Pernambuco, Paraíba e no Ceará com Cacau Brasil que acaba de lançar “Visionário”, um bem elaborado projeto musical produzido por Pantico Rocha (baterista de Lenine) e produção executiva de Airton Montezuma.
Neste trabalho Cacau Brasil consegue equilibrar as influências e deixa evidente a marca de forró nas dez faixas do disco, em que nove delas são de sua autoria. Este é o segundo CD do cantor e compositor mineiro, radicado no município de Aquiraz, um paraíso do litoral do Ceará que foi a primeira capital do Estado. Paralelo a música Cacau coordena uma associação cultural (Tapera das Artes) que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco social, no Ceará, num programa que atende cerca de 2000 jovens de Aquiraz.
É daí que vem toda inspiração para composição das letras das canções, em que remete toda sua relação com a arte, política de inclusão social, natureza, contradições, desigualdade, beleza e religiosidade. Como também temáticas que expressam os costumes locais, como nas músicas Jangada, Lagartixa e Capoeira.
Seguindo a linha visionária do paraibano Zé Ramalho e do pernambucano Alceu Valença, o músico e professor Cacau Brasil mistura xote, rock, forró, baião, maracatu e até uma balada romântica intitulada “Orvalho” (faixa 8), que tem a participação especial de Dominguinhos. “A canção é simples e grandiosa como o ciclo da vida, que recomeça a cada dia”, explicou o músico.
Uma das músicas de destaque é “Espelho Cristalino”, de autoria de Alceu Valença, em que propõe uma nova roupagem e utiliza as batidas do boi do Maranhão e o baião. Cacau explica que essa música é um encontro da natureza com a cultura popular, a batalha da selva de pedra e aço. “A arte é o único amuleto, que protege e ilumina. É o reflexo do próprio artista, o espelho cristalino, que o faz pleno”, disse.
A última faixa “Visionário”, que leva o título do álbum, o artista aparece como uma pessoa tentando encontrar respostas para o seu destino. “O caminho e o futuro levado na cruz”, diz a letra. Apesar da tarefa difícil de se viver o visionário Cacau Brasil procura uma luz no fim do túnel, ao mesmo tempo em que tem que ficar atento aos sons que surgem da vida.
Comentando sobre as canções do disco Cacau diz que a música “Lagartixa” (faixa 4) foi inspirada na obra do cordelista Leandro Gomes de Barros (1918-1968), “O Casamento e Divorcio da Lagartixa”, que consiste numa brincadeira com a figura das mulheres nordestinas e a forma brejeira de seduzir os homens e no rascunho de uma letra do pesquisador Silvio Romero, que utiliza a expressão nordestina “enrabichar”, que conota sedução e sensualidade.
Acompanham Cacau Brasil neste trabalho uma turma formada por jovens músicos, com idade variando entre 17 a 20, que foram descobertos no projeto social Tapera das Artes. Entre eles estão: Igo Abreu (berimbau e berrante), Hallison e Magno Miranda (percussão e efeitos). Os jovens estão ao lado de músicos como: Miquéias dos Santos (baixo), Lu de Souza (violão e guitarra) e Hot Júnior (percussão). Além de Waldonis (acordeon), Manasses de Souza (viola de 12 cordas), Márcio Resende (flauta transversal), Rodolfo Forte (acordeon) e Jair Dantas (acordeon).
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Serviço:
Cacau Brasil – Visionário
Distribuição Independente
Contato: 85. 3361.2704
Informações: www.cacaubrasil.net

G.R.U.E é o novo trabalho solo de Washington Espínola



Instrumentista apresenta novas composições e explora a voz em quatro gravações, num disco mais despojado de sua carreira

Foi a partir de uma palavra dita por seu filho mais novo Giulian que o agora cantor e instrumentista Washington Espínola extraiu o título de seu mais novo CD, G.R.U.E que estará lançando nesta sexta-feira (28), a partir das 20h, no Parahyba Café (Usina Cultural da Saelpa). Na quinta-feira (27) o guitarrista se apresenta com o gaitista Roberto Lira, num duo em que misturam música brasileira com canções do disco em que produziram em parceria.
Com uma sonoridade que explora desta vez a voz em contraponto com a grandiosidade instrumental que caracteriza a maioria de seus trabalhos, Washington Espínola apresenta um disco repleto de nuances, num álbum mais confessional de sua trajetória. “Sempre tive uma resistência muito grande a minha voz, por isso nunca cantei, mas agora resolvi colocar essa novidade”, comentou.
Como tem sido comum nos seus trabalhos, Washington Espínola apresenta um punhado de canções novas, são 18 ao total. Um dos músicos mais atuantes de sua geração ele nunca se acomodou e sempre tocou na mesma nota para defender a sua música autoral, provando aos mais descrentes que é possível viver de música instrumental, não dentro do Brasil, mas fora dele.
Mas, ele não vive de glórias, embora as tenha em quantidade que bastaria para mantê-lo entre os grandes compositores brasileiros. Washington Espínola mantém seu repertório sempre renovado, sempre arquitetando e alçando vôos como se fosse um principiante.
G.R.U.E traz 18 composições de sua autoria das quais quatro ele as canta junto com vocal de base suave de Remy Sepetoski, Martha Przekaza, Ariane Orlandi e Thaddeus Nsumpi. “Colégio Pio X” é a música que compôs para homenagear e lembrar sua adolescência no Marista Pio X, onde estudou na década de 1970. Em seguida, na faixa 13, a canção “Saudade” germina significados complementares de um artista que morre de saudade de sua terra natal. É assim também na faixa seguinte “De Kampioen” (parte III) e “Traveling” que vem uma emenda na outra.
Nos três últimos trabalhos Washington Espínola sai do básico: guitarra, baixo e bateria para incluir outros instrumentos, como o piano, acordeon e o violino, abrindo o leque para uma música mais universal, ou como dizem os europeus, a World Music. “Venho a cada trabalho experimentando novos instrumentos e o piano é um deles”, comentou o musicista.
Além do piano e voz juntos em algumas faixas, G.R.U.E conta com a participação de excelente músicos, a exemplo de Julian Azkoul (violino), Sébastian Dutruel (baixo), Kess Engelbarts (acordeon), Julien Gahwiler (baixo), Roman Hranitzky (guitarra acústica), Jean Pierre Lehmann, Maico Pagnano (vocal), Michelangelo Pagnano (guitarra elétrica), Eric Perret (saxfone e piano).
Para o músico é sempre muito bom retornar a Paraíba para visitar os familiares, rever os amigos. Há dois que o guitarrista não vinha em João Pessoa, devido, sobretudo a sua agenda de shows e apresentações em países vizinhos, a exemplo da França, Holanda, Amsterdam e Itália.
No show de sexta-feira (28), o músico se apresenta com Sérgio Gallo (baixo), Chiquinho Mino (bateria), Igor (teclado) e Stephan (sax). Antes de embarca para Genebra, onde hoje está radicado, faz outras apresentações com a banda Molho Inglês, que executa as canções dos Beatles, ao lado de Marcelo Jurema (bateria), José Crisólogo (baixo) e Abelardo Jurema (vocal e base) no dancing bar Musique em data a ser confirmada.

Vida e música

Para quem ainda não o conhece Washington Espínola é natural de João Pessoa. Começou a tocar guitarra aos 14 anos por influência do amigo e primo Júnior Espínola, também guitarrista. No ano de 1983, fundou a banda Prisma com Sérgio Gallo (baixo) e Glauco Andrezza (percussão). Nesse mesmo ano, começou a tocar no bar Vale do Timbó. Além de trabalhar em bares à noite, tocou também nos carnavais da cidade, em cima do trio elétrico Os Morcegos. O seu primeiro show solo foi no Teatro Paulo Pontes do Espaço José Lins do Rego.
No ano de 1986, fundou, com Stênio (baixo) e Luiz Carlos (bateria), o Washington Espínola Trio, com o qual acompanhou vários artistas, como Lis, Madruga, Sérgio Túlio, Tadeu Mathias, Gracinha Telles, Capilé, Diana Miranda e a banda Limusine 58, entre outros. O trio teve outra formação, com Chiquinho (baixo) e Léo (bateria). Tocou com vários artistas, a exemplo do cantor Emílio Santiago, Renata Arruda, Rosinha de Valença, Arnaud Rodrigues e outros.
Participou de vários projetos e festivais de música na Paraíba, como “Projeto Pinxinguinha”, “Projeto Boca da Noite”, “Projeto Pôr-do-Sol”, “Projeto Terça no Arena”, “Projeto Glória Vasconcelos”, “Festival de Arte de Areia”, “Festival de Inverno de Campina Grande”, “Festival de Música Instrumental da Paraíba” (MIP), “Festival de Música do Liceu Paraibano”, “Festival de Rock de Serra Branca”, “Fest Mar” e “Festival de Música do Colégio Pio X”, entre outros, e em festivais nacionais, como “Festival Banespa”, em São Paulo, e “Festival Nacional de Artes” (FENART).
Em 1992, participou da gravação da “Coletânea Aquarius vol. II”, com sua música “Fase III”. O LP foi produzido por Dércio Alcântara e dirigido por Lis. No ano seguinte, 1993, lançou seu primeiro disco “Manaíra”, contendo oito músicas de sua autoria. Gravou o CD “Quintal de Infância”, contendo 12 composições próprias, sendo três regravações, “Manaíra”, “Bluesão” e “À La Francesa”. No ano de 1995, gravou o CD “Contemporâneo” (Estúdio SG), registrando 15 músicas instrumentais, dentre as quais sua composição “Funk II”. O disco contém texto de apresentação de Herbert Viana. Em 1996, lançou, em dueto com o gaitista Roberto Lyra, o CD “Afinidades”, assinando também a direção musical e alguns arranjos.
Ao comemorar 10 anos de carreira, gravou, em 1996, o CD “10”, lançado no ano seguinte. Em seguida, viajou para Genebra, na Suíça, para atuar na banda da cantora paraibana Diana Miranda, radicada na Europa. Participou do “Festival de Mains” (Alemanha) e do “Festival Off de Montreux” (França). Tocou também na Áustria (Viena), Inglaterra, Itália (Moncalvi e Sicília) e Portugal (na “Expo 98” e no “Festival do Porto”). Formou, nessa época, um grupo com o baterista israelense Rony Man, o baixista italiano Enzo Criscuolo e o tecladista suíço Nicolat Currat, trabalho registrado no CD “Caliel”, lançado em 1998.
No mesmo ano, gravou, na Suíça, o CD “Sy’s Theme”, que teve a participação do baterista Nelson Ned Júnior, do guitarrista austríaco Roman Hranitzky, dos tecladistas italianos Nicolat Currat e Antônio Di Leo, e dos percussionistas Patrick Merz e Maico Pagano, além dos paraibanos Sérgio Gallo (baixo) e Paulinho de Tarso (percussão). Fez show de lançamento do disco em João Pessoa, em 1999, no bar Parahyba Café. Constam do repertório do CD suas composições “Sy’s Theme”, “Barrocos”, “Choro” e “Jonction”, entre outras. Nesse mesmo ano, gravou o CD “The 5th Change”. Em 2000, lançou o CD “Virgo”.

Serviço:
Lançamento: G.R.U.E. – Washington Espínola
Sexta-feira (28)
Hora: 21h
Local: Parahyba Café – Usina Cultural da Saelpa – Tambiá
Maiores Informações:
www. wespinola.comEmail: wespinola@mail.com

Entre Batatas e Livros

Autor do best seller “Ártemis Fowl” lança “Pânico na Biblioteca”
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br
O autor do best seller Ártemis Fowl, o irlandês Eoin Colfer, acaba lançar “Pânico na Biblioteca” (Editora Record, 96 págs. R$ 19,90), uma bem humorada estória de Eduardo e seu irmão Marcos que não gostam de ler e são condenados a passar as férias na Biblioteca de sua cidade ao lado de Dona Batata, uma bibliotecária de voz doce, com coque no cabelo que se revela um monstro quando alguém se atreve a fazer baderna no seu ambiente de trabalho.
A pequena obra, apesar de ser indicada para o público pré-adolescente, conquista até os adultos. O livro vem todo ilustrado com as cenas dos moleques Marquinhos e Duda que de tanto arrumarem confusão em casa acabam tendo o pior de todos os castigos do mundo. Além do temor da bibliotecária Dona Batata os garotos temem morrer de tédio, cercados por tantas obras e autores que desconhecem.
Em pouco tempo de estádia na biblioteca Marquinhos e Duda descobrem que as tardes na biblioteca parece ser um programa divertido. Num mundo cada vez mais descartável, a narrativa do livro segue o melhor estilo de James Bond, uma mistura de comédia e mistério, que de certa forma concentra grande poder de leitura e imaginação.
A obra é uma boa oportunidade para os pais e educadores despertarem nos filhos o gosto e o amor pelos livros, coisa que o autor Eoin Colfer faz de forma extremamente divertida.
“Pânico na Biblioteca” foi publicado com os direitos para o cinema e logo comprado pela Miramax, no qual tem um projeto de ter como personagem principal o ator Cameron Diaz, no elenco. O filme sofrerá algumas alterações e contará a história de uma família para lá de movimentada, com cinco irmãos muito levados e amigos cheios de planos infalíveis.
O autor Eoin Colfer se tornou conhecido ao publicar o romance “Benny and Omar”, que acabou virando best seller na Irlanda, e Artemis Fowl primeiro livro com o brilhante e jovem anti-heroi que acabou se tornando sucesso internacional. Com a mesma obra ganhou o WHSmith de Livro Infantil do Ano na escolha popular e do Livro Infantil do Ano do British Books Awards.
Sobre o autor – Colfer nasceu e foi criado na cidade litorânea de Wexford, localizada no sudeste da Irlanda. Começou a escrever algumas peças muito cedo, obrigando a seus colegas de turma a se vestir de vikings arruaceiros. Passou um tempo sem escrever e quando adulto, encorajado pela família, voltou a ter contatos com as escrita para adolescentes.

Serviço:
Pânico na Biblioteca
Autor: Eoin Colfer
Tradução: Ryta Vinagre
96 páginas
Editora Record
Preço: R$ 19,90

Dualidade Publicitária


Para entender os jogos verbais e lingüísticos que estão inseridos na publicidade, o escritor Marcos Nicolau publicou, no final do ano passado, o livro “Dualidade e Criação Publicitária” (Ed. Idéia. João Pessoa. 2005. 96 págs. R$ 15,00). A publicação não teve lançamento oficial, foi apenas distribuída para divulgação e alguns conhecidos do autor, mas, é um livro que não pode ficar esquecido na estante, uma vez que a cada página do livro, o leitor descobre que a publicidade também é uma arte e como todas as outras artes, precisa de talento, criatividade, imaginação, dedicação em tempo integral.
Neste estudo Marcos Nicolau prioriza a linguagem publicitária como num jogo criativo. Para o autor, a criação publicitária é comercial e tem como objetivo vender produtos e por isso precisa seguir o que está em voga, observar comportamentos e só então elaborar peças destinadas a influenciar e predispor as pessoas à compra de mercadorias que anuncia.
Muitos profissionais da área se utilizam da dualidade, um princípio lingüístico que proporciona um efeito nas pessoas a partir do uso de sua dupla forma: explicita e implícita, que se move no imaginário inconscientemente. Como exemplo desta dualidade basta assistir ao comercial do lingerie Valisére que diz: “Quando uma menina vira mulher, os homens viram meninos”. A idéia deste comercial, segundo o professor, se move pelas belas imagens e tem um apelo baseado no fato das jovens, nesse momento crucial da idade, desejarem se mostrar mulheres sedutoras para mexer com sentimentos dos homens.
A base do estudo está centrada na dualidade para criação publicitária da lingüística não da concepção filosófica. “Uma forma que criei para fornecer subsídios aos profissionais durante o processo criativo”, explicou Marcos Nicolau que é o atual coordenador do curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba.
O livro contém apenas 69 páginas e dispõe de um bom conteúdo para análise, e é fruto dos cursos de especialização que o professor ministrou em faculdades de vários Estados do país. Em poucos capítulos, o autor explica sobre o poder que tem a palavra no ato criativo da publicidade, o caráter essencialmente dual da poética e a dualidade e sua eficácia na retórica. No último capítulo, o professor traz sugestões de exercício do processo de criação pela dualidade. A obra se destina a profissionais e estudantes das áreas de Marketing, Publicidade, Propaganda, Jornalismo, Relações Públicas e pessoas que estão ligadas às artes de uma forma geral, uma vez que em muitos comerciais as telas dos artistas servem de referência para uma peça publicitária.

A arte na publicidade

Com exemplo da arte inserida na publicidade é a inclusão de Picasso nos comerciais da Rimbaud. A empresa nunca pediu a aprovação dos clientes, não precisou de plataforma criativa e Michelangelo, artista pago pelo poder da Igreja, recusava-se a mudar suas concepções para agradar o cliente. Eles deixaram uma obra que vai durar pelos tempos afora e os anúncios devem durar no máximo o tempo de vida dos produtos que anunciam.
De acordo com Marcus Nicolau este processo de “apropriação” das obras de arte começou a acontecer no início do século XX, com a pop arte. “A publicidade não cria uma obra de arte. Ela apenas copia, porque a base dela vem da retórica e da busca do funcionamento do discurso”, comentou o autor. O que faz sentido porque se fosse uma grande arte, seus valores e princípios estéticos pertenceriam a seu próprio universo e nele se bastariam. O que faz uma grande arte é a militância do artista na arte pela arte.

Sobre o autor

Marcus Nicolau é coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutor em Letras com teses sobre poesia e publicidade. È mestre em educação com dissertação na área de criatividade e especialista em comunicação social.
Ele é autor de Desígnios de signos: relação entre poesia de vanguarda e publicidade impressa (2001), Criação e personalização de marcas (2001), DeZcaminhos para a criatividade (1998), Educação criativa: ensinando a arte de aprender e aprendendo a arte de ensinar (1997) e Introdução à criatividade (1994).

Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br
Serviço:
Dualidade e Criação Publicitária
Autor: Marcos Nicolau
Editora Idéia – João Pessoa – PB
96 páginas
R$ 15,00Vendas: Livraria Almeida (Shopping Sul), Casa do Livro (UFPB) e na Livraria da Editora Idéia.

Lirismo de Maria Juliana



Ao que tudo indica o cenário de cantoras mulheres da Paraíba vem se renovando. Uma mostra desta lenta mutação é o surgimento, no ano passado, da cantora Flávia Venceslau. Em 2005, a cantora Maria Juliana, surge como a mais nova jovem revelação da música paraibana, indicada pela crítica especializada. Com uma voz extremamente afiada para sua estatura Maria Juliana encantou a platéia do projeto Seis e Meia, em junho deste ano, ao abrir o show da dupla de cantores Antônio Carlos e Jocafi. Ela, que também é solista do Coral da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), embarca no final deste mês para Londrina, Paraná, onde participa com os integrantes do Coral do Festival Internacional de Cultura que acontece todos anos no local, representando o Estado.
Paralelo ao trabalho de solista do coral Maria Juliana, 22 anos, estuda Direito na UFPB e tem sua banda composta por: Michel Lucena (violão), Marcelino (baixo), Yuri Ribeiro (piano e acordeon), Herbert Pereira (bateria e percussão) e Victor Mesquita (violão, guitarra, cavaquinho e flauta). Nas apresentações “Maria Juliana e banda” cantam e tocam o repertório clássico da MPB, música regional e canções autorais. O diferencial é que tanto ela quanto os integrantes da banda tem formação clássica, ou seja, estudam música e possuem um trabalho mais orquestral.
Maria Juliana começou a cantar e atuar aos oito anos idade em peças de teatro da igreja do bairro José Américo. Quando completou 14 anos ingressou no canto lírico, no Coral Infantil da Paraíba, no Espaço Cultural José Lins do Rego, e em seguida no Coro Sinfônico da Paraíba. Fez alguns espetáculos musicais com a Orquestra Infantil, uma delas foi: “Os Tamancos”, uma peça de autoria da regente, a professora Norma Romano. Com a Orquestra Jovem, foi solista da peça “A Peste Intrigante”, uma fábula de Monteiro Lobato musicada por um maestro brasileiro.
Ainda na adolescência Maria Juliana foi convidada pelo pianista e regente do coral Unipê, Jean Carlos, para cantar em festas e eventos particulares. Apesar de ter ingressado para a música clássica e canto coral Maria Juliana contou que tem bastante influência da música popular, devido aos pais que são do interior do Estado. “Sempre escutei em casa, desde criança, músicas de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marines”, revelou.
Uma pequena amostragem da diversidade musical apurada de Maria Juliana foi dada no projeto Quintas Musicais, em que cantou uma mostra da Ópera Carmem, Dolores Duran, músicas do paulista Renato Braz, do paraibano Adeildo Vieira, um tango de Mercedez Sossa e canções autorias de sua banda.
Mesmo com o esgotamento progressivo das fórmulas brancas de se começar numa carreira musical e de se fazer música, as chamadas fórmulas clássicas, ao que parece, um novo “crossover artístico”, para citar um termo nem tão atual assim, vem sendo anunciada por cantoras dessa nova geração como é o caso de Maria Juliana e de tantas outras que vem surgindo.
Nesta “linha evolutiva das coisas”, como bem disse Caetano Veloso, a cantora até já recebeu convites para interpretar canções de artistas locais, a exemplo do cantor e compositor Marcos Farias e do maestro Durier. “Tudo ainda são projetos para o futuro próximo”, conta Juliana que em cada apresentação está sempre acompanhada pelo violonista Michel Lucena, com quem também desenvolve um trabalho autoral, em que ela canta e ele toca violão. A cantora e o violonista podem ser vistos diariamente num programa de televisão local, Delícias do Chef, dando uma pequena mostra do trabalho da dupla. Com força de sua juventude Maria Juliana ainda arranja tempo para assessorar o Coral Infantil São Francisco das Chagas (de uma Ong que funciona no bairro do Rangel), grupo que abriu o Festival Paraibano de Corais (Fepac), no mês passado. No momento, diz ela: “quero apenas cantar”.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Dida - O Pensador Virtual


O cantor e compositor paraibano Dida Fialho está em João Pessoa na tentativa de captar recursos a gravação de um DVD/CD e para uma série de 27 shows pelo país, que irá contar um pouco de seus 30 anos de carreira artística. O projeto, segundo Dida, foi idealizado por Gilvan de Brito, inscrito e aprovado na Lei Estadual de Incentivo a Cultura do Rio de Janeiro.
O projeto se refere a um DVD/CD com doze músicas com vários temas, dirigido pelo cineasta Gilvan de Brito, responsável pela realização de vários curtas-metragens institucionais e longas no Rio de Janeiro, São Paulo e outros Estados.
O DVD/CD, que irá se chamar “Pensadores Virtuais”, será apresentado nas cidades de Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio, Búzios, Angra dos Reis, Nilópolis, Parati, Miguel Pereira, Petrópolis, Teresópolis, Resende, Macaé, Volta Redonda, Nova Friburgo, São João da Barra, Itaperuna entre outros municípios. A intenção, de acordo com o cantor, é inserir a Paraíba neste circuito também, com apresentações aqui.
No ano passado Dida Fialho lançou o disco “Pensadores Virtuais”, o primeiro de sua carreira, produzido em 2003. A demora, segundo o cantor, aconteceu porque sempre foi muito exigente e primou por um trabalho de qualidade. O disco foi produzido por Jota Moraes, gravado no estúdio Joala no Rio de Janeiro por Julinho Barbosa.
O trabalho traz uma seleção de músicas nunca antes editada em CD pelo artista. A maioria das canções são de sua autoria e outras em parceria com Livardo Alves, Deso Philho, Gilvan de Brito, Irani Medeiros, Humberto de Almeida e duas outras canções que interpreta, um delas de Chico César (Do Além, faixa 6).
São músicas possuem um alto grau de poesia e musicalidade que caracteriza muito bem a música popular paraibana. “Sol Maior” é canção dedicada a Gloria Vasconcelos, em que fala da dicotomia entre o amor e a paixão. Em Bossa Nova, faixa 10, é novamente o amor que ele canta, uma canção arranjada por Jota e Dodô Moraes. “Essa música foi composta na época das serenatas, coisa que hoje não existe mais”, lembrou o cantor.
Uma das músicas que chama atenção é “Cantador de Rua”, em que rende homenagem a todos os tipos de cantadores, daquele que grita para vender seus produtos no camelô a dobradiça de uma janela.
Dida Fialho fez parte da geração anterior ao Jaguaribe Carne. Foi integrante do grupo folclórico do Liceu Paraibano. Cantou no Coral Universitário da Paraíba que tinha como regente Clovis Pereira. No ano de 1975, participou da primeira coletiva de musica com o grupo Ave Viola, com quem gravou o disco "Requien para o Circo", com a participação de Zé Ramalho. Ele viajou todo o Brasil com a peça Teatral o "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, espetáculo dirigido por Fernando Teixeira.
Na sua caminhada musical percorreu todo o interior de São Paulo realizando shows de música produzido por Pedro Neves. Participou de vários festivais de música em São Paulo. Participou do Projeto Pixinguinha edição Nordeste. Há 12 anos tem residência fixa no Rio de Janeiro, o que ampliou o seu currículo artístico, fazendo parceria com músicos de expressão da Música Popular Brasileira (MPB), a exemplo de Jota Morais (maestro arranjador).
No teatro ainda integrou a montagem do espetáculo "Morte e Vida Severina", de autoria de João Cabral de Melo Neto, numa produção da Casa da Gávea e direção geral de Cristina Pereira. De volta a Paraíba, ganhou o 7º Forró Fest da TV Globo Paraíba com a música "Cantador de Rua".
Serviço:
Dida Fialho - Pensadores Virtuais
A venda no Sebo Cultural
Preço: R$ 20,00
Publicado no caderno Show do jornal O Norte em Fevereiro de 2006.

Guerra dos Livros


O livro passou, nos últimos anos, a ser um dos produtos culturais mais comentados no Brasil, devido as bienais de livros que estão espalhadas por todo País, e pelas campanhas de reconhecimento a garantia ao acesso à leitura realizada pelo Ministério da Cultura (Minc), em conjunto com o Ministério da Educação há alguns anos. Na Paraíba, a criação da Bienal do Livro passou a ser alvo de uma pendenga político-cultural aparentemente sem motivos. E, como sempre acontece, foi motivo de pauta de discussão obrigatória nas rodas culturais de João Pessoa.
Dois grupos disputam a criação do evento, um deles liderado pela escritora Clotilde Tavares, que há três anos está à frente da Bienal Nacional do Livro de Natal, no Rio Grande do Norte. Ela conta que o convite para criação do evento, em João Pessoa, surgiu de amigos paraibanos que sempre questionavam sobre a não existência de um evento desta natureza na Paraíba, tendo em vista que o Estado sempre foi referência na área literária e possuir nomes expressivos na literatura brasileira.
Clotilde Tavares disse que lamenta que fatos como estes aconteçam e que a empresa Acessus Eventos e Comunicação, com a qual trabalha, procurou os organizadores da outra Bienal para que juntos realizassem um só evento. "Mas, eles não quiseram", comentou a escritora que diz que os preparativos para a Bienal do Livro da Paraíba estão a todo vapor.
O evento deve acontecer no período de 20 a 28 de maio, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, e segundo Clotilde Tavares, tem presença confirmada de escritores conhecidos do meio literário nacional, a exemplo do jornalista José Nêumanne Pinto, o poeta e crítico Affonso Romano de Sant'Anna e a escritora Marina Colasanti.
Como também estão confirmadas as presenças de editoras bastante atuantes no Estado. Entre elas, uma das apoiadoras do evento, a Editora Grafset, que tem uma grande participação no mercado com livros didáticos regionais. Além de editoras e livreiros nacionais, presentes na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e outros que já fizeram a sua adesão à Bienal do Livro da Paraíba, como a Editora Cortez, Editora Global, Editora Paulus, Editora Paulinas, Barsa Planeta e outras.
A estimativa dos organizadores é que a Bienal Nacional do Livro da Paraíba tenha uma freqüência de público de 100 mil visitantes, com um fluxo de 12 mil pessoas ao dia, nos nove dias do evento, contribuindo para o crescimento intelectual e cultural do nosso Estado. A Bienal Paraibana do Livro
O segundo grupo que está na disputa pela realização de uma Bienal do Livro na capital paraibana é a Ong BB&C (Construindo a Cidadania), cujos representantes dizem ser idealizadores do evento, pois haviam criado a I Bienal Paraibana do Livro, antes mesmo da Bienal Nacional do Livro da Paraíba existir, e tinha, até alguns meses atrás, previsão para acontecer, no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego.
A curadora da Bienal Paraibana do Livro, a professora Marília Guedes Pereira, contou em entrevista ao O NORTE, há alguns meses atrás, que a demora para a realização da Bienal, coordenada por ela, aconteceu porque o projeto enviado ao Minc ainda não tinha sido aprovado, mas que o final do ano passado o projeto foi aprovado pela Ministério da Cultura (Minc) e automaticamente tem o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Nacional de Livrarias (ANL) e da RPS Assessoria e Promoção de Eventos, empresa que trabalha na formatação de contratos com editoras e livrarias para grandes eventos nacionais, a exemplo da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
O assessor de imprensa da Bienal Paraibana do Livro, Leandro Ramalho, da Pauta Comunicação, disse que até o presente momento é certo que o evento aconteça no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego. De acordo com Leandro, a curadora Marília Guedes se encontra em São Paulo tentando captar recursos, patrocínios e apoios, buscando parcerias com entidades privadas e com o setor público.
Até o momento, dizem os organizadores, não existe confirmação nenhuma de nomes de escritores consagrados nacionalmente que venham abrilhantar o evento. A única certeza que eles têm é que a Bienal Paraibana do Livro terá como enfoque principal a valorização dos escritores paraibanos, sem deixar de valorizar o trabalho de autores nacionais e nordestinos.
Dentro da programação está sendo cogitado concursos literários, feiras, oficinas, palestras de escritores, tardes e noites de autógrafos, debates com autores, mostras de literatura de cordel, trabalhos de divulgação de literatura infantil, leitura de obras, estandes para visitação entre outras atrações.

Opinião dos livreiros pessoenses

Para os donos de livrarias e pequenas editoras locais, as bienais têm um lado positivo e outro negativo. Para o livreiro e proprietário da Editora e Livraria Nova Idéia, Magno Nicolau, o lado bom das bienais é o fato de que elas incentivam, abrem caminhos para a leitura e apresentam ao público os novos escritores locais. O lado negativo é o preço dos estandes para exposição dos livros. "Estão muito caros para nossa realidade", comentou.
Magno disse ainda que tanto a livraria como a editora pretendem expor o material, fazendo, talvez, uma parceria com outras editoras. Na opinião dele, as bienais do livro fazem bastante sentido nos grandes centros do país. "Porque lá existe uma rotatividade maior do público", disse o editor que recentemente inaugurou a Livraria Idéia.
O gerente de vendas da Livraria Almeida, Antônio Oliveira, também questionou sobre os mesmos motivos. "Além do que muitos não estão sabendo destas bienais", ressaltou. A Livraria Almeida tem participado com freqüência das feiras de livros em João Pessoa e Recife (PE), com isso constatando que viver do livro na Paraíba é muito difícil.
Heriberto Coelho, da Livraria e Sebo Cultural, disse que não estava ainda por dentro da programação das bienais e que até o dia 2 de abril irá decidir se de fato participa ou não da Bienal, devido também ao preço dos estandes para exibição dos livros. A preocupação maior de Heriberto Coelho, que tem um dos mais completos sebos de livro e disco da cidade, é com a venda dos livros dos autores regionais, que não vendem tão bem e ainda dispõe de pouco espaço.

Professoras lançam CD Rom com estudo sobre discurso de José Lins do Rego




"Movimentos do Discurso de José Lins do Rego" é o nome do mais novo trabalho acadêmico, em CD-Rom, de autoria da professora e escritora Sônia Maria van Dijck Lima, foi lançado em João Pessoa, quinta-feira, 11, às 19h00, no Parahyba Café da Usina Cultural da Saelpa.
O trabalho consiste na crítica genética da obra memoralística e autobiográfica, "Meus Verdes Anos", do paraibano José Lins do Rego, em que verifica a construção da linguagem popular regional, do narrador, narratário e das personagens femininas. No CD podem ser encontrados análises de fragmentos do discurso de "Meus VerdesAnos", fotos, capas das primeiras edições de "Menino de Engenho" e de "Meus Verdes Anos", e a bibliografia consultada.
Todo o estudo foi encampado pela Editora Universitária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem como co-autoras às pesquisadoras Marilene Carlos do Vale Melo e Maria Lúcia de Souza Agra. A pesquisa científica teve apoio do projeto "Atelier José Lins do Rego" *, no período de 1988 a 2001. A trilha sonora é do grupo Quinteto Itacoatiara, com capa e etiqueta do CD compostas por Geraldo Profeta Lima.
Sônia Maria Van Dijck Lima é mestre em Letras pela UFPB, doutora em Letras (USP), com pós-doutorado em Letras e Literatura Brasileira (UNESP-Araraquara), professora de Literatura Brasileira da UFPB, pesquisadora de arquivos (história da literatura, crítica genética), além de contista e poeta bissexta.

Por que o manuscrito de José Lins do Rego e não um dos livros dele?
Porque para estudar a construção da linguagem você não estuda no livro onde ela está parada. Você só tem os movimentos dessa construção se estudar os originais, os rascunhos, os projetos de obra, etc.

Como surgiu a idéia de fazer um trabalho como este?
Sou pesquisadora de arquivo (história da literatura e crítica genética). E já havia estudado Hermilo Borba Filho, do ponto de vista da crítica genética. Como hoje estou trabalhando com Guimarães Rosa, "Sagarana", também como crítica genética. Um dos estudos possíveis sobre José Lins do Rego era o estudo dentro dessa abordagem que ninguém tinha feito. No caso de "Meus Verdes Anos" é o último livro da série de José Lins do Rego e é o documento disponível aqui na Paraíba, que foi depositado no Espaço Cultural. Havia o interesse de fazer um estudo que ainda não tivesse sido feito. Aliado à felicidade do documento original estar depositado na Paraíba, e à felicidade do fato de esse documento corresponder à última obra publicada em vida pelo autor. A primeira edição de "Meus Verdes Anos" é de 1956, e ele morreu em 1957. A segunda edição, quando saiu, ele havia falecido. Então, aconteceu uma série de coincidências felizes, digamos assim. Um autor que não havia sido estudado, do ponto de vista metodológico, e o documento para esse estudo estar depositado na Paraíba. Além de encontrar uma equipe de pesquisadores com interesse de aprender a trabalhar com essa metodologia.

O trabalho de pesquisa esteve todo ligado ao projeto "Atelier José Lins do Rego". Que projeto é esse?
O "Atelier"** foi um projeto de minha autoria e sob minha coordenação. Pertencia à minha linha de pesquisa na pós-graduação da UFPB. Seus objetivos estavam voltados para a arquivologia e para a crítica genética. Foi dentro desse projeto que o trabalho foi passado para CD Rom. Nós publicamos quatro catálogos. Fizemos uma exposição de documentos. Saíram livros publicados. Dissertações de mestrado. Trabalhos em Anais, capítulos de livros e, finalmente, a análise do documento de "Meus verdes anos", que, agora, publicamos no CD Rom.

Uma das personagens que você cita no manuscrito é a Safira, que teve uma função na formação do menino Dedé, mas que na publicação final ela recebeu outro nome. Como foi essa descoberta?
Safira é o nome encontrado no manuscrito, mas no texto final do livro, a mesma personagem passou a se chamar Pérola. A personagem aparece, no manuscrito, no fólio 209, e tem o nome de Safira. Permanece na aventura até o fólio 238, quando desaparece da vida de Dedé. Mas, no fólio 214, existe uma letra "P" rasurada, seguida, na linha, do nome Safira. A hipótese é que esse fólio marca a modificação do nome da personagem, que ficará conhecida com Pérola. As análises dessas modificações e seus significados estão no CD Rom.

Como se configura a linguagem de José Lins do Rego?
Em "Movimentos do Discurso de José Lins do Rego" mostramos que o autor, por exemplo, constrói, em várias ocasiões, uma linguagem popular regional como segundo movimento de escritura. Ou seja, o popular regional é uma construção proposital, de acordo com um projeto poético.

Que critérios metodológicos você utilizou nesta pesquisa?
O principal propósito foi verificar como se movimentou a linguagem em construção. Que movimentos o autor realizou na linguagem para construir um determinado discurso. A partir do texto referente, que foi a primeira edição de "Meus Verdes Anos", procuramos investigar no manuscrito as marcas dos movimentos escriturais do autor. Assim, analisamos rasuras, correções, modificações, considerando que o autor estava procurando a otimização do discurso. Procuramos reencontrar José Lins elaborando o texto que desejava entregar ao leitor.

Discussão sem fundamento



O vereador de João Pessoa, Tavinho Santos (PTB) está inquieto querendo saber por que a administração municipal não lançou o edital para a inscrição de projetos culturais de vários artistas de João Pessoa. De acordo com político a Prefeitura tem, por ano, no Orçamento, 1,9% para o Fundo Municipal de Cultura (Lei Viva Cultura) e esse dinheiro não vem sendo investido nesses projetos. “Estamos completando um ano e quatro meses de Governo Ricardo Coutinho e até agora nenhum projeto foi aprovado, simplesmente porque o edital não foi publicado”, disse o vereador através de material de divulgação de sua assessoria.
O diretor executivo adjunto da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Lau Siqueira, disse que o vereador Tavinho não é a pessoa mais indicada para falar do Fundo Municipal de Cultura. De acordo com Lau, ele fez parte, como secretário, foi da base de apoio e continua num grupo que administrou caoticamente o FMC. “Tavinho deveria mesmo era explicar publicamente o rombo de 188 mil deixado pela gestão da qual fez parte, exatamente no FMC. Também deveria explicar a extrema desorganização que herdamos, com processos e documentos espalhados pelas secretarias e um débito incalculável de alguns artistas que até hoje não conseguiram prestar contas dos seus projetos. O vereador deveria explicar essa irresponsabilidade antes de questionar a necessidade de mudanças”, respondeu as críticas.
O político Tavinho disse ainda que desde a criação do Fundo a Cidade já tem um número considerável de produções culturais em diversas áreas, como teatro, cinema, música, além de outras atividades. “Os produtores esperam até hoje inscrever seus projetos, que serão selecionados e aprovados por uma Comissão, designada pela Prefeitura”, comentou.
Para o político Tavinho Teixeira, tal atitude gera um prejuízo de dois milhões de reais por ano, que poderiam ser investidos na produção cultural da cidade. “A lei de incentivo a cultura foi uma das maiores conquistas da classe cultural e toda a produção cultural está sensivelmente prejudicada porque está à mercê desta publicação, muitos CDS, livros, exposições e apresentações estão aguardando”, desabafou.
Muito “preocupado” com a cultura, o político, Tavinho Santos, disse que a respeito aos comentários na área cultural de João Pessoa, de que a prefeitura estaria realizando estudos para transformar a lei de incentivo a cultura no Fundo Empreender de Cultura: “Eles além de estarem jogando o dinheiro da cultura no lixo, querem emprestar ao invés de investir. É uma falta de sensibilidade tremenda”, frisou, acrescentando que tal iniciativa inviabiliza a prática cultural em João Pessoa: “Como uma pessoa que pretende lançar um bumba-meu-boi, ou uma quadrilha junina terá condições de pagar depois?”, questionou.
Em resposta aos questionamentos e críticas do político, Lau Siqueira, disse que a criação do empreender cultural terá o objetivo de fomentar o mercado na área, para que alguns grupos culturais adquiram sua autonomia e deixem de ser massa de manobra de políticos sem escrúpulos. “Quem possui um projeto sustentável financeiramente precisa mesmo devolver aos cofres públicos o dinheiro arrecadado em forma de empréstimo, como acontece com qualquer pequeno comerciante, cliente do empreender-JP. A fundo perdido, somente os projetos que têm um alcance social e não visam lucro é que devem ser integralmente financiados pelo poder público, ou seja, pelo Fundo. Não podemos mais conviver com projetos 100% financiados com dinheiro público e vendidos a preço de mercado ou até acima do mercado. Esta é a realidade que queremos transformar”, finalizou.
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em março de 2006.